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Do que as mulheres verdadeiramente gostam?

quinta-feira, março 8th, 2012

Porque o conhecimento de causa? Eu cresci no meio de três irmãs mais a minha mãe, meu pai e mais um irmão. E isso como homem foi muito bom pra mim. Ainda tinha um laço afetivo muito forte com minha avó Almira e minha tia Maria da Glória. Eu e meu irmão mais velho crescemos neste ambiente rico das diferenças, mas principalmente do respeito e do amor puro. Lembro-me que eu e minha irmã mais nova tomávamos banho juntos, pois quando se educa o coração de um homem para a pureza ele cresce respeitando e acolhendo a grande e linda dignidade do ser mulher. Minha primeira grande amiga foi minha avó e minha tia, que me ensinaram os caminhos da fé. Minha mãe e minhas irmãs me ensinaram a buscar nas mulheres o que de mais precioso elas tem para dar, o amor.

Nós homens temos que conhecer mais as mulheres para compreendê-las melhor e amá-las mais. Na minha adolescência e juventude meus melhores amigos eram mulheres e foi uma mulher chamada Eliete, que na paciência de escutar minhas angustias e desencontros, trouxe-me de volta para Deus e para Igreja.  Hoje morando como padre numa comunidade mista, “de homens e mulheres vivendo em sadia convivência” posso dizer, que conheço um pouco do que verdadeiramente as mulheres gostam.

Em primeiro lugar as mulheres gostam de serem amadas, cuidadas com carinho e respeito, chamadas pelo nome, Maria, Joana, Regina, Heloisa e não de bife, melancia, samambaia, sem ferir a sua dignidade como se elas fossem objeto, frutas e não pessoas. Mesmo porque, a vocação mais sublime da mulher é ser mãe. Elas gostam de cuidar, de viver para o outro que ama. Elas gostam de serem cuidada, cortejada, valorizada naquilo que ela faz. De serem esposa, companheira, namorada. Eu aprendi que a mulher é coração, sensibilidade, digo mais, a mulher é ventre, é geração, é vida. As mulheres gostam da vida e de vivê-la com intensidade.

As mulheres gostam mesmo de falar, de serem ouvidas, de abrir o coração, gostam de papo inteligente, conversa interessante e de serem paqueradas com respeito e um pouco de romantismo ousado. Gostam que ajam com elas com sinceridade e verdade. Gostam de amizades longas e rodas de amigos. De fazer compras, mesmo quando não compram nada e às vezes exagerar um pouco. Mais sempre lembram do pai, da mãe, do irmão, namorado, marido, acha cartão! Elas gostam de gargalhar, de falar ao ouvido, rir baixinho, dependendo da situação gostam de silêncio ou de confusão. De serem elogiadas e notadas, percebidas nos detalhes, brincos, sapatos, cabelos, etc. Por que, porque elas veem além, enxergam o que os homens não veem, adoram pegar as coisas no ar, tirar conclusões, ser uma espécie de detetive. Ah! O que seria do mundo sem as mulheres!

Elas sabem ouvir, são acolhedoras e conseguem ser um camaleão, ser uma para cada momento e situação, sem fingimento ou falsificação. As mulheres gostam de fazer varias coisas ao mesmo tempo e com perfeição. Do seu cantinho arrumado, de carro pra passear, de bater perna e principalmente de companhia agradável. De atenção exclusiva. De quem olhe nos olhos enquanto elas falam e não desviem sua atenção. Gostam de chocolate, de flores, de ganhar presente por mais simples que seja, gostam de serem lembradas. Portanto, quer saber do que as mulheres gostam? Comece pelo pequeno, pelo simples, pelo sorvete, pelo chocolate quente pelo comum do dia a dia, não esqueça do seu aniversario, do dia do casamento. Dos pequenos e grandes detalhes que fazem a vida este Ser extraordinário que é a MULHER.

Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor (Pro 31,10).

Escute o Podcast: Maria a Mulher Sabia.

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Materia relacionada: Mulher sem medo de ser bonita e boa.

*Dedico este post a minha Mãe Elizia que faz hoje 4 anos partiu para eternidade e a minha irmã Ana que faz aniversario hoje.  A todas as mulheres que passam pela minha vida. Parabéns! Todos os dias são das mulheres!

Minha benção fraterna.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.
Diretor Espiritual e Formador do Pré-discipulado.

Mulher sem medo de ser bonita e boa

quinta-feira, março 8th, 2012

ROMA, terça-feira, 6 de marco de 2012 (ZENIT.org) – A jornalista do TG3 Constanza Miriano está longe do estereótipo da feminista. É profundamente católica, mas muito diferente do estereótipo da garota que cresceu naA jornalista e escritora Constanza Miriano fala sobre o seu 8 de Março capela.

Seu primeiro livro Sposati e sii sottomessa (Vallecchi) foi o acontecimento editorial do ano passado, acabando com todos os clichês sobre as mulheres e as famílias de hoje. Na entrevista que deu a Zenit, poucos dias antes do Dia Internacional da Mulher, Miriano volta a falar sobre os temas abordados por ela, com sua ironia habitual “Chestertoniana”.

Estamos muito perto do 08 de março, uma festa que é um “totem” para as feministas. Outras mulheres, no entanto, querem aboli-la …

Constanza Miriano: Eu pertenço à segunda categoria! Hoje em dia eu vejo uma situação de desequilíbrio a nosso favor, no sentido que não vejo tantas mulheres discriminadas, exceto nos casos em que não quero desprezar, de abusos. Pelo contrário, vejo a figura do homem cada vez mais degradado, débil, sentimental, forçado a cuidar e desenvolver papéis que não são propriamente masculinos. Falar do homem como autoridade, enérgico, forte equivale quase a insultá-lo, chamando-o de tirano ou machista. Mas acredito que os papéis devem ser absolutamente redescobertos e valorizados, já que um complementa o outro. Assim, com as reivindicações feministas, eu não compartilho.

Se eu desligar a televisão e se eu fechar o jornal, se eu olhar para as mulheres “de carne e osso” que conheço, as reivindicações que fazem são sobre a maternidade, sobre os filhos;  não querem ser obrigadas a trabalhar, ou muito menos querem fazê-lo, dando uma contribuição para a sociedade, sendo forçadas a deixar seus filhos por um tempo irracional. Acho que esta é a verdadeira batalha: a da mãe.

Em termos de “emancipação” a batalha está totalmente ganha: se pensamos na minha diretora do TG, Bianca Berlinguer, e na minha diretora geral, Lorenza Lei, são mulheres… Para conquistar papéis de “poder”, que tem tempos e modos masculinos, as mulheres devem deixar de lado a família, a parte humana.

Nos últimos quarenta anos quem tem visto seu papel distorcido, o homem ou a mulher?
Costanza Mriano: O homem sem sombra de dúvida. Roberto Marchesini escreveu um livro sobre isso, Aquilo que os homens não dizem (Sugarco). Esta publicação explica a retórica à qual o homem deve “feminilizar-se”, assumir papéis de cuidado, acudir as crianças, tirar uma licença parental. Eu, pessoalmente, concordo com o Magistério da Igreja e a Bíblia que “homem e mulher os criou”. A distinção sexual não é uma “entidade externa”, mas refere-se a duas diferentes formas de encarnação do amor de Deus. O homem deve ter o papel de guia: Se ele começa a trocar fraldas ou preparar as refeições não poderá ser a autoridade …

O Papa Bento XVI propôs como intenção de oração para março, o reconhecimento da contribuição das mulheres para o desenvolvimento da sociedade. Que tipo de reconhecimento, em sua opinião, espera o Santo Padre?

Constanza Miriano: Não o reconhecimento das partes rosas! Eu acredito que pretenda que as mulheres redescubram a beleza do seu papel, particularmente o maternal. Nós somos as primeiras que tendemos a esquecer esse papel ou a colocá-lo entre parênteses. Como o próprio Papa escreveu na Carta sobre a colaboração entre homem e mulher, a mais nobre vocação para as mulheres é despertar o bem que existe nos outro, para promover seu crescimento. É ela que primeiramente doa a vida ao filho e depois àqueles ao redor dela, com sua capacidade de valorizar os talentos, de se relacionar, de acolher, de mediar, de ver as coisas a partir de múltiplos pontos de vista.

O homem, mesmo na família, tem uma espécie de amor mais voltado para fora, é aquele que constrói no mundo do trabalho, que fecunda a terra. O homem caça e a mulher colhe! Tenho certeza que o Papa não se refere às batalhas feministas, mas espera que as mulheres tornem a abraçar o seu papel, porque, como tudo o que a Igreja ensina-nos, é para nossa felicidade mais profunda. Vejo muitas mulheres que têm negado esta parte mais feminina da vocação, que investiram tudo no trabalho, ou melhor, na carreira, renunciando aos filhos e, no final, sofrem.

Qual foi o modelo feminino em sua vida?

Constanza Miriano: Eu tenho muitas. Mulheres que sabem  ’espalhar a vida’ adiante são profundamente cristãs. Duas delas, aliás, são mães de seis filhos: uma optou por ficar em casa, a outra em ser médica. Esta última, com uma atividade particular, então flexível  como o tempo, conseguiu harmonizar bem família e trabalho. Penso, no entanto, na Irmã Elvira da Comunidade Cenáculo de Saluzzo, que é mãe, de outra forma, de milhares de crianças. Antes dela, tivemos um monte de santas: Teresa de Ávila, Teresa de Lisieux, Catarina de Sena, Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), Gianna Beretta Molla, todas as mulheres muito fortes e corajosas que me inspiram e que eu gostaria de ser semelhante.

No mundo do entretenimento, da TV e dos filmes, da uma ênfase particular sobre a beleza feminina, muitas vezes, não na moldura do bom gosto e da elegância. Os meios de comunicação podem devolver a dignidade à mulher?

Constanza Miriano: Um justo cuidado de si como mulheres não é ruim. Nós mulheres católicas às vezes nos iludimos que cuidando do espírito  podemos cuidar menos do corpo, mas acredito que para uma mulher casada é quase um dever de ser agradável. Eu mesma adoro ser um pouco vaidosa e “superficial”! Muitas vezes eu tenho as encíclicas do Papa borradas de esmalte… Não vejo conflito entre a beleza física e a espiritual. Eu amo o esporte e pratico muito. A beleza é um dom: deve ser acolhido, cultivado e guardado, claro, sem “jogar pérolas aos porcos”, sem expor de maneira vulgar. No final, o que vemos na televisão é o resultado natural da luta feminista.

Acho que os meios de comunicação podem restituir a dignidade da beleza feminina, não censurando ou condenando, nem destacando o mal, mas mostrando que a verdadeira beleza e a verdadeira felicidade é outra coisa. Nosso desafio como católicos não é fazer o moralista ou o preconceituoso: não é isso que convence o coração. Precisamos mostrar uma beleza maior, testemunhando, mesmo com esmalte e bronzeada, que a verdadeira felicidade é outra. Não é dito que uma mulher que tem muitos filhos e vive toda uma vida com um único marido, deve necessariamente enfeiar-se. Nosso desafio como católicos, é mostrar a razoabilidade profunda da fé e a miséria profunda e inevitável que vem de não acreditar. Eu não acho que pode haver felicidade sem Deus, nossos corações são feitos para Ele. Nem mesmo para Brad Pitt e Angelina Jolie vai haver felicidade sem Deus!

Por Luca Marcolivio, fonte zenit: http://www.zenit.org/article-29848?l=portuguese

Primavera: O deserto vai florir!

quinta-feira, setembro 22nd, 2011

Depois de um longo inverno sempre vem à primavera, tempo de renascer dos brotos, da esperança, dos dias claros, a vida renasce e é tempo das surpresas de Deus!

Por mais longo que seja o inverno ele só dura uma estação, ele inicio, meio e fim e assim é o ciclo de todos os anos. Comparando a nossa vida com as estações do ano, às vezes parece que não vamos sair do inverno, do tempo ruim, das previsões sombrias. Toda dor tem seu tempo, todo frio tem sua intensidade e o agasalho ideal para suportá-lo. Tudo, absolutamente tudo que vivemos pode nos ensinar algo, fazer-nos crescer, criar resistências e defesas e até no final de tudo proporcionar realização e felicidade.

Olha a experiência que as Águias americanas vivem no inverno para renascer na primavera: as águias mais velhas procuram uma fenda no cume da montanha mais alta, para poder se desfazer de suas penas, de suas garras e até de seu bico. O cume da montanha a mantém livre dos predadores, justamente no tempo onde ela não tem nenhuma defesa, e sem o seu bico e as garras ela vai viver das reservas de energia que acumulou no verão. Como podemos ver a natureza não é tão cruel como se pensa, a águia precisa passar por tudo isso para sobreviver mais uns trinta anos e poder perpetuar a espécie com águias mais resistentes, e a nova águia vai surgir na Primavera. A natureza foi feita para sofrer mudanças, neste tempo se renovam todas as coisas, para que surja a primavera com os dias claros e coloridos pelas flores, foi preciso passar por dias escuros e frios do inverno. Não acontece exatamente assim na nossa vida?

É assim que a Canção Nova vive a expectativa da primavera. A nossa história sempre provou que nesta estação é tempo de renovação, onde o ar sombrio dar lugar ao colorido das flores, os dias mais claros, cheios de vida e de esperança, reacende em nossos corações as novidades de Deus. Tempo das graças, de deixar para trás o que era velho, pois essa é a promessa do Senhor: “Não deveis ficar lembrando as coisas de outrora, nem é preciso ter saudades das coisas do passado. Eis que estou fazendo coisas novas, estão surgindo agora e vós não percebeis? Sim, no deserto eu abro um caminho, rasgo rios na terra seca.” (Isaías 43, 18 – 19). Tem gente que diz a minha vida tem somente duas estações ou muito quente ou muito frio, relacionando coisas boas e ruins, minha vida é um deserto. Pois esta é a promessa de Deus para você: “o deserto vai florir!”

Nossa vida é marcada pelo tempo, que vivemos que se chama chronos, esse que se vive pelo relógio, às estações do ano, dias, meses etc. E o Kairós tempo da Graça de Deus pra mim e para você. Por isso, abra-se ao novo, as novidades e surpresas de Deus para você. Tempo dos presentes de Deus, das mudanças, o amor de Deus que planava sobre o frio do inverno, agora aquece as sementes que brotam da terra e do tronco das plantas nascem às flores vivas e cheias de cor. Onde estão agora as sombras do inverno? Os dias frios, as noites longas? Tudo termina agora com o colorido das flores. Isso nos prova que tudo passa, até o mais longo inverno tem seu tempo e depois o que fica são a fortaleza das raízes que cresceram escondidas.

A Primavera iniciará às 06h04 do dia 23 de setembro de 2011. Com a chegada da nova estação, há uma mudança no regime de chuvas e temperaturas na maior parte do Brasil. Esta é a noticia do CPTEC impe da previsão do tempo. Quais são as mudanças que você espera na Graça de Deus para esta nova estação da sua vida?

Embriaguemo-nos com o melhor vinho e com perfumes, e não deixemos passar a flor da primavera. (Sabedoria 2,7)

Como a flor das roseiras nos dias da primavera; como os lírios junto às fontes das águas, como a vegetação do Líbano nos dias do verão. (Eclesiástico 50,8)

Clique em comentários e diga quais são as novidades de Deus que você espera?

Oração: Senhor, eu te louvo em cada estação que passa a minha vida assim como as estações do ano na natureza, cada uma delas beneficia a natureza e é preciso saber aproveitar tudo de bom que cada uma delas tem. Assim é em nossa vida, que com a Tua graça eu saiba viver agora a primavera com as reservas que eu acumulei no inverno, mesmo que ele tenha sido tenebroso e muito frio, o Senhor me ensinou a guardar no interior a seiva do teu amor, da paciência, do recolhimento, agora na primavera não quero viver como se o inverno não tivesse passado, Quero a partir de hoje viver como o girassol que é exuberante porque o tempo todo ele persegue O Sol maior que é O Senhor. Em todas as estações de minha vida seja o Sol de minha justiça e felicidade. Amém

Escute na integra o Podcast:

Reze A Quaresma de São Miguel Arcanjo

Padre Luizinho, Com Canção Nova.
twitter.com/padreluizinho

Porque a Cruz é o sinal do cristão?

quarta-feira, setembro 14th, 2011

Algumas pessoas não católicas  dizem que a cruz  é um símbolo pagão ou que é um símbolo de morte e que não deve ser usada e em alguns paises foi proibida nos lugares públicos, aqui no Brasil pode ser também. Mas esta afirmação não está de acordo com o que a Igreja Católica sempre viveu e ensinou desde os seus primórdios e também não concorda com os textos bíblicos, que louvam e exaltam a Cruz de Cristo, ou pior, dizem sem conhecimento que nós idolatramos a santa cruz. Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é celebrar a Páscoa, a vida e a salvação que Jesus Cristo conquistou por este instrumento de suplicio da época, que hoje para nós cristãos é símbolo de vitória e salvação.  Senão vejamos:

Mt 10, 38 – Jesus disse: “Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”.

Mt 16, 24 – “Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”.

Lc 14, 27 “E quem não carrega a sua cruz e me segue, não pode ser meu discípulo”.

Gl 2, 19 – “Na realidade, pela fé eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo”.

Gl 6, 12.14 – “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”.

1Cor 1,18: “A linguagem da Cruz… para aqueles que se salvam, para nós, é poder  de Deus”.

1Cor 1, 17: “… anunciar o  Evangelho, sem recorrer à sabedoria da linguagem, a fim de que não se torne inútil a Cruz de Cristo”.

Quando o imperador Constantino o Grande, enfrentou seu rival Maxêncio sobre a ponte Milvia, próximo do ano 300, viu nos céus uma cruz luminosa acompanhada dos dizeres: “In hoc signo vinces!” (Por este sinal vencerás). Constantino, então, colocou a sua pessoa e o seu exército sob a proteção do sinal da cruz e venceu Maxêncio, tornando-se imperador supremo de Roma, proibindo em seguida a perseguição aos cristãos pelo Edito de Milão, em 313.

O símbolo resultante da sobreposição das letras gregas X e P, iniciais de Cristo em grego, lembrava Cristo e a Cruz e foi representado no estandarte de Constantino. No fim do século IV, tomou a forma que lembrava a Cruz.

Após a conversão de  Constantino († 337) a cruz deixou de ser usada para o suplício dos condenados e tornou-se  o símbolo da vitória de Cristo e o sinal dos cristãos, como mostram de muitas maneiras a arte, a Liturgia, a piedade particular e a literatura cristã. A cruz tornou-se, então, sinal da Paixão vitoriosa do Senhor. Conscientes deste seu valor, os cristãos ornamentavam a cruz com palmas e pedras preciosas.

Os Padres da Igreja como Tertuliano de Cartago e Hipólito de Roma, já nos séculos II e III, afirmavam que os cristãos se benziam com o sinal da Cruz. Os mártires tomavam a cruz antes de enfrentar a morte e os santos não se separavam da cruz. As Atas dos Mártires mostra isso.

No entanto, muito antes de Constantino, Tertuliano (†202) já escrevera: “Quando nos pomos a caminhar, quando saímos e entramos, quando nos vestimos, quando nos lavamos, quando iniciamos as refeições, quando nos vamos deitar, quando nos sentamos, nessas ocasiões e em todas  as nossas demais atividades persignamo-nos a testa o sinal da Cruz” (De corona militis 30). *

S. Hipólito de Roma († 235), descrevendo as práticas dos cristãos do século III, escreveu: “Marcai com respeito as vossas cabeças com o sinal da Cruz. Este sinal da Paixão opõe-se ao diabo e protege contra o diabo, se é feito com fé, não por ostentação, mas em virtude da convicção de que é um escudo protetor. É um sinal como outrora foi o Cordeiro verdadeiro; ao fazer o sinal da  Cruz na fronte e sobre os olhos, rechaçamos aquele que nos espreita para nos condenar” (Tradição dos Apóstolos 42). *

No Novo Testamento a Cruz é símbolo da virtude da penitência, domínio das paixões desregradas e do sofrer por amor de Cristo e da Igreja pelas salvação do mundo. Seria preciso apagar muitos versículos do Novo Testamento para dizer que a Cruz é um símbolo introduzido no século IV na vida dos cristãos. O sinal da Cruz é o sinal dos cristãos ou o sinal do Deus vivo, de que fala Ap 7, 2, fazendo eco a Ez 9,4: “Um anjo gritou em alta voz aos quatro Anjos que haviam sido encarregados de fazer mal à terra e ao mar: “Não danifiqueis a terra, o mar e as árvores, até que tenhamos marcado a fronte dos servos do nosso Deus”.

São Clemente de Alexandria, no século III, chamava a letra T (tau), símbolo da cruz, de “figura do sinal do Senhor” (Stromateis VI 11). *

Por tudo isso, a vivência e a iconografia dos cristãos, desde o século I, deram à cruz sagrada um lugar especial entre as expressões da fé cristã. Daí podemos ver que é totalmente errônea a teoria de que a Cruz é um símbolo pagão introduzido por influência do paganismo na Igreja e destinado a ser eliminado do uso dos cristãos. Rejeitar a Cruz de Cristo é o mesmo que rejeitar o símbolo da Redenção e da esperança dos cristãos.

Oração: A cruz sagrada seja minha luz, não seja o dragão o meu guia retira-te satanás nunca me aconselhes coisas vãs, bebes tu mesmo o teu veneno. Amém.

Clique aqui e: Reze A Quaresma de São Miguel Arcanjo

Reze O 1° Dia da Novena ao Padre Pio de Pietrelcina

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Minha benção fraterna.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.
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* Este artigo foi baseado no de D. Estevão Bettencourt, da revista “Pergunte e Responderemos”, Nº. 351 – Ano 1991 – Pág. 364. Professor Felipe Aquino: blog.cancaonova.com/felipeaquino

Existe lugar hoje em nossa sociedade para os nossos idosos?

terça-feira, julho 26th, 2011

Neste dia 26 de julho celebramos a memória de São Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora e avós de Jesus. Como é lindo o mistério do nosso Deus, que se aproximou tanto de nossa natureza para salvá-la que quis experimentar a ternura de ter avós. Lembro de minhas avós, pois só conheci minhas avós e não meus avôs eles já tinham falecido. Desde criança, era marcante a sua presença e seu carinho, minha avó por parte de pai morava mais perto, vó Almira. Minha avó mãe de minha mãe Maria Gracinda, morava na roça mais distante, mas todas as férias escolares eu ia passar com ela. Era muito bom, casa aconchegante, fogão à lenha e subir no pé de umbu e chupar jabuticaba.

Com cada uma aprendi uma grande lição para vida toda. Com minha “vó” Almira mãe do meu pai, aprendi a grandeza da alma, do silêncio e da oração, ela me ensinou os primeiros passos para Deus, a via rezar o terço e ir para Santa Missa todos os Domingos. Era mais de fazer do que de falar, ensinava pelo testemunho, por isso, via na pessoa de minha avó a figura de Nossa senhora. Mulher de sabedoria e discernimento ficava sempre bem quando estava ao seu lado, quando fazia estripulia corria para sua casa para me livrar da surra, que poderia levar do meu pai ou da minha mãe.

Com minha avó Maria Gracinda, que tinha o apelido carinhoso de Duduzinha aprendi a Humildade, fortaleza da alma do homem. Simplicidade e pobreza na vida e no coração. Mulher da roça, do trabalho pesado e diário, um linguajar simples, um coração grande, acolhia a todos, sempre tinha em sua casa em sua mesa lugar para mais um. Porque era humilde era profundamente generosa, sabia dar o que tinha e até o que não tinha. Tinha uma pequena casa de farinha, que dividia com todos os amigos da redondeza, todos vinham fazer farinha na casa de Duduzinha, tinha um pequeno deposito de milho em um dos quartos de sua casa, sabia guardar e sabia dividir.

Dois grandes tesouros que passaram pela minha vida, dois grandes testemunhos de vida e de amor. Sofri pela perda das duas, mas aprendi que o que elas como minhas avós, mulheres idosas e cheias de sabedoria me ensinaram é para vida toda. Ser um homem humilde e de oração faz a diferença, pois aprendi no catecismo da vida de minhas avós o que realmente vale a pena nesta vida. Com certeza os meus avôs eram homens bons e justos, reconheço isso pela vida de minhas avós e pelos meus pais e meus tios. Como diz a Palavra de Deus: “Façamos o elogio dos homens ilustres, que são nossos antepassados, em sua linhagem. O Senhor deu-lhes uma glória abundante, desde o princípio do mundo, por um efeito de sua magnificência. Eles foram soberanos em seus estados, foram homens de grande virtude, dotados de prudência. As predições que anunciaram adquiriram-lhes a dignidade de profetas: eles governaram os povos do seu tempo e, com a firmeza de sua sabedoria, deram instruções muito santas ao povo”. (cf. Eclo 44,1-4).

Existe lugar hoje em nossa sociedade para os nossos idosos? Será que por causa de tantas conquistas tecnológicas e cientificas nós nos arrogamos em dispensar a sabedoria e o discernimento, a experiência de vida e o amor de nossos avôs? Em nossas casas não há mais lugar para cadeira da vovó, não há mais paciência, mais tempo para perder, por isso, falte também tanto amor e ternura em nossos lares. Quero aqui com este texto fazer um elogio verdadeiro aos meus avôs, que me ensinaram as riquezas das coisas simples e pequenas. Obrigado Senhor, pela experiência, pelo carinho, pelo colo que meus avôs me deram e hoje quero continuar acolhendo os de muitos idosos, vovós e vovôs que hoje celebram o seu dia.

Oração: Ó Deus, Forte e Imortal, que concedestes a Santa Ana e a São Joaquim a graça de serem os pais daquela que foi concebida sem a mancha do pecado original, Maria Santíssima dai-me a Graça que tanto vos peço. Por Cristo e Maria, amém.

Ó São Joaquim e Santa Ana protegei as nossas famílias
desde o início promissor até à idade madura
repleta dos sofrimentos da vida e amparai-as na fidelidade às promessas solenes.

Acompanhai os idosos que se aproximam do encontro com Deus.

Suavizai a passagem suplicando para àquela hora a presença materna
da vossa Filha ditosa a Virgem Maria e do seu Filho divino, Jesus! Amém.

Santa Ana e São Joaquim roguem por nós!

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Para todos eles minha benção fraterna.

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Amizade desinteressada entre homem e mulher?

sexta-feira, julho 22nd, 2011

Sem querer explicar muitas coisas a amizade é a complementaridade de tuas pessoas bem diferentes, que exatamente decidem crescer no respeito, no amor, na cumplicidade, na transparência e na verdade. E não existem dois seres que se completam mais do que o homem e a mulher. Não só se atraem, se desejam, mas acima de tudo se completam, porque são exatamente opostos, diferentes um mundo a ser desbravado, um mistério. Quando uma amizade sincera acontece entre um homem e uma mulher eles se tornam como arqueólogos a cavar e escavar um mundo precioso, um tesouro abençoado existente no coração e na alma do homem e da mulher.

Outro dia vi numa propaganda uma pergunta que intriga ao mundo: É possível amizade verdadeira e desinteressada entre um homem e uma mulher? Exatamente por serem um mundo maravilhoso a descobrir, por se atraírem e se completarem é preciso um mapa para nos guiar nesta aventura e a primeira ferramenta que precisamos usar é o respeito para reconhecer que antes de tudo somos irmãos. Para adentrar os ambientes mais profundos do feminino e do masculino é preciso acreditar e sentir um amor puro é possível! Eu agradeço a Deus por ter nascido em uma família cheia de mulheres, três irmãs e minha mãe. Eu e meu irmão mais velho crescemos neste ambiente rico das diferenças, mas principalmente do respeito e do amor puro. Lembro-me que eu e minha irmã mais nova tomávamos banho juntos, pois quando se educa o coração de um homem para a pureza ele cresce respeitando e acolhendo a grande e linda dignidade de ser mulher.

A dimensão da sexualidade é uma parte fundamental no ser humano, mas ele não é só isso e ao mesmo tempo todos os nossos relacionamentos são sexuados, pois não posso me relacionar com ninguém deixando de ser homem ou mulher. Na minha afetividade, gestos, sentimentos, pensamentos estão carregados de minha sexualidade, que é uma benção de Deus, é vida e foi feito para o amor. Mais diante de todo esse apelo sexual, nós acabamos limitando a nossa vida na primeira instancia do nosso ser que é a corporeidade.

Viver epidermicamente, ou seja, viver na pele, no sentimento. Os sentimentos precisam passar pela razão, medir e analisar as consequências. Por sua vez a razão deve ser iluminada pela fé, pela virtude da Caridade e da Verdade. Não nos entregar aos apelos do sentir, é necessário dar um sentido absoluto, integrar o nosso sentir e viver ao amor de Deus e a Deus. Quando toda a nossa vida esta voltada para este fim, para este significado nós podemos crescer e nos realizar no amor, nos relacionamentos, numa amizade desinteressada entre um homem e uma mulher, que foram feitos para se conhecerem e se completarem. A doação de si na sexualidade é a mais perfeita forma de entrega um ao outro, mas não é a única forma de unirem os corações, os sonhos, e a vida.

Vejamos o que São Paulo fala sobre o amor na carta aos Coríntios 13, 4-7: O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo. O amor é muito mais que sentimentos, que pele, o amor é atitude, é decisão, é autodomínio, é renuncia e na maior das provas o amor é dar a vida. Mais para isso o amor é feito também de limites, de respeito e acima de tudo o interesse e o esforço de acima de tudo fazer o Bem ao outro. O amor puro e verdadeiro que essencialmente se experimenta no amor de Deus e que dá significado a vida humana torna possível à amizade verdadeira e desinteressada entre o homem e a mulher, que o pecado original desfigurou e que Cristo Jesus tudo recapitulou na cruz e na ressurreição quando assumiu a nossa sexualidade.

O homem e a mulher são vocacionados para o amor e a nele se realizarem em qualquer estado de vida e relacionamento abençoado por Deus. Por isso, nem tudo é permitido numa amizade entre um homem e uma mulher, se não deixa de ser amizade. Todos tem necessidade do amor puro de seus irmãos para seu equilíbrio afetivo. Na nossa comunidade nós chamamos isso de masculino e feminino em sadia convivência. Ela se compõe de homens e mulheres, jovens e adultos, casados e solteiros. Mas antes de tudo todos são irmãos e irmãs e assim devem se tratar. Esta é uma razão a mais para que todos vivam a castidade, dom e fruto do Espírito Santo. Em se tratando de homens e mulheres em pleno despertar de sua sexualidade e de sua vida afetiva torna-se importantíssimo o mútuo respeito. (Est 112-114). Assim é possível um homem e uma mulher serem grandes amigos e irmãos.

Maria Madalena de pecadora a amiga de Jesus.

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Que tipo de amigo é você?

terça-feira, julho 19th, 2011

Por melhores que sejam as pessoas e suas intenções, um dia sem querer elas nos decepcionam, acontece isso entre pais e filhos, marido e mulher, namorados apaixonados e entre amigos de verdade também. Nós mesmos já fizemos essa experiência frustrante de pisar na bola com alguém que nunca queríamos machucar ou decepcionar, faz parte do processo de amadurecimento de qualquer relacionamento e, é muito bom que isso aconteça, para que não fiquemos na ilusão de achar que tal pessoa é perfeita ou nós mesmos somos intocáveis e imaculados. Quanto mais conhecemos alguém qualidades e defeitos, virtudes e pecados mais a compreendemos e mais a amamos.

Dizer que a frustração e erros fazem parte do conhecimento do outro, para que no amadurecimento da amizade possamos adequar a imagem do amigo ao real e possível parece exagero, pois quem tem amizade fantasia são as crianças e neste período da vida é normal. Por isso, que uma verdadeira amizade deve estar guiada por alguns compromissos evangélicos: verdade, transparência e partilha tudo isso é claro, com muita caridade e misericórdia, pois só quando experimentamos o gosto amargo dos nossos erros compreendemos as fraquezas e erros do amigo.

Experiência mais terrível para mim são aquelas pessoas que estão no centro de uma situação, sabem de fatos que incluem e compromete a pessoa amiga e por respeito humano e por um falso protecionismo ficam caladas, se omitem, não querem correr o risco de perder a boa fama, a simpatia e até mesmo amizade. Quando a amizade é verdadeira o único medo que eu tenho é perder o meu amigo para os seus próprios erros e para minha covardia. Mesmo que ele não me compreenda e fique com raiva de mim, vou falar-lhe a verdade e abri seus olhos, pois amigo não é aquele que passa a mão na cabeça, mas aquele que te desafia e te desinstala, mas está pronto pra ficar com você em qualquer situação. Quanto uma amizade cresce, quando tocamos no mais fundo das qualidades e defeitos, das luzes e sombras do nosso amigo, a partir dai nos tornamos irmãos, cúmplices, cria-se um laço mais forte do que o de sangue.

Precisamos crescer na vivencia e na compreensão de uma verdadeira amizade, quem não se compromete não ama. Quando um amigo pisa na bola ou está vivendo uma situação constrangedora aproveite para acolhê-lo, não tenha medo de sacrificar a amizade pela verdade, pois o verdadeiro amor se arisca, dá a vida pelo amigo. “O homem quando erra não tem outra alternativa a não ser pedir perdão, se não ele não é homem”. O amigo não abandona o barco quando ele se agita, ajuda a remar mesmo que tenha de dizer que o outro está remando para o lado errado. Como corrigir um amigo sem perder sua amizade:

Reze pelo seu amigo (a): a oração vai preparar o coração dele e também o seu;

2° Espere à hora certa para conversar e partilhar, não se deixe vencer pelo nervosismo e ansiedade;

3° Escolha o lugar certo: a privacidade é o melhor lugar para corrigir uma pessoa, evite fazer uma correção em publico, mesmo que você esteja certo começou errado;

4° Faça um elogio antes de fazer a critica e a correção é preciso que ele saiba que você o ama. Todos têm qualidades e corrige o nosso ego elevado pelos erros dos outros, isso não é fingimento é amor.

5° Saiba falar: cuidado com as palavras, o problema muitas vezes não é o conteúdo das criticas, mas o jeito com que se fala. Mesmo no erro demonstre respeito, humildade e carinho.

6° No final de tudo abra-lhe os braços e lhe dê um abraço bem apertado e não fale mais nada.

Na realidade, na hora em que é feita, nenhuma correção parece alegrar, mas causa dor. Depois, porém, produz um fruto de paz e de justiça para aqueles que nela foram exercitados. (Hebreus 12,11).

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Padre Luizinho, Com.  Canção Nova.
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Inverno: é preciso aprender a perder para ganhar!

segunda-feira, junho 20th, 2011

Nem bem chegou o inverno e as amendoeiras de minha casa já forram o chão com as suas folhas secas e avermelhadas. Ela vai perder folha por folha até ficar totalmente vazia, seca e aparentemente morta, somente vão ficar os galhos, o tronco e a raiz. Todo dia, ou varias vezes por dia, temos que varrer as folhas secas da amendoeira. Não posso deixar de notar que ela insiste em dar alguns frutos, que também caem como que pecos. Justamente no inverno ela fica “nua”, vejo em meio ao feio e a sujeira de suas folhas a vontade de renovar-se, de jogar fora o velho, o que já passou o que não me serve mais. O desejo de libertar-se, de experimentar o novo, mesmo sofrendo o frio, mas sem medo de perder.

É necessário e ela não briga contra esse fenômeno natural, pois sabe que é preciso o inverno pra chegar ao verão. Na natureza o inverno é tempo de renovar a seiva, de firmar as raízes, que não se vêem, porque estão escondidas na profundidade da terra. O que ela tem de mais precioso se sujeita a estar enterrado. Inverno é tempo de espera, de podar os excessos, de matar as pragas, de alimentar-se com o que esta dentro. Tempo em que as árvores e plantas revelam o belo do feio, a coragem de perder para poder florir e dar frutos depois no seu devido tempo. A natureza exercita a paciência, tempo em que o que cresce é aquilo que não se vê: as raízes.

No inverno também as águias mais velhas procuram o cume da montanha mais alta, para poder se desfazer de suas penas, de suas garras e até de seu bico. O cume da montanha a mantém livre dos predadores, justamente no tempo onde ela não tem nenhuma defesa, e sem o seu bico ela vai viver das reservas de energia que acumulou no verão. Como podemos ver a natureza não é tão cruel como se pensa, a águia precisa passar por tudo isso para sobreviver mais uns trinta anos e poder perpetuar a espécie com águias mais resistentes. Tempo em que os animais perdem a pele, como as cobras, tempo em que os ursos hibernam e dormindo vive de suas gorduras, a natureza foi feita para sofrer mudanças, neste tempo se renovam todas as coisas, para que surja a primavera com os dias claros e coloridos pelas flores, foi preciso passar por dias escuros e frios do inverno. Não acontece exatamente assim na nossa vida?

Perder não é fácil, mudar não é da noite para o dia, é preciso coragem pra encarar os dias frios e secos de nossa vida, dias de dor, de sofrimentos, de incompreensão, onde se manifestam as nossas fraquezas, dias de jogar fora o que é velho, seco e vazio, aquilo que não me serve mais e eu temo em segurar. É preciso aprender com a natureza, ela nos ensina a entender o nosso processo, a nossa mudança, o crescimento, para chegar à maturidade. Tempo de crescer as raízes, de alargar as fronteiras, de saber esperar, de respeitar o processo do outro, de varrer as folhas, de renovar por dento para florir por fora.

Em primeiro lugar é preciso aceitar o inverno, o frio, a chuva, a poda, como um processo natural de crescimento e se preparar para ele. Quem não sabe passar por isso, não conseguirá ver a beleza das cores da primavera, pois nela estão à prova da capacidade de fazer novas todas as coisas. Na natureza só existe uma vez por ano a estação do inverno, em nossas vidas há muitos invernos por ano, mas também a capacidade de ter muitas primaveras e muitos verões. É tempo de crescer, de renovar-se, de abandonar o homem velho, de perder as folhas secas do egoísmo, dos pecados, dos medos, dos ressentimentos, da solidão e do fechamento em si mesmo. A natureza não tem medo do novo, pois ela sobrevive de mudanças.

Bela estação, tempo de se expor como a amendoeira e de elevar-se como a águia. Nós fomos feitos para crescer, para florir e para dar muitos bons frutos, mas não existe maturidade sem crescimento, e o inverno que você possa estar vivendo é tempo de crescer muitas vezes sem que ninguém perceba, que por detrás da dor e do sofrimento da mudança está surgindo uma nova pessoa. Bom inverno para você!

A nossa vida se assemelha muito com as quatro estações do ano, é preciso colher o melhor de cada fase de nossa breve e intensa vida.

O Inverno iniciará às 14h16 do dia 21 de junho de 2011, informação CPTEC-IMPE.

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Padre Luizinho, Com Canção Nova.
http://twitter.com/padreluizinho