“A salvação que, por iniciativa de Deus Pai, é oferecida em Jesus Cristo e é atualizada e difundida por obra do Espírito Santo, é salvação para todos os homens e do homem todo: é salvação universal e integral. Diz respeito à pessoa humana em todas as suas dimensões: pessoal, social, espiritual e corpórea, histórica e transcendente.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja)

Dia de PenitênciaHá três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas. More »

Hoje estamos vivendo um grande dilema. O mundo, as pessoas,  estão passando por uma grande crise de identidade, principalmente no que diz respeito à essência para qual foi criada, o ser imagem e semelhança de Deus! Mas vamos nos situar, no que  diz  sobre a nossa verdadeira identidade, o para que fomos criados. 

A mensagem fundamental da Sagrada Escritura anuncia que a pessoa humana é criatura de Deus e identifica o elemento que a caracteriza e distingue no seu ser à imagem de Deus: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher” (Gên 1, 27).

 “Deus põe a criatura humana no centro e no vértice da criação. Portanto, por ser à imagem de Deus, o indivíduo humano tem a dignidade de pessoa: ele não é apenas uma coisa, mas alguém. É capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente e entrar em comunhão com outras pessoas, e é chamada, por graça, a uma aliança com o seu Criador, a oferecer-lhe uma resposta de fé e de amor que ninguém mais pode dar em seu lugar” (Compêndio da Doutrina Social).

As pessoas têm se desviado do curso normal da vontade de Deus, do ser criado imagem e semelhança de Deus, do ser criado para um único fim que é a vida eterna, a vida em Deus.  O ser humano tem assumido uma falsa identidade, uma mentira que o mundo tem pregado e conduzido o homem viver uma falsa identidade; por isso,  o ser humano tem entrado em crise na sua identidade.

Com isso, tem se afastado do objetivo pelo qual foram criados, isto é, o ser filhos adotivos e co-herdeiros do reino dos céus. O Problema desta crise de identidade surge quando as pessoas se afastam de Deus, vivem uma vida desenfreada, buscando para si ídolos, outro modo de viver, fazem opção de vida e de sexualidade contrárias a verdade do Evangelho.

Essas pessoas assumem uma coisa que não são por ver a mídia patrocinar, e começam a se configurar a uma coisa irreal, ilusória que por fim só levará a desfiguração de seus corpos, sexos e mentalidade. Longe, assim, totalmente da essência de sua identidade — de ser filhos de Deus —  elas são capazes de modificarem seus corpos, assim perdendo a beleza de ser imagem e semelhança de Deus.

Com isso vão ficando velhas mais cedo, ficam feias por causa da opção que fazem em se transformar naquilo que o mundo determina. “A semelhança com Deus põe em luz o fato de que a essência e a existência do homem são constitucionalmente relacionadas com Deus do modo mais profundo. É uma relação que existe por si mesma, não começa, por assim dizer, num segundo momento e não se acrescenta a partir de fora. Toda a vida do homem é uma pergunta e uma busca de Deus. Esta relação com Deus pode ser tanto ignorada como esquecida ou removida, mas nunca pode ser eliminada. Dentre todas as criaturas, com efeito, somente o homem é “capaz” de Deus. O ser humano é um ser pessoal criado por Deus para a relação com Ele, que somente na relação pode viver e exprimir-se e que tende naturalmente a Ele.”( Compêndio da Doutrina Social).

@padrereinaldocn

Cada um perscrute a consciência e se apresente diante de si mesmo para se autocensurar. E que o intimo de cada um , do coração tenha um encontro com o Cristo.

Que ninguém se iluda em achar que não precisa de está vigilante e confiar em si mesmo, assumindo uma posição que não precisa se purificar, que não está sujeito ao perigo da tentação. Pois o tentador sempre vigilante prepara-te uma armadilha para ti ver cair miseravelmente.

Se o diabo não poupou Jesus Cristo, nosso Senhor de suas seduções, armadilhas e mentiras quanto mais nós, ele ousará invadir nossa fragilidade. Por isso, São Paulo nos chama a atenção: “Portanto, não durmamos, como os outros, mas vigiemos e sejamos sóbrios… estejamos sóbrios e revestidos com a couraça da fé e do amor, tendo a esperança da salvação como capacete” (1 Ts 5, 6;8).

@padrereinaldocn

A eleição do homem só deve partir da única eleição que o Pai fez: a do Filho. Neste sentido todo o gênero humano é eleito em virtude da eleição do Cristo.

Quando Deus elege um determinado grupo (comunidade) o faz para um serviço em favor de todos. Não é privilégio, mas pura iniciativa de Deus. E esta eleição vai acontecendo na atuação da história, uma ação de Deus que estabelece na história um processo histórico de eleição divina fortificado na vontade de Deus de operar a graça.

A comunidade é vista por Deus não fruto do ocaso, mas é constituída pelos desígnios eternos da graça divina. Tomando consciência desta eleição para o serviço os membros desta comunidade universal sentem a necessidade de corresponder, particularmente e comunitariamente, a eleição para um serviço ( 1Pd 2, 9).

Assim, podemos concluir e dar sentido ao chamado vocacional da comunidade como povo de Deus, geração eleita, propriedade de Deus. Ao assumir e reconhecer sua eleição, o povo ou o indivíduo que foi chamado e vocacionado para um serviço universal, deve entender que é em prol do mundo. Aqui dá-se sentido à eleição de alguns para o grupo dos discípulos de Jesus.

A eleição confere ao homem uma responsabilidade. Aquele que corresponde ao chamado assume um caráter de separação do mundo de fé e luta. Contudo, tanto a comunidade ou o individuo só terão certeza da eleição estando unidos ao Senhor. Todo sentido do chamado e eleição da comunidade ou de uma determinada pessoa se afunila Naquele que a graça divina fez a eleição em primeiro lugar: Cristo. Cristo foi o primeiro a ser predestinado, partindo Dele como Primogênito do Pai, os homens são predestinados Nele, que concedeu a todos a filiação adotiva. O único desígnio concreto de Deus, o desígnio salvifico.A eleição de Jesus Cristo visa a justificação e a glorificação do pecador. Pois só tem sentido a eleição da graça divina colocando-a em relação com a obra salvífica e histórica de Deus em Cristo.Deus Pai é o único sujeito da eleição. Mas só vamos compreender a eleição do homem no sentido Trinitário: o Pai em unidade com o Filho pela ação do Espírito que faz a eleição do homem.

O gênero humano é eleito em Jesus, porque sendo o Primogênito de muitos irmãos, Deus Pai o elege e a nossa escolha se deu pela Cruz e Ressurreição, na obra da Redenção. Foi assumindo a Cruz, o sofrimento, que Jesus tomou a nossa reprovação.Seria desfazer a eleição da graça divina, se não levássemos em conta que existia uma reprovação do gênero humano por causa do pecado, mas o Cristo assumiu nossa eleição nos libertando do pecado por meio da cruz. Cristo é o mediador da eleição da graça divina.

Todos os homens justificados em Cristo, são por ELE chamados a Igreja, incluindo-se Nela. O chamado de Deus continua na Igreja, na qual o mistério de Cristo, morto e ressuscitado por nós se dá. “Jesus Cristo é a expressão irreversível do sim divino do homem, e esse sim possui validade universal no sentido de que a salvação foi oferecida em Jesus Cristo a todos os homens”.A razão pela qual Deus chama ou convoca a Igreja é a de levar o homem à comunhão consigo no Espírito.

Deus, ao criar o homem, o fez na sua totalidade, individualidade e definido sexualmente.

Sendo dom de Deus, a sexualidade não pode ser vista como algo separado do homem, mas algo essencial para a salvação.

Por isso, preciso assumir minha sexualidade como identidade de mim mesmo. Se Deus me fez homem, não posso ser outra coisa e, se você é mulher não poder ser outra coisa a não ser mulher. O dom de Deus não pode ser estragado pelo homem e sim assumido.

Você é imagem e semelhança de Deus. Deus caprichou ao fazê-lo! Não podemos deixar o mundo estragar a nossa identidade, a nossa sexualidade, dizendo que, para ser felizes precisaremos assumir outra identidade e achar isto normal.

Você só será inteiramente feliz sendo o que é desde o nascimento, homem ou mulher; fora disso não é dom de Deus.

“O ser humano é chamado ao amor e ao dom de si, na sua unidade corpórea-espiritual. Feminilidade e masculinidade são dons complementares, pelo que a sexualidade humana é parte integrante da capacidade concreta de amor que Deus inscreveu no homem e na mulher. «A sexualidade é uma componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir, de expressar e de viver o amor humano». Esta capacidade de amor como dom de si tem, por isso, uma sua «encarnação» no caráter esponsal do corpo, no qual se inscreve a masculinidade e a feminilidade da pessoa. «O corpo humano, com o seu sexo, e a sua masculinidade e feminilidade, visto no próprio mistério da criação, não é somente fonte de fecundidade e de procriação, como em toda a ordem natural, mas encerra desde “o princípio” o atributo “esponsal”, isto é, a capacidade de exprimir o amor precisamente pelo qual o homem-pessoa se torna dom e — mediante este dom — atuar o próprio sentido do seu ser e existir». Qualquer forma de amor será sempre marcada por esta caracterização masculina e feminina” (Conselho Pontifício para a Família, sexualidade humana, n.10)

Hoje, os homens estão perdendo a sua individualidade e assumindo uma identidade falsa daquela que Deus fez, por causa na mídia, que está ditando as regras e falando o que você deve ser para ser feliz, o que as novelas e tudo mais, têm falado contra o plano de Deus para sua vida: ser imagem e semelhança Dele.

Você é lindo (a), não seja aquilo que o mundo tem dito para ser, mas assuma a sua sexualidade e genitalidade como Deus fez. O mundo tem falado para você não se reprimir e assumir uma sexualidade que vai contra a natureza, contra o plano de Deus para sua vida.

Sei que em muitos casos, pessoas foram feridas em sua sexualidade e genitalidade, por parentes, por abusos, por violências… e isso de um certo modo tem levado muitos a assumirem uma identidade sexual que não é a sua. As pessoas às vezes, não têm culpa, pois são feridas desde crianças e carregam seus traumas para a vida e não buscam ajuda ou cura de suas marcas e feridas.

O remédio é assumir que está ferido e buscar ajuda.

Certa vez um jovem veio conversar comigo, aparentemente ele estava muito bem, mas quando falou da sua sexualidade, expôs que foi abusado sexualmente por um primo seu quando ainda era criança. E esta situação o fazia sentir atração sexual por outros rapazes, mas não o levando ao ato sexual. Em oração, fui pedindo a Deus que o curasse de todo trauma na sua sexualidade. Fizemos dias de oração de cura interior e Deus o curou e libertou, porque ele assumiu sua fraqueza e buscou ajuda.

“A sexualidade humana é, portanto, um bem: parte daquele dom criado que Deus viu ser «muito bom» quando criou a pessoa humana à sua imagem e semelhança e «homem e mulher os criou» (Gen 1,27). Enquanto modalidade de se relacionar e se abrir aos outros, a sexualidade tem como fim intrínseco o amor, mais precisamente o amor como doação e acolhimento, como dar e receber. «A sexualidade deve ser orientada, elevada e integrada pelo amor, que é o único a torná-la verdadeiramente humana»” (Conselho Pontifício para a Família, sexualidade humana, n.11).

O que falta para você buscar ajuda e assumir que foi ferido ou ferida na sua sexualidade? Deus quer curá-lo e libertá-lo, para que você seja inteiramente Dele e viver a liberdade na sua sexualidade.

Padre Reinaldo Cazumbá

@padrereinaldocn

As aparências enganamO julgamento cabe a Deus

O comportamento de uma pessoa não diz de sua essência ou aquilo que de fato ela é. Por isso, todo julgamento é pecado. Só Deus tem o poder para julgar. É Ele que conhece o profundo das pessoas.

Quem julga o próximo, está condenando a si próprio; pois quem julga o outro acaba fazendo coisa pior.

Não posso fazer-me de juiz do meu irmão. Acabo pegando um fato isolado de alguém, abrindo um processo, condenando, dando a sentença, até a morte. Não podemos parar nos fatos isolados dos nossos irmãos. Somos chamados a sermos misericórdia de Deus para a vida do outro. “Não julgueis e não sereis julgados. Pois o mesmo julgamento com que julgardes os outros servirá para vós; e a mesma medida que usardes para os outros servirá para vós. Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (Mt 7,1-3).

Assim como queremos que Deus não nos condene, também não podemos condenar o irmão por qualquer coisa que ele faz por pior que seja, a Deus cabe o julgamento, “porque Deus não faz distinção de pessoas” (Rm 2,11).

Deus sempre julga tudo do homem conforme sua justiça e amor. Ele não julga como nós julgamos ou entendemos ser julgamento. Não queiramos olhar para Deus com parâmetros humanos. Nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus.

Como já disse somente Deus pode julgar, porque todos nós temos culpa no“ cartório” , o nosso julgamento precisa ser transformado em acolhimento, amor , alegria e justiça.

A justiça de Deus dá a vida a todos os homens. Justiça significa retribuir ao outro aquilo que lhe é devido. Por isso, a justiça de Deus precisa ultrapassar a nossa mentalidade e nos levar a uma mudança de coração e tratar o outro como verdadeiro filho de Deus.

Por causa do nosso julgamento, muitas das vezes estamos nos afastando de Deus e as pessoas de nós e de Deus. Porque se vermos uma pessoa diferente se aproximando e entrando na igreja, temos logo um juízo temerário e condenamos, atribuímos muitas vezes coisas que aquela pessoa nem é; como por exemplo: prostituta, ladrão etc, sem realmente Ter conhecimento de sua vida ou passado.

Mas precisamos ser instrumento de acolhimento como Jesus foi; levar a salvação que vem de Deus e do seu Evangelho.

Devemos levar os outros a esta compreensão de que a nossa salvação está unicamente em Jesus Cristo. Aderir ao Senhor pela força da nossa fé. Pois o Evangelho de Jesus tem a força de salvação e purificação: “…o Evangelho, pois ele é uma força vinda de Deus para a salvação de todo aquele que crê… (Rm 1,16).”

Padre Reinaldo Cazumbá

@padrereinaldocn

“Se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. Caríssimos, se o nosso coração não nos acusa, podemos dirigir-nos a Deus com corajosa confiança.” (1Jo 3,20-21)

O ponto de partida para esse tema é o amor de Deus. Só somos curados porque seu fim é o amor, pois o amor de Deus quem nos cura. Todos têm necessidades de cura. Queremos ser curados. Buscamos essa realidade. Mas não pode partir de uma realidade vazia. É preciso identificar as feridas para sermos curados.

“Diante do caos de sentimentos, angústia, solidão, incompreensão, desânimo, desmotivação, nostalgia etc.” (livro Onde está Deus?). Que nos causam feridas e atrapalham o processo de cura, pois nossas emoções podem atrapalhar o nosso crescimento no Espírito. É preciso ter estabilidade emocional nos nossos relacionamentos e com aquilo que nos acontece.

“Devemos buscar uma vida no Espírito e entregarmo-nos inteiramente à Sua ação. Precisamos ver as coisas de Deus como novas, como de fato são.” (livro Onde está Deus?). Não é suficiente nascer do Espírito, é mais importante viver e crescer no Espírito.

Somente assim vamos entrar em um processo significativo de cura. Lembrando que é algo continuo e perseverante. Como disse a passagem de São João citada, se nosso coração nos acusa Deus é maior. As feridas são acusações, são traumas, são sentimentos. Mas podemos nos dirigir conscientes a Deus que Ele nos cura. Deus deseja nos curar para sermos livres e melhores para Ele.

Para Frankl (1991), o homem só se torna homem e só é completamente ele mesmo quando fica absorvido pela dedicação a uma tarefa, quando se esquece de si mesmo a serviço de uma causa, ou no amor a uma pessoa. É como o olho, que só pode cumprir sua função de ver o mundo enquanto não vê a si próprio. O sentido tem um caráter objetivo de exigência e está no mundo, não no sujeito que o experiência.

Ao falar de sentido, estamos fazendo referência ao significado, à coerência, à busca de propósito e finalidade.

Frankl nos expressa como o homem que perdeu o sentido cai em um vazio existencial e sofre; esta frustração existencial pode desembocar em uma sintomatologia neurótica.

O de que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente.

Nietzsche: “Quem tem um por que viver pode suportar quase qualquer como”

Levar o homem à consciência do seu ser-responsável, enquanto fundamento vital da existência humana. Essa responsabilidade, todavia, significa sempre responsabilidade perante um sentido. (Frankl)

“O que sacrifica dá ao sacrifício sentido, valor, preço. Dar sentido quer dizer entregar-se. Não é o que eu guardo comigo que retém valor; é o que eu sacrifico que adquire valor” (Frankl, 1978)

“O ser humano é o ser que decide o que vai se tornar” (Silveira, 2007)

Prá você, mais um PODCAST ALIMENTO SÓLIDO… Falando sobre a Pessoa do Espírito Santo !!!