As amizades me levam ao eterno!
Tenho neste tempo atual, feito uma linda experiência de Deus, e o mais interessante dessa experiência é que ela tem sido manifestada na presença do outro, do irmão, do amigo!
Me lembrei da linda experiência de amizade que na Bíblia é narrada no Livro de Samuel entre Davi e Jônatas, e a palavra relata que: “Assim que Davi acabou de falar com Saul, Jônatas apegou-se profundamente a Davi; amou-o como a si mesmo”. (1 Sm 18, 1). Antes mesmo de Jesus, Jônatas já experimentava o amor ao próximo de uma forma forte e com as características do que depois viria como revelação aos discípulos: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos”. (Jo 15, 12-13). Se continuarmos lendo o texto de Samuel desde o capítulo 18 até o 31, quando Jônatas morre, vamos nos deparar com a atitude de entrega e de amor profundo de uma amizade alicerçada em Deus, entre esses dois personagens históricos presentes na Sagrada Escritura. Jônatas se despojou até mesmo das honrarias de ser filho do Rei, dando seus direitos a Davi, e até o defende e protege do ataque do pai. O amor vence o ódio e a morte! A aliança entre Jônatas e Davi é perpétua, pois toda amizade nos leva a experimentar o céu aqui na terra, o eterno nos toca no amor revelado na amizade.
Ao saber da morte de Jônatas, Davi compõe um canto que diz num trecho: “Choro por ti, meu irmão Jônatas. Tu me eras tão querido; tua amizade me era mais cara que o amor das mulheres. Que seja Deus entre nós para sempre”. (2 Sm 1, 26). Somente quem mergulha numa amizade de forma tão profunda pode fazer tais afirmações, somente quem venceu o medo de amar, de amar sem medida não tem vergonha de deixar expresso em palavras e gestos a força desse amor. Talvez os maldosos poderiam julgar essa amizade de Davi e Jônatas com uma certa desconfiança por tanta intensidade, porém, a raposa que dialoga com o Pequeno Príncipa na obra magnifica de Saint -Exupéry nos diz: “Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”.
A verdadeira amizade é experiência de abandono e entrega, alicerçada em renúncias, em doação, e empenho para que o outro seja feliz, e se sinta e seja a melhor pessoa do mundo. Não se pode medir o amor, é necessário amar sem medidas.
Tenho louvado a Deus por cada amizade que tenho. Esse mês fiz uma profunda experiência com um amigo que hoje já faz parte do círculo dos meus melhores amigos. Seu nome é Giovani! Experimentamos o céu, o eterno juntos, e isso é base para que sejamos amigos para sempre. Também nesses tempos pude rever meus grandes amigos de noviciado aqui na Canção Nova, e pude reafirmar que sou capaz de dar a vida por eles. O novo e os velhos, tudo remetendo ao eterno, ao céu. Posso dizer sem medo, os meus amigos me fazem experimentar o céu aqui na terra. Cito mais uma vez Saint-Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquele que cativas”. É assim que me sinto, responsável por cada um, e sei que é assim que todos eles se sentem, responsáveis por mim! O Céu começa aqui, o amor puro e verdadeiro revela o céu!
Só posso terminar essa partilha citando o texto do Cântico dos Cânticos: “Porque o amor é forte como a morte…suas chamas são chamas de fogo, labaredas Divinas. Águas torrenciais não poderão extinguir o amor, nem rios poderão afogá-lo. Se alguém oferecesse todas as riquezas de sua casa para comprar o amor, como total desprezo o tratariam”. (Ct 8, 6-7).
Experimentei Deus no irmão, experimentei o céu no amor verdadeiro, as amizades me levam ao eterno!
Deus abençoe!
Conte comigo e com minha amizade!
Seu irmão,
Pe.Roger Luis
Canção Nova