É chegada a hora, vinde Espírito Santo

Arquivado em: Avivamento, Espiritualidade, Grupo Vence Brasil, Juventude — Padre Roger Luis at 7:57 pm on sábado, maio 30, 2009

HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI

Domingo, 4 de Junho de 2006

Queridos irmãos e irmãs!

No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu com poder sobre os Apóstolos; teve assim início a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus tinha preparado os Onze para esta missão aparecendo-lhes várias vezes depois da sua ressurreição (cf. Act 1, 3). Antes da ascensão ao Céu, ordenou que “não se afastassem de Jerusalém, mas que aguardassem que se cumprisse a promessa do Pai” (cf. Act 1, 4-5); isto é, pediu que permanecessem juntos para se prepararem para receber o dom do Espírito Santo. E eles reuniram-se em oração com Maria no Cenáculo à espera do acontecimento prometido (cf. Act 1,14).

Permanecer juntos foi a condição exigida por Jesus para receber o dom do Espírito Santo; pressuposto da sua concórdia foi uma oração prolongada. Desta forma, encontramos delineada uma formidável lição para cada comunidade cristã. Por vezes pensa-se que a eficiência missionária dependa principalmente de uma programação atenta e da sucessiva inteligente realização mediante um empenho concreto. Sem dúvida, o Senhor pede a nossa colaboração, mas antes de qualquer resposta nossa é necessária a sua iniciativa: é o seu Espírito o verdadeiro protagonista da Igreja. As raízes do nosso ser e do nosso agir estão no silêncio sábio e providente de Deus.

As imagens que São Lucas usa para indicar o irromper do Espírito Santo o vento e o fogo recordam o Sinai, onde Deus se tinha revelado ao povo de Israel e lhe tinha concedido a sua aliança (cf. Ex 19, 3ss). A festa do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, era a festa do Pacto. Falando de línguas de fogo (cf. Act 2, 3), São Lucas quer representar o Pentecostes como um novo Sinai, como a festa do novo Pacto, na qual a Aliança com Israel se alarga a todos os povos da Terra. A Igreja é católica e missionária desde a sua origem. A universalidade da salvação é significativamente evidenciada pelo elenco das numerosas etnias a que pertencem todos os que ouvem o primeiro anúncio dos Apóstolos (cf. Act 2, 9-11).

O Povo de Deus, que tinha encontrado no Sinai a sua primeira configuração, hoje é ampliado a ponto de não conhecer qualquer fronteira de raça, cultura, espaço ou tempo. Diferentemente do que tinha acontecido com a torre de Babel (cf. Jo 11, 1-9), quando os homens, intencionados a construir com as suas mãos um caminho para o céu, tinham acabado por destruir a sua própria capacidade de se compreenderem reciprocamente. No Pentecostes o Espírito, com o dom das línguas, mostra que a sua presença une e transforma a confusão em comunhão. O orgulho e o egoísmo do homem geram sempre divisões, erguem muros de indiferença, de ódio e de violência.

O Espírito Santo, ao contrário, torna os corações capazes de compreender as línguas de todos, porque restabelece a ponte da comunicação autêntica entre a Terra e o Céu. O Espírito Santo é Amor.

Mas como entrar no mistério do Espírito Santo, como compreender o segredo do Amor? A página evangélica conduz-nos hoje ao Cenáculo onde, tendo terminado a última Ceia, um sentido de desorientação entristece os Apóstolos. A razão é que as palavras de Jesus suscitam interrogativos preocupantes: Ele fala do ódio do mundo para com Ele e para com os seus, fala de uma sua misteriosa partida e há muitas outras coisas ainda para dizer, mas no momento os Apóstolos não são capazes de carregar o seu peso (cf. Jo 16, 12). Para os confortar explica o significado do seu afastamento: irá mas voltará; entretanto não os abandonará, não os deixará órfãos. Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito que dará a conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d’Ele que se ofereceu, amor do Pai que o concedeu.

É este o mistério do Pentecostes: o Espírito Santo ilumina o espírito humano e, revelando Cristo crucificado e ressuscitado, indica o caminho para se tornar mais semelhantes a Ele, isto é, ser “expressão e instrumento do amor que d’Ele promana” (Deus caritas est 33). Reunida com Maria, como na sua origem, a Igreja hoje reza: “Veni Sancte Spiritus! Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis e acende neles o fogo do teu amor!”. Amém.

Espírito Santo, esperado com ansia por todos!

Arquivado em: Avivamento, Espiritualidade, Grupo Vence Brasil, Juventude — Padre Roger Luis at 6:06 am on sábado, maio 30, 2009

HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI

Domingo, 15 de Maio de 2005

Queridos Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio. Caríssimos Ordenandos. Amados Irmãos e Irmãs!

A primeira leitura e o Evangelho do Domingo de Pentecostes apresentam-nos duas grandes imagens da missão do Espírito Santo. A leitura dos Atos dos Apóstolos narra como, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo, sob os sinais de um vento poderoso e de fogo, irrompe na comunidade orante dos discípulos de Jesus e dá assim origem à Igreja. Para Israel, o Pentecostes, de festa da sementeira, tornou-se a festa que recordava a conclusão da aliança no Sinai. Deus demonstrou a sua presença ao povo através do vento e do fogo e depois ofereceu-lhe a sua lei, a lei dos 10 mandamentos. Só assim a obra de libertação, que começara com o êxodo do Egipto, se tinha cumprido plenamente: a liberdade humana é sempre uma liberdade partilhada, um conjunto de liberdades.

Só numa ordenada harmonia das liberdades, que abre para cada um o seu âmbito, se pode ter uma liberdade comum. Por isso o dom da lei no Sinai não foi uma restrição ou uma abolição da liberdade mas o fundamento da verdadeira liberdade. E dado que um justo ordenamento humano se pode reger apenas se provém de Deus e se une os homens na perspectiva de Deus, para uma disposição ordenada das liberdades humanas não podem faltar os mandamentos que o próprio Deus dá. Assim Israel tornou-se plenamente povo precisamente através da aliança com Deus no Sinai. O encontro com Deus no Sinai poderia ser considerado como o fundamento e a garantia da sua existência como povo. O vento e o fogo, que atingiram a comunidade dos discípulos de Cristo reunida no cenáculo, constituíram um ulterior desenvolvimento do acontecimento do Sinai e conferiram-lhe uma nova amplitude. Naquele dia encontravam-se em Jerusalém, segundo quanto referem os Atos dos Apóstolos, “Judeus piedosos provenientes de todas as nações que há debaixo do céu” (Act 2, 5). E eis que se manifesta o dom característico do Espírito Santo: todos compreenderam as palavras dos apóstolos: “Cada um os ouvia falar na sua própria língua” (Act 2, 6). O Espírito Santo concede o dom da compreensão. Ultrapassa a ruptura que teve início em Babel a confusão dos corações, que nos faz ser uns contra os outros o Espírito abre as fronteiras. O povo de Deus que tinha encontrado no Sinai a sua primeira configuração, é agora ampliado até ao ponto de já não conhecer fronteira alguma.

O novo povo de Deus, a Igreja, é um povo que provém de todos os povos. A Igreja desde o início é católica, esta é a sua essência mais profunda. São Paulo explica e realça isto na segunda leitura, quando diz: “De facto, num só Espírito, fomos todos baptizados para formar um só corpo, judeus e gregos, escravos e livres, e todos bebemos de um só Espírito” (1 Cor 12, 13). A Igreja deve tornar-se sempre de novo aquilo que ela já é: deve abrir as fronteiras entre os povos e romper as barreiras entre as classes e as raças. Nela não podem haver esquecidos nem desprezados. Na Igreja existem unicamente irmãos e irmãs livres em Jesus Cristo. Vento e fogo do Espírito Santo devem infatigavelmente abater aquelas barreiras que nós homens continuamos a erguer entre nós; devemos sempre de novo passar de Babel, do fechamento em nós mesmos, para Pentecostes. Por isso, devemos continuamente pedir que o Espírito Santo nos abra, nos conceda a graça da compreensão, de modo que nos possamos tornar o povo de Deus proveniente de todos os povos ainda mais, diz-nos São Paulo: em Cristo, que como único pão a todos alimenta na Eucaristia e nos atrai para si no seu corpo martirizado na cruz, nós devemos tornar-nos um só corpo e um só espírito.

“A paz esteja convosco”: esta saudação do Senhor é uma ponte que ele lança entre céu e terra

A segunda imagem do envio do Espírito, que encontramos no Evangelho, é muito mais discreta. Mas precisamente por isso faz compreender toda a grandeza do acontecimento de Pentecostes. O Senhor Ressuscitado entra através das portas fechadas no lugar onde os discípulos se encontravam e saúda-os duas vezes dizendo: a paz esteja convosco! Nós, continuamente, fechamos as nossas portas; continuamente, queremos pôr-nos a salvo e não ser incomodados pelos outros nem por Deus. Portanto, podemos suplicar continuamente o Senhor por isso, para que ele venha ao nosso encontro vencendo os nossos fechamentos e trazendo-nos a sua saudação. “A paz esteja convosco”: esta saudação do Senhor é uma ponte, que ele lança entre céu e terra. Ele desce por esta ponte até nós e nós podemos subir, por esta ponte de paz, até Ele. Nesta ponte, sempre juntamente com Ele, também nós devemos alcançar o próximo, alcançar aquele que tem necessidade de nós. Precisamente descendo com Cristo, nós elevamo-nos até Ele e até Deus: Deus é Amor e por isso descida, abaixamento, que o amor nos pede, e ao mesmo tempo é a verdadeira subida. Precisamente assim, abaixando-nos, saindo de nós mesmos, nós alcançamos a altura de Jesus Cristo, a verdadeira altura do ser humano.

À saudação de paz do Senhor seguem-se dois gestos decisivos para o Pentecostes: o Senhor deseja que a sua missão continue nos discípulos: “Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós” (Jo 20, 21). Depois disto, sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos” (Jo 20, 23). O Senhor sopra sobre os discípulos, e assim dá-lhes o Espírito Santo, o seu Espírito. O sopro de Jesus é o Espírito Santo. Reconhecemos aqui, antes de mais, uma alusão à narração da criação do homem no Gênesis, onde está escrito: “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida” (Gn 2, 7). O homem é esta criatura misteriosa, que provém totalmente da terra, mas no qual foi posto o sopro de Deus. Jesus sopra sobre os apóstolos e dá-lhe de maneira renovada, maior, o sopro de Deus. Nos homens, não obstante todas as suas limitações, existe agora algo absolutamente novo o sopro de Deus. A vida de Deus habita em nós. O sopro do seu amor, da sua verdade e da sua bondade. Assim podemos ver aqui também uma alusão ao baptismo e à confirmação a esta nova pertença a Deus, que o Senhor nos concede. O texto do Evangelho convida-nos a isto: a viver sempre no espaço do sopro de Jesus Cristo, a receber vida d’Ele, de modo que ele inspire em nós a vida autêntica a vida da qual morte alguma pode privar. Com o seu sopro, com o dom do Espírito Santo, o Senhor relaciona o poder de perdoar. Ouvimos anteriormente que o Espírito Santo une, abate as fronteiras, guia uns para os outros. A força, que abre e faz superar Babel, é a força do perdão. Jesus pode conceder o perdão e o poder de perdoar, porque ele mesmo sofreu as consequências da culpa e dissolveu-as na chama do seu amor. O perdão vem da cruz; ele transforma o mundo com o amor que nos doa. O seu coração aberto na cruz é a porta pela qual entra no mundo a graça do perdão. E unicamente esta graça pode transformar o mundo e edificar a paz.

Se compararmos os dois acontecimentos de Pentecostes, o vento poderoso do 50º dia e o leve sopro de Jesus na noite de Páscoa, podemos recordar-nos do contraste entre dois episódios, que aconteceram no Sinai, dos quais nos fala o Antigo Testamento. Por um lado encontra-se a narração do fogo, do trovão e do vento, que precedem a promulgação dos 10 Mandamentos e a conclusão da aliança (cf. Ex 19 ss.); por outro, a narração misteriosa de Elias no Monte Oreb. Depois dos dramáticos acontecimentos do Monte Carmelo, Elias tinha-se salvado da ira de Acab e de Gezabele. Por conseguinte, seguindo o mandamento de Deus, peregrinou até ao Monte Oreb. O dom da aliança divina, da fé no Deus único, parecia ter desaparecido em Israel. Elias, de certa forma, deve reacender a chama da fé no monte de Deus e reconduzi-la a Israel. Ele experimenta, naquele lugar, vento, terremoto e fogo. Mas Deus não está presente em tudo isto. Então ele apercebe-se de um murmúrio doce e leve. E Deus fala-lhe com esse sopro leve (cf. 1 Re 19, 11-18). O que aconteceu na noite de Páscoa, quando Jesus apareceu aos seus Apóstolos para lhes ensinar o que se deseja dizer? Não podemos porventura ver nisto a prefiguração do servo de Jahwé, do qual Isaías diz: “Ele não gritará, não levantará a voz, não clamará nas ruas” (42, 2)? Não sobressai talvez assim a humilde figura de Jesus como a verdadeira revelação na qual Deus se manifesta a nós e nos fala? Não são porventura a humildade e a bondade de Jesus a verdadeira epifania de Deus? Elias, no Monte Carmelo, tinha procurado combater o afastamento de Deus com o fogo e com a espada, matando os profetas de Baal. Mas desta forma não pôde restabelecer a fé. No Oreb ele deve aprender que Deus não está no vento, no terremoto, no fogo; Elias deve aprender a compreender a voz leve de Deus e, assim, a reconhecer antecipadamente que venceu o pecado não com a força mas com a sua Paixão; aquele que, com o seu sofrimento, nos doou o poder do perdão. Esta é a forma com a qual Cristo vence.

Queridos ordenandos! Desta forma a mensagem de Pentecostes dirige-se agora diretamente a vós. O cenário de Pentecostes do Evangelho de João fala a vós e de vós. A cada um de vós, de modo muito pessoal, o Senhor diz: paz a vós paz a ti! Quando o Senhor diz isto, não doa uma coisa qualquer mas doa-se a Si mesmo. De facto, ele mesmo é a paz (cf. Ef 2, 14). Nesta saudação do Senhor, podemos entrever também uma referência ao grande mistério da fé, à Santa Eucaristia, na qual ele se doa a nós continuamente e, desta forma, doa a verdadeira paz. Esta saudação situa-se no centro da vossa missão sacerdotal: o Senhor confia-vos o mistério deste sacramento. No seu nome vós podeis dizer: este é o meu corpo este é o meu sangue. Deixai-vos atrair sempre de novo pela Santa Eucaristia, na comunhão de vida com Cristo. Considerai como centro de cada um dos vossos dias poder celebrá-la de modo digno. Conduzi os homens sempre de novo a este mistério. Ajudai-os, a partir dela, a levar a paz de Cristo ao mundo.

Ressoa depois, no Evangelho que acabamos de escutar, uma segunda palavra do Ressuscitado: “assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós” (Jo 20, 21). Cristo diz isto, de modo muito pessoal, a cada um de vós. Com a ordenação sacerdotal vós inseristes-vos na missão dos apóstolos. O Espírito Santo veio, mas não é amorfo. É um Espírito ordenado. E manifesta-se precisamente ordenando a missão, no sacramento do sacerdócio, com o qual continua o ministério dos apóstolos. Através deste ministério, vós sois inseridos na grande multidão dos que, a partir do Pentecostes, receberam a missão apostólica. Vós sois inseridos na comunhão do presbitério, na comunhão com o bispo e com o Sucessor de São Pedro, que aqui em Roma é também o vosso bispo. Todos nós somos inseridos na rede da obediência à palavra de Cristo, à palavra daquele que dá a verdadeira liberdade, porque nos conduz nos espaços livres e nos horizontes amplos da verdade. Precisamente neste vínculo comum com o Senhor nós podemos e devemos viver o dinamismo do Espírito. Como o Senhor saiu do Pai e nos doou luz, vida e amor, assim a missão deve continuamente pôr-nos em movimento, tornar-nos inquietos, para levar a quem sofre, a quem está em dúvida, e também a quem hesita, a alegria de Cristo. Por fim, há o poder do perdão. O sacramento da penitência é um dos tesouros preciosos da Igreja, porque só no perdão se realiza o verdadeiro renovamento do mundo. Nada pode melhorar no mundo, se o mal não for vencido. E o mal pode ser vencido unicamente com o perdão. Sem dúvida, deve ser um perdão eficaz. Mas este perdão, só o Senhor o pode dar. Um perdão que não afasta o mal só com palavras, mas realmente o destrói. Isto pode verificar-se unicamente com o sofrimento e aconteceu realmente com o amor sofredor de Cristo, do qual nós haurimos o poder do perdão.

Por fim, queridos ordenandos, recomendo-vos o amor à Mãe do Senhor. Fazei como São João, que o acolheu no íntimo do próprio coração. Deixai-vos renovar continuamente pelo seu amor materno. Aprendei dela a amar Cristo. O Senhor abençoe o vosso caminho sacerdotal! Amém.

Peçamos o Espírito Santo

Arquivado em: Avivamento, Espiritualidade, Grupo Vence Brasil — Padre Roger Luis at 11:53 pm on quarta-feira, maio 27, 2009

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II 

8 de Junho de 2003

 

1. Nos últimos dias da sua vida terrena, Jesus prometeu aos discípulos o dom do Espírito Santo como a sua herança mais verdadeira, continuação da sua própria presença (cf. Jo 14, 16-17).

 

O trecho evangélico agora proclamado fez-nos reviver o momento em que essa promessa se tornou realidade:  o Ressuscitado entra no Cenáculo, saúda os discípulos e, soprando sobre eles, diz:  “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22). O Pentecostes, descrito pelos Atos dos Apóstolos, é o acontecimento que torna evidente e público, cinquenta dias mais tarde, este dom feito por Jesus aos seus discípulos, na própria noite do dia de Páscoa.

 

A Igreja de Cristo está sempre, por assim dizer, em estado de Pentecostes. Sempre reunida no Cenáculo a rezar, está, ao mesmo tempo, sob o vento vigoroso do Espírito, sempre a caminho, a anunciar. A Igreja mantém-se perenemente jovem e viva, una, santa, católica e apostólica, porque o Espírito desce sobre ela continuamente para lhe recordar tudo o que o seu Senhor lhe disse (cf. Jo 14, 25) e para a orientar para a verdade completa (cf. Jo 16, 13).

 

2. Desta Igreja, desejo hoje saudar com afecto particular a porção peregrina na terra da Croácia, aqui reunida à volta dos seus Pastores e representada na sua riqueza e variedade dos fiéis que vieram das diversas regiões do País.

 

Abraço o Arcebispo de Rijeka, D. Ivan Devcic, que me recebeu em nome de todos vós, e o Arcebispo emérito, D. Josip Pavlisic, que participou comigo no Concílio Vaticano II:  com ele dou graças a Deus pelo 65° aniversário de Ordenação presbiteral, celebrado no passado mês de Abril. Desejo, depois, dirigir uma saudação particular ao Presidente da Conferência Episcopal, D. Josip Bozanic, Arcebispo de Zagrábia, e a todo o Episcopado croata, bem como aos Senhores Cardeais e aos Bispos que vieram de outros Países.

 

Dirijo também a minha respeitosa saudação ao Senhor Presidente da República e às outras Autoridades civis e militares, às quais agradeço a sua presença e a preciosa ajuda dada à organização e à realização desta minha terceira viagem apostólica à Croácia.

 

Depois, saúdo de modo especial as numerosas famílias aqui reunidas neste dia que lhes é dedicado:  vós tendes um grande valor para a sociedade e para a Igreja, dado que “o matrimônio e a família constituem um dos bens mais preciosos da humanidade” (Familiaris consortio, 1).

 

3. Estamos reunidos na falda da encosta sobre a qual se encontra o Santuário de Trsat onde, segundo uma tradição piedosa, se deteve a casa da Virgem Maria. A agradável recordação da vida de Jesus, José e Maria em Nazaré recorda-nos a beleza austera e simples e o caráter sagrado e inviolável da família cristã.

 

Olhando para Maria e para José, que apresentam o Menino no Templo ou que vão em peregrinação a Jerusalém, os pais cristãos podem reconhecer-se enquanto, com os seus filhos, participam na Eucaristia dominical ou se reúnem em oração nas suas casas. A este propósito, apraz-me recordar o programa que, há anos, os vossos Bispos lançaram de Nin:  “A família católica croata reza todos os dias e aos domingos celebra a Eucaristia”. Para que isto possa ser realizado, é de importância fundamental o respeito da sacralidade do dia festivo, que permite que os membros da família se encontrem e prestem juntos a Deus o culto devido.

 

Hoje, a família requer, também na Croácia, uma atenção privilegiada e medidas concretas que favoreçam e tutelem a constituição, o desenvolvimento e a estabilidade. Penso, entre outras coisas, no grave problema da habitação e do emprego. Não nos esqueçamos de que ajudando a família também se contribui para a solução de outros graves problemas, como, por exemplo, a assistência aos doentes e aos idosos, o impedimento à propagação da criminalidade, um remédio para o recurso à droga.

 

4. E vós, queridas famílias cristãs, não hesiteis em propor, antes de tudo com o testemunho da vossa vida, o autêntico  projecto  de  Deus  sobre  a  família como comunidade de vida fundada no matrimônio, ou seja, sobre a união estável e fiel de um homem com uma mulher, ligados entre si por um vínculo manifestado e reconhecido publicamente.

 

Compete-vos a vós encarregar-vos responsavelmente da educação humana e cristã dos vossos filhos, confiando também na ajuda sábia de educadores e catequistas sérios e bem formados. Nesta cidade de Rijeka venera-se como padroeiro São Vito, um jovem que não hesitou oferecer a própria vida para conservar a fidelidade a Cristo, que lhe foi ensinada pelos pais, São Modesto e Santa Crescência. Também vós, como eles, ajudai os vossos filhos a ir ao encontro de Jesus, para o conhecer melhor e para o seguir, entre as tentações a que estão continuamente expostos, no caminho que os leva à alegria verdadeira.

 

No cumprimento do vosso ministério de pais, não vos canseis de repetir a invocação que, há sete séculos, os cidadãos de Rijeka dirigem com confiança ao Crucifixo milagroso conservado na Catedral:  “Promogao nam sveti Kriz svetog Vida!” (Ajude-nos a santa Cruz de São Vito!).

 

5. A sociedade de hoje está dramaticamente fragmentada e dividida. Precisamente por este motivo está tão desesperadamente insatisfeita. Mas o cristão não se resigna ao cansaço e à inércia. Sede o povo da esperança! Sede um povo que reza:  “Espírito, vem dos quatro ventos, sopra sobre estes mortos para que eles recuperem a vida” (Ez 37, 9). Sede um povo que crê na Palavra que nos foi dita por Deus e se realizou em Cristo:  “Introduzirei em vós o meu espírito e vivereis; estabelecer-vos-ei na vossa terra. Então reconhecereis que Eu, o Senhor, falei e agi” (Ez 37, 14).

É desejo de Cristo que todos sejam um n’Ele, para que esteja em todos a plenitude da sua glória (cf. Jo 15, 11; 17, 134). Ele exprime este desejo também hoje, para a Igreja que somos nós. Por isso Ele, juntamente com o Pai, enviou o Espírito Santo. O Espírito atua incansavelmente para vencer qualquer forma de dispersão e refazer todas as dilacerações.

 

6. São Paulo recordou-nos que “o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão domínio de si” (Gl 5, 22-23). São estes dons do Espírito que hoje o Papa invoca para todos os casais cristãos da Croácia, para que, com a sua doação recíproca, na fidelidade aos compromissos do matrimônio e no serviço à causa do Evangelho, possam ser no mundo sinal do amor de Deus pela humanidade.

 

São estes dons que o Papa invoca para todos vós que participais nesta celebração e que reconfirmais o vosso compromisso de testemunho a Cristo e ao seu Evangelho.

 

“Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis e inflama neles o fogo do teu amor” (Aclamação ao Evangelho). Vem, Espírito Santo! Amém.

Reflexão para Pentecostes

Arquivado em: Avivamento, Espiritualidade, Grupo Vence Brasil — Padre Roger Luis at 3:49 am on quarta-feira, maio 27, 2009

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Domingo, 19 de Maio de 2002

1. “Ouvimo-los anunciar nas nossas línguas as maravilhas de Deus” (Act 2, 11)!

Assim exclama, no dia de Pentecostes, a multidão de peregrinos de “todas as nações que há debaixo do céu” (v. 5), ouvindo a pregação dos Apóstolos.

Também nós somos invadidos pela mesma admiração, ao contemplar os grandes prodígios realizados por Deus na existência dos cinco novos Santos, elevados às honras dos altares precisamente no dia do Pentecostes; Afonso de Orozco, presbítero, da Ordem de Santo Agostinho; Inácio de Santhià, presbítero, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos; Umile de Bisignano, religioso, da Ordem dos Frades Menores; Paulina do Coração Agonizante de Jesus, virgem, fundadora da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição; Benedita Cambiagio Frassinello, religiosa, fundadora do Instituto das Irmãs Beneditinas da Providência.

Eles percorreram os caminhos do mundo anunciando e testemunhando Cristo com a palavra e com a vida. Por isso se tornaram sinais eloquentes do Pentecostes perene da Igreja.

2. “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20, 22-23). Com estas palavras o Ressuscitado transmite aos Apóstolos o dom do Espírito e com ele, o poder divino de perdoar os pecados. A missão de perdoar as culpas e de acompanhar os homens pelos caminhos da perfeição evangélica foi vivida, de modo particular, pelo sacerdote capuchinho Inácio de Santhià, que por amor de Cristo e para progredir mais rapidamente na perfeição evangélica se encaminhou seguindo as pegadas do Pobrezinho de Assis.

Inácio de Santhià foi pai, confessor, conselheiro e mestre de muitos sacerdotes, religiosos e leigos que no Piemonte do seu tempo recorriam à sua orientação sábia e iluminada. Ele continua ainda hoje a recordar todos os valores da pobreza, da simplicidade e da autenticidade de vida.

3. “A paz seja convosco!” (Jo 20, 19), disse Jesus aparecendo aos Apóstolos no Cenáculo. A paz é o primeiro dom que o Ressuscitado faz aos Apóstolos. Da paz de Cristo, princípio inspirador também da paz social, fez-se portador constante Umile de Bisignano, filho digno da nobre terra da Calábria. Partilhou com Inácio de Santhià o mesmo empenho de santidade no seguimento espiritual de São Francisco de Assis, oferecendo por sua vez um particular testemunho de caridade aos irmãos.

Na nossa sociedade, na qual com muitas frequência parece que os vestígios de Deus são perdidos, frei Umile representa um convite feliz e encorajador à mansidão, à benignidade, à simplicidade e o desapego sadio dos bens passageiros deste mundo.

4. “A manifestação do Espírito é dada a cada um para proveito comum” (1 Cor 12, 7). Assim aconteceu na vida de Santo Afonso de Orozco, da Ordem de Santo Agostinho. Tendo nascido na vila de Oropesa, em Toledo, a obediência religiosa levou-o a percorrer muitos lugares da geografia espanhola, terminando os seus dias em Madrid. A sua dedicação pastoral ao serviço dos mais pobres nos hospitais e cárceres faz dele um modelo para todos os que, estimulados pelo Espírito, fundamentam toda a sua existência no amor a Deus e ao próximo, de acordo com o supremo mandamento de Jesus.

5. A ação do Espírito se manifesta de modo especial também na vida e missão de Madre Paulina, inspirando-a a constituir, juntamente com um grupo de jovens amigas, uma casa de acolhida, pouco depois batizada pelo povo de “Hospitalzinho São Virgílio”, destinada à atenção material e espiritual de doentes e desamparados. Nasce assim, para atender os planos da Providência, a primeira Comunidade religiosa do sul do Brasil, denominada Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Foi neste Hospital, que o ser-para-os-outros constituiu o pano de fundo da vida de Madre Paulina. No serviço aos pobres e aos doentes, ela tornara-se manifestação do Espírito Santo, “consolador perfeito; doce hóspede da alma; suavíssimo refrigério” (Sequência).

6. “Ó luz ditosa, invade no íntimo o coração dos teus fiéis”. As palavras da Sequência constituem uma bonita síntese de toda a existência de Benedita Cambiagio Frassinello e explicam a sua extraordinária riqueza espiritual.

Orientada pela graça divina, a nova Santa preocupou-se em cumprir com fidelidade e coerência a vontade de Deus. Com confiança ilimitada na bondade do Senhor, abandonava-se à sua “Providência amorosa”, profundamente convencida de que, como gostava de repetir, é preciso “fazer tudo por amor a Deus e para Lhe agradar”. Eis a preciosa herança que Santa Benedita Cambiagio Frassinello deixa às suas filhas espirituais, e que hoje é proposta a toda a Comunidade cristã.

7. “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor” (Cântico ao Evangelho). Façamos nossa esta invocação da liturgia de hoje. O Espírito Santo transformou radicalmente os Apóstolos, que se tinham fechado receosos no Cenáculo, em fervorosos Arautos do Evangelho. O Espírito continua a amparar a Igreja na sua missão evangelizadora ao longo dos séculos, suscitando em todas as épocas testemunhas corajosas da fé.

Com os Apóstolos, recebei o dom do Espírito à Virgem Maria (cf. Act 1, 14). Juntamente com ela, em comunhão com os novos Santos, imploramos por nossa vez o prodígio de um renovado Pentecostes para a Igreja. Pedimos que desça sobre a humanidade do nosso tempo a abundância dos dons do Espírito Santo.

Vinde, Espírito Santo, inflamai os corações dos vossos fiéis! Ajudai-nos também a nós a difundir no mundo o fogo do vosso amor. Amém!

Texto de reflexão para o Pentecostes

Arquivado em: Avivamento, Espiritualidade, Grupo Vence Brasil — Padre Roger Luis at 4:31 pm on segunda-feira, maio 25, 2009

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Praça de São Pedro, 3 de Junho de 2001

1. “Todos ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2, 4).

Foi assim que aconteceu em Jerusalém, no dia de Pentecostes. Hoje, reunidos nesta Praça, centro do mundo católico, voltamos a viver o clima daquele dia. Também no nosso tempo, como no Cenáculo de Jerusalém, a Igreja é atravessada por um “vento impetuoso”. Ela experimenta o sopro divino do Espírito, que a abre para a evangelização do mundo.

Por uma feliz coincidência, na solenidade do dia de hoje temos a alegria de acolher, ao lado do altar, os veneráveis restos mortais do Beato João XXIII, que Deus plasmou com o seu Espírito, fazendo dele uma admirável testemunha do Seu amor. Este meu veneradíssimo predecessor faleceu há 38 anos, no dia 3 de Junho de 1963, precisamente quando na Praça de São Pedro uma imensa multidão de fiéis rezava, espiritualmente reunida à volta do seu leito de morte. A celebração de hoje une-se a essa oração e, enquanto comemoramos o trânsito deste Beato Pontífice, louvamos a Deus que o deu à Igreja e ao mundo.

Como Sacerdote, Bispo e Papa, o Beato Ângelo Roncalli foi extremamente dócil à ação do Espírito, que o orientou pelas sendas da santidade. Por isso, na comunhão viva dos Santos, queremos celebrar a solenidade do Pentecostes em singular sintonia com ele, deixando-nos acompanhar por algumas das suas reflexões inspiradas.

2. “A luz do Espírito Santo irrompe das primeiras palavras do Livro dos Atos dos Apóstolos… O caminho impetuoso do Espírito divino precede e acompanha os evangelizadores, penetrando na alma de quem os escuta e dilatando as tendas da Igreja católica até aos extremos confins da terra, percorrendo todos os séculos da história” (Discursos, Mensagens e Colóquios do Santo Padre João XXIII, II, pág. 398).

Com estas palavras, pronunciadas no Pentecostes de 1960, o Papa João XXIII ajuda-nos a compreender o irrefreável impulso missionário próprio do mistério que celebramos nesta solenidade. A Igreja nasce missionária, porque nasce do Pai, que enviou Cristo ao mundo; nasce do Filho que, morto e ressuscitado, enviou os Apóstolos a todas as nações; e nasce do Espírito Santo, que infunde neles a luz e a força necessárias para levar a cabo esta missão.

Também nesta dimensão missionária, a Igreja é ícone da Santíssima Trindade: ela reflete na história a fecundidade superabundante que é própria de Deus, fonte de amor subsistente, que gera vida e comunhão. Com a sua presença e ação no mundo, a Igreja propaga entre os homens este dinamismo misterioso, difundindo o Reino de Deus, que é “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 17).

3. O Concílio Ecumênico Vaticano II, anunciado, convocado e inaugurado pelo Papa João XXIII, estava consciente desta vocação da Igreja.

O Espírito Santo pode justamente definir-se protagonista do Concílio, desde quando o Papa o convocou, declarando que ouviu como que vinda do Alto, uma voz íntima que ressoou no seu espírito (cf. Constituição Apostólica Humanae salutis, 25 de Dezembro de 1961, n. 6). Aquela “brisa” tornou-se “vento impetuoso” e o acontecimento conciliar adquiriu a forma de um renovado Pentecostes. “Com efeito, é na doutrina e no espírito do Pentecostes afirmou o Papa João XXIII que o grande acontecimento do Concílio Ecumênico adquiriu substância e vida” (Discursos, Mensagens e Colóquios… op. cit., pág. 398).

Caríssimos Irmãos e Irmãs, se hoje recordamos aquele singular período eclesial, é porque o Grande Jubileu do Ano 2000 se colocou em continuidade com o Concílio Vaticano II, retomando muitos dos seus aspectos de doutrina e de método. E o recente Consistório extraordinário voltou a propor a sua atualidade e riqueza para as novas gerações cristãs. Tudo isto é para nós um ulterior motivo de reconhecimento ao Beato Papa João XXIII.

4. Em particular, no contexto desta celebração de hoje, que associa ao Pentecostes um solene ato de veneração, gostaria de frisar que o dom mais precioso que o Papa João XXIII deixou ao Povo de Deus foi ele mesmo, ou seja, o seu testemunho de santidade.

Também aqui é válido o que ele mesmo afirmou sobre os Santos, isto é, que cada um deles “é uma obra-prima de graça do Espírito Santo” (Ibid., pág. 400). Depois, pensando nos Mártires e nos Sumos Pontífices sepultados na Basílica de São Pedro, acrescentava palavras que hoje voltamos a escutar com emoção: “Às vezes dá-se pouco valor às relíquias dos seus corpos, mas é sempre nelas que palpitam a sua recordação e oração”. Além disso, exclamava: “Oh! São os Santos, os Santos do Senhor que nos alentam, nos encorajam e nos abençoam em toda a parte” (Ibid., pág. 401).

Estas expressões do Papa João XXIII, valorizadas pelo exemplo luminoso da sua existência, coloquem em grande evidência a importância da opção da santidade como senda privilegiada da Igreja no início do novo milênio (cf. Novo millennio ineunte, 30-31). Efetivamente, a vontade generosa de colaborar com o Espírito para a santificação pessoal e dos irmãos constitui uma condição prévia indispensável para a nova evangelização.

5. Se a evangelização exige a santidade, esta, por sua vez, tem necessidade da linfa da vida espiritual: da oração e da união íntima com Deus, mediante a Palavra e os Sacramentos. Em síntese, precisa da profunda vida espiritual pessoal.

Ainda a propósito disto, como deixar de recordar a rica herança espiritual que nos foi deixada pelo Beato João XXIII, no seu “Jornal da alma”? Naquelas páginas, pode admirar-se mais de perto o compromisso diário com que ele, desde os anos do seminário, quis corresponder plenamente à ação do Espírito Santo. Depois, deixou-se plasmar pelo Espírito dia a dia, procurando com tenacidade paciente conformar-se cada vez mais à Sua vontade. Eis o segredo da bondade com que ele conquistou o Povo de Deus e muitos homens de boa vontade!

6. Enquanto nos confiamos à sua intercessão, hoje queremos pedir ao Senhor que a graça do Grande Jubileu se irradie no novo milênio, mediante o testemunho de santidade dos cristãos. Professamos com confiança que isto é possível. É possível pela ação do Espírito Paráclito que, em conformidade com a promessa de Cristo, permanece sempre ao nosso lado.

Animados pela esperança sólida, digamos com as próprias palavras do Beato João XXIII: “Ó Espírito Santo Paráclito… torna forte e contínua a prece que recitamos em nome do mundo inteiro: apressa para cada um de nós o tempo de uma profunda vida interior: dá impulso ao nosso apostolado, que deseja alcançar cada homem e todos os povos… Mortifica em nós a presunção natural e eleva-nos às regiões da santa humildade, do verdadeiro temor de Deus e da coragem generosa. Que nenhum vínculo terrestre nos impeça de honrar a nossa vocação; nenhum interesse, por nossa ignorância, sacrifique as exigências da justiça; nenhum cálculo limite os imensos espaços da caridade dentro das angústias dos pequenos egoísmos. Tudo seja grande em nós: a busca e o culto da verdade; a prontidão para o sacrifício, até à cruz e à morte; e tudo, enfim, corresponda à última oração do Filho ao Pai celeste; e àquela efusão que de ti, ó Espírito Santo de amor, o Pai e o Filho desejaram para a Igreja e as suas instituições, para cada alma e para todos os povos. Ámen!” (Discursos, Mensagens… op. cit., pág. 350).

Veni, Sancte Spiritus, veni!

Reze com o texto do Salmo 103(104).

Texto para meditação do primeiro dia!

Arquivado em: Avivamento, Espiritualidade, Grupo Vence Brasil — Padre Roger Luis at 8:23 pm on sexta-feira, maio 22, 2009

HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II

Sábado, 10 de Junho de 2000

1. “O Advogado que vos mandarei de junto do Pai é o Espírito da Verdade que procede do Pai. Quando Ele vier, dará testemunho de mim” (Jo 15, 26).

Estas são as palavras que o evangelista João hauriu dos lábios de Cristo no Cenáculo, durante a última Ceia, na vigília da Paixão. Hoje elas ressoam-nos com singular intensidade, no Pentecostes deste Ano jubilar, do qual revelam o conteúdo mais profundo.

Para captar esta mensagem essencial, é necessário permanecer, como os discípulos, no Cenáculo. Por isso a Igreja, graças também a uma oportuna seleção dos textos litúrgicos, permaneceu no Cenáculo durante o tempo de Páscoa. E nesta noite a Praça de São Pedro transformou-se num grandioso Cenáculo, no qual a nossa comunidade se encontra congregada para invocar e receber o dom do Espírito Santo.

A primeira Leitura, tirada do Livro dos Atos, recordou-nos aquilo que aconteceu cinquenta dias depois da Páscoa, em Jerusalém. Antes de subir ao Céu, Cristo confiou aos Apóstolos uma tarefa excelsa: “Ide e fazei com que todos os povos se tornem meus discípulos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei” (Mt 28, 19-20). Ele prometera também que, após a sua partida, teriam recebido “outro Consolador”, que lhes ensinaria todas as coisas (cf. Jo 14, 16.26).

Esta promessa realizou-se precisamente no dia do Pentecostes: descendo sobre os Apóstolos, o Espírito deu-lhes a luz e a força necessárias para ensinar as nações, anunciando o Evangelho de Cristo a todos. Desta forma, a Igreja nasceu e vive na fecunda tensão entre o Cenáculo e o mundo, entre a oração e o anúncio.

2. Quando prometeu o Espírito Santo, o Senhor Jesus falou d’Ele como do “Consolador”, do “Paráclito”, que Ele mandaria de junto do Pai (cf. Jo 15, 26). Falou como do “Espírito de verdade”, que conduziria a Igreja rumo à verdade íntegra (cf. Jo 16, 13). E especificou que o Espírito Santo Lhe daria testemunho (cf. Jo 15, 26). Porém, acrescentou imediatamente: “Vós também dareis testemunho de mim, porque estais comigo desde o princípio” (Jo 15, 27). Agora que no Pentecostes o Espírito desce sobre a comunidade reunida no Cenáculo, tem início este dúplice testemunho: do Espírito e dos Apóstolos.

O testemunho do Espírito é por si só divino: provém da profundidade do mistério trinitário. O testemunho dos Apóstolos é humano: na luz da revelação, transmite a sua experiência de vida ao lado de Jesus. Lançando os fundamentos da Igreja, Cristo atribui uma grande importância ao testemunho humano dos Apóstolos. Ele quer que a Igreja viva da verdade histórica da sua Encarnação a fim de que, por obra das testemunhas, nela seja sempre viva e operosa a memória da sua morte na cruz e da sua ressurreição.

3. “Vós também dareis testemunho de mim” (Jo 15, 27). Animada pelo dom do Espírito, a Igreja sempre sentiu profundamente este compromisso e proclamou com fidelidade a mensagem evangélica em cada tempo e debaixo de todos os céus. Fê-lo no respeito da dignidade dos povos, da sua cultura e das suas tradições. Com efeito, ela sabe bem que a mensagem divina que lhe foi confiada não é inimiga das mais profundas aspirações do homem; pelo contrário, ela foi revelada por Deus para saciar, para além de toda a expectativa, a fome e a sede do coração humano. Exatamente por isso, o Evangelho não deve ser imposto, mas proposto, porque somente se for aceite livremente e abraçado com amor pode desempenhar a sua eficácia.

Como aconteceu em Jerusalém no primeiro Pentecostes, em cada época as testemunhas de Cristo, repletas do Espírito Santo, sentiram-se impelidas e caminhar rumo ao próximo, para exprimir nas várias línguas as maravilhas realizadas por Deus. É o que continua a acontecer também na nossa época. É o que deseja salientar a hodierna Jornada jubilar, dedicada à “reflexão sobre os deveres dos católicos em relação aos outros: anúncio de Cristo, testemunho e diálogo”.

A reflexão a que somos convidados não pode prescindir de uma consideração em primeiro lugar da obra que o Espírito Santo leva a cabo nos indivíduos e nas comunidades. É o Espírito que distribui as “sementes do Verbo” nos vários costumes e culturas, dispondo as populações das mais diversas regiões a receberem o anúncio evangélico. Esta consciência não pode deixar de suscitar no discípulo de Cristo uma atitude de abertura e de diálogo em relação às pessoas que têm convicções religiosas diferentes. Com efeito, é imperioso colocar-se à escuta de quanto o Espírito pode sugerir também aos “outros”. Eles são capazes de oferecer sugestões úteis par chegar a uma compreensão mais aprofundada de quanto o cristão já possui no “depósito revelado”. Assim, o diálogo poderá abrir-lhe o caminho para um anúncio que se adeque mais às condições pessoais do ouvinte.

4. Contudo, o que permanece decisivo para a eficácia do anúncio é o testemunho vivido. Somente o fiel que vive aquilo que professa com os lábios tem esperança de ser escutado. Além disso, deve-se ter em conta o facto de que, às vezes, as circunstâncias não consentem o anúncio explícito de Jesus Cristo como Senhor e Salvador de todos. É então que o testemunho de uma vida respeitosa, casta, desapegada das riquezas e livre diante dos poderes deste mundo, em síntese o testemunho da santidade, não obstante seja oferecido em silêncio, pode revelar toda a sua força de convicção.

De resto, é claro que a firmeza em ser testemunha de Cristo com a força do Espírito Santo não impede de colaborar no serviço ao homem, com as pessoas que pertencem às outras religiões.

Ao contrário, impele-nos a trabalhar juntamente com elas, para o bem da sociedade e a paz no mundo.

No alvorecer do terceiro milênio, os discípulos de Cristo estão plenamente conscientes de que este mundo se apresenta como “um “mapa” de várias religiões” (Redemptor hominis, 11). Se os filhos da Igreja souberem permanecer abertos à ação do Espírito Santo, Ele ajudá-los-á a comunicar, de maneira respeitosa em relação às convicções religiosas dos outros, a única e universal mensagem salvífica de Cristo.

5. “[Ele] dará testemunho de mim. Vós também dareis testemunho de mim, porque estais comigo desde o princípio” (Jo 15, 26-27). Nestas palavras está contida toda a lógica da Revelação e da fé de que a Igreja vive: o testemunho do Espírito Santo, que brota do profundo do mistério trinitário de Deus, e o testemunho humano dos Apóstolos, ligado à sua experiência histórica de Cristo. Ambos são necessários. Aliás, se considerarmos bem, trata-se de um único testemunho: é o Espírito que continua a falar aos homens de hoje com a língua e com a vida dos atuais discípulos de Cristo.

No dia em que celebramos o memorial do nascimento da Igreja, queremos expressar a comovida gratidão a Deus por este dúplice, e em última análise único testemunho, que abarca a grande família da Igreja desde o dia do Pentecostes. Queremos agradecer o testemunho da primeira comunidade de Jerusalém que, através das gerações dos mártires e dos confessores, se tornou ao longo dos séculos a herança de inumeráveis homens e mulheres em todo o orbe terrestre.

Encorajada pela memória do primeiro Pentecostes, a Igreja reaviva hoje a expectativa de uma renovada efusão do Espírito Santo. Assídua e concorde na oração com Maria, Mãe de Jesus, ela não cessa de invocar: desça o vosso Espírito, ó Senhor, e renove a face da terra (cf. Sl 104 [103], 30)!


(Meditar no texto de Gn 1, 1-4).


Vem Espírito Santo!

Arquivado em: Avivamento, Espiritualidade, Grupo Vence Brasil — Padre Roger Luis at 6:12 pm on sexta-feira, maio 22, 2009

Estamos vivendo um tempo privilegiado, um tempo de muita graça e de muita benção. Os quarenta dias da manifestação do Ressuscitado, onde neste tempo Pascal pudemos sentir e experimentar a presença de Jesus que está conosco todos os dias da nossa vida e em todos os momentos nos dá a certeza de que já somos vencedores.

No próximo domingo, a Igreja celebra a Ascensão do Senhor. Ele é arrebatado aos céus, senta à direita do Pai, mas continua conosco numa presença muito forte e real. Porém, Ele disse que precisava ir para que viesse o Paráclito, o prometido do Pai.

Poderemos vizualizar muito claramente na Celebração do Domingo de Pentecostes o cumprimento da promessa do envio do Paráclito sobre nós, sobre a Igreja que nascia. Esse Pentecostes tem acontecido nos dias de hoje, a nós cabe somente nos abrir e suplicar o derramento do Espírito Santo, o Paráclito enviado pelo Pai.

O Paráclito é conhecido também como o Defensor. Na linguagem jurídica o defensor é o advogado de defesa de uma pessoa, que vai estar diante do juiz, do tribunal, defendendo a causa daquela pessoa. Temos um defensor, uma advogado de defesa. Ele nos defende do mal, das tentações, e nos fortalece para vencer as provações. Por isso temos que clamar todos os dias por Ele. Vem Espírito Santo!

Paráclito na realidade de combates e guerras, era uma pessoa que preparava as tropas para a batalha animando-as, motivando-as, gerando ardor para o combate. E o Espírito Santo é este animador que não nos deixa desistir, que está sobre nós nos animando, nos dando ardor, nos fortalecendo para o combate e para vencermos no nome de Jesus. Ele é o motivador, aquEle que nos dá ardor na missão e no combate diário e que não nos deixa desistir. Mas para isso você precisa suplicar diariamente: Vem Espírito Santo!

Outra característica do Paráclito é que Ele é Consolador. Quem não precisa de consolo? Todos precisamos. Ele quer ser nosso abrigo, nossa proteção, nosso sustento. Ele quer nos consolar nos dias maus, Ele quer nos auxiar nos momentos difíceis, quer que compreendamos que não estamos sozinhos. Ele é o nosso consolo. Se você precisa de consolo, clame por Ele todos os dias: Vem Espírito Santo.

Precisamos do nascer ao por do sol, durante a noite, em todos os momentos suplicar: Vem Espírito Santo!

Você verá o que Ele é capaz de fazer por você, pela sua família, por aqueles que você ama. Peça o Espírto Santo!

Precisamos pedir que o Espírito Santo renove a face da terra, que Ele traga um poderoso avivamento para o Brasil, para a nossa Igreja, a nossa comunidade. Vem Espírito Santo!
Vou estar postando neste nove dias que estaremos preparando para o Pentecostes, textos sobre o Espírito Santo para meditarmos e orarmos com eles, nos preparando para o dia de Pentecostes.

Estamos unidos, clamando juntos por esse derramar do Espírito Santo.
Conte comigo e com minhas orações!
Deus abençoe!
Pe.Roger Luis
Canção Nova