“Que sejam um”
Pe. Léo adorava ler, ouvir e muitas vezes ver Rubem Alves. Oh mineiro, danado de bom, encantava o coração do Pe. Léo, outro mineiro danado de bom, com sua sabedoria, com sua poesia, mas principalmente com sua capacidade de falar profundo através de coisas simples. Coisas da gente, diriam eles. O Léo vibrava com as histórias e metáforas do educador da alegria.
Neste mês de junho nos reunimos como Comunidade Bethânia. Para mim foi uma ocasião para lembrar os dois. Lembrei-me muito do Léo, e lembrei-me muito do Rubem e de suas metáforas. Explico-me.
Meu coração, exultante, procurava descrever a alegria de ver, em nossa Casa Mãe, em São João Batista/SC, a Comunidade Bethânia reunida para celebrar, projetar e planejar a vida. Tivemos um momento único de comunhão, com certeza fruto da intensa preparação feita através do Cerco de Jericó. Sobre o Cerco, foram sete dias ininterruptos diante do Santíssimo Sacramento em todos os recantos. Muralhas caíram.
Pois bem, voltando ao Léo e ao Rubem. Recorri aos dois e suas histórias para explicar o que vivemos. A metáfora vem do Rubem, dizem que é exímio cozinheiro. A inspiração vem do Léo em perceber a mão de Deus em nossa história. Então vamos lá.
Reunimo-nos para cozinhar. Os ingredientes eram muitos e estavam à disposição. Mas, decidimos, devido ao frio intenso, fazer um gostoso mingau. Era menos complicado e poderíamos satisfazer mais paladares. Os ingredientes também eram simples. Água, alguma farinha e temperos.
O primeiro é básico e essencial para vida, para nós é o amor do Coração de Jesus que, derramado em nossos corações, é mesmo Espírito Santo agindo e atuando em nossa história. O segundo dá substância. Fala-nos de motivação. Pode ser de milho, trigo, mandioca ou outra iguaria qualquer. Mas, conferem o essencial ao prato. É nossa missão, o próprio Cristo presente em nossos filhos e filhas. Já o terceiro trás equilíbrio e sabor. Lembram-nos que a virtude está no meio, como reforçam os antigos. Fala de nós, consagrados e consagradas. Somos nós e nossa necessidade de total entrega à missão.
A vantagem do mingau é que, uma vez feito, está tudo misturado. Não dá para separar nenhum dos três elementos. Vira um prato só e todos comem até se fartar ou como dizemos na terrinha: até se lambuzar, sô!
Foi mesmo assim que nos sentimos nestes dias. Misturamo-nos por meio de reuniões de avaliação, planejamento, Assembléia e Conselho dos Consagrados e principalmente fraternidade. Tocamos a vida da comunidade e dividimos responsabilidades. Nós somos a Comunidade Bethânia e somos chamados à comunhão e à participação. Devemos agir localmente em nossos recantos e pensar globalmente como comunidade. É nossa responsabilidade levar adiante o legado herdado do Pe. Léo. O
Amadurecemos muito. E como… Para terminar, do jeito do Léo, evocamos o próprio Senhor no evangelho do Discípulo Amado: “Pai Santo, guarda-os (…) para que sejam um…” (Jo 17,11b). É o que o Senhor espera de nós. Não percamos tempo. Juntos na cozinha da fé e saboreando o gostoso mingau feito por nós, continuemos. Deus tem pressa e nossos filhos urgência.
Fique na paz de Deus!
Pe. Vicente,scj


