Padre pela graça de Deus!
O tempo pede uma reflexão aprofundada sobre que fazemos de nossas vidas. Agosto é mês vocacional. Visitei uma amiga no último domingo. Conversamos sobre ser padre e ganhei dela uma folhinha com a frase do fundador da Família Paulina. Pensei em minha vocação. Rezei minha entrega ao Senhor. Refleti sobre a decisão de livremente seguir ao Senhor por amor. Renovei meu desejo de ser santo. Estes são os elementos constitutivos de uma vocação madura.
Se vocação é chamado, é verdade que é também encontro. O primeiro movimento é sempre de Deus que chama, principalmente por meio da Igreja. Nessa via de mão dupla, o segundo movimento é do homem, que ouve o chamado, acolhe e parte livre e decididamente ao encontro da Vontade de Deus.
Como todo encontro, nasce aqui um enlace de duas interioridades. Na natureza o princípio é esse: a realidade mais forte absorve a realidade mais fraca. Gosto de imaginar que nesse encontro, Deus, realidade mais forte – absorve, toma, assume o homem, realidade mais fraca. É o movimento quenótico de Filipenses (cf. Flp 2,1-11) em nós, nos santificando, nos cristificando.
Na pessoa do padre essa verdade se mostra latente. Constato em minha própria fragilidade. Olho para mim e descubro o poder da graça. Por mim mesmo nada posso. Em Deus que tudo pode; faço pela graça de Deus!
Pela graça de Deus sou intercessor. De joelhos, rogo com humildade para que os laços da verdadeira religião (re-ligare) nuca se rompam entre Deus e a humanidade.
Pela graça de Deus sou sacerdote. Empresto mãos e lábios para que o culto seja elevado e o Cristo mesmo seja sacerdote, altar e cordeiro. Ele age em minha miséria.
Pela graça de Deus sou “sal e luz”. Quantas vidas são tocadas, quantas realidades transformadas. Todo padre, em Cristo, tem uma bússola da graça a indicar o caminho mais curto para o coração que sofre.
Pela graça de Deus sou servo. Nunca dono. Nunca chefe. Nunca senhor, mas servidor. Ouve de Maria: “Faça tudo o que ele disser” (cf. Jo2,1-12).
Pela graça de Deus sou disponível. Atento à ordem de Jesus: “Daí-lhes vós mesmos de comer” (cf. Mt 14,13-21). Com ele, sou chamado a não ficar indiferentes às necessidades das pessoas, mas sim, devo estar sempre em prontidão.
Pela graça de Deus sou pai. O pai que acolhe. Ama. Põe nos ombros e firmemente se torna canal da ternura e misericórdia do Coração de Deus.
Com coragem, sem medo, firme em meu lema de ordenação – “Deus providenciará!” – e principalmente rezando pelas vocações, posso afirmar: sou padre pela graça de Deus!
São João Maria Vianey, rogai por nós!
Fique na paz de Deus!