Ama, espera e confia.

Filed under: Formação — padrevicente at 6:09 pm on quinta-feira, maio 28, 2009

O amor tem me revelado muito de si mesmo em Bethânia. Das muitas facetas que dele aprendo a que tem mais me ensinado é a do amor feito espera. Aquele jeito de amar onde o amante é impotente diante das escolhas e decisões do amado. Sim! O verdadeiro amor é feito de espera silenciosa macerada na dor de quem é chamado a respeitar a liberdade do amado.
Explico-me. Quantas são as situações onde você, por mais que veja adiante, nada pode fazer? Quantas são as situações onde, se dependesse de você, tudo seria feito para evitar que o amado se machucasse ou se perdesse no caminho? Mas, eu e você sabemos por força do próprio amor, que situações existem em que você nada pode fazer. Resta-nos esperar. Espera silenciosa, dura, difícil como a do pai misericordioso que diante da decisão do filho que vai, se contenta em esperar na janela a hora do retorno. E o mais aterrador: Deus nos ama assim, pois sabe das tantas vezes em que contra sua vontade lhe dizemos não. Não há escapatória, compreender o amor feito espera é sinal de maturidade de quem ama.
Certa vez, me contaram da dor de um pai, médico, pediatra dos mais renomados. O doutor já ajudara inúmeras crianças. Perdeu a conta dos pequenos que tiveram seus males e enfermidades curados na boa medicina por ele exercida. Com o tempo passou a achar-se capaz de atender a qualquer caso e a qualquer criança. Até que chegou o dia em que seu próprio filho, de cinco anos, caiu enfermo. O pai pediatra por mais que fizesse, por mais tentasse, por mais que estudasse, não conseguia encontrar a cura para o filho. Restou-lhe amar, esperar, confiar. Com pesar, entregou o filho nas mãos de outro especialista. E ele? Ah! Ele rezou. Esperou. Confiou. Amou. Graças a Deus o especialista era bom. Depois de meses de angústia e luta interior o pai viu o resultado. O colega especialista conseguira. A sua felicidade foi imensa, agradeceu o companheiro, tomou o filho nos braços e louvou a Deus. Colheu os frutos do amor feito espera.
Às vezes, muitas e muitas vezes nos sentimos exatamente assim. Somos médicos, mas não será o nosso remédio que curará. Temos aqui o dinamismo do verdadeiro amor. Daquele amor do tema paulino de 1Cor 13. Amor que tudo crê. Tudo espera. Tudo suporta. Amor que jamais acabará. Amor que nos impele, na fé, a pedir ao Senhor que ascenda uma vela para iluminar a sombra inconsciente que não permite ver a luz de Deus, nessa hora de escuridão.
O amor que amadurece está em aceitar a impotência de quem ama diante do amado que escolhe. O amor que cresce e floresce está em aceitar nossa suposta fraqueza. Sim! Pois é como nos sentimos: fracos. É como fracos, que ao amar visando o bem do amado, nos curvamos diante da liberdade de quem fez suas escolhas boas ou ruins. Fracos? Não! Fortes! Fortes porque nos tornamos capazes de esperar na janela da fé e da confiança. Isso também é escolha. Somos nossas escolhas e o resultado será de acordo com o que fizermos com as escolhas feitas.
Desejo a você um amor feito de escolhas. Desejo a você um amor feito de espera. Ame. Espere. Confie.

Fique na paz de Deus!

Pe. Vicente,scj

Palestras Pe. Léo

Filed under: Sem Categoria — padrevicente at 4:42 pm on terça-feira, maio 26, 2009

Apartir de Junho termos as palestras do Pe. Léo mais cedo  as 21 horas nas segundas veja o vídeo.

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Não perca!!!

Amor aos 20 anos, aos 25 anos, aos 50 anos, enfim, sempre.

Filed under: Formação — padrevicente at 5:55 pm on terça-feira, maio 19, 2009

Tenho sempre receio em presidir cerimônias de casamentos. Já presenciei cada situação constrangedora que só quem vive a rotina de casamentos sabe. Por não estar diretamente ligado a uma paróquia, tenho a graça de poder escolher aqueles casamentos, nos quais conheço os noivos ou por alguma razão sou próximo da família deles. Diferente, da maioria dos meus irmãos no presbitério posso dar-me esse mimo.
Entretanto, adoro presidir bodas. Celebrar o amor vivido num momento da história do casal, onde boa parte das projeções e ilusões do relacionamento já caiu faz meu coração de padre continuar acreditando no amor e principalmente no Sacramento do Matrimônio. Olho para o casal, que nesse caso conheço bem e viajo na longa estrada do relacionamento humano. Descubro que não existe família perfeita, casamento perfeito, pais perfeitos, filhos perfeitos. Existe a família possível. Aquela família. A minha família. Existe a família que ao longo dos anos percorridos segue exercitando a possibilidade infinita de ser mais. Gosto de encontrar-me com Deus junto de casais de anos percorridos e ao lado de famílias que lutam unidas.
A semana que passou trouxe-me muitas alegrias. Pude presidir a celebração dos 20 anos do casal Ana Maria e Sérgio e os 25 anos do casal Lixia e Valtamir.
O casal dos 20 anos caminha comigo. Eles são consagrados da minha Comunidade Bethânia. Tem filhos maravilhosos: Mateus, João, Pedro e Josias, filho do coração. Todos flamenguistas, sendo que o primogênito é meu afilhado de crisma. Casal forjado na dor, na luta, na entrega. Todos os dias, Ana Maria e Sérgio, se dispõem a procurar o melhor caminho, a melhor palavra, o melhor gesto. Como consagrados deixam florescer em si, a “maternidade e a paternidade expandidas”, tão necessárias para serem mãe e pai em Bethânia. Esforçam-se para acertar em Deus. Dificuldades, muitas. Contudo, Deus é lugar de refúgio e resposta. Alimentam assim o verdadeiro amor. Não o de novelas e filmes. Mas o amor feito de valores, de decisão, de escolhas e na sua maioria escolhas definitivas.
O casal dos 25 anos mora em Brusque, na comunidade do Bateias. Tem três filhos. Dois rapazes, Raul e Rodrigo, e uma menina linda chamada Fátima Tamires, que completou 6 anos no dia das bodas dos pais. Ah! Para minha alegria é flamenguista. Conhecemo-nos de longa data. Aliás, a casa deles é praticamente extensão do seminário dehoniano de Brusque. Na casa deste casal tomo aulas regulares sobre o verdadeiro acolhimento. Com Lixia e Valtamir aprendo continuamente o significado de doação, entrega, respeito, ajuda ao próximo, disponibilidade, serviço na comunidade, alegria e disposição. Deles ganhei um dos meus bens mais preciosos, o meu filho Rodrigo. Rodrigo segue comigo na Comunidade Bethânia. A Comunidade Bethânia fundada pelo Pe. Léo para ser no mundo especialista em acolhimento teve seu primeiro recanto na Casa de Seu Quinzinho e D. Nazaré. Não tenho dúvidas que Rodrigo só acolhe tão bem em Bethânia por ter vivido sua primeira Bethânia junto de Lixia e Valtamir. Foi ali no colo, no cheiro e no amor de seus pais que Rodrigo aprendeu. Hoje quando o vejo acompanhando vários filhos, discípulos e consagrados em nossos recantos, rezo e agradeço a Deus. Não tenho dúvidas. A casa de Lixia e Valtamir é Bethânia.
E os 50 anos, padre? Bem, conheço vários casais que já celebraram bodas de ouro. Porém, os 50 aqui representam o meu desejo de que Ana Maria e Sérgio, Lixia e Valtamir possam prosseguir celebrando Sacramento do Matrimônio e acreditando no amor diariamente por muitos e muitos anos. Que não desistam nunca, pois precisamos desse testemunho. Como Rodrigo e eu dizemos em nosso programa de rádio de todas as quintas-feiras: “sigam em frente, pois o Amor é agora!”.
Desejo o mesmo a todos os casais.

Fique na paz de Deus!

                                                    Pe. Vicente,scj

Em Bethânia

Filed under: Sem Categoria — padrevicente at 10:35 am on sexta-feira, maio 15, 2009

Já estamos com o nosso novo programa no ar a duas semanas e se você perdeu esses dias de exibição não fique triste pois pode confirir os programas exibidos no site http://www.vimeo.com/user1705621

Deixe tbm aqui o seu comentário do que está achando do programa “Em Bethânia”. O programa vai ao ar todas os sábados as 19:30 horas e nas quintas as 17:30horas. Não perca e caso não dê para assistir acompanhe tudo conosco através da internet…

“Amor em pedaços”

Filed under: Minha história — padrevicente at 2:58 pm on segunda-feira, maio 4, 2009

Quando criança adorava um doce que minha avó fazia para o almoço de domingo: “amor em pedaços”. Confesso. Nunca entendi a razão de tal nome. Sempre procurei concatenar idéias como amor, pedaços, doçura, corte, dor, prazer, alegria, separação, tristeza e por aí vai. Estas palavras aportam em minha mente quando penso: amor e aos pedaços.
Bethânia tem me ensinado muito sobre o amor de todos os dias. Não aquele de novelas e filmes, mas o amor real feito de gente, por gente e para gente. Esse amor real é exigente em todos os níveis e graus de relação. Ele exige de nós. Como homens e mulheres falíveis, erramos e acertamos, definimos e projetamos, concordamos e discordamos. Numa palavra: amamos.
Não é fácil! Amar trás em seu bojo a dor. Amar dói. Se for amor de verdade vai doer. Pe. Léo dizia que amar é preparar o coração para decepcionar-se. Pois é, quem ama decepciona-se. Elevamos nossas expectativas. Esperamos demais do outro. Arrogamos-nos o direito de exigir que o outro corresponda ao que acreditamos ser o melhor. Engraçado! Já ouvi muitos pais dizerem: “como não pode ser verdade para ele, se é verdade para mim”. Ingênua tentação. Às vezes, me apanho no mesmo engodo.
É exatamente por isso, que só Deus realmente ama. Todos os demais amores são derivações. Só Deus realmente ama, pois, respeita a liberdade de seu amado. Mesmo quando essa liberdade caminha para o erro ou causa dor. Imagino Deus, sentado ao nosso lado, chorando conosco nosso erro, chorando nosso pecado. Mesmo sabendo que tudo seria mais fácil se o amado tivesse ouvido e obedecido. Obedecer, do latim “ob+audire”, ouvir certo, ou seja, ouvir com retidão. Deus sofre e como sofre. Amar trás consigo sofrer, e, como trás.
Em Bethânia, me solidarizo com mães e pais que sofrem com seus filhos que tomaram tantos caminhos. Solidarizo-me com mães e pais que não tem respostas prontas, mas sabem distinguir perguntas erradas. Perguntas erradas trarão respostas erradas. Solidarizo-me com mães e pais de Bethânia, pois, sei bem de suas dores.
Peço ao Senhor que nos cure de todas as projeções frente a nossos filhos e que muito nos impedem de amar como Deus ama. Muitas e muitas vezes amar nos colocará na rota do pai do filho pródigo de Lucas 15. Aquele pai que olha da janela a espera que o filho volte. Quando voltar, que não falte abraço, beijo, anel no dedo e muita festa. Enfim, que não falte amor.
Por hora, ofereço a vocês uma boa fatia de “amor aos pedaços”, mesmo que por enquanto, fique aquele gosto amargo na boca.

Fique na paz de Deus!

Pe. Vicente,scj