TEMOR e MEDO. Qual a diferença? (3ª Parte)
Como sempre, o evangelho não só ilumina nossa fé, mas nos ajuda também a compreender nossa realidade cotidiana. A época que vivemos é uma época de angústia.
A ansiedade, filha do medo, converteu-se na doença do século e é, dizem, uma das principais causas da multiplicação dos infartos. Como explicar este fato se hoje temos muitas mais seguranças econômicas, seguros de vida, meios para enfrentar as enfermidades e atrasar a morte?
O motivo é que diminuiu, ou totalmente desapareceu em nossa sociedade o santo temor de Deus. Quanto mais diminui o temor de Deus, mais cresce o medo dos homens!
É fácil compreender o motivo. Ao esquecer-se de Deus, colocamos toda a nossa confiança nas coisas daqui debaixo, ou seja, nessas coisas que, segundo Cristo, o ladrão pode roubar e a traça pode comer (cf. Lucas 12, 33).
A queda do temor de Deus, em vez de libertar-nos dos medos, impregnou-nos deles. Basta ver o que acontece na relação entre os pais e os filhos em nossa sociedade. Os pais abandonaram o temor de Deus e os filhos abandonaram o temor dos pais!
Mas o fato de não ter temor algum ou respeito pelos pais faz que os jovens de hoje sejam mais livres ou seguros de si? Sabemos que não é assim.
O caminho para sair da crise é redescobrir a necessidade e a beleza do santo temor de Deus.
Jesus nos explica precisamente no evangelho que a confiança em Deus é uma companheira inseparável do temor.
«Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais».
Na verdade, Deus não quer provocar em nós o temor, mas a confiança. É neste ponto que devemos chegar.
O Temor à Deus não é o fim, e sim o começo para confiarmos Nele. É o que deveriam fazer também os pais terrenos: não infundir temor, mas confiança. Dessa forma se alimenta o respeito, a admiração, a confiança, tudo o que implica o nome de «santo temor».

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