1. Não temos tempo. Ah, esse tempo!
O ritmo de vida que temos hoje em dia conspira contra um diálogo verdadeiro. Andamos tão apressados que não temos tempo. Porque não se pode abrir o
coração em um minuto e meio. Para contar essas coisas profundas que se tem: preocupações, dores, desejos da alma, necessita-se tempo, preparar todo um ambiente, e as coisas saem aos poucos. Necessita-se tempo, mas não existe tempo.
E o pouco tempo que resta, muito provavelmente gastamos com supérfluos e com o devorador de tempo e de diálogo, que é a televisão.
2. Perdeu-se o sentido do diálogo.
Vivemos num mundo impessoal, num mundo que gira em torno às coisas, a famosa sociedade de consumo. Na realidade, todos falamos, sabemos falar melhor que antes, mas falamos sempre de coisas. É uma conversação funcional, um diálogo utilitário, ou seja, falamos o necessário para que as coisas sigam funcionando, para que a maquinaria do lar siga marchando. E para que siga funcionando há que passar roupa, cozinhar, pagar as contas, ir ao colégio das crianças, comprar sapatos – e de todas essas coisas se conversa.
Mas pouco ou nada se dialoga das coisas pessoais, íntimas.
E então realmente nos assombramos como Deus faz milagres. Porque existe uma série de matrimônios que estão juntos por milagre. Porque segundo todas as leis da psicologia deveriam estar separados, já que não dialogam há anos. O ser humano tem necessidade do intercâmbio interior e se não o consegue em sua casa, talvez o encontre fora do lar, por exemplo, com a secretária ou com
o vizinho. E assim pode começar a destruição do matrimônio.
Entretanto, em muitos matrimônios isso não acontece, apesar de não dialogarem por anos. E então isso se explica só por um milagre de Deus que cuida que nenhum deles se encontre com ninguém que lhe ofereça um pouco mais que o cônjuge. Mas por parte dos matrimônios, não dialogar durante tanto tempo é estar brincando com fogo, é passear a beira do precipício. É arriscar o amor, é romper o amor, é faltar a promessa de fazer feliz ao outro.
Uma comunidade de amor, uma comunidade de Aliança não pode existir, não pode crescer sem diálogo.
Que demos o primeiro passo! Sem medo, nem pavor. Dialogar a alimentar o amor!
