Viciados em Computação e Internet
quinta-feira, agosto 30th, 2007 
O computador emergiu na sociedade pós-moderna de forma avassaladora. Com este novo elemento eletrônico entre os humanos, alguns complicadores começam a surgir.
Um dos mais preocupantes para os pais, é a perca de controle sobre a carga horária que os filhos ficam diante do computador. Quando emergiu a facilidade das famílias terem computador dentro de casa, os pais imaginavam que aquele instrumento traria benefícios reais para a formação acadêmica dos filhos, induzidos inclusive pelos professores nas escolas e estes atribuindo muitos trabalhos escolares com o uso da internet.
Como os pais, de uma geração” não computador” quando crianças; ao verem o novo equipamento e suas facilidades; deixaram os filhos livres para que desde cedo tivessem as facilidades de manuseio da tecnologia.
Escolas começaram a “babar ovo” sobre o computador. Nos Estados Unidos, em muitas escolas, até colocaram computadores em sala de aula para cada aluno. Nas empresas, executivos deixaram de olhar para seus colaboradores no “olho a olho” e só tinham a telinha do computador como parceira. Problemas familiares destes executivos começaram a emergir , pois os mesmos estavam chegando em casa muito depois do horário com o argumento de acúmulo de trabalho, porém, após o expediente, começou-se a detectar que nas empresas os executivos ficavam manuseando internet, sem nenhuma relação com o trabalho. E por falar em trabalho, hoje as empresas estão apavoradas com o alto índice de funcionários que ficam entrando na internet por questões pessoais causando retrabalhos por desatenção.
Nas Clínicas neurológicas e psicológicas, aumentou o número de crianças e adolescentes com sintomas de TDA – H/D – (Déficit de atenção pela hiperatividade e desatenção), onde nas meninas os distúrbios estão mais relacionados à desatenção, e nos meninos à hiperatividade. A quase totalidade das crianças e adolescentes com estes sintomas, apresentam uma carga altíssima de computador no cotidiano. Mais recentemente têm surgido no meio psiquiátrico os quadros de “síndrome on-line”, com sintomas de ansiedade e pânico, associados a angústia.
Diante dos problemas colocados, sem ainda ter entrado nas questões éticas e morais, como também nas questões de invasão de privacidade que a internet tem causado, poderíamos concluir que o computador e a internet são um grande mau da pós - modernidade. Lógico que não! Pois estou aqui no computador escrevendo este texto, e daqui a pouco já vou enviar para uma rede de jornais que escrevo periodicamente e também já estará em poucos segundos no meu BLOG (www.blog.cancaonova.com/pensandobem).
Computador e internet é tudo de bom, desde que os seres humanos que os manuseiam entendam que esta tecnologia é um instrumento de trabalho. A tecnologia deve estar a serviço do ser humano e não o ser humano estar a serviço da tecnologia. Os abusos estão por conta de necessidades pessoais emocionais não resolvidas, que levam as pessoas a se apegarem no maior símbolo de individualismo da pós-modernidade – computador e internet -. Aquilo que foi criado para integrar e comunicar, acabou sendo absorvido com mecanismo de entrincheiramento das neuroses humanas.
É sempre bom lembrar que o cérebro humano é o mesmo de centenas de anos atrás. Só sabemos mais da sua funcionalidade. Quem de nós vai questionar a genialidade do cérebro de Platão há 2400 anos. O computador é tecnologia emergente, e só funciona sob o nosso domínio. Por isto, faço um alerta aos pais – se querem ter filhos com mentes brilhantes, ocupem o tempo deles com muita brincadeira, e brinquem juntos; estimulem-nos à leitura, e leiam com eles; diminua carga horária de computador para no máximo duas horas por dia da semana, e aos finais de semana zero hora, ocupando-os com lazer -. Do contrário, estarão em breve pagando um tratamento para a eliminação do vício de computador e internet.
Aliás, já existem empresários de saúde começando investimentos rentáveis em clínicas de internamentos para viciados em computação.
Gerson Abarca - Psicólogo


