O DILEMA DA HOMOSSEXUALIDADE
*Gerson Abarca
O tema homossexualidade está no cotidiano da sociedade. Nos ambientes religiosos temos a temática na crista da onda, como também nos meios de comunicação social.
Falar da homossexualidade é tarefa muito difícil, pois geralmente nos esbarramos com questões de ordem moral ou de postura ética. Mas sempre ao pensarmos a homossexualidade o fazemos “pisando em ovos”.
Da última vez que estabeleci um diálogo em público, foi com um senhor muito religioso, que a cada palavra condenava os homossexuais aos infernos, dizia veemente:- ”é pecado mortal…”. e cuspia no chão. Sua postura no debate deixava-me irritado, até que perguntei para ele o que faria se um de seus filhos se manifestasse homossexual, depois de adulto. Este senhor simplesmente disse que isto seria impossível, pois havia lhe dado uma educação Cristã. De imediato, uma pessoa manifestou-se dizendo que era homossexual e que seu pai havia reagido da mesma forma que a dele, com repúdio e decepcionado. Porém, entendia a postura do pai, mas que desde pequeno sentia reações diferentes em sua conduta sexual, lutava contra, pedia à Deus para se libertar dos impulsos, mas que sempre sentia as mesmas coisas, atração por pessoa do mesmo sexo. Até que aconteceu uma situação inevitável onde deixou manifestar sua condução sexual.
Mas o senhor, respondeu com agressividade ao rapaz: -“você é um pecador, e seu pai deve estar sofrendo por ter gerado um filho deste”. Diante de tamanha intransigência, todos se calaram e a conversa teve seu fim…
Mas, depois de alguns dias, fiquei sabendo que um dos filhos deste senhor estava namorando com um outro rapaz. Só não sei se ainda está morando com o pai.
Todo debate em torno da homossexualidade deve ter em pauta e foco o ser humano. Se não tomarmos cuidado, caímos no processo de discriminação. Sabe aquele tipo de discurso que tenta reconhecer as pessoas como filhas de Deus e ao mesmo tempo as condenam ao fogo do inferno?
Perguntam-me com freqüência se a homossexualidade é doença. Respondo sempre que não. O código internacional sobre transtornos emocionais não enquadra homossexualidade como doença. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) definiu portaria onde os Psicólogos não poderão atender pacientes homossexuais para curá-los da homossexualidade. Isto porque, é muito comum pais colocarem filhos em psicoterapia para que os Psicólogos curem traços de homossexualidade. Em escolas vemos muitos professores comentarem com os pais sobre trejeitos afeminados de meninos na pré-escola: “Avaliem, pois vai que este menino vira gay…”. Não é por acaso que existe uma bancada de Deputados Evangélicos querendo fazer passar uma lei que garanta tratamento da “homossexualidade” pelo SUS; partem de conduta moral religiosa para uma definição de saúde pública. Desta forma estarão querendo instituir que os homossexuais são doentes.
Tempos atrás assisti a um debate de T.V. em que um cabeleireiro confirmava que havia curado sua homossexualidade. Ele estava de cabelo bem curto e tentava passar a imagem de machão.
Mas dificilmente convencia alguém de que era machão. Inclusive, o programa errou feio ao querer associar homossexualidade com trejeito feminino. Se formos por ai, cairemos em outro preconceito, de julgar pelas aparências. Pesquisas revelam que um alto índice de caminhoneiros pagam travestis para que estes atuem ativamente, para a satisfação de suas fantasias sexuais. E olha que muitos caminhoneiros juram de pé juntos que são muito é machos.
Devemos entender que estamos em uma sociedade pluralista, onde o convívio social passa pelo respeito às diferenças. Não estou aqui para fazer juízo de valores para os que condenam a homossexualidade por escolhas religiosas. Quando orientava seminaristas de congregações religiosas, e aparecia candidatos ao Sacerdócio mas com definições homossexuais, apenas refletia com eles que estavam tentando espaço em uma instituição que já tem postura clara sobre a homossexualidade, que insistir na escolha, achando que deveriam ser aceitos, só traria angústia pessoal e sofrimentos. As definições por critérios religiosos devem ser respeitadas. Inclusive é intransigência quando vemos homossexuais atacando uma ou outra Igreja, por não aceitar a prática da homossexualidade. O caminho é o respeito às diferenças, principalmente quando estamos em espaços públicos. Por isto que veremos grupos organizados de homossexuais entrando com ações judiciais contra apresentadores de programas radiofônicos e televisivos, por se sentirem atacados no direito de escolha.
Sem dúvida que o tema homossexualidade tem gerado polêmicas em vários ambientes. Na época de Jesus, a aproximação dos homens com as mulheres era carregada de preconceitos, e quando o assunto era prostituição, foi preciso Ele dizer:-“Quem não têm pecado atire a primeira pedra…”. Hoje, parece-me que a questão da homossexualidade é o grande trunfo de intransigências nas relações humanas. Um dilema longe de termos luzes para sua solução.
O que pode nos ajudar neste debate e convívio, é sempre lembrar que por detrás de tudo existe o SER HUMANO. Todos, filhos de um mesmo Pai.
* É Psicólogo, autor do livro “Sexualidade na contramão”, Ed. Paulus,S/P
Tags: homossexualidade, psicologia, sexo, sexualidade


Interessante e bastante definido o artigo acima.Traz de forma clara e objetiva o dilema da homossexualidade e, principalmente quando esta se encontra com a religião. Trazendo conflitos de ordem familiar e psicológica, as vezes bastante sérios.Por isso não se deve relegar o problema a disturbios, doença ou coisa do demonio como alguns religiosos fazem, mas nutridos de um sério e fraterno acompanhamento e orientação.Parabéns pelo artigo!
Bom,achei o artigo simplismente MARAVILHOSO.
Acredito que todos os homosexuais(tanto homens como mulheres) tem os mesmo direitos que qualquer outro ser Humano,e tem o direito de ser felizes.Nem todos os homosexuais levam uma vida sexual desrregrada…
Acredito que a Igreja tem deixar um pouco seu lado machista de lado e aceitá los como são…Porque a solidão só vai embora qdo o coração é o que é,sem prescisar mentir,sem prescisar inventar,sem prescisar usar máscaras….
“E outra,quem não tem pecado que atire a primeira pedra.”
Bom, eu sou homossexual assumido.
Perante minha familia e sociedade. Encaro muitos preconceitos, em todos os aspectos, Principalmente religiosos. Mas minha fé em Deus, me move em continuar.
Ser gay não significa que sou um pecador anti-crito. Amo Deus acima de todas as coisas. E penso que ser homossexual não muda nada em minha vida. Tenho uma relação estável a dois anos. Estamos noivos e pretendemos casar e constituir uma família, com filhos e tudo mais. Afinal somos normais, amamos uns aos outros. E nos sentimos filhos de Deus, e iremos educar nossos filhos segundo a Bíblia.
Bem, sou homossexual. Não sinto orgulho de ser, entretanto também não sinto vergonha.
Deus ama a todos os seus filhos. Comigo, ou com qualquer homossexual, não seria diferente.
O importante é fazer o bem, crer em Deus, amar a todos e ser uma pessoa boa, independente de suas vontades sexuais.
Frequanto a Igreja e não deixarei de frequentar pois nela sinto a paz e alegria do divino espírito santo, na casa do Pai sinto tranquilidade.
A Igreja não deve ser a favor, porém deve se abster-se de manifestações contrárias.
Inicio pedindo desculpa. Não concordo quando dizes que todos são filhos do mesmo ” Pai” (mesmo utilizando a expressão numa forma analógica). Esta escrito que todos somos criaturas de Deus, mas filho só é aquele que o aceita como Pai.
Também sou homossexual, como muito sqeu procuramesse artigo, não sei nem se terão respostas em relaçaõ a este post… Gostei do artigo. É meio difícil as vezes conviver com a homossexualidade; eu estoiu com certeza entre centenas de milhares que convivem com “isso”, porqeu eu não sei outro nome melhor. Peço apenas as orações, para que, nas vezes que caiamos na tentanção, Deus nos perdoe.
Olá Gerson, parabéns pelo artigo. Eu gostei da afirmação sobre o ser humano, onde iguala todos perante a lei divina e terrena, na sua visão de homem comum e religioso (cristão, Igreja Católica).
O tratamento dado a questão, por você, é sutil e de fácil compreensão, mostra a todos que as diferenças e opiniões devem ser respeitadas e estar organizadas no mesmo espaço social, e que não deve ser repudiado e afastado do cotidiano (discriminação).
Sou homossexual assumido para a minha família e a alguns amigos próximos, não sou católico, porém acredito no mesmo Deus.
Grato por suas palavras e continue assim. Parabéns!
ótimo artigo! farei uma referência em meu blog.
Gerson, parabens pelo seu conteudo leve e informativo.
Acredito que a Igreja precisa de pessoas como você para informar e formar.
Parabens pelo conteudo leve e informativo Gerson.
A igreja precisa de pessoas como você para informar e formar.
Sou homossexual não assumido. Seu artigo me ajudou muito. Quem sabe um dia as pessoas não se importem com a opção sexual dos outros. Mas tudo bem, vou levando. Fiquei fã do seu site.
Ola Gersom a Paz amado ….
Foi muito gratificante em poder ler este seu artigo, principalmente eu que no momento estou em uma posição muito ” ruim “, Sou da Igreja tenho ministério, e nesse momento meu melhor amigo e meu ex-namorado se declararam ser homossexuais, isso me deixou muito mal, pois os amo muito, e eles tbm são da igreja eles cantam, isso me deixou triste por demais.. Eu não sei como devo me comportar perante a isso, pois não posso apoia-los perante a igreja, mas tbm não posso deixa-los, nunca abandona-los perante aos olhos de Deus.. Mas eu ainda fico mal com tudo isso .. Tento todo dia me re-erguer, peço a Deus todas a manhas que tire de mim o Amor que ainda sinto pelo meu ex, e que permaneça o amor pelo meu amigo .. E assim vai um passo de cada vez .. Ore por mim, para eu ter dicernimente e sabedoria, com eles e perante a igreja .. Obrigada .. Fique com Deus.
Graça e Paz ..
Fabiani, acima do ministerio que vc tem na igreja, está o seu compromisso com o verdadeiro amor. Vc esta preocupada com a maneira de se comportar diante do relacionamento de duas pessoas que se amam? Ora, o ministerio da igreja é amar a Deus sobre todas as coisas e o proximo como a si mesmo. É simples. Viva o maximo mandamento de Jesus e vc nao terá com o que se preocupar. O amor deles nao deve te incomodar, se vc conhece o verdadeiro amor. Não há necessidde de drama sobre a vida dos outros. Bem, entendi q vc pode estar talvez arrasada pq seu ex-namorado é gay. Isso, na verdade é o q mais te chateia. Oro pra q vc os ame como a si mesma.
Deus é Deus de amor, e nao de fazer esquecer ou tirar o amor ds pessoas.
Deus te de discernimento do verdadeiro amor.
Caro irmão Gerson, espero que meu comentário seja aqui postado, pq felizmente vou “contra a maré” e tb contra o artigo por entender que é totalmente sutil e dualista. li outros artigos sobre o tema, de bispos, padres e até de psicologos cristãos, a posição da Igreja é sim o de acolhimento à pessoa no entanto nunca deixando de condenar O PECADO, ou seja, a prática da homossexualidade (o que não vi em seu artigo). Acredito que o seu pensamento é ambiguo para alguém que se diz Cristão, pois é preferivel errar com a Igreja do que acertar sem ela. Acolho e amo todos os nossos irmãos que sofrem com esta tendência homossexual, inclusive os que postaram nos comentários, no entanto não posso deixar de comungar e obedecer a Santa e Madre Igreja, pois a prática é e sempre será repudiada pelo evangelho. Jesus acolheu o pecador mas jamais deixou de condenar a prática do pecado.
“SENTIRE CUM ECLESIA”
Um abraço!
Caro Daniel, não fui e não sou ambíguo nesta temática. Sou Cristão, acolho para debater. Obrigado por sua posição, ela contribui e muito ao debate.
A consciência Cristã que vinga, é aquela construida de dentro para fora e não de fora para dentro. Sua reflexão nos ajuda e muito.
Obrigado.
Gerson Abarca
Sinto muito por ter que entrar nessa conversa, saibam que eu dava tudo para ser apenas mais uma espectadora,mas infelizmente falo com experiencia nestes casos.Minha filha aos 15 anos se declarou homesexual para minha frustração.Depois de muitas brigas e ofensas( não consegui aceitar) hoje eu faço vistas grossas e procuro não tocar no assunto.
A tristeza abateu minha casa, não tenho mais a mesma alegria de viver e o que para muitos parece tão natural eu encontro sérias dificuldades em aceitar.
Acredito que o ser humano pode controlar tudo o que quizer, vício,agressividade e essa impulsividade para aberrações da sexualidade.
Me perdoem as pessoas que já conseguem ver de forma diferente,mas eu ainda sofro muito e sinto que perdi minha filha para um caminho escuro e sem volta.
É difícil,sempre me julguei uma pessoa aberta,sem preconceitos e acima de tudo por ser professora, preconceito jamais!
Mas quando me vi com minha única filha, assumindo-se na “condição” de homossexual, perdi o chão, vi meus sonhos em luto…Como mãe, sempre depositamos nossos sonhos nos ombros de nossos filhos!
Passei uma noite inteirinha olhando para um revolver, mas não tive coragem….Fui para a terapia…Infelizmente em nosso país, essa técnica é luxo, ainda mais para um professor!….
Mas hoje,estou aprendendo a amar minha filha como ela é….Filha de Deus….Estou aprendendo a valorizar as coisas que são minhas, e não compará-las com as coisas dos outros….
Eu a amo do jeito que ela é….Me pego ouvindo músicas, principalmente do padre Fábio, para amortecer minhas frustrações e estou tentando ser feliz assim…com as coisas que Deus me deu!
A vida é curta demais para deixar o tempo passar em vão!!!!
Oi, bom dia, tenho 38 anos, fui casado e tenho 3 filhos, o mais velho tem 16 anos, nunca tinha me envolvido com outro homem, mas aos 35 anos conhecir uma pessoa e começamos a namorar escondido, 2 meses depois contei tdo pra mha esposa, foi inferno, um terror mesmo, me separei, depois voltei pra ela, mas não dava mais certo. Hoje namoro um rapaz e ele vai a minha casa aos fins de semana, meus filhos me adoram e sempre estão comigo na minha casa, e eles , os 2 mais velhos sabem de mim, pois contei pra eles, me sinto numa situação terrivel perante isso, meu namorado foi a única pessoa que já levei a minha casa e meus filhos aos fins de semana estão lá também. O que devo fazer pra evitar tal situação? Mas eels não me questionam nada contra a presença deste rapaz mas sinto que eles percebe.
Abraço.