TRANSTORNOS EMOCIONAIS – VII – NEM TODO AGITO É HIPERATIVIDADE

Nossos adolescentes chegaram na era de serem taxados de problemáticos. A adolescência dos anos 50  era precoce no tranbalho. Meu pai sempre dizia que não teve esta coisa de adolescência. Já a adolescência dos anos 60 e 70, rebelaram-se e foram às ruas por direitos, a liberdade estava no ar ( aquarius ). Nossa atual geração de adolescentes está passando por uma visitação das doenças. Não por que eles estão doentes, mas nós adultos os estamos fazendo de doentes. Qualquer sintoma ou comportamento diferenciado é logo diagnosticado.

Médicos têm passado a tal Ritalina para qualquer relato de mãe que narre o agito do filho. Interesante é que está ficando tão comum ver adolescentes tomando ritalina por que foram diagnosticados de hiperativos, que começo a projetar que esta geração será e  está sendo introduzida bem cedo no perfil de problemáticos e dependentes de medicações.

Para se fazer uma boa avaliação de hiperatividade, é preciso tempo. Não basta uma simples entrevista com a mãe, que um médico terá condições para sair medicando. As vezes imagino que muitos profissionais pensam ter uma bola de cristal.

Dos dez últimos diagnósticos que recebi de hiperatividade, apenas dois realmente apresentavam o sintoma. é um tal de aplicar um teste para se medir a hiperatividade, que é entregue nas mãos de pais e profesores onde vão anotando uma série de respostas comportamentais do adolescentes. O problema disto, é que as pessoas que fazem isto, geralmente carregam suas percepções sempre para pontuar os sintomas mais desviantes. Sempre fazem uma avaliação induzida.

Imaginem que uma mãe já se encontra estressada com o esposo e também com o trabalho, se quer tem tempo para conviver tranquilamente com os filhos. Ao chegar em casa, com a galera a flor da pele, pois passam a maior parte do tempo vendo T.V. ou no computador, justamente na hora dos pais chegarem que começa as encrencas. Aí, a mãe, com o teste na mão, vai anotando todos os comportamentos desviantes do filho foco irritativo da casa. Só pode dar hiperatividade.

Medicar, é uma boa forma de não ter que levar os pais a assumirem compromisso de presença afetiva com os filhos. A medicação vai dar conta.

O último hiperativo que peguei, após aplicar uma bateria de testes e fazer um amplo diagnóstico, tive que solicitar do médico que suspendesse a Ritalina. Pois o garoto ao contrário, possuia muita concentração. O que estava pegando era uma falta de estrutura de estimulo educacional em casa. A medicação taxaou o sujeito e este imaginava que com o remédio suas notas melhorariam. Doce ilusão.

A hiperatividade é um transtorno de aprendizado que afeta de 1 a 4 % da população, sendo os meninos os mais afetados. O resto, é agitação de adolescente ou desestruturas de integração familiar e falta de limites, que remédios não darão conta de fazer superar.

Todo trastamento de hiperatividade, só terá realmente resultado, se for monitorado com medicação e processo psicopedagógico, de preferência com neurologista e psicólogos que possuam experiência na área de psicopedagogia. Mas é melhor que o diagnóstico  contextualize a realidade cronológica do adolescente. Muita coisa na adolescência, parece mais não é.

Seu filho pode até ser hiperativo. Mas antes de taxa-lo, observe se o ambiente onde ele estuda, sua casa e a galera que anda, estão estruturados. Veja antes de mais nada, se você como pai e mãe estão sendo presença afetiva.

Cuidado, a fuga para remédios, pode ser uma boa forma de nomear um problemático dentro de casa para fazer esconder a problemática de todos. Antigamente dávamos o nome para isto de “bode espiatório”.

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