LEI DA ATRAÇÃO OU DA ENGANAÇÃO
segunda-feira, dezembro 29th, 2008
Com o objetivo de estimular seus clientes a driblarem a crise econômica atual, uma determinada grife de roupas envia esta historinha que gostaria que você lesse com atenção: Um cachorrinho, perdido na selva, vê um tigre correndo em sua direção. Pensa rápido, vê uns ossos no chão e se põe a mordê-los. Então, quando o tigre está a ponto de atacá-lo, o cachorrinho diz: – Ah, que delicia este tigre que acabo de comer! O tigre pára bruscamente e sai apavorado correndo do cachorrinho, e no caminho vai pensando: “Que cachorro bravo! Por pouco não come a mim também!” Um macaco, que havia visto a cena, sai correndo atrás do tigre e conta como ele havia sido enganado. O tigre furioso, diz: – Cachorro maldito! Vai me pagar! O cachorrinho vê que o tigre vem atrás dele de novo e desta vez traz o macaco montado em suas costas. “Ah, macaco traidor! O que faço agora?”, pensou o cachorrinho. Em vez de sair correndo, ele ficou de costas, como se não estivesse vendo nada. Quando o tigre está a ponto de atacá-lo de novo, o cachorrinho diz: – Macaco preguiçoso! Faz meia hora que eu o mandei me trazer um outro tigre e ele ainda não voltou.
Será que este cachorrinho era tão esperto assim, ou é o tigre que estava com perda de sua real identidade?
È aqui que entra a lei da atração na publicidade, onde o cliente será seduzido ao produto na medida em que está desfigurado de sua própria identidade. Como o tigre que acreditou na força do cachorrinho, por estar destituído de sua real identidade.
Quando estamos angustiados ou ansiosos, desejamos possuir coisas para suprir nossas carências e neuroses. Fazer neuróticos é a regra do consumo, o jogo da atração.
Se no seu negócio ou trabalho, ainda você não têm clareza de seus potenciais, dos pontos fortes e fracos tanto externamente como internamente, estará se sujeitando com facilidade ao jogo de atração publicitária. Se estiver no comércio, sem clareza das forças que regem a economia local, regional ou nacional, cairá na ilusão de fazer grandes estoques de produtos e ficar com eles encalhados e duplicatas a pagar. É interessante que muitos comerciantes de cidades pequenas, ao verem toda a movimentação comercial dos grandes centros e dos shoppings imaginam que vão vender muito no natal ou em outras datas comemorativas do ano. Mudam os horários de atendimento ao público, deixam o comércio aberto até à noite e até abrem aos domingos, mas os resultados nunca são os esperados. Entra ano e sai ano e a reclamação sempre está no mesmo lugar. Tentam adaptar o comércio local a um outro contexto social, são atraídos por uma rede de publicidade das grandes marcas que conseguem iludi-los sobre o sucesso de vendas. Mas podemos observar que na mesma proporção que abrem lojas, também fecham. E se perguntarmos qual o segredo das lojas ou outros estabelecimentos comerciais que estão operando com estabilidade à longo prazo, vamos detectar que é pelo processo de fidelização de clientes, e um dos principais fatores de fidelização é o cliente consciente sobre o que deseja. Lógico que vemos algumas redes de negócios fazendo sucesso por questões apelativas de preços e publicidades milionárias ao longo dos anos, mas isto é quase que uma exceção. Um comerciante que abre um estabelecimento acreditando em lucro certeiro à curto prazo, é parecido com o tigre que acreditou que o cachorrinho é mais poderoso que ele; ou estará se posicionando como o cachorrinho que ao enganar um tigre, pensa que continuará enganando outros tigres.
Mas o jogo de sedução e enganação não serve apenas para quem é comerciante ou industriário, é também para pessoas que possuem seu emprego fixo, que ao caírem na ilusão global da estabilidade econômica, entram em dívidas impagáveis, como se o emprego estivesse garantido. Mas ao serem demitidos, ficam com o nome sujo na praça por não terem mais o salário sagrado de todos os meses para ficar em dia com seus vencimentos.
Mas se o cachorrinho acreditar que sempre ele estará enganando o tigre, e se sempre o tigre estiver acreditando nas jogadas do cachorrinho, uma hora ambos podem ser pegos por um efeito surpresa. Daí a lei da atração vira depressão.
Nesta história toda, como fica o macaco? Ele é o leva e trás de recados. O macaco nada mais é do que o intermediário, aquele que media. É a própria mídia consumista, responsável para fazer veicular o produto da sedução enganosa. Por isto que no final a culpa é do macaco. Mas afinal de contas, qual é um dos filmes mais assistidos na atualidade, que também leva o título do livro mais vendido? Por acaso é “a lei da atração”? É melhor saber de qual macaco você está dependente, se não, distraidamente você também será atraído e traído.
Gerson Abarca – É Psicólogo, Diretor do Instituto Pensamento. Especialista em Gestão e Desenvolvimento de Pessoas (MBA) pela Fundação Getúlio Vargas.






