Relacionamento Paterno Infantil*
As projeções que o sujeito faz no mundo está diretamente relacionado com as experiência de campo relacional (Holding) estabelecidos no vínculo materno/ paterno/filial desde os primeiros vínculos estabelecidos do bebê com a mãe. (Winnicott – 1958)
No processo analítico, observa-se às manifestações deste vínculo na transferência do paciente ao analista pelo nível de fixação e projeção. A percepção neurótica – da história sendo repetida – será percebida pelo paciente na medida em que o analista tiver a capacidade de conduzir o processo analítico no tempo e no conteúdo do paciente, sem antecipar-se ou atropelar o insight do mesmo. A boa interpretação é como se fosse o alimento do paciente, colocada no momento certo para que seja o ponto real do paciente e não meras conclusões de analista. Será sentido pelo paciente como o alimento dado afetuosamente pela mãe suficientemente boa.
Mães funcionais, que entendendo de todos os mecanismos para profilaxia de trato com o bebê podem desencadear na criança as mesmas sensações de perda e abandono das mães com ausência de afeto (ausentes pela insuficiência da maternagem). O analista técnico e experiente poderá cair na tentação e impaciência da espera do analisando para pontuar a melhor interpretação. Assim, este analista será tão insuficiente como à mãe funcional. Como transcreve Winnicott em um fragmento da fala de uma paciente: “uma boa sessão analítica em que se dá a interpretação correta no momento oportuno é uma boa alimentação.” (Winnicott – 1958).
A técnica pela técnica aproxima o terapeuta da mãe insuficiente e faz provocar no processo analítico a emergência de impulsos destrutivos no analisando, como acontece com a análise infantil, com a necessidade ansiosa do analista em interpretar, para mostrar serviço. A seqüência de uma construção interpretativa na análise infantil se dá de forma lenta e dentro de um ciclo contínuo de sessões. A reação do paciente em relação a uma interpretação funcional do analista muitas vezes vem em forma de uma ação destrutiva pelo impulso negativo que a interpretação fora de lugar ocasiona, levando a criança a agredir o analista ou a transferir a destruição ao analista nos brinquedos, danificando-os ou destruindo parcialmente objetos da sala terapêutica. Quando nos colocamos aliados à família e compactuados na necessidade de dar aos pais a resposta e o resultado que eles esperam para o filho, deixamos de ser continentes na história de vínculos afetivos da criança, e passamos a ser bonecos dos pais.
Assim acontece na relação do terceiro (pai) quando entra como elemento que quebrará a relação de vinculo mãe/ filho. Se o pai teme interferir no clima relacional mãe/filho, estará impossibilitando o crescimento do filho para novas etapas de desenvolvimento. Fará o jogo da mãe e perpetuará a simbiose de dependência. Do contrário, a entrada do pai na relação com o filho, provocará angústia e ansiedades no filho, que estava acomodado na relação materna filial; porém os resultados serão altamente favoráveis na construção da autonomia da criação. Assim acontece na análise infantil, cujos pais muitas vezes atacam ao processo, ou por interrupção ou por julgarem não ver resultados, mas pelo fato de sentirem que a análise está provocando no filho um processo de separação para a construção da própria identidade. Mas os pais tendem querer que os filhos continuem dependentes deles.
Também no adulto em análise, observa-se o apego paterno/filial, onde o processo transferencial se da na necessidade de ser orientado, conduzido pelo analista. Uma repetição de uma fase onde o filho necessitava dos direcionamentos de um pai. Se o analista se sujeitar a este jogo estará desenvolvendo não um processo analítico, mas sim uma psicoterapia indutiva. Estará suprindo e direcionando as necessidades do paciente contribuindo para a manutenção da neurose de ser suprido e conduzido. Deixará o paciente na condição de filho e manterá a dependência no paciente.
*Baseado no estudo do livro: O Ambiente e os Processos de Maturação. Teoria do desenvolvimento emocional. (Winnicott) Artmed.
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