O QUE LEVAREMOS DESTA VIDA
segunda-feira, janeiro 26th, 2009
* Gerson Abarca
Meu domingo de 25 de janeiro de 2009, foi marcado por velórios de três pessoas conhecidas do meu cotidiano: Cida ( Ministra da Eucaristia da Paróquia que participo) e o casal Marino e Aparecida ( cooperados da mesma escola em que meus filhos estudam).
Cida sofreu um AVC e não conseguiu ser socorrida em tempo para procedimentos mais especializados. Pessoa de ampla participação na Igreja, onde exercia a função de Ministra da Eucaristia juntamente com seu esposo. Com apenas 44 anos, sem indícios de complicações de saúde, sua morte pega a muitos de surpresa. Os acidentes neurológicos chegam na maioria de suas vítimas de surpresa. Não saímos aí à toa fazendo exames neurológicos, só quando surge algum sintoma, mas no caso do AVC, o sintoma pode ser fatal, como no caso da Cida. Durante o sepultamento seu esposo expressou seu sentimento de perda, mas nos deixou uma bela lição: “Perdi minha esposa para Jesus, pois sou testemunho de sua fé e sei que estará bem próxima do pai, este é meu consolo”.
O casal Marino e Aparecida foram vítimas de mais um acidente automobilístico na BR 101-ES. Desta vez por imprudência de um motorista de carreta que transporta eucaliptos para a Aracruz Celulose. São muitos os episódios de acidentes provocados por motoristas destas carretas. Parece-me que não estão sendo monitorados no processo de direção defensiva, ou se estão não colocam em prática. Logo pela manhã do sábado de 24 de janeiro, o casal sai para passear com seus filhos, dois rapazes, e pela imprudência deste motorista que não parou após o acidente para prestar socorro, são forçados a jogarem o carro pelo acostamento caindo pela ribanceira em direção ao rio. Muitos visinhos e outros motoristas tentaram socorrer só saindo com vida os filhos que estavam no banco traseiro. Marino, servidor público da Petrobrás, com um grande envolvimento no município, sempre colaborando. E sua esposa Aparecida, sempre presente na educação dos filhos. Uma família na qual somos testemunhas da idoneidade e zelo pela ética e moral.
Mortes que nos deixam estagnados, pois se trata de situações em que todos nós podemos passar. Acidente vascular cerebral, que pode pegar a qualquer um sem menos esperar; acidente automobilístico em que basta estar na estrada, principalmente na BR 101, para ser vítima, mas sempre chega quando menos esperamos.
Destes que velamos no dia 25 de janeiro, boas lembranças temos de sobra para contar. E é neste ponto que me despertou inspiração para escrever este artigo – O QUE LEVAREMOS DESTA VIDA –
Aproveitar o dia, a cada dia. Vigilantes e atentos para que quando nossa hora chegar possamos levar uma alma pronta para se encontrar com Deus. Por isto uma alma leve, livre dos bens materiais; cheia de lembranças das parcerias de solidariedade vivida durante nossa existência na terra; ávida em ver ao Pai; clara como clara é a prática do bem na qual deixamos marcados nosso encontro do cotidiano. LEVESA, SOLIDARIEDADE, AVIDEZ, CLAREZA. Enfim, poder estar preparado para levar aos céus uma alma carregada de AMOR vivido e testemunhado.
Este caminho de estar preparado a cada dia para quando chegar a morte convidando-nos a partir, parece que soa como um viver a própria vida esperando só a morte. Mas ao contrário, estar vigilante é estar ativo para a vida, com a diferença de estarmos preparados para que pelo menos nossa alma siga seu caminho. Pois do contrário, se vivermos atolados pelas preocupações, produções, poder, perseguições, amarrados pelo mal, apegados no ter, contando patrimônios, nossa alma não conseguirá seguir ao encontro do Pai. Pois estará Amarrada no apego terrestre. O próprio Pai nos alertou por intermédio de Jesus que é preciso vigiar e orar porque não sabemos o dia e nem a hora que seremos chamados.
No Domingo, recebia telefonemas de parentes das vítimas para que os orientasse em relação aos filhos que ficaram. Alertava aos familiares que nestas horas a Psicologia têm muito pouco a contribuir, que neste momento de dor pela perda o melhor caminho é o encontro afetivo dos entes queridos. O que fica nos pêsames dos parentes e amigos quando perdemos um parente, não são as palavras, mas sim o abraço carinhoso, este sim diz tudo. Outro fator que consola e muito, aliás , que mais consola, é a Fé, pois esta trás a esperança da vida para uma nova vida. Aí, o que vale é a prática religiosa. Por isto que alertava as famílias da necessidade de chamar os amigos de Fé e de caminhada daqueles jovens, os filhos que ficaram.
O que estarei fazendo quando a morte chegar? Perguntaram a Santo Agostinho o que ele faria se soubesse que a morte o chamaria dentro de cinco minutos. Ele respondeu com muita tranqüilidade que continuaria fazendo o que estivesse fazendo, pois sabia que seu tempo estaria sendo dedicado às coisas do Pai. Assim a morte para ele representava apenas mais um episódio de passagem, de uma vida que continuará seguindo seu ciclo.
* É Psicólogo, psicoterapeuta. Diretor do Instituto Pensamento













