PSIQUIATRIA PARA CRIANÇAS?
*Gerson Abarca
Desde 1988 atendo crianças pela técnica da ludoterapia com o referencial da Psicanálise infantil, especificamente em Melanie Klain e Winnicotti. Desde aquela época os pais sempre ficam muito preocupados quando o diagnóstico aponta para a necessidade de ser ministrado medicação psiquiátrica. Se para adultos ainda há muitas dúvidas e receios, pois acham que estão ficando “loucos”, imagine quando o paciente é uma criança.
Quando os pais pedem que antes de ser um Psiquiatra que eles tentem com o Pediadra, já se nota o medo e tabu.
Mas se necessitamos de uma avaliação medicamentosa de caráter emocional, o caminho com mais chance de resultados é consultar um Psiquiatra Infantil. Tudo bem que esta especialidade é rara em algumas regiões do Brasil. Quando não se tem a especialidade, não é muito indicado encaminhar-se para um outro Psiquiatra que não seja especializado em crianças. Nestes casos, temos que recorrer ao Pediatra, porém, com a prudência que este tenha abertura para medicar dentro da faixa etária da criança. As vezes os pais suportam que a criança seja avaliada por um Neurologista infantil, mas a Neurologia é para quem apresenta disfunções de caráter fisiológico neurológico, e não de origem especificamente comportamental. Alguns casos o diagnóstico precisa do parecer do Psiquiatra e do Neurologista, numa açõa interdisciplinar. Assim, o Psicólogo com domínio de uma técnica, com auxilio de outros profissionais poderá chegar ao melhor diagnóstico possível.
Alguns pais tentam pelas vias da Medicina Homeopática. Este caminho pode ser viável só em casos onde o quadro não esteja se configurando em uma patologia comportamental que desencadeie dissociações emocionais.
Todo tratamento infantil que esteja sob orientação de medicação psiquiátrica, requer concomitantemente a psicoterapia desenvolvida por um Psicólogo especializado em atender crianças. O resultado do tratamento é mais eficaz e em menos tempo de duração.
Uma das indicações mais comum é ansiolítico para quadros de terrores noturnos, enurese, encoprese, bruxismo,etc. Quando tratamos crianças com um destes sintomas sem o auxilio medicamentoso, vemos os processo se arrolando em um longo período de tempo, com pequenos episódios de melhora, o que leva aos pais a desistirem do tratamento.
Muitos quadros que estão sendo diagnosticados como hiperatividade, na verdade são transtornos comportamentais infantis em que o diagnóstico inadequado camufla o problema real. Afinal de contas hoje em dia é bem mais aceitável saber que um filho está com hiperatividade do que com transtorno emocional. Este soa como coisa de quem está ficando “louco”, aquele soa como coisa do cotidiano escolar. O problema é que este tipo de camuflagem só eleva o nível da complicação comportamental, predispondo a criança a futuros transtornos emocionais de maior gravidade e as vezes a evolução para psicoses.
O melhor caminho é avaliar, através de um bom psicodiagnóstico infantil, para depois se tomar postura para auxílio medicamentoso.
Qualquer forma de preconceito neste campo, poderá transformar um quadro simples em algo mais complexo. Assim como a criança necessita tomar remédio para controlar a febre, também precisa de remédio para controlar uma ansiedade fora de lugar. A diferença é que de febre o Pediatra pode cuidar bem, da ansiedade o Psiquiatra infantil pode cuidar melhor.
* Especialista em Psicologia Clínica pelo CFP. Ha três anos está sistematizando o método Psicanálise Contextualizada pelo Instituto Pensamento
Tags: psicologia, transtorno-emocional


