Sobre leões e leoas – A difícil relação entre homens e mulheres

  Gerson Abarca*

 

            Analisando o comportamento dos leões em comunidade, o macho leão tende a esperar das leoas que elas peguem a caça. Todas as energias são gastas pelas leoas, que derrubam a presa e a prepara para o leão chegar bem descansado e saborear da melhor parte. Só após estar saciado é que deixará os demais membros da comunidade chegarem, inclusive as leoas caçadoras.

            Este comportamento de leões e leoas parece com a forma de convivência entre os seres humanos. Por muitos anos, e recentes anos, o modelo de casal era da mulher se dedicar ao lar enquanto o homem ia para o trabalho. Ela preparava tudo para o bem estar do marido, este só chegava e usufruía dos benefícios. A grande justificativa para isto era que ele trazia o dinheiro sagrado para a casa.

            Com o tempo, as mulheres foram conquistando seu espaço no mercado mas pouco evoluiu nas questões do lar. Elas continuam fazendo tudo dentro do lar, caindo no que chamamos de tripla jornada de trabalho (o trabalho em si; a casa; e os filhos). Enquanto eles continuam, na sua maioria, do trabalho à casa e de casa ao trabalho, alguns dão uma paradinha nos bares antes de casa. Mas em casa, sentam no sofá para ver o jogo passar.

            Nos Estados Unidos, 70% das mulheres que saíram para o mercado de trabalho realizam atividades domésticas no próprio emprego. Só mudaram no quesito salário, trabalhar para fora trás salário, mesmo que seja todo ele para pagar parte das despesas que são conseqüências da saída ao trabalho, tipo: empregada doméstica; babas; creches; transportes. Mesmo assim sentem-se hoje mais satisfeitas, pois quando estavam em casa como dona do lar não eram valorizadas pelos esposos.

            Mas parece que ainda nos assemelhamos muito aos hábitos da comunidade dos leões. Vivemos uma delimitada divisão de tarefas e poderes, onde os homens ainda se consideram os responsáveis diretos de defesa da comunidade (como os leões) e as leoas, servidoras da sua alteza (leões).

            Mas não somos leões, os leões são geneticamente codificados para serem e fazerem tudo o que fazem há centenas de anos. Nós humanos somos dotados da capacidade de refletir, de pensar e de construir novos referenciais. Assim como não é muito inteligente os homens se manterem no poder, e transformando suas esposas em serviçais, mesmo que trabalhem fora de casa e seja mulheres bem sucedidas profissionalmente; também não é muito inteligente as mulheres (esposas) se sacrificarem tanto por conquistas individuais e caírem no mesmo papel do passado de serem serviçais domésticas. No final das contas, a reprodução da genética felina, acaba sendo absorvida pelos humanos, mesmo sendo estes mais capazes e com mais condições de irem além de fator genético.

            Lares em que homens e mulheres partilham tarefas e planos financeiros há maior tendência de se ter prazer e satisfação no convívio familiar e melhor desempenho dos filhos na escola, na saúde e na realização dos projetos pessoais.

 

*Psicólogo, Diretor do Instituto Pensamento

 
 

 

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