COM OS FILHOS NO ESTÁDIO DE FUTEBOL – ENTRE PALAVRÕES E RAIVAS
Hoje fui ao estádio de futebol com meus filhos Davi e Helder. Nosso time São Mateus-ES está em primeiro lugar no campeonato estadual da primeira divisão. Fomos conferir esta boa sequência de vitórias do time. Também porque ir ao estádio nos coloca diante de milhares de pessoas que normalmente não encontramos em nosso cotidiano. É um exercício para além de antropológico.
Porém nosso dilema é o de ter que conviver com uma torcida raivosa, e que nos contamina também, principalmente se o time é fraquinho, mesmo estando em primeiro lugar. Mas o pior é ter que conviver com os palavrões.
Meu menino Hélder de 6 anos, ficava o tempo todo pedindo para os adultos ao seu redor pararem de falar aqueles palavrões. Mas daqui a pouco ele também começava a gritar como todos, efeito papagaio. Daí o Davi de 11 anos logo o repreendia. Eu tinha que intervir dizendo que alí as pessoas muitas vezes falavam aquelas coisas mas sem malícia. Quando quer ver o gol do São Mateus, ai foi aquela euforia.
Saimos do estádio de alma lavada, e os meninos só comentando sobre os palavrões. Lógico que alí era um espaço catártico ( de jogar as emoções para fora ), e a convivência com as diferentes realidades nos ajuda a estarmos emergidos no mundo sem necessariamente sermos absorvidos por ele. No caso das criança, eles se sentem muito bem em ir ao estádio, pois lá vivem as vibrações mais do que humanas. Com a presença adulta e monitoramento, em tudo poderemos tirar proveito, como desta tarde onde a garotada está até agora na rua comentando dos lances, também dos palavrões, mas com certeza da nossa convivência familiar no estádio de futebol.
Hoje lembrei-me de meu pai Manoel já falecido, que nos levava ao estádio de futebol para assistirmos ao bom time da Associação Riopardense – São José do Rio Pardo – SP. Meu pai era um grande palhaço no estádio, e sempre lançava piadas engraçadas, em momentos que o jogo estava morno. Ele tinha o apelido de Mané trapalha, e achavamos aquilo o máximo.
Que bom poder estar proporcionando isto aos meus filhos. Pois no estádio de futebol uma coisa aprendemos, lá ficamos todos iguais, com os nervos à flor da pele. Não é a toa que o Futebol é um vício mundial.
Engraçado foi que após as correções do Helder aos adultos , um deles começou a dizer: ” em nome de Jesus, faz este gol seu miserável…”
*É psicólogo e diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia Infantil
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