Só aprende quem perde

Gerson Abarca*

          

          No desenvolvimento do vínculo estabelecido na simbiose (relação de dependência absoluta do bebê/ mãe/bebê) da-se a estrutura emocional na criança para a elaboração das primeiras perdas. A principal delas é a perda do vínculo exclusivo com a mãe. Winnicott (1963) nos apresenta uma cena ilustrativa de processo de perda/separação. A criança espera pela comida e na sala da casa, ouve os barulhos produzidos pela mãe na cozinha que revelam a possibilidade  de que a comida está sendo preparada, logo associa que poderá esperar por mais alguns minutos porque a comida vai chegar, e junto dela a pessoa da mãe, ou de quem cuida.

            Da-se nesta cena o início da construção da dependência relativa, isto é, a criança já consegue elaborar a sua espera. Nesta perda ou início de perda de dependência absoluta, a criança começa a desenvolver sua capacidade intelectual onde relaciona a fome pessoal com os ruídos na cozinha e sua capacidade de estabelecer um tempo de espera (aprende esperar; associa imagens e relaciona sons).  

            Em um ambiente onde os pais conseguem ser eles mesmos com uma freqüência de ritmo e cotidianidade, isto é, freqüência e estabilidade nas ações, a criança se coloca na boa relação com sua perda inicial. Pois antes, sua necessidade era prontamente suprida na relação de dependência absoluta e agora não. Na dependência relativa, a criança começa a aprender a ver-se diferenciado de sua mãe/pai e consegue estabelecer uma relação de espera.

            O primeiro sinal que a criança dá que leva-nos a ter a certeza de suas percepções no mundo é a ansiedade. Pois a ansiedade nasce quando a criança necessita de ver realizar suas necessidades básicas e ao mesmo tempo a presença materna para suprir esta necessidade não vem no tempo esperado pela criança. E a criança percebe este distanciamento e inicia o processo de elaboração de perda com a figura materna. Este processo se dá entre 6 meses e dois anos, o que reafirma a necessidade da mãe estar com seu bebê nos meses iniciais de sua existência. Se este estágio for regido por um ambiente de presença afetiva estável, torna-se mais fácil a separação do bebê de sua mãe, liberando-na ao trabalho e a outras tarefas que a possibilitam de ficar distanciada do bebê por um período mais longo. Exatamente quando as mães voltam a trabalhar. 

* Psicólogo – Psicoterapeuta.

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One Response to “Só aprende quem perde”

  1. Nilo Lauro Berwanger disse:

    Caro Gerson Abarca:
    Realmente o Programa Trocando Idéias, da Canção Nova, na noite do dia 27/05/2009, com a apresentação de Ricardo Sá, participação do Prof. Felipe Aquino e especialmente por suas preciosas palavras, foi genial pelo que esperamos por mais entrevistas.
    Por partilhar sua sabedoria, inteligência e conhecimentos, agradecemos de coração.
    Abraços amigos e fraternos de
    Nilo Lauro Berwanger
    Itapiranga – SC

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