A semana da Consciência Negra teve início dia 15/11 e vai até dia 22/11. Dia 20 de novembro é propriamente o Dia Nacional da Consciência Negra por ocasião do aniversário de morte de Zumbi dos Palmares – um líder negro, que com coragem e determinação, na época da escravatura, foge da fazenda onde mantinha-se escravo no estado de Alagoas e funda o Quilombo dos Palmares. Na época, centenas de escravos fugiam das correntes de seus feitores e fundavam quilombos, só na região de São Mateus/ES temos aproximadamente 47 áreas de quilombos ou quilombolas.
Em vários municípios comemora-se o dia 20 de novembro com feriado municipal, como é o caso da cidade do Rio de Janeiro. Homenagens a Zumbi dos Palmares se espalharam por todo o Brasil. Neste mês, conheci um anfiteatro municipal na cidade de Volta Redonda/RJ que leva o nome de Zumbi dos Palmares.
Segundo a UNESCO – Organismo da ONU ligado às pesquisas educacionais em todo o mundo – no Brasil 70% da população é afro-descendente – Negra –. Mas infelizmente, o IBGE preferiu dificultar a percepção da população afro descendente, diminuindo seus índices, principalmente quando trás o conceito de “preto”, “pardo”, “mestiço”, para que a população responda sobre sua “cor”. Ao invés de se responder no senso sobre raça (amarelo; branco; negro) estamos respondendo sobre cor de pele. Um nítido procedimento preconceituoso. Se o IBGE tivesse coragem de pesquisar a população brasileira com os reais procedimentos raciais, viríamos que os dados da UNESCO são os mais próximos da realidade. O único porém disto, é que a elite brasileira não quer enxergar a realidade que o Brasil é - o pais com maior população negra do planeta -. É melhor dizer que somos descendentes europeus.
Quem sabe, com a vitória do negro Barack Obama, um Afro Descendente Americano, emergente de família não nobre cuja trajetória foi de luta e chega ao maior posto da nação mais poderosa do planeta, o Brasil comece a tratar a questão da Afro descendência com justiça. Como bem configurou Luiz Inácio Lula da Silva, o operário brasileiro que conquistou o poder no Brasil: “- Só na democracia é possível ver a ascensão de personagens como Obama”.
Mas a democracia brasileira no quesito racial, precisa copiar ou olhar para algumas formas de fazer política nos Estados Unidos. Lá a ascensão dos negros na universidade se deu pelo sistema de quotas; aqui ainda analisamos esta questão com argumentos preconceituosos, do tipo: “precisamos melhorar o ensino fundamental para o negro chegar lá”. O problema é: até que os negros cheguem na universidade muitos já terão abandonado as escolas no meio do caminho -.
Em São Mateus, temos a Lei Municipal que garante quotas de negros nos concursos públicos, isto é mais do que justo, pois a população negra mateense configura-se em mais de 80%. Mas estamos paralisados no processo de conscientização negra na cidade. Pouco vemos acontecer, a não ser no mês de novembro onde algumas organizações se encontram para o debate da consciência negra. São Mateus merece uma secretaria especial para fazer avançar o debate e enaltecer a raça negra e toda esta cultura afro descendente.
Nesta semana, a Comunidade Católica São Benedito – centro, da Paróquia de São Mateus está com uma extensa programação em torno da Consciência Negra. Vale a pena conferir toda a movimentação que está se dando na Igreja São Benedito e no Salão ao lado (Antigo Teatro Anchieta). É um processo de evangelização na cultura.
Estou na organização desta semana por observar que há uma auto-estima baixa no inconsciente coletivo mateense, provocado pelo não reconhecimento sócio histórico cultural da raça negra no município. Esta auto-estima baixa trás diversas dificuldades, principalmente na percepção da beleza negra – há comentários racistas de que a população é feia
em São Mateus. Assim a auto imagem fica destituída de valor. Outro aspecto que a auto-estima baixa tem trazido é a dificuldade de se organizar grupos sociais para fazer valer a vontade popular. Temos observado que a cidade fica dependente de lideranças políticas em uma população cuja excelência da história organizacional está na coletividade. Não é a toa que ramificaram-se quase 50 quilombos pelo interior do município.
É a afro-descendência, com todas suas ramificações culturais e sociais que causou em mim o grande fascismo de escolher São Mateus para viver e construir minha família. Por que negro é lindo e africanidade nos remete a força da solidariedade e da coletividade.
O racismo oprime, e a opressão faz sofrer. Com Zumbi dos Palmares gritemos à liberdade e declaremos para o planeta que o Brasil é a maior nação em contingente populacional negro. Só o racismo insiste em omitir está realidade.
Venha participar conosco na Semana da Consciência Negra