Archive for the ‘desenvolvimento-emocional’ Category

VOCÊ JÁ ABRAÇOU HOJE ?

segunda-feira, outubro 26th, 2009

Abraçar faz bem para o corpo e para a alma. É um santo remédio para males do afeto. Só conseguimos amadurecer nossos orgãos vitais quando bebê graças a força do abraço, dos abraços de quem se fez de pai e mãe no primeiro ano de vida de nossa existência.

Fugir de abraços é encontrar-se com carências afetivas passadas. Quanto mais você fugir de ser abraçado, mais chance terá de adquirir doenças físicas e emocionais. Já na velhice, poderá ficar hipocondríaco ( mania de doença), que geralmente é de origem nas carências afetivas.

Abrace e deixe ser abarçado. Se for muito difícil, fale para alguém de sua confiança desta dificuldade, e peça-lhe que dê um longo abraço em você.

Nem sempre ajudamos pessoas só ouvindo-nas ou orientando-nas. Há momentos que um bom abraço já resolve e muito.

Nunca vou esquecer daquela noite fria do mês de junho, quando minha querida mãe veio até minha cama para acertar o coberto. Acordei e logo em seguida ela abraçou-me, aquecendo-me por inteiro. Foi uma noite deliciosa.

Como é bom abraçar alguém que não vemos há tempo e na qual estamos com enorme saudade. Aliás, saudade boa é lembrança de abraço.

VOCÊ JÁ ABRAÇOU HOJE ?

A Moral Humaniza

quarta-feira, julho 29th, 2009

PIETÁ

CRITÉRIOS  MORAIS de caráter religioso ou sociaL serão bem absorvidos pelo indivíduo se o ambiente no qual é educado possui estrutura de vínculo afetivo que permite a criança a conduzir-se no seu processo de maturação com acertos e erros, sem no entanto acentuar a culpar pelos erros. Ambiente favorável ao desenvolvimento humano dará condições do indivíduo reparar erros, ao invés de simplesmente punir-lo. Podemos confirmar que a moral não penetra a alma de pessoas que não puderam vivenciar um ambiente afetivo. Ao observarmos os comportamentos delinqüentes, vamos constatar que na sua quase totalidade são pessoas que possuem histórico de rompimento afetivo, de ambientes cruéis, tanto pela falta de recursos financeiros ou pelo excesso deles, pois a delinqüência em si não é uma questão de classe, mas sim de ambiente. Infelizmente há um preconceito em torno desta questão, onde tendemos a ver a delinqüência em camadas sociais empobrecidas. Não conseguimos avaliar que a corrupção de um senador ou deputado é um gesto delinqüente tanto quanto um assalto à mão armada com vítima, realizado por um favelado.

É pela moral que o ser humano se humaniza. Do contrário, entregue a sua evolução natural sem intervenção da moral, o ser humano estaria polarizado entre forças de vida e morte sem no entanto poder seguir um curso, um norte.

“Não aprece o leito do rio, deixe que ele curse sozinho” uma sabedoria milenar que pode nos dar a entender que é um estímulo para que o ser humano se desenvolva livre e solto seguindo o curso natural de um rio. Mas se assim pensarmos estaremos esquecendo que um rio tem seu traçado pré-estabelecido. E as águas correm este trajeto queiram ou não. Assim como as águas não seguem livremente, a criança também não. A sociedade é o traçado que faz conduzir o desenvolvimento da criança. Desta forma podemos dizer que a formação moral humaniza a criança; a faz pertencer a forma de vida que a caracterizará no futuro, pois ele pertence a espécie humana. Como o caso do menino lobo, retratado no desenho animado Mogli, uma criança livre e solta, educada pelos lobos, estava adaptada a forma de ser dos animais na floresta. Mesmo com corpo diferente de um lobo, na sua cabeça, comportava-se como um deles. A humanização é todo processo de construção civilizatória na qual o ser humano vai se moldando, assim a educação vai se dando por reprodução, a criança vai copiando e aos poucos construindo sua identidade. Porém, esta construção em um primeiro momento se faz absorvida apenas por cópia ou por pura necessidade da criança em poder ter seus benefícios, para uma criança onde existe fatores de vínculo afetivo mal resolvidos (traumatizados ou de relacionamentos indiferentes), pode se tornar em um grande ator de boa convivialidade, de boa incorporação de regras morais por sentir pertencente àquele espaço civilizatório; mas que com o tempo este perfil pode ver se desmanchar ou desmascarar. É o que vemos em casos de pessoas que cometem homicídios ou outros tipos de delinqüência e que causa espanto e surpresa na comunidade que o cerca. “Como pode aquela pessoa tão boa ter realizado tamanha atrocidade?” São dúvidas que revelam que o verdadeiro eu, que está registrado no inconsciente, não é totalmente revelado. Em processos em que o indivíduo incorpora regras de forma autoritária, ou muito repressiva, podemos ver a evolução de uma aparente adaptação as regras, mas que internamente não são absorvidas. Uma criança que não queira se alimentar, e com isto é conduzida a fazê-lo com muita violência, castigos e relacionamentos estabelecidos sob tensão, pode por conveniência, para não ter que sujeitar-se as pressões dos educadores, permitir à se alimentar até pela sua fragilidade, mas depois na vida adulta, o rancor, ódio e adrenalinas fixadas na infância vão se transformar em sintomas desestruturantes, como: as Bulimias, Anorexias, etc.

Podemos entender que a moral humaniza o ser humano, desde que introduzida dentro de uma construção afetiva. Porém, se por obrigatoriedades, pressão, etc, o desenrolar da vivência moral poderá ter desdobramentos pouco viáveis à própria humanidade, sendo o resultado final a própria delinqüência.

Trocando Idéias

quarta-feira, julho 22nd, 2009

Minha participação no Trocando Idéias do dia 14 de julho de 2009 foi muito especial. O tema “Relacionamento pais e filhos” gerou muitas perguntas no telespectador, onde , em conjunto com a Eliana Sá e intermediação de Ricardo Sá, pudemos aprofundar questões do cotidiano das famílias.

Na verdade, o grande segredo da vida em família está na capacidade de aprendermos a lidar com os problemas a cada dia. Se pensamos que um dia os problemas desaparecerão, aí sim que eles surgirão como fonte de água viva. Uma vida sem problemas é uma vida sem graça. Pois estaremos na Graça, na medida que formos superando os problemas que a vida vai nos apresentando.

Foi maravilhoso ter estado com o casal Eliana e e Ricardo Sá. Eles nos passam força e esperança na família, além de uma capacidade de fazer-nos acreditar que os problemas podem ser superados com a presença de Jesus Cristo na famíla. Que Deus abençoe sempre este casal missionário da Canção Nova, e a todos que se consagraram em comunidade de vida para estarem a serviço do Senhor.

Já estou com saudades do programa.

quarta-feira, julho 1st, 2009
Hélder Manacô, com sua bicicleta nova de aniversário

Hélder Manacô, com sua bicicleta nova de aniversário

Sete anos é um aniversário que vale a pena comemorar. Para um pai e mãe que conseguem ver um filho chegar aos sete anos, é um grande êxito. Nestes primeiros anos, temos a constituição da estrutura dos vínculos afetivos. Tudo o que conseguimos construir em termos de relacionamentos afetivos na vida adulta, depende destes sete primeiros anos de vida.

Em minha casa celebramos em julho o aniversário de sete anos de nosso querido filho Hélder Manacô. Celina e eu assim constituimos seu nome em homenagem a Dom Hélder Câmara e o segundo nome em homenagem à causa indígena, onde Manacô significa ” Viver Repartindo”.

Chegamos aos seus sete anos observando o quanto que fomos presenteados por Deus, por ter nos consedido um filho muito feliz e alegre. Com certeza o resultado de um verdadeiro vinculo afetivo paterno e materno.

Pois é até aos sete anos que construimos verdadeiros amantes da vida e potenciais discípulos de Jesus, pois para ser Cristão é preciso saber se dar , amar. E quem pôde receber muito amor na primeira infânccia, terá mais chances de amar indistintamente.

Na hora do parabéns

A Arte e Cultura na Formação da Moral

terça-feira, junho 2nd, 2009

Gerson Abarca*

Sigmund Freud nos conduziu a entendermos o processo de sublimação para a elaboração da estrutura egóica do indivíduo. A transitoriedade entre amor e ódio, vida e morte é um processo que necessita de elementos intermediários para que as energias psíquicas envolvidas neste processo possam ter suas válvulas de escape. É o que acontece quando praticamos um esporte coletivo, descarregamos raivas e ódios que reprimimos na convivência civilizatória, porque nos conduzimos por regras. Por isto é muito comum choques físicos entre atletas, torcidas raivosas, etc.

Estes dias, levando meus filhos ao estádio de futebol, o menor Helder ficou tentando controlar os torcedores ao seu redor para que não falassem palavrões. Ele ficava gritando que não podia, que era feio xingar. Até que tive que explicar para ele, que no estádio as pessoas xingavam para torcer, mas no fundo não queriam dizer aqueles palavrões. (Tentei moralizar).

A educação moral que melhor pode trazer resultados é aquele no qual potencializamos ações educacionais onde as crianças consigam construir a capacidade moral própria, onde consiga por ela mesma manusear seu código moral adquirido na sua história e cultura de época. Para que esta condição encontre terreno fértil, a criatividade é um grande recurso. Despertar a criatividade é um excelente recurso para levar uma criança a aprender a sair de situações difíceis e utilizar seus valores adquiridos quando necessário.

A criatividade encontra na produção cultural e nas artes a estrutura para sua mais ampla potencialização.

Assim, as cidades, as comunidades, as famílias precisam focar-se na produção de cultura, no aprendizado das artes: música, dança, teatro e artesanato. Pelas artes conseguimos transformar coisas brutas e finas.

Já tive boas experiências de trabalhar a psicologia com a produção de teatro. Junto com o teatrólogo Oscar Ferreira pude ver uma idéia se transformar em um texto e virar peça teatral, para encerrar-se em aplausos, êxtase. Uma condução artística é uma trajetória do nada para o tudo; como a trajetória de um bebê (um ser frágil) para um adulto, capaz de produzir, de amar.

Não fazemos bebês, como artistas fazem uma tela. Mas pelas artes, aprendemos a moldar. Modelamos nossos bebês, para que se tornem adultos maravilhosos.

Assim, ambientes que possuem a capacidade de conviver com a produção artística e cultural e que cultivam culturas e as preservam, tendem a potencializar pessoas com maior sensibilidade para dialogar nas diferenças, para construir com o outro e outras culturas processos civilizatórios. A arte e a cultura para o ser humano são como o mangue para o mar. Este se alimenta e respira por causa do mangue; os seres humanos tornam-se sublimes pela capacidade de sublimar (colocar em estado sublime). Se estou com ódio ou nervoso, nada melhor que uma boa música para relaxar; ou uma boa piada para descontrair.

Brincar – o sintoma da independência

sexta-feira, maio 22nd, 2009

Gerson Abarca*

 

            O brincar é o elemento revelador do caminho que a criança faz rumo à independência. No brincar a criança revela a busca de autonomia, a capacidade de estar  só sem necessariamente ter a presença dos pais.

            É na fase da latência, quando termina todas as forças de dependência com a pessoa da mãe/pai, que a criança encontra consigo mesma na sua própria produtividade. Por isto mesmo que após os 7 anos aproximadamente que uma criança começa a ter o processo de aprendizado sistematizado. Ela sai do estágio de dependência absoluta, passa ao de dependência relativa e chega no caminho da independência.

            Quando a criança brinca espontaneamente e cria formas de brincar, sozinha ou em grupo, ela está revelando crescimento e autonomia. Ao contrário, quando uma criança está escrava de jogos eletrônicos, computador ou TV, revela incapacidade autônoma, pois não brinca, mas sim reproduz algo que já está pronto. O brincar no mundo da criança é aquilo que a potencializa para construir, elaborar e criar. Se for retirada esta condição de brincar livre da criança, estará sendo comprometida a capacidade de se construir nela uma pessoa autônoma.

            Sabemos que na vida humana, toda regra tem sua exceção. Mas não podemos negar a diferença na forma de ser de um adulto que teve espaço na sua infância para o brincar livremente, daqueles que não conseguiram ter espaço e ambiente para brincar. Os que aproveitaram ao máximo a infância para brincar, tendem na vida adulta a serem mais autônomos, independentes e consequentemente mais alegres. Já, aqueles que não puderam ter espaço para o brincar, na vida adulta tendem às posturas rígidas, controle e manipulação de terceiros e dificuldade autonomia.

            A busca das pessoas por auto-ajuda ou fórmulas mágicas de felicidade, em que nomeiam alguém para motivá-los de fora para dentro, é o resultado de infâncias roubadas no passado. São adultos que se estabelecem no mundo com muita dependência afetiva e intelectual, e por isto esperam muito dos outros.

*Psicólogo – Psicoterapeuta.  

Só aprende quem perde

sexta-feira, maio 22nd, 2009

Gerson Abarca*

          

          No desenvolvimento do vínculo estabelecido na simbiose (relação de dependência absoluta do bebê/ mãe/bebê) da-se a estrutura emocional na criança para a elaboração das primeiras perdas. A principal delas é a perda do vínculo exclusivo com a mãe. Winnicott (1963) nos apresenta uma cena ilustrativa de processo de perda/separação. A criança espera pela comida e na sala da casa, ouve os barulhos produzidos pela mãe na cozinha que revelam a possibilidade  de que a comida está sendo preparada, logo associa que poderá esperar por mais alguns minutos porque a comida vai chegar, e junto dela a pessoa da mãe, ou de quem cuida.

            Da-se nesta cena o início da construção da dependência relativa, isto é, a criança já consegue elaborar a sua espera. Nesta perda ou início de perda de dependência absoluta, a criança começa a desenvolver sua capacidade intelectual onde relaciona a fome pessoal com os ruídos na cozinha e sua capacidade de estabelecer um tempo de espera (aprende esperar; associa imagens e relaciona sons).  

            Em um ambiente onde os pais conseguem ser eles mesmos com uma freqüência de ritmo e cotidianidade, isto é, freqüência e estabilidade nas ações, a criança se coloca na boa relação com sua perda inicial. Pois antes, sua necessidade era prontamente suprida na relação de dependência absoluta e agora não. Na dependência relativa, a criança começa a aprender a ver-se diferenciado de sua mãe/pai e consegue estabelecer uma relação de espera.

            O primeiro sinal que a criança dá que leva-nos a ter a certeza de suas percepções no mundo é a ansiedade. Pois a ansiedade nasce quando a criança necessita de ver realizar suas necessidades básicas e ao mesmo tempo a presença materna para suprir esta necessidade não vem no tempo esperado pela criança. E a criança percebe este distanciamento e inicia o processo de elaboração de perda com a figura materna. Este processo se dá entre 6 meses e dois anos, o que reafirma a necessidade da mãe estar com seu bebê nos meses iniciais de sua existência. Se este estágio for regido por um ambiente de presença afetiva estável, torna-se mais fácil a separação do bebê de sua mãe, liberando-na ao trabalho e a outras tarefas que a possibilitam de ficar distanciada do bebê por um período mais longo. Exatamente quando as mães voltam a trabalhar. 

* Psicólogo – Psicoterapeuta.

Preocupações maternas primárias – O vir a ser criança

sexta-feira, maio 22nd, 2009

Gerson Abarca*

Logo após o nascimento, a criança tem nos braços de sua mãe a continuidade de sua existência. E só uma mãe conhecedora das necessidades de seu bebê e identificado com ele na sua história, dará o colo tão esperado pelo bebê e tão desejado por ela. Ele entrega-se totalmente à mãe, sem insegurança. Pois a mãe encontra-se no estado de preocupação materna primária. Ela se antevê, prevê e se coloca por antecipação na vida da criança.

Imagine o momento de a mãe dar um banho na banheira com água quente, o bebê sente o vapor aquecido da água, mas confia. A mãe por sua vez, antes de mergulhar o filho na banheira, testa a temperatura da água – ela consegue identificar com um simples toque na água qual a temperatura ideal para o seu bebê.

Situação que provavelmente não será tão bem vivenciado por mulheres não identificadas com a criança, por exemplo, em uma creche, orfanato, etc., ou até mesmo por mulheres parentes ou amigos da família. Por isto que uma mãe fica ao redor do seu bebê como uma leoa fica vigiando sua prole recém nascida.

É nesta condição de entrega absoluta que a criança pode vir a ser no mundo e no seu futuro, e é por isto que as mães plenamente identificadas com seus bebês se colocam inteiramente à disposição deles. Pois para que o produto seja melhor que a fabrica (vir -a - ser) esta acolhida inicial de dependência absoluta do filho para com a mãe e vise-versa é primordial.

*Psicólogo - Psicoterapeuta.

Convencer Filhos na Educação Religiosa

quarta-feira, maio 20th, 2009

Gerson Abarca*

“… Há mais para ganhar do amor do que da educação”. (Winnicott).

Tenho recebido muitos casais, pais de filhos adolescentes, que estão preocupados com a escolha religiosa dos seus filhos.

Geralmente são pais que sempre tiveram atuação em comunidades religiosas, praticaram os caminhos de catequese com os filhos mas que se vêem perdidos quando na adolescência os filhos já não seguem os passos dos pais.

Imagine ouvir de um filho adolescente que não desejará seguir o caminho religioso dos pais porque os pais tinham muito tempo para a Igreja e pouco tempo para ele. Cruel, não?

É o que vem acontecendo com movimentos espirituais onde a força está nos casais provocando um distanciamento dos filhos nas atividades religiosas. Casais muito dedicados às pastorais e ausentes do ambiente familiar e nos finais de semana sobrecarregados de atividades religiosas provocam um forte distanciamento dos filhos tanto nas atividades pastorais como no estabelecimento de vínculos afetivos.

O que vai garantir, ou pelo menos dar mais segurança aos pais, de que os filhos seguiram os mesmos passos da educação moral que possuem e que ensinaram, é a capacidade de vínculo afetivo estabelecido neste processo de ensinamento da moral, e ao mesmo tempo na capacidade dos pais mostrarem-se aos seus filhos dentro de uma carência moral.

Imagine o pai exigindo que os filhos participem da missa todos os domingos, mas ele mesmo não consegue ir à missa todos os domingos porque naquele horário é o futebol na TV. “Ta na hora de ir à missa, e rezem por mim”.

Imaginem a situação dos pais dizendo aos filhos que precisam rezar o Pai Nosso todos os dias antes de dormir e ao acordar pela manhã. E se não fizerem desta forma levarão uma surra na hora do almoço.

A melhor forma de educar para a moral religiosa, onde a criança fará uma estreita ligação com um ser superior em uma relação de bondade, troca e cumplicidade, é pela condição de ambientes afetivos e com estabilidade de presença afetiva.

A confiança e a crença em algo e nas noções de certo e errado se desenvolve na elaboração de componentes internos da criança.

Como vou convencer uma criança de que Deus é bom se ela não consegue identificar internamente processos de um bom vínculo afetivo com a pessoa do pai e mãe. Se pai e mãe recuperam internamente no filho memórias de um bom vínculo afetivo, a relação com o Deus de amor e bondade, o Deus que corrige e oferece caminhos, torna-se bem mais favorável. A identificação com um Deus pai, um Deus mãe, estará diretamente relacionado com as identificações com pai/ mãe favoráveis dentro de si mesmo.

Vamos observar processos de conversões em pessoas adultas que não tiveram ambiente afetivo e consequentemente não carregam memória de vínculo afetivo. Isto porque sabemos que na questão da Fé, tudo é possível. Porém observamos o quanto o caminho de uma prática religiosa por parte de um neo-convertido (conversão sem histórico religiosa) torna-se mais angustiante, instável.

Vemos o quanto os neo-convertidos, tendem a mudança de grupos religiosos com facilidade. Mudam de igrejas como se muda de roupa. Buscam se preencher na religião pelas necessidades afetivas que nunca foram preenchidas na história pessoal interior.

Educar para que os filhos tenham uma vivência moral, pratiquem uma religião e dêem preferência àquela a qual as introduzimos a fazer-se presença afetiva, é proporcionar ambiência boa e suporte nos momentos mais difíceis.

Educar para a fé, é fazer-se pai e mãe afetivos para que no futuro eles (filhos) possam identificar em Deus, a bondade e o amor que foi cultivado internamente dentro deles.

Por isto, aos casais muito apegados com suas missões religiosas, devem estar atentos da existência dos filhos ao seu redor. Se as atividades pastorais estiverem ocupando mais tempo na vida do casal do que as atividades educacionais familiares, o resultado da fé e moral dos filhos pode não ser o esperado. Depois não adianta reclamar.

Observem como que os movimentos tradicionais da Igreja Católica estão esvaziados de jovens, dos filhos de seus mentores e protagonistas.

Muitos destes movimentos estão envelhecidos, pouco revitalizados.

Socialização, o Sintoma da Maturidade

quarta-feira, maio 13th, 2009

Gerson Abarca*

O processo de desenvolvimento humano se da desde a dependência absoluta, passando pela dependência relativa até à independência.

Até os sete anos de idade, observa-se a manifestação de dependência absoluta, onde os pais são os principais elementos de suporte da criança. Depois, com a entrada no processo de alfabetização inicia-se a dependência relativa, onde já conseguem ter estrutura para agirem em muitas situações por si mesmas e ao mesmo tempo são dependentes porque só na vida adulta a independência surge totalmente.

A busca pela independência é algo que o ser humano jamais vai conseguir atingir totalmente. Na medida em que o ser humano cresce, se estabelece a construção de sua maturidade pelo processo de socialização. Podemos identificar a maturidade de uma pessoa pela capacidade de estabelecer vínculos e relacionar-se com diferentes pessoas em seu ambiente.

Vejam como torna-se um estorno em um ambiente de trabalho, pessoas que não conseguem participar das atividades em equipe, que se fecham em seu mundo pessoal. Ao mesmo tempo em que estas pessoas imaginam que possuem independência, estão totalmente apegados ao seu próprio mundo, revelando-se a dependência absoluta.

A maturidade tem como seu principal elemento a capacidade de socialização. Por isto que nas avaliações da escola se a criança tem bom desempenho na área de socialização, é sinal de que está caminhando de forma madura dentro de sua faixa etária.

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