Archive for the ‘transtornos emocionais’ Category

Com muita Fé, mas Suicida

quarta-feira, setembro 30th, 2009

O suicídio é um problema que continua deixando muitas famílias apavoradas. Antigamente tinha-se a idéia que as pessoas que suicidavam iriam direto para o inferno, como se fosse um pecado mortal. Hoje, com o avanço dos estudos da psicologia e psiquiatria, esta visão de associar suicídio com pecado está ultrapassada. Pois sabemos que para uma pessoa suicidar-se, é preciso estar com grande perda de sua condição para raciocinar e agir adaptado ao cotidiano. Geralmente os que suicidam estão sem clareza do que realmente estão fazendo.

Hoje mesmo, deparei-me com um jovem que vive, mas apresenta vários tipos de condutas com seu próprio corpo que caracteriza um ato suicida. Este jovem escreveu com uma gilete em sua perna a frase “ eu sou um idiota” e se encheu de piercing pelo corpo e brincos de alargamento da orelha. Ele está se maltratando. Mas há casos de pessoas suicidas (com tendência suicida) que possuem este sintoma por transtorno comportamental. Lembro-me de uma paciente que era uma “jovem santa”, isto é, vivia profundamente o desejo de santidade, atuava na Igreja e em sua comunidade de vida cristã de forma intensa. Eu aprendi muito com a fé desta jovem. Mas ela tinha um forte impulso para o suicídio, e foi em crise de desejo de se matar que ela chegou até meu consultório. Na primeira entrevista de seu tratamento, perguntei o motivo que a levava a procurar minha ajuda e ela dizia que é por que seus familiares e membros de comunidade a trouxeram, pois por ela mesma já estaria morta. Mas no decorrer da conversa ela revelou que sofria muito com aqueles impulsos e que no fundo amava a vida e desejava viver. Perguntei a ela se eu seria um profissional que pudesse ajudá-la e ela confirmou que sim. Tive a agilidade de dizer-lhe que não havia me especializado em atender mortos, mas sim vivos, e que se quisesse receber a minha ajuda precisaria estar vida. Ela riu muito e estabelecemos um acordo, de quando ela tivesse impulso de morte, ligasse para mim; também que ela deveria manter a psicoterapia e o uso de medicação psiquiátrica.

Muitos episódios de intervenção desta jovem em crises suicida aconteceram durante o tratamento, mas ela acabava cumprindo o acordo e eu intervia solicitando a família que fosse ao encontro dela nos locais onde planejava realizar o suicídio. Fizemos um longo tratamento e aprendi muito com os conhecimentos religiosos desta jovem, o que levou-me a questionar se realmente eu tinha fé, diante de tamanha fé dela.

Hoje sei que esta jovem tornou-se mulher, esposa e tem filhos, vive a sua profissão e com certeza, de vez em quando deve ter suas crises suicidas. Mas no processo psicoterapêutico ela aprendeu a dominar seus impulsos e entender os motivos que a levavam ao desejo de morte. Por isto, não podemos associar este tipo de transtorno comercial com ausência de fé, ao contrário, além de tratamento que esta jovem realizou, a sua fé e prática religiosa, sua profissão e suporte familiar, conduziram-na para a vida.

Assim, o suicídio pode também habitar mentes com muita fé. 

Gerson Abarca

COM FÉ E DEPRIMIDO

sexta-feira, setembro 25th, 2009

Este breve texto é decorrente de um espanto meu após uma pregação que assisti em um grupo de oração. Sem muito conhecimento de causa, a pregadora chegou a dizer que as pessoas que possuem Fé em Cristo não adquirem depressão. Lógico que fiquei quieto diante da sua colocação, mas pensei: coitado dos que  estavam ouvindo esta pregaçãoas  e  estavam deprimidos tendo acompanhamento medicamentoso!

Após o grupo de oração, cheguei carinhosamente à pregadora e disse que durante meus 20 anos de Psicoterapêuta, Deus havia dado-me a graça de tratar a depressão de alguns Santos dos dias de hoje. Pessoas que até fizeram consagração em vida missionária e que entraram ao longo da vida em profunda depressão. E que estas pessoas com certeza tinham mais fé que eu.

A depressão é uma doença, que pode atingir a qualquer pessoa, com Fé ou não. Vários são os motivos que pode desencadear a doença. Com certeza, a Fé em Cristo pode fortalecer a alma humana, mas não é garantia de que a pessoa de Fé fique imune a ela. Há causas orgânicas; por estresse profissional ; fixações de vículos afetivos do passado; influências midiáticas;etc.

Tomemos cuidado quando falamos da Fé. Pois em nome de Deus podemos causar mais prejuizo às pessoas em sofrimento do que crescimento. Quando estiveres com alguém que apresente um transtorno emocional, indique que procure um Psicólogo para fazer uma boa avaliaçõa do sintoma. Desta forma  você estará ajudando e sendo muito mais Cristão.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS TÊM CURA

sábado, março 21st, 2009

 

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Transtornos Emocionais, visando tirar dúvidas

sobre os sintomas e quais os meios para

tratamento.

 

O MELHOR CAMINHO

Procure um profissional de Psicologia ou Psiquiatria e solicite uma avaliação a partir dos seus sintomas. Cuidado para que os profissionais sejam Médicos ou Psicólogos devidamente registrados nos seus Conselhos de Classe.

TÊM CURA SIM

Os transtornos emocionais bem diagnosticados, e com acompanhamento medicamentoso e psicoterapia continuada , podem evoluir para uma alta, onde o paciente já terá superado os sintomas e terá desenvolvido critérios para manusear futuras crises quando surgirem.

 

O MELHOR TRATAMENTO É AQUELE QUE NÃO PROMETE CURA, MAS QUE POTENCIALIZA O PACIENTE A APRENDER LIDAR COM SEUS SINTOMAS

TEMPO DE TRATAMENTO

No mínimo dois anos de monitoramento medicamentoso com psicoterapia continuada, para começar a ver alguns sintomas de melhora.

TRANSTORNOS MAIS COMUNS DA ATUALIDADE

Síndrome do pânico ; TOC ; Bipolar ; Ansiedade Generalizada .

 

* Gerso Abarca Psicologo e diretor do Pensamento - Instituto de Psicologia e Pedagogia infantil

PSIQUIATRIA PARA CRIANÇAS?

segunda-feira, fevereiro 9th, 2009

*Gerson Abarca

Desde  1988 atendo crianças pela técnica da ludoterapia com o referencial da Psicanálise infantil, especificamente em Melanie Klain e Winnicotti. Desde aquela época os pais sempre ficam muito preocupados quando o diagnóstico aponta para a necessidade de ser ministrado medicação psiquiátrica. Se para adultos ainda há muitas dúvidas e receios, pois acham que estão ficando “loucos”, imagine quando o paciente é uma criança.

Quando os pais pedem que antes de ser um Psiquiatra que eles tentem com o Pediadra, já se nota o medo e tabu.

Mas se necessitamos de uma avaliação medicamentosa de caráter emocional, o caminho com mais chance de resultados é consultar um Psiquiatra Infantil. Tudo bem que esta especialidade é rara em algumas regiões do Brasil. Quando não se tem a especialidade, não é muito indicado encaminhar-se para um outro Psiquiatra que não seja especializado em crianças. Nestes casos, temos que recorrer ao Pediatra, porém, com a prudência que este tenha abertura para medicar dentro da faixa etária da criança. As vezes os pais suportam que a criança seja avaliada por um Neurologista infantil, mas a Neurologia é para quem apresenta disfunções de caráter fisiológico neurológico, e não de origem especificamente comportamental. Alguns casos o diagnóstico precisa do parecer do Psiquiatra e do Neurologista, numa açõa interdisciplinar. Assim, o Psicólogo com domínio de uma técnica, com auxilio de outros profissionais poderá chegar ao melhor diagnóstico possível.

Alguns pais tentam pelas vias da Medicina Homeopática. Este caminho pode ser viável só em casos onde o quadro não esteja se configurando em uma patologia comportamental que desencadeie dissociações emocionais.

Todo tratamento infantil que esteja sob orientação de medicação psiquiátrica, requer concomitantemente a psicoterapia desenvolvida por um Psicólogo especializado em atender crianças. O resultado do tratamento é mais eficaz e em menos tempo de duração.

Uma das indicações mais comum é ansiolítico para quadros de terrores noturnos, enurese, encoprese, bruxismo,etc. Quando tratamos crianças com um destes sintomas sem o auxilio medicamentoso, vemos os processo se arrolando em um longo período de tempo, com pequenos episódios de melhora, o que leva aos pais a desistirem do tratamento.

Muitos quadros que estão sendo diagnosticados como hiperatividade, na verdade são transtornos comportamentais infantis em que o diagnóstico inadequado camufla o problema real. Afinal de contas hoje em dia é bem mais aceitável saber que um filho está com hiperatividade do que com transtorno emocional. Este soa como coisa de quem está ficando “louco”, aquele soa como coisa do cotidiano escolar. O problema é que este tipo de camuflagem só eleva o nível da complicação comportamental, predispondo a criança a futuros transtornos emocionais de maior gravidade e as vezes a evolução para psicoses.

O melhor caminho é avaliar, através de um bom psicodiagnóstico infantil, para depois se tomar postura para auxílio medicamentoso.

Qualquer forma de preconceito neste campo, poderá transformar um quadro simples em algo mais complexo. Assim como a criança necessita  tomar remédio para controlar a febre, também precisa de remédio para controlar uma ansiedade fora de lugar. A diferença é que de febre o Pediatra  pode cuidar  bem, da ansiedade o Psiquiatra infantil pode cuidar melhor.

* Especialista em Psicologia Clínica pelo CFP. Ha três anos está sistematizando o método Psicanálise Contextualizada pelo Instituto Pensamento

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - VII - NEM TODO AGITO É HIPERATIVIDADE

sábado, setembro 27th, 2008

Nossos adolescentes chegaram na era de serem taxados de problemáticos. A adolescência dos anos 50  era precoce no tranbalho. Meu pai sempre dizia que não teve esta coisa de adolescência. Já a adolescência dos anos 60 e 70, rebelaram-se e foram às ruas por direitos, a liberdade estava no ar ( aquarius ). Nossa atual geração de adolescentes está passando por uma visitação das doenças. Não por que eles estão doentes, mas nós adultos os estamos fazendo de doentes. Qualquer sintoma ou comportamento diferenciado é logo diagnosticado.

Médicos têm passado a tal Ritalina para qualquer relato de mãe que narre o agito do filho. Interesante é que está ficando tão comum ver adolescentes tomando ritalina por que foram diagnosticados de hiperativos, que começo a projetar que esta geração será e  está sendo introduzida bem cedo no perfil de problemáticos e dependentes de medicações.

Para se fazer uma boa avaliação de hiperatividade, é preciso tempo. Não basta uma simples entrevista com a mãe, que um médico terá condições para sair medicando. As vezes imagino que muitos profissionais pensam ter uma bola de cristal.

Dos dez últimos diagnósticos que recebi de hiperatividade, apenas dois realmente apresentavam o sintoma. é um tal de aplicar um teste para se medir a hiperatividade, que é entregue nas mãos de pais e profesores onde vão anotando uma série de respostas comportamentais do adolescentes. O problema disto, é que as pessoas que fazem isto, geralmente carregam suas percepções sempre para pontuar os sintomas mais desviantes. Sempre fazem uma avaliação induzida.

Imaginem que uma mãe já se encontra estressada com o esposo e também com o trabalho, se quer tem tempo para conviver tranquilamente com os filhos. Ao chegar em casa, com a galera a flor da pele, pois passam a maior parte do tempo vendo T.V. ou no computador, justamente na hora dos pais chegarem que começa as encrencas. Aí, a mãe, com o teste na mão, vai anotando todos os comportamentos desviantes do filho foco irritativo da casa. Só pode dar hiperatividade.

Medicar, é uma boa forma de não ter que levar os pais a assumirem compromisso de presença afetiva com os filhos. A medicação vai dar conta.

O último hiperativo que peguei, após aplicar uma bateria de testes e fazer um amplo diagnóstico, tive que solicitar do médico que suspendesse a Ritalina. Pois o garoto ao contrário, possuia muita concentração. O que estava pegando era uma falta de estrutura de estimulo educacional em casa. A medicação taxaou o sujeito e este imaginava que com o remédio suas notas melhorariam. Doce ilusão.

A hiperatividade é um transtorno de aprendizado que afeta de 1 a 4 % da população, sendo os meninos os mais afetados. O resto, é agitação de adolescente ou desestruturas de integração familiar e falta de limites, que remédios não darão conta de fazer superar.

Todo trastamento de hiperatividade, só terá realmente resultado, se for monitorado com medicação e processo psicopedagógico, de preferência com neurologista e psicólogos que possuam experiência na área de psicopedagogia. Mas é melhor que o diagnóstico  contextualize a realidade cronológica do adolescente. Muita coisa na adolescência, parece mais não é.

Seu filho pode até ser hiperativo. Mas antes de taxa-lo, observe se o ambiente onde ele estuda, sua casa e a galera que anda, estão estruturados. Veja antes de mais nada, se você como pai e mãe estão sendo presença afetiva.

Cuidado, a fuga para remédios, pode ser uma boa forma de nomear um problemático dentro de casa para fazer esconder a problemática de todos. Antigamente dávamos o nome para isto de “bode espiatório”.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - V - NEM TODO DETALHISTA É PORTADOR DE TOC

terça-feira, setembro 23rd, 2008

O Transtorno emocional Obsessivo Compulsivo, a partir das declarações do cantor Roberto Carlos, levou muita gente a imaginar que estava com TOC. A cada entrevista do rei sobre suas compulsões, recebo muitos telefonemas ou agendamentos de pacientes para serem avaliados se são ou não portadoras de TOC.

Até os mais organizados, que antes eram vistos com muito valor, começaram a suspeitar de serem obsessivos compulsivos. Lembro-me que estava dando um curso de gestão de pessoas em uma empresa e alguns funcionários temiam que aquilo pudesse levá-los ao TOC, pois haviam ouvido que os cursos de “Cinco S” que trabalha a organização pessoal no ambiente de trabalho estava deixando as pessoas obsessivas.

Um adolescente refutava sua mãe sobre os cuidados com sua higiene dizendo que não estava nem aí com estas coisas, pois as exigências dela como mãe era sintoma de TOC, e não é que esta mãe foi procurar um médico para ver se estava doente mesmo? Nesta o garotão ficava numa boa em casa, não ajudava arrumar nada.

Têm  até gente que não gosta de rezar o terço por acreditar que esta prática resulta em obsessão, boa desculpa para não se assumir uma posição orante na experiência religiosa.

O TOC é um dos transtornos mais difíceis de serem tratados, pois quando o paciente procura ajuda, já não é nem ele mesmo quem procura, mas familiares que observam que os comportamentos obsessivos compulsivos chegam a um estado de sofrimento sem que o seu portador perceba. Lembro-me quando ainda universitário, tivemos que ir socorrer uma amiga na sua república porque já fazia horas que ela estava escovando os dentes e sua boca estava sangrando. Tivemos que leva-la ao psiquiatra imediatamente. Mas nesta época, chamávamos este quadro de Psicose obsessiva compulsiva, e imaginávamos que não tinha cura. Ainda bem que a nomenclatura passou para transtorno, por entender-se hoje que é uma faze que pode passar.

Educação familiar regrado a muita repressão, onde nada pode, associado a processo de higienização, onde se exerce um forte controle de limpeza dentro de casa, pode ser um excelente ambiente para fazer acontecer o TOC. Pela culpa, a pessoa começa a criar comportamentos para reparar o erro. E quanto mais repara mais se sente culpado.

Cuidado quando a qualquer coisa você já está preocupado se está ou não incorporando o TOC. Pois o excesso de preocupação e autopoliciamento podem desencadear o sintoma.

Mas se você é organizado, sem causar sofrimento a você e aos que estão ao seu redor, maravilha, organização é um grande valor.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - IV - NEM TODO MEDO É PÂNICO

terça-feira, setembro 16th, 2008

A Sindrome do Pânico é uma das cinco primeiras doenças que tira o trabalhador da sua rotina de trabalho. Com a crescente onda de violência, e o Brasil configurando-se em quarto lugar no ranking mundial de violência, os casos de sindrome de Pânico estão crescendo também.

Mas devemos tomar muito cuidado para não caracterizar a sindrome a qualquer manifestação de medo. O medo é uma reação de auto-defesa do ser humano, estranho é alguém dizer que não têm medo. Mesmo àquelas que são axageradas, por sempre estarem com medo, não se pode dizer que são portadoras da sindrome. Pois muitos dos que se apegam muito aos medos, estão profundamente apegados a si mesmos revelando um narcisismo estrutural.

Imagine que você está dirigindo um carro em plena BR, sem menos esperar depara-se com um caminhão em sua frente, que está ultrapassando outro veículo. O espaço que você têm é tão pequeno para definir uma postura que: a) Se você possuir uma segurança em si mesmo e auto preservação, vai ter medo, sem dúvida, mas manterá suas mãos no volante e buscará um local para desviar seu carro. Lembro-me de um amigo que em curto espaço de tempo conseguiu jogar o carro nos pneus traseiros do caminhão - pensou rapidamente que os pneus poderiam amortecer a batida - e foi exatamente o que aconteceu , tudo bem que ele foi parar na UTI, mas sobreviveu. b) Porém, se você é um daqueles desesperados , diante do caminhão em sua frente, de tanto medo, colocará as mãos no rosto para não ver a batida - aí é só pela Graça de Deus a sua sobrevivência-.

Nas duas situações não podemos dizer que as reações são características de sindrome, muito menos a segundo, pois ambos estavam no volante e enfrentando a estrada.

Agora, se você nem consegue pagar um carro, mesmo  sabendo dirigir. E associado a isto, fica extremamente apavorado só de pensar em dirigir na estrada, aí sim você pode estar entrando em um processo de sindrome de pânico. Desta forma é melhor procurar um Psicólogo para fazer uma boa avaliação.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - III - NEM TODA VARIAÇÃO DE HUMOR É TRANSTORNO BIPOLAR

segunda-feira, setembro 15th, 2008

Nesta terceira etapa dos transtornos emocionais, vamos refletir brevemente sobre a variação de humor.

Há dias que levantamos muito tristes, e outros muito alegres. Nem todo filme nos faz rir ou chorar, mas alguns que nos fazem chorar podem simplesmente estar provocando em nós sentimentos. E quando rimos em um filme, com certeza, coisas muito engraçadas.

Mas que ridículo esta reflexão! pois é…Também acho!

Mas ridículo mesmo é quando atendemos pacientes que foram medicados por médicos por diagnosticarem transtorno bipolar, e ao começarmos o processo de psicoterapia vamos detectando que o diagnóstico estava exagerado. Recentemente uma paciente narrou-me que o seu Clínico Geral havia dito para ela que o transtorno bipolar é caracteristico de pessoas que ficam três meses em depressão e depois três meses em ansiedade. Este tipo de orientação é totalmente equivocado. Mais equivocado ainda é configurar transtorno bipolar através da narrativa de tristeza ou alegria em cenas isoladas.

Assim como o sol é bonito e faz bem e a chuva é bela, também o sol pode ser um sério problema em épocas de secas e a chuva um transtorno em tempestades. Somos alegres e tristes, a cada dia e em dias diferentes.

Para ser caracterizado transtorno bipolar, a pessoa precisa apresentar um histórico comportamental de processos depressivos alheios à sua vontade e interligados com períodos de euforias sem controle dos atos. Aquele que chega a desejar a morte e não consegue ver luz em nada, e daqui a pouco está eufórico a ponto de fazer dívidas absurdas sem conseguir perceber a atitude. São variações extremas associadas com perdas reais.

Mas pelo visto, qualquer variação de humor têm sido diagnosticado como transtorno bipolar.

Para verificar se sua variação de humor é bipolar ou não, procure identificar os motivos pela qual você fica alegre, feliz. E identifique também os motivos que o deixa triste ou infeliz. Quando nesta busca lhe faltar reposta, aí sim você deve procurar um Psicólogo para fazer um bom diagnóstico.

Netes dias estava meio para baixo. Parei para pensar na causa, e detectei que fazia duas semanas que não conseguia correr. Para quem tenta correr três vezes por semana, ficar duas semanas sem esta prática, leva a uma alteração na produção da dopamina no cérebro. Ao detectar isto, fui correr, e o resultado foi milagroso. O sintoma desapareceu.

Antes de procurar ajuda, tente desenvolver uma boa atividade física com rotina. Quem sabe, este pode ser um fator desencadeante da tristeza. Mas se persistir o sintoma, procure um Psicólogo.

UM PEDOFÍLICO PODE ESTAR PERTO DE SEU FILHO

sexta-feira, setembro 12th, 2008

Pedofilia é uma doença emocional de adultos que leva seu portador a ter atração sexual   por crianças e adolescentes. Mesmo sendo doença, é crime. Por isto que um pedofílico deve ser retido em cárcere psiquiátrico, para que além de pagar por seu crime também possa ser tratado.

Mas esta doença não é fácil de ser detectada. Podemos perceber que a maioria dos casos que tornaram-se público estavam ligados a pessoas que trabalham com crianças e adolescentes. Instituição de menores, escolas, centros esportivos, etc. Também em ambientes que concentram grupos de adolescentes, como por exemplo escolas de dança, teatros, academias. Lógico que em cada canto do planeta pode residir um pedofilico.

CONFUSÕES NA DEFINIÇÃO SEXUAL . São muitos adolescentes que já atendi, que apresentavam dificuldade em saber se eram homossexuais ou não, pois haviam sido vítimas de abuso sexual de homossexuais adultos. Casos onde houve até o ato sexual, onde os adultos exploravam os adolescentes em situações sexuais ativas. Lembro-me que em minha cidade natal, havia um professor que tinha fama de pagar para a moçada transar com ele. Na época chamavam-no de “besouro”. Mas não havia o Estatuto da Criança e do Adolescente e se que Conselhos Tutelares. Os meninos brincavam com isto. Não era fantasia não, pois tinhamos colegas que recebiam dinheiro deste professor para ato sexual oral.

Mas o pedofílico pode estar dentro da própria casa, quem sabe ser o próprio pai ou mãe da criança. A DEPRESSÃO é um sintoma que acomete mulheres vítimas de abuso sexual do próprio pai ( insesto ). Casos e mais casos são narrados por mulheres que tiveram que se sujeitar sexualmente ao próprio pai por anos. Já possibilitei tratamentos para mulheres que na infância viveram este drama por mais de quatro anos, o pai chegava de vagarinho no escuro do quarto e sutilmente ia desenvolvendo a atividade sexual. Em prantos a criança silenciosamente tinha que aceitar. Se denunciasse estaria “frita” na mão do pai.

SENTIMENTO DE CULPA, é um dos motivos que leva à depressão por abuso sexual , pois depois de adulto, a dúvida surge no sentido de não se saber ao certo o porque se permitia ser abusado. O ato sexual carrega em si a perspectiva afetiva. Todo o processo de sedução é envolto de carinho e afeto, por isto que a tendência de uma criança ou adolescente se envolver facilmente com o pedofílico é grande. Existe todo um processo de envolvimento, quase que ritualisticamente. A pedofilia carrega em si alguns traços obsessivos e paranóicos. Quando faz a vítima, é como se a própria vítima procurasse pelo agressor. Não é a toa que se escreveu na França a clássica história infantil “Chapauzinho vermelho”, onde a menina é devorada pelo lobo. Chapeuzinho vermelho foi seduzida pelo lobo, que disfarçado a conduz ao desfecho cruel da história. Pena que no Brasil, as escolas camuflaram a verdadeira versão do história.

Aos profissionais que trabalham com crianças e adolescentes, é bom manter uma postura transparente e sem muitos contatos. Lembro-me de um processo que um professor foi vítima por que a adolescente o denunciara pelo fato de sempre ele abraça-la e ela sentir que colocava as mãos em seus seios. Mas no final da história, outras adolescentes relataram a mesma situação, mas como o professor era muito gente boa, elas não tinham coragem de denunciar. Como a aluna denunciante apresentava algumas dificuldades comportamentais, o professor vendeu a idéia de que estava sendo vítima, e quem se deu mal foi a aluna.

Uma boa forma de procurar defender as crianças de pedofílicos em potencial, é procurar perceber como os adultos que trabalham ou cuidam de seus filhos se comportam. Veja se existe um excessivo mecanismo de apego corporal e liberalidade por parte do adulto. Mas a melhor prevenção é ser presença afetiva para seus filhos, pois assim dificilmente cairão nas armadilhas afetivas de um pedofílico

Caso você conheça um caso de pedofilia, denuncie no Conselho Tutelar de sua cidade. Se você se omitir, crianças estarão em sofrimento, e construindo para suas vidas um futuro sofrível. A denuncia pode ser anônima.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - II - NEM TODA TRISTEZA É DEPRESSÃO

sexta-feira, setembro 12th, 2008

Dando sequência ao parece mas não é , vamos falar das tristezas que rondam nosso pensamento cotidiano e que não podem ser consideradas DEPRESSÃO.

Se não tomarmos cuidado, diante de qualquer tristeza já imaginamos que estamos deprimidos. Há um grande número de médicos, principalmente Ginecologistas, que estão prescrevendo Fluxetina para TPM. Diante de poucas manifestações de tristeza, logo vem prescrições de antidepressivos.

Mas ficar triste faz parte da beleza de toda pessoa, pois afinal de contas, a tristeza é o outro lado da alegria, se sou alegre, sou triste. É parecido com a dinâmica da moeda, em que têm a cara e a coroa - Alegria e Tristeza - .

Mas se incutimos que sintomas de tristeza é sinônimo de Depressão, qualquer manifeatação da tristeza logo ligamos com depressão. O profissional de saúde menos avisado e que as vezes atende de forma rápida para desafogar filas de sala de espera, sem olharem direito para o paciente, vão indicando antidepressivo.

O negócio é saber que diante de dificuldades, devemos criar mecanismos de superação e não simplesmente tentar resolver problemas com a solução mágica do remédio milagroso. Me irrita muito quando um médico, ao ver que a paciente não está sabendo lidar com sua TPM, vai logo medicando. Parece que a mulher é vista como alguém incapaz de aprender a lidar com sintomas na qual não consegue dominar, a menstruação é natural, como natural são os sintomas da TPM. Mas o melhor é medicar, não vai exigir muito esforço.

Tristeza não é depressão, é o oposto da alegria. Se alegre você fica, triste também.

Se for depressão, o sintoma não é simplesmente tristeza. É a não manifestação da alegria e a sensação que a vida perdeu o encanto, e os sintomas não passam, por mais que se tente esforçar para passar. A depressão não prescede da alegria, é a não manifestação da alegria. Mas para ser depressão, é preciso que esteja presente no comportamento por um longo período de tempo. Não será qualquer manifestação de tristeza que caracterizará uma depressão.

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