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OS PRIMEIROS BRINQUEDOS DO BEBÊ

segunda-feira, maio 26th, 2008

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Depois dos seios o bebê com seu crescimento vai se estabelecendo no brincar com outros objetos. Transfere seu brincar para a chupeta e a fraudinha de pano, muitas vezes um bichinho de pelúcia. Na verdade, as mães parecem estar dotadas de uma sabedoria educacional de vínculo que é incrível. Elas colocam a chupeta na boca do bebê, para provocar um aprendizado de espera maior para a amamentação, pois sabem que se não educarem o bebê ele fica mal acostumado. Assim, a chupeta passa a ser um substituto temporário dos seios, e o bebê consegue se vincular a este novo objeto com tranqüilidade, uma forma lúdica de entender esta espera pelo peito. Nas noites em que o bebê começa ter um sono mais espaçado, as mães tendem a colocar a fraldinha ou bichos de pelúcia, que vai dando a sensação no bebê de acolhida, como se alguém estivesse ao lado dele, já inicia quase que uma brincadeira do objeto imaginário. Algumas mães mais criativas colocam objetos que se movem no teto bem acima do rosto do bebê, aos poucos ele consegue ir se identificando com estes objetos e passa a utilizá-los como um bom passa tempo. Nestes objetos que são introduzidos no mundo do bebê, temos a configuração de sua primeira brinquedoteca (chupetas, fraudinhas, bichos de pelúcia, dobraduras no teto, etc.). Mas ainda o mais valioso de todos é sempre as mãos, os braços, a fala e sorriso de quem está por perto. Mas sabemos que esta presença de alguém por perto não dá para ser vinte quatro horas. Toda mãe tem outros afazeres. Deixar o bebê sozinho envolto no seu brincar com seus objetos mais diretos, é uma boa maneira de ajudá-lo, a saber ficar só. Desde cedo, a criança aprende a ter sua particularidade e individualidade. Por isto que os brinquedos, cuja sabedoria das mães aprendidas por histórias contadas e até pela própria história revitalizada no processo regressivo com seu bebê (ela também retorna a sua vida de bebê), vão potencializar a criança criativa. Nos primeiros brinquedos vemos com clareza os objetos transicionais que proporcionam a possibilidade da criança ir se desapegando da mãe.

Estes primeiros brinquedos ficam comprometidos quando a mãe se coloca de forma muito profilática, atuando com a criança de forma higiênica ou técnica. Não coloca a chupeta por que vai entortar a dentição da criança, não coloca bichos de pelúcia por causa dos ácaros, dobraduras no teto poderão deixar o bebê vesgo, e uma série de restrições quase que compulsiva que dificultará a criança a estabelecer o processo de separação, consequentemente estará se instaurando um vínculo de simbiose em que nem a criança e nem a mãe crescem.

O Bebê e a Brincadeira de Esconde Esconde

quarta-feira, maio 21st, 2008

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Gerson Abarca*

Quem nunca brincou com um bebê no colo de sua mãe de esconder o rosto para ele? Geralmente quando estamos perto de mulheres com filhos no colo, começamos a observar o bebê e interagir com ele. Quando estamos cansados, ao vermos um bebê sorridente, parece que é como se recebêssemos um balsamo de rosas em nossa alma. Aquela ingenuidade angelical do bebê, um ser desprovido de malícias e totalmente afetivo, com seu sorriso convidativo nos chama para brincar. Na sua brincadeira, a forma do bebê conversar conosco. Um ato que nos remete ao estado regressivo, viajamos na nossa própria ingenuidade de criança. Por isto mesmo a sensação de estarmos aliviados.

Na verdade, a brincadeira de esconde esconde, em que o bebê esconde-se do rosto do adulto e logo em seguida reaparece, ou quando nós adultos tiramos nosso rosto do campo visual da criança e em seguida fazemos aparecer rapidamente com algum barulho revelando surpresa, “achou!”, trás a certeza de que o bebê está entrando na descoberta do terceiro. Revela que ele está conseguindo deixar sua mãe para descobrir outras pessoas. Agora ele já não é mais um com a mãe, apresenta sinais de separação. Já a partir dos três meses o bebê começa a ensaiar esta separação, mas é com determinação aos seis meses que esta procura vai se solidificando.

Neste desprendimento do bebê, algumas mães começam apresentar sintomas de apego simbiótico (da relação de dependência mútua, como a plantinha que se fixa no tronco de uma árvore e necessita dela). Não é a toa que quando vamos brincar com bebês no colo de suas mães, corremos o risco de sermos mal interpretados, como se a mãe estivesse imaginando que fosse perder seu filho, pior ainda é quando o bebê estende os braços para nós, num gesto de querer intensificar a brincadeira. Já me dei muito mal com isto, a ponto de ser estupidamente agredido por algumas mães. Mas sabedor deste movimento de apego e separação mãe/bebê, pedia desculpas, mas sempre expressando a brincadeira: “É que eu tenho cheiro de bebê”.

Freud conseguiu observar em uma criança, filho de um paciente seu (caso pequeno Hans), que quando ele brincava com um carretel, onde soltava a linha e o carretel corria para debaixo do sofá, e depois ao puxar a linha o carretel aparecia novamente, despertando na criança uma agradável sensação, estava ali uma representação do movimento de separação da figura materna. Mãe – carretel, linha – cordão umbilical. Quando o carretel desaparecia por debaixo do sofá a sensação de perda, ao reaparecer, a sensação do reencontro com a mãe. Foi a partir dai que Melanie Klein elabora sua teoria psicanalítica com crianças. É neste movimento de esconde esconde, tão praticado pelas crianças desde o estágio de bebê até a infância, já em sua fase final, aos 12 anos, que temos a representação de que o processo de separação e crescimento é contínuo e vivenciado intensamente entre mãe e filho.

*É Psicólogo – Diretor do Instituto Pensamento.

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