Posts Tagged ‘espiritualidade’

Quando um filho faz 18 anos

quarta-feira, outubro 27th, 2010
No monte Pascal 12/10 - Bahia. Junto com Samuel.

No monte Pascal 12/10 - Bahia. Junto com Samuel.

A emoção bate a alma.

Chegou, e está só no começo.

Mas conseguiu, conseguimos.

Neste dia 28/10/2010, nosso querido filho Samuel Iauany completa seus 18 anos. Desejado, planejado.

Agora deixa a condição de simplesmente filho e passa a ter uma relação conosco de amigo. Um filho amigo.

Hoje somos leitores e trocamos livros. Falamos de política e debatemos idéias. Trocamos sonhos e sonhamos juntos. Sua liberdade é o reflexo de um processo educacional que foi trilhado na liberdade.

Se a sociedade diz que filho é problema, principalmente nesta idade, em Samuel podemos afirmar que esta idéia é para os pais fracassados. Pois temos a felicidade de celebrar esta data com alegria de ver um jovem que possui visão de futuro, que é forte nas suas buscas e que diante de seus limites, para pra trocar uma idéia pedindo ajuda.

Mas bom mesmo é ter um filho que aos 18 anos podemos pedir ajuda, orientação, quando também a nós como pais falta chão.

Dedico este dia a você Samuel, e agradeço a Deus pela alegria de ter nos oferecido a oportunidade de sermos pais de um homem que com certeza ajudará na construção do Reino Dele aqui na terra. Melhor ainda, podemos celebrar juntos como Irmãos de Fé, pois hoje você é um jovem movido pela ação do Espírito Santo. Agora somos também parceiros na caminhada Cristã.

DEBATE SOBRE CURA ESPIRITUAL NO PROGRAMA TROCANDO IDÉIAS DESTA TERÇA ( 27/07/2010) – 20:30 H

segunda-feira, julho 26th, 2010
Pe. Paulo Ricardo

Pe. Paulo Ricardo

Pe. Paulo Ricardo e o Psicólogo Gerson Abarca, são os debatedores do Programa Trocando Idéias desta terça feira, com o tema:”Cura Espiritual”.

Vai ser um belo programa com a intermediação do apresentador Ricardo Sá.

NÃO PERCA, NESTA TERÇA ÀS 20:30 H – Pela T.V. Canção Nova

Psicólogo Gerson Abarca

Psicólogo Gerson Abarca

Um retiro espiritual na Canção Nova

quarta-feira, junho 16th, 2010

Entre os dias 11 a 15 deste mês, estive na Comunidade Canção Nova em Cachoeira Paulista-SP, por ocasião do primeiro Acampamento para namorados e noivos. Realizei uma pregação no sábado com o tema “Amor e Afeto” e também duas pregaçôes paralelas sobre “Namoro e Sexo” e ” Como se preparar para o casamento”.

Público superou as espectativas do acampamento. Muitos casais de namorados.

Público superou as espectativas do acampamento. Muitos casais de namorados.

No dia 15 participei do programa “Trocando Idéias”, apresentado por Ricardo Sá e com participação da Psicóloga Elaine , com o tema “Internet e relacionamentos interpessoais”.

Gerson Abarca em pregação no Acampamento de Namorados.

Gerson Abarca em pregação no Acampamento de Namorados.

Durante estes dias fui acolhido pelo casal Eliana e Ricardo Sá e também pelo casal Bia e Marquinhos Azambuja, ambos famílias Comunidadde de Vida Canção Nova.

E naquele território Sagrado, onde presenciamos peregrinos de todo o país, o clima é de oração, contemplação, e fé.  A cada ida à Canção Nova, observo um crescente número de fiéis que visitam aquela obra maravilhosa. Certeza  que este Pojeto é de Deus.

Ricardo Sá,Gerson Abarca,Pe. José Augusto, Eliana Sá. Após Missa no sábado do acampamento para namorados e noivos

Ricardo Sá,Gerson Abarca,Pe. José Augusto, Eliana Sá. Após Missa no sábado do acampamento para namorados e noivos

Lá revisitamos nossa espiritualidade e renovamos nosso compromisso de fé em Cristo.

Vou à serviço, mas no fundo acabo recebendo muito mais do que dou.

Casais de noivos da Comunidade Canção Nova co Gerson abarca, Ricardo sá e Eliana Sá. textemunhas de um processo de formação Cristã para o Matrimônio.

Casais de noivos da Comunidade Canção Nova com Gerson Abarca, Ricardo Sá e Eliana Sá. Testemunhas de um processo de formação Cristã para o Matrimônio.

UMBERTO SELL, UM HOMEM DE DEUS

quarta-feira, fevereiro 17th, 2010

Passamos este carnaval bebendo da sabedoria de Umberto Sell, membro da RCC e que reside em Santa Catarina. Esteve em São Mateus-ES para pregar no “ALEGRAI-VOS 2010″ da RCC na Diocese de São Mateus.

Até então, um nome desconhecido por muitos da Diocese, mas que Deus foi fazendo  revelar sua sabedoria a cada pregação.

Umberto revelou o quanto Deus o escolheu para ser um Missionário, pois sua história de vida pessoal levou-no aos porões das misérias humanas. Drogas, prostituição, até chegar o dia em que Deus o resgata pela ação do Espírito Santo.

Como sua transformação se deu de forma radical, suas pregações se transformaram em bençãos afetivas. Fala de Jesus na condição  amorosa sem culpas; de Maria na condição de uma Mãe que acolhe; e de Deus na condição de um Pai que direciona com braços fortes para abraçar.

O resultado deste encomtro de Umberto com o povo de Deus reunido no ALEGRAI-VOS de São Mateus-ES, foi a marca de um retiro que nominei de “Retiro do afeto”.

Como é bom estar ao lado de Deus na unção do Espírito Santo. Nesta quarta feira de cinzas, minha alma segue leve e feliz.

Agora é tempo de penitência. Tempo de espera no Senhor.

Hoje começa a Campanha da Fraternidade 2010, que vai refletir sobre a relação   nossa com Deus e o dinheiro. Meditaremos sobre economia e sociedade, e com certeza estaremos nos preparando para sermos construtores do Jardim de Deus aqui na terra, pela solidariedade entre os povos, com a eliminação da pobreza e partilha das riquezas materiais acumuladas nas mão de poucos. Um tema espinhoso e que nos coloca na exata condição  de penitência.Não temos que pensar a quaresma com idéias suaves, quaresma é tempo de fazer manifestar coisas que são feridas para a alma, e a CNBB, de forma sábia, sempre nos coloca diante de feridas sociais, para que também saiamos de nossa comodidade espiritual individualizada, para uma reflexão de compromisso com o Reino de Deus que se manifesta na Humanidade espalhada pelo Planeta Terra.

Estou entrando nesta quaresma, com um desejo enorme de fazer as reflexões da Campanha da Fraternidade na condição de estar vigilante para não esmorecer, para não deixar as maravilhas colhidas no ALEGRAI-VOS se perderem no caminho.

O Umberto ficou em casa, junto com a pregadora Jaqueline de Vitória-ES. Durante estes dias, Umberto já me orientou de forma bem criativa em  torno de um costume meu no ato de lavar louças na pia da cozinha. Tenho mania de lavar as louças com a torneira aberta, e Umberto, sendo um técnico de saneamento básico em Florianópolis-SC, simplesmente disse:”Gerson, pega um potinho, coloca água dentro e vai lavando as louças embebendo a esponja no pote, vais ver a diferença na sua conta de água no final do mês”. Economia doméstica.

FELIZ E SANTA QUARESMA

O TRIGO E A PALHA

segunda-feira, março 9th, 2009
*Gerson Abarca

“Ele traz a pa em sua mão para limpar a eira, a fim de guardar o trigo no celeiro; mas a palha, ele queimará num fogo que não se apaga” ( Lucas 3,17 ).

João Batista anuncia a vinda do Senhor. Neste anúncio deixa claro que o crivo para estar junto ao Pai por intermédio de Jesus, não é dos mais fáceis. Anuncia a vinda de Cristo, mas com Ele a certeza do fogo eterno (inferno).

Se procuramos a Jesus para que tenhamos paz, e bem estar pessoal, João Batista anuncia que o caminho para sermos separados em celeiros como trigos de qualidade passa pela solidariedade, reconhecimento das providências de Deus, simplicidade na forma de ser e ter, prática da justiça, respeito às diferenças ( Lucas 3, 10-14 ).

O trigo têm  essência, por isto será guardado. A palha, que dava a aparência, será queimada no fogo eterno.

Neste texto, que meditamos  hoje no estudo bíblico em família, dispertou-me sobre a prática Cristã. Levou-me a pensar seriamente se estou sendo palha, casca, que um dia poderá ser queimada, ou se em mim manifesta o ser trigo, essência.

Ser Cristão sem compromisso com os irmãos, sem estar contextualizado em uma realidade sócio-política-cultural ( LUCAS 3,1-3) , sem ser sal na terra e Evangelizar na cultura; é sermos condenados a virarmos palhas. É vivermos de aparência. Tudo bem que por um bom período de sua axistência, o trigo necessitou de toda a sua estrutura fisiológica, ficando no fim a semente (trigo).

Vivermos de aparências, pode-nos conduzir a uma sobrevivência no meio social, pode até nos projetar como boa imagem entre os irmãos. Mas é do que somos interiormente que nos conduzirá de fato à vida eterna ( grãos selecionados). As palhas dão volume, enche seitas, mas o que dará sustentabilidade para a vivência Cristã, é nosso envolvimento e comprometimento com nossos irmãos.

Assim, comecei a coçar minhas palhas externas: Preocupações salariais, isolamento com as realidades dos povos e das nações, calúnias e murmúrios, distanciamento da prática da justiça, pouco olhar aos empobrecidos. Minha tentação foi de imediato acreditar que estou realizando tudo isto, lógico, sempre tendemos a onipotência da certeza de conquistar a vida eterna. Mas retomei minhas ações pessoais com foco no anúncio de João Batista, e passei a ter uma posição mais crítica em relação à minha prática de vida pessoal, e encontrei muitas lacunas a serem superadas. Afinal, o paraíso é como um tesouro, que para chegar nele e conseguir usufruir, necessitará muito esforço. Se bem que conheço poucas pessoas que conseguiram achar um tesouro. Este caminho realmente não é tão fácil assim. A quaresma é desta forma um grande momento para pensarmos nossa prática cotidiana.

Não é por acaso que sabiamente a CNBB a cada ano nos convoca a meditarmos sobre um tema da Campanha da Fraternidade, para que não nos acomodemos em uma prática Cristã avolumada em palhas.

*É Psicólogo e Diretor do “Pensamento – Instituto de psicologia e pedagogia”

Paixão Capixaba – o reencontro

sexta-feira, novembro 14th, 2008

Depois daquela primeira temporada capixaba, parecia que não cabíamos em São Paulo. Mas nossos projetos estavam apenas começando. Celina que atuava na saúde pública em Bauru-SP e eu já na reta final da faculdade de psicologia, desenvolvemos um belo projeto social na cidade de Assis-SP, onde Celina sai de Bauru e vai coordenar o CECAB, (Centro de Capacitação Popular) que situava em uma periferia de Assis-SP. No ano de 1989, voltamos ao Espírito Santo, para matar saudade. Mas desta vez escolhemos o mês de julho.

Chegamos pelo litoral e outras imagens encantadoras nos reservavam. A praia de Conceição da Barra e Dunas de Itaúnas. Ficamos vislumbrados com aquele pedacinho de litoral. Em Dunas parecia estarmos em uma praia particular de paulistas, já em Conceição da Barra, a acolhida de mineiros, a praia mineira. Uma vida mansa, mas que já nos despertava para outras questões sociais, pois neste ano a prefeitura de Conceição da Barra havia inaugurado o calçadão, víamos os coqueiros sendo plantados já adultos. Sem dúvida uma bela obra, cuja inicial do nome do prefeito da época podíamos observar da janela do quarto do hotel que ficava bem próximo da praia. Com a letra M, a decoração do calçadão enchia os olhos dos moradores da cidade. Estivemos rapidamente na praia de Guriri, que pela falta de investimentos na época, não nos atraiu a permanecermos por mais que um período do dia, algo meio parecido com o que acontece ainda hoje com turistas que estão subindo o litoral com destino à Bahia. Mas esta questão era comentada pelos moradores de Conceição da Barra que defendendo os investimentos no calçadão, diziam que em Guriri por questões ambientais, não se podia fazer nada na praia, por isto que ela era desinteressante. Um comerciante até dizia que tentou fazer investimentos em Guriri, mas via que o Ibama atrapalhava, na época estava iniciando o projeto Tamar em Guriri. Interessante que 20 anos depois, o cenário é outro, a Praia de Conceição da Barra sofre com as intervenções na orla sem critérios ambientais e a praia de Guriri segue soberana, transformando-se no grande potencial turístico do litoral norte capixaba.

Nosso destino nesta viagem seria novamente Montanha, pela forte amizade que mantínhamos por Pe. Domênico, e aproveitaríamos a oportunidade para convidá-lo a celebrar nosso casamento em janeiro de 1991 na cidade de Assis-SP. Antes de partirmos para Montanha, agendamos um horário com o Bispo Dom Aldo Gerna, que para nós era uma referência de luta em defesa dos oprimidos. Dom Aldo nos acolheu em sua residência no Bispado de São Mateus, e orgulhosamente nos apresentava a nova Catedral. Falava do projeto que representava uma casa que acolheria a todos na forma de uma assembléia participativa. Mostrava as pinturas do artista plástico Cláudio Pastro, revelando grande sensibilidade intelectual e cultural. Mas ao sairmos da Catedral Dom Aldo teve que se recolher rapidamente, pois avistara um carro preto, com vidros pretos, estacionado à frente: “Preciso entrar, pois nestes dias temos recebido ameaças de morte, o conflito no campo está se agravando e nossos posicionamentos em defesa dos oprimidos têm me valido o martírio”, refletiu conosco Dom Aldo. Presenciávamos a reflexão de um dos principais Bispos na causa da Evangélica Opção pelos pobres no Brasil.

Partimos para Montanha, a lá vivenciamos outro fato sócio político que nos deixou estagnados e mais apaixonados pelo povo capixaba. Conhecemos Verino Sossai, um pequeno agricultor com ampla atuação na vida pública de Montanha, cidadão de classe média e chefe de família, muito atuante na Comunidade Católica. Neste mês de julho a Paróquia de Montanha organizava cursos de capacitação para jovens da Pastoral da Juventude, pudemos presenciar um curso ministrado por Verino na qual os jovens gostaram muito, possuía o dom de comunicar com eles. Depois de duas semanas pela região de montanha com muita convivência fraterna, tomamos rumo a São Mateus, para retornarmos a São Paulo. Conosco novamente o sentimento de que nossos corações ficavam partidos. Chegamos a São Mateus e ficamos sabendo que Verino Sossai estava preso. A notícia corria como se ele fosse um criminoso. Pensava comigo:- “Mas como pode! Uma liderança daquela ser presa como bandido?” As artimanhas do conflito agrário estava longe de ser desvendado por nós, meros turistas. As notícias que recebíamos frequentemente
em São Paulosobre o Espírito Santo era marcada sempre por questão de corrupção política, mas o conflito agrário estávamos apenas vendo alguns confusos sinais perpassarem por nós.

Ao chegarmos
em São Paulo, recebíamos a notícia que um líder sindicalista rural havia sido assassinado no norte do Espírito Santo, e por ironia do destino, era Verino Sossai. Naquele ano, iniciava-se uma temporada de caça à lideranças  populares do meio rurais…Passamos a acompanhar mais intensamente as notícias do Estado não só pela ótica da grande imprensa, mas também pelo víeis dos movimentos sociais organizados em redes por todo o Brasil.

Depois de 20 anos, temos presenciado ainda os conflitos agrários, hoje por conta da demarcação das terras quilombolas. Neste conflito, o limite entre sermos todos irmãos em busca de uma solução em conjunto, muitas vezes dá lugar ao desejo de poder e posse. Esta paixão capixaba parece que aquece na medida em que os fatos sócios políticos esquentam.

Com todo este envolvimento, só nos restaria um encontro mais definitivo com o Espírito Santo, mas isto eu conto depois.

Paixão Capixaba – o primeiro encontro

sexta-feira, novembro 14th, 2008

Estávamos a passeio, nosso destino Montanha/ES. Vínhamos curiosos pois Pe. Domênico amigo de Maria Celina, por ocasião de trabalhos desenvolvidos juntos na Pontifícia Obra Missionária (CNBB) em Brasília, convidara-nos a conhecer a sua realidade de trabalho missionário. Ina e eu, ainda namorados, chegamos à Vitória bem pela manhã, e logo pegamos o ônibus com destino ao norte do Espírito Santo. Época em que a empresa de transporte coletivo oferecia as rodomoças, chic! Ar condicionado água e cafezinho à bordo. Coisa para encantar turista mesmo.

Na medida em que íamos adentrando o interior do estado, encantávamos pelas montanhas. Avistávamos as formações rochosas à distância, e logo estávamos passando ao lado delas. Grande expectativa foram criando em nós os passageiros capixabas, que diziam que em breve viríamos o elefante. Pensava com meus botões, não é possível tanta fantasia. Mas ao contornarmos a tal da pedra do elefante, as pessoas se levantavam das poltronas, para apreciar um orgulho capixaba. Não é que a pedra é um elefante mesmo? Principalmente quando a estrada fica de frente para a tromba… “Que incrível…” exclamou Celina. Lá estávamos nós boquiabertos com a pedra do elefante.

Mais um longo trecho, entre muitos rochedos, chegamos em Montanha, onde não avistávamos montanha. Pensávamos que chamava Montanha porque ficava em uma chapada elevada. Mas não, nas andanças pelo interior de Montanha, entendemos o motivo, é que entre o caminho da cidade de Montanha até Mucurici há duas montanhas rochosas bem definidas e enormes, uma ao lado da outra, como irmãs inseparáveis.

Neste ano, de 1988, em plena abertura da Campanha da Fraternidade com o tema Negro, final de janeiro e início de fevereiro, rodamos toda a região do extremo norte do estado junto com lideranças comunitárias, onde ajudávamos a organizar os encontros com a juventude do meio rural. Uma moçada muito acolhedora, sofrida pela aridez do clima e pouquíssimas chuvas, onde a cada dia o sol castigava. Ponto Belo, Mucurici, Vinhático e também Pinheiros, localidades de muita acolhida e ao mesmo tempo muita pobreza. Parece que onde falta recursos financeiros o calor humano é maior, ou quem sabe, nós que chegávamos de outros ares a esperança batia à porta daquele povo em busca de novidades. Parecíamos enamorados com a população, uma recíproca de quem chega para conhecer e de quem recebe para oferecer e vice versa. Quantos cafezinhos e bolinhos de fubá. Os Missionários falavam-nos da pobreza, mas não conseguíamos enxergar de que pobreza falavam. Havia muita partilha, e comida não faltava. Lógico que comparado a realidade de centros urbanos mais desenvolvidos, poderíamos identificar a pobreza com clareza. Mas o que é mais pobre, a realidade do meio rural do extremo norte capixaba ou as favelas das grandes cidades? Nosso olhar que estava contaminado pelo coração capixaba, não nos permitia identificar aquela realidade rural como uma pobreza, mas sim como riquezas que precisavam ser transformadas em mobilidade organizacional, em força de povo.

Esta sensação da necessidade de organizar a sociedade em busca de soluções produtivas para melhoria das condições econômicas daquelas famílias, levou-nos a procurarmos projetos sociais, e nesta busca nos deparamos com uma visita em um assentamento rural. Meio assustados, pois
em São Paulo vendiam a imagem que este tipo de organização era de baderneiros, invasores de terras. Mas a cena que não se faz apagar até hoje de minha mente é a de uma residência neste assentamento de trabalhadores rurais do MST em que havia um belo jardim florido em frente à casa. A família desta casa nos acolheu, com saboroso cafezinho e foram revelando a trajetória deles até chegarem naquele pedaço de terra conquistada. Saíram de grupos de maloqueiros (moradores de rua com vícios alcoólicos), através das reuniões do MST onde prometiam que se entrassem na luta pela terra poderiam conquistar seu próprio pedaço de chão para plantar. Acreditaram na proposta e passaram por várias etapas de luta, desde os acampamentos à beira da pista, perseguições de fazendeiros e policiais. –“Mas valeu a pena todo o sacrifício, hoje temos nossa propriedade e não estamos marginalizados nas ruas das cidades”, desabafou o chefe daquela família, todo contente quando apresentava-nos seu equipamento de produzir farinha de mandioca conquistado com apoio do governo.

Aquele jardim florido era a representação simbólica de uma estrutura de pessoas que encontraram a identidade pessoal no resgate dos direitos elementares para a construção da felicidade
em família. Antes do MST, aquela família vivia com o diabólico (dissociação e desintegração da identidade humana). O jardim florido, era resultado de almas felizes (simbólico, a integração entre o ser e o ter).

Neste janeiro de 1988, muitas coisas vivemos. De todas, a que falou mais forte em nossas almas, foi o encontro com a alma capixaba: uma integração movida pela paixão, e ação do Espírito Santo dentro de nós. Nossa volta ao Estado de São Paulo, deixou-nos inquietos. Estávamos longe há quilômetros, e nossas almas navegavam em terras e pessoas do Espírito Santo. Nosso namoro só havia começado.

UM CASO DE AMOR COM A CANÇÃO NOVA – CONSOLIDANDO CAMINHOS

quarta-feira, novembro 12th, 2008

Chegamos bem deste nosso quarto encontro vocacional. Já passou o primeiro ano de caminhada e nosso processo vai se consolidando a cada encontro, independentemente de sermos selecionados ou não para o próximo encontro. Sem dúvida alguma a Família Canção Nova é uma realidade em nossas vidas e temos certeza que muitos amigos que conhecemos por lá já são nossos irmãos.

A marca deste quarto encontro foram os temas Murmurias e fidelidade ao projeto de Deus. Pelo menos foram os temas na qual eu consegui melhor estabelecer relação com minha vida. Como na primeira carta de São João capítulo 1, em que Deus se mantém fiel àqueles que seguem sua luz e se fazem luz no mundo. Mas “no meio do caminho havia uma pedra…” como já falava o poeta Carlos Drumond Andrade, os murmurinhos de cada dia que nos leva a construirmos relacionamentos persecutórios e afastarmos da Luz de Deus. Sempre que algo não dá certo e atribuimos à terceiros a responsabilidade, aí estará reinando o murmúrio e a desunião.

Nesta faze em que estamos de caminhada, temos muito que construir. O caminho se faz caminhando.

Enquanto isto, vamos construindo nossos pensamentos por este blog. Muita coisa boa o Senhor está me inspirando a escrever. Fique plugado

 

*Gerson Abarca é Psicólogo e Diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia

Subscribe to RSS feed