Mãe preocupada com a homossexualidade do filho – o que fazer?
sábado, outubro 23rd, 2010No programa Trocando Idéias da T.V. Canção Nova, Gerson Abarca ajuda mãe a pensar sobre a homossexualidade do filho:
No programa Trocando Idéias da T.V. Canção Nova, Gerson Abarca ajuda mãe a pensar sobre a homossexualidade do filho:
A questão da homossexualidade é hoje uma dos temas mais polêmicos da sexualidade. Por incrível que pareça, nos artigos que falamos sobre o tema ou em programas de rádio e TV que tenho participado, a questão é uma das mais perguntadas.
Geralmete o dilema daqueles que são homossexuais mas não aceitam ou daqueles que quando aceitam e encaram a posição homossexual se deparam com os conflitos internos da família.
Imagine um jovem que seu pai possui uma formação “machista”, se depara com a realidade da transparência da escolha tendo que se posicionar abertamente para a famíla?
Ou uma família Católica de pais praticantes quando o filho ou filha revela sua escolha homossexual?
O dilema da homossexualidade têm gerado conflitos sociais com elavado grau de intransigência. Por um lado os que são contrários e que muitas vezes se posicionam de forma preconceituosa e com exclusão (caso de pais que chegam a expulsar filhos de casa); por outro lado os grupos organizados de homossexuais que diante de qualquer reação contrária entram com pedras para o contra-ataque. A intransigência está por parte dos que não aceitam e dos que assumem, nada anormal nisto, pois são emergêntes da sociedade que precisamos aprender a enfrentar e dialogar.
O mais importante detudo, é ver que em ambos os lados existem pessoas, e por isto deverá prevalecer o respeito.
CONTINUO O PAPO DAQUI A POUCO….VOLTO JÁ.
PS: Se você deseja fazer um comentário, fique a vontade
*Gerson Abarca
O tema homossexualidade está no cotidiano da sociedade. Nos ambientes religiosos temos a temática na crista da onda, como também nos meios de comunicação social.
Falar da homossexualidade é tarefa muito difícil, pois geralmente nos esbarramos com questões de ordem moral ou de postura ética. Mas sempre ao pensarmos a homossexualidade o fazemos “pisando em ovos”.
Da última vez que estabeleci um diálogo em público, foi com um senhor muito religioso, que a cada palavra condenava os homossexuais aos infernos, dizia veemente:- ”é pecado mortal…”. e cuspia no chão. Sua postura no debate deixava-me irritado, até que perguntei para ele o que faria se um de seus filhos se manifestasse homossexual, depois de adulto. Este senhor simplesmente disse que isto seria impossível, pois havia lhe dado uma educação Cristã. De imediato, uma pessoa manifestou-se dizendo que era homossexual e que seu pai havia reagido da mesma forma que a dele, com repúdio e decepcionado. Porém, entendia a postura do pai, mas que desde pequeno sentia reações diferentes em sua conduta sexual, lutava contra, pedia à Deus para se libertar dos impulsos, mas que sempre sentia as mesmas coisas, atração por pessoa do mesmo sexo. Até que aconteceu uma situação inevitável onde deixou manifestar sua condução sexual.
Mas o senhor, respondeu com agressividade ao rapaz: -“você é um pecador, e seu pai deve estar sofrendo por ter gerado um filho deste”. Diante de tamanha intransigência, todos se calaram e a conversa teve seu fim…
Mas, depois de alguns dias, fiquei sabendo que um dos filhos deste senhor estava namorando com um outro rapaz. Só não sei se ainda está morando com o pai.
Todo debate em torno da homossexualidade deve ter em pauta e foco o ser humano. Se não tomarmos cuidado, caímos no processo de discriminação. Sabe aquele tipo de discurso que tenta reconhecer as pessoas como filhas de Deus e ao mesmo tempo as condenam ao fogo do inferno?
Perguntam-me com freqüência se a homossexualidade é doença. Respondo sempre que não. O código internacional sobre transtornos emocionais não enquadra homossexualidade como doença. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) definiu portaria onde os Psicólogos não poderão atender pacientes homossexuais para curá-los da homossexualidade. Isto porque, é muito comum pais colocarem filhos em psicoterapia para que os Psicólogos curem traços de homossexualidade. Em escolas vemos muitos professores comentarem com os pais sobre trejeitos afeminados de meninos na pré-escola: “Avaliem, pois vai que este menino vira gay…”. Não é por acaso que existe uma bancada de Deputados Evangélicos querendo fazer passar uma lei que garanta tratamento da “homossexualidade” pelo SUS; partem de conduta moral religiosa para uma definição de saúde pública. Desta forma estarão querendo instituir que os homossexuais são doentes.
Tempos atrás assisti a um debate de T.V. em que um cabeleireiro confirmava que havia curado sua homossexualidade. Ele estava de cabelo bem curto e tentava passar a imagem de machão.
Mas dificilmente convencia alguém de que era machão. Inclusive, o programa errou feio ao querer associar homossexualidade com trejeito feminino. Se formos por ai, cairemos em outro preconceito, de julgar pelas aparências. Pesquisas revelam que um alto índice de caminhoneiros pagam travestis para que estes atuem ativamente, para a satisfação de suas fantasias sexuais. E olha que muitos caminhoneiros juram de pé juntos que são muito é machos.
Devemos entender que estamos em uma sociedade pluralista, onde o convívio social passa pelo respeito às diferenças. Não estou aqui para fazer juízo de valores para os que condenam a homossexualidade por escolhas religiosas. Quando orientava seminaristas de congregações religiosas, e aparecia candidatos ao Sacerdócio mas com definições homossexuais, apenas refletia com eles que estavam tentando espaço em uma instituição que já tem postura clara sobre a homossexualidade, que insistir na escolha, achando que deveriam ser aceitos, só traria angústia pessoal e sofrimentos. As definições por critérios religiosos devem ser respeitadas. Inclusive é intransigência quando vemos homossexuais atacando uma ou outra Igreja, por não aceitar a prática da homossexualidade. O caminho é o respeito às diferenças, principalmente quando estamos em espaços públicos. Por isto que veremos grupos organizados de homossexuais entrando com ações judiciais contra apresentadores de programas radiofônicos e televisivos, por se sentirem atacados no direito de escolha.
Sem dúvida que o tema homossexualidade tem gerado polêmicas em vários ambientes. Na época de Jesus, a aproximação dos homens com as mulheres era carregada de preconceitos, e quando o assunto era prostituição, foi preciso Ele dizer:-“Quem não têm pecado atire a primeira pedra…”. Hoje, parece-me que a questão da homossexualidade é o grande trunfo de intransigências nas relações humanas. Um dilema longe de termos luzes para sua solução.
O que pode nos ajudar neste debate e convívio, é sempre lembrar que por detrás de tudo existe o SER HUMANO. Todos, filhos de um mesmo Pai.
* É Psicólogo, autor do livro “Sexualidade na contramão”, Ed. Paulus,S/P