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A Moral Humaniza

quarta-feira, julho 29th, 2009

PIETÁ

CRITÉRIOS  MORAIS de caráter religioso ou sociaL serão bem absorvidos pelo indivíduo se o ambiente no qual é educado possui estrutura de vínculo afetivo que permite a criança a conduzir-se no seu processo de maturação com acertos e erros, sem no entanto acentuar a culpar pelos erros. Ambiente favorável ao desenvolvimento humano dará condições do indivíduo reparar erros, ao invés de simplesmente punir-lo. Podemos confirmar que a moral não penetra a alma de pessoas que não puderam vivenciar um ambiente afetivo. Ao observarmos os comportamentos delinqüentes, vamos constatar que na sua quase totalidade são pessoas que possuem histórico de rompimento afetivo, de ambientes cruéis, tanto pela falta de recursos financeiros ou pelo excesso deles, pois a delinqüência em si não é uma questão de classe, mas sim de ambiente. Infelizmente há um preconceito em torno desta questão, onde tendemos a ver a delinqüência em camadas sociais empobrecidas. Não conseguimos avaliar que a corrupção de um senador ou deputado é um gesto delinqüente tanto quanto um assalto à mão armada com vítima, realizado por um favelado.

É pela moral que o ser humano se humaniza. Do contrário, entregue a sua evolução natural sem intervenção da moral, o ser humano estaria polarizado entre forças de vida e morte sem no entanto poder seguir um curso, um norte.

“Não aprece o leito do rio, deixe que ele curse sozinho” uma sabedoria milenar que pode nos dar a entender que é um estímulo para que o ser humano se desenvolva livre e solto seguindo o curso natural de um rio. Mas se assim pensarmos estaremos esquecendo que um rio tem seu traçado pré-estabelecido. E as águas correm este trajeto queiram ou não. Assim como as águas não seguem livremente, a criança também não. A sociedade é o traçado que faz conduzir o desenvolvimento da criança. Desta forma podemos dizer que a formação moral humaniza a criança; a faz pertencer a forma de vida que a caracterizará no futuro, pois ele pertence a espécie humana. Como o caso do menino lobo, retratado no desenho animado Mogli, uma criança livre e solta, educada pelos lobos, estava adaptada a forma de ser dos animais na floresta. Mesmo com corpo diferente de um lobo, na sua cabeça, comportava-se como um deles. A humanização é todo processo de construção civilizatória na qual o ser humano vai se moldando, assim a educação vai se dando por reprodução, a criança vai copiando e aos poucos construindo sua identidade. Porém, esta construção em um primeiro momento se faz absorvida apenas por cópia ou por pura necessidade da criança em poder ter seus benefícios, para uma criança onde existe fatores de vínculo afetivo mal resolvidos (traumatizados ou de relacionamentos indiferentes), pode se tornar em um grande ator de boa convivialidade, de boa incorporação de regras morais por sentir pertencente àquele espaço civilizatório; mas que com o tempo este perfil pode ver se desmanchar ou desmascarar. É o que vemos em casos de pessoas que cometem homicídios ou outros tipos de delinqüência e que causa espanto e surpresa na comunidade que o cerca. “Como pode aquela pessoa tão boa ter realizado tamanha atrocidade?” São dúvidas que revelam que o verdadeiro eu, que está registrado no inconsciente, não é totalmente revelado. Em processos em que o indivíduo incorpora regras de forma autoritária, ou muito repressiva, podemos ver a evolução de uma aparente adaptação as regras, mas que internamente não são absorvidas. Uma criança que não queira se alimentar, e com isto é conduzida a fazê-lo com muita violência, castigos e relacionamentos estabelecidos sob tensão, pode por conveniência, para não ter que sujeitar-se as pressões dos educadores, permitir à se alimentar até pela sua fragilidade, mas depois na vida adulta, o rancor, ódio e adrenalinas fixadas na infância vão se transformar em sintomas desestruturantes, como: as Bulimias, Anorexias, etc.

Podemos entender que a moral humaniza o ser humano, desde que introduzida dentro de uma construção afetiva. Porém, se por obrigatoriedades, pressão, etc, o desenrolar da vivência moral poderá ter desdobramentos pouco viáveis à própria humanidade, sendo o resultado final a própria delinqüência.

Brincar – o sintoma da independência

sexta-feira, maio 22nd, 2009

Gerson Abarca*

 

            O brincar é o elemento revelador do caminho que a criança faz rumo à independência. No brincar a criança revela a busca de autonomia, a capacidade de estar  só sem necessariamente ter a presença dos pais.

            É na fase da latência, quando termina todas as forças de dependência com a pessoa da mãe/pai, que a criança encontra consigo mesma na sua própria produtividade. Por isto mesmo que após os 7 anos aproximadamente que uma criança começa a ter o processo de aprendizado sistematizado. Ela sai do estágio de dependência absoluta, passa ao de dependência relativa e chega no caminho da independência.

            Quando a criança brinca espontaneamente e cria formas de brincar, sozinha ou em grupo, ela está revelando crescimento e autonomia. Ao contrário, quando uma criança está escrava de jogos eletrônicos, computador ou TV, revela incapacidade autônoma, pois não brinca, mas sim reproduz algo que já está pronto. O brincar no mundo da criança é aquilo que a potencializa para construir, elaborar e criar. Se for retirada esta condição de brincar livre da criança, estará sendo comprometida a capacidade de se construir nela uma pessoa autônoma.

            Sabemos que na vida humana, toda regra tem sua exceção. Mas não podemos negar a diferença na forma de ser de um adulto que teve espaço na sua infância para o brincar livremente, daqueles que não conseguiram ter espaço e ambiente para brincar. Os que aproveitaram ao máximo a infância para brincar, tendem na vida adulta a serem mais autônomos, independentes e consequentemente mais alegres. Já, aqueles que não puderam ter espaço para o brincar, na vida adulta tendem às posturas rígidas, controle e manipulação de terceiros e dificuldade autonomia.

            A busca das pessoas por auto-ajuda ou fórmulas mágicas de felicidade, em que nomeiam alguém para motivá-los de fora para dentro, é o resultado de infâncias roubadas no passado. São adultos que se estabelecem no mundo com muita dependência afetiva e intelectual, e por isto esperam muito dos outros.

*Psicólogo – Psicoterapeuta.  

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