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Nossa Senhora, a face materna de Deus. Um olhar psicanalítico.

quarta-feira, outubro 12th, 2011

Neste dia 12 de outubro de 2011, ao celebrarmos a Padroeira do Brasil e o dia das crianças, veio-me a necessidade de elaborar um pensamento a partir da Psicanálise.

Primeiramente gostaria de remetê-lo a entender a possível relação entre Psicanálise e Religião. Sigmund Freud, em 1900, trás um novo olhar para a psicologia da época, que até então estava vinculada a aspectos comportamentais e biológicos. Remete a construção de um método para a psicologia de caráter filosófico e interpretativo, quando elabora o conceito do inconsciente. Freud, um Judeu de tradição familiar, ao ver o ser humano com potencialidades para construir ou destruir a própria histórias, começa a pensar também sobre o judaísmo e interpretá-lo. Por isso que muita gente imagina que Freud é um sujeito sem religião, o que é um equívoco, pois simplesmente ele começou a pensar sobre a prática religiosa e sua interlocução com o inconsciente. Desta forma elabora pensamentos que o leva ao confronto histórico com sua própria religião e a religião de todos.

No seu texto “Mal estar na civilização”, Freud chega a descrever em conversa com um líder religioso, seu amigo, que entende a existência de pessoas com um “sentimento oceânico”, pessoas com necessidade interna de se relacionar com um ser superior. Daí a grande polêmica, pois Freud trás a possibilidade de que Deus é uma necessidade e por isso uma invenção humana. Para os religiosos que precisam se apegar ao pé da letra, como se a letra tivesse pé, Freud estaria cometendo uma grande heresia.

No entanto, com minha prática religiosa antes mesmo de conhecer a Freud, consegui ver nesta possibilidade do “sentimento oceânico” uma forte brecha para entrar na teoria de Freud e a partir dela construir referenciais técnicos para atuar como Psicólogo, na forma que nomino de “Psicanálise Contextualizada”, prática esta que desenvolvo pelo Instituto Pensamento há 20 anos e consigo sem nenhum constrangimento falar de religião com instrumentos da psicanálise. Aprendi a fazer isto com facilidade através também dos estudos  de Dalton, uma Psicanalista francesa.

Neste sentido, o dia de hoje carrega a forte simbologia da necessidade do vínculo afetivo materno de todo ser humano que crê na pessoa de Nossa Senhora. No caso do Brasil, todos os brasileiros que de alguma forma cultuam Nossa Senhora de Aparecida, uma imagem que apareceu no Rio Paraíba região do vale do Paraíba de São Paulo para pescadores e que transformou seus corações e vem transformando até hoje o de milhões de pessoas.

Somos estruturados como pessoas e construímos nosso caráter e capacidade para amar a partir de vínculos vivenciados ao longo de nossa infância. Nossa Senhora é a possibilidade de vermos restabelecer todas as possibilidades de perdas de vínculos, as lacunas emocionais de nosso existir, pela fé e prática religiosa. Por isso que a fé atribuída à Nossa Senhora remove os corações dos que assim se colocam, com esperança, paz e serenidade. Para uns são as necessidades materiais não resolvidas no passado e que serão solicitadas nas intermediações junto à Nossa Senhora, para outros os buracos afetivos que ao remeter orações a Nossa Senhora trará consolo e satisfação emocional. Outros mais carentes por laços rompidos de forma cruel à pessoa de que se fez mãe na infância poderão se apegar de forma fanática a Nossa Senhora ou quem sabe fugir da possibilidade de existir uma Nossa Senhora.  Um amigo dizia que não conseguia crer em Nossa Senhora por que o vínculo que havia estabelecido com a sua própria mãe foi cruel.

Enfim, a religião e a fé em Nossa Senhora remete-nos a possibilidade de construirmos afetivamente lacunas que nossa história deixou. Por isso mesmo que religião nunca deixará de ter força entre a humanidade.

ORAÇÂO

Nossa Senhora de Aparecida, cubra-me com seu manto e proteja-me de todos os pensamentos negativos. Acolha minhas carências e transforme minhas dificuldades pessoais em serviços de solidariedade aos mais necessitados, como foi seu propósito ao se manifestar no território brasileiro, quando milhares de negros precisavam ser livres das correntes da escravidão.

A morte do pai.

sábado, agosto 20th, 2011

Pai é uma necessidade humana. Lógico que para existirmos fisicamente é necessário a existência de um pai. Porém, este pode ser apenas biológico ou simbólico. Assim acontece na comemoração do dia dos pais, que para muitos é apenas uma lembrança de uma existência biológica, conhecida ou não; ou simbólica.

Quando falamos do pais simbólico, isto é, daquele na qual depositamos  vínculo afetivo, na qual temos identificação, poderemos estar falando do pai biológico, do avô que se fez pai, do tio e até de um amigo da família. Pois a lembrança do pai simbólico é a representatividade de laços vividos ao longo da história pessoal de cada um.

Para ser pai, é necessário primeiro ser filho. A construção da identidade paterna, ou melhor dizendo, da capacidade para um dia se ser pai, passa pela relação direta que o homem estabeleceu com a pessoa na qual nomeou de pai. Primeiro por identificação projetiva, onde copia aquele que se faz de grande herói, e depois projeta no mundo esta relação. Por isso a criança pode se desenvolver no mundo e nas relações interpessoais de forma definida ou indefinida, isto é, com segurança de ter um porto seguro ou não. Com a possibilidade de um pai em que pode projetar-se, fica mais fácil de se encontrar com um mundo.

Nesta semana, conversando com uma linda jovem de 15 anos, dizia-me que gostava muito de estudar e não estava preocupada em encontrar logo um namorado. Falava de seu pai como um grande parceiro, carinhoso e atencioso a ela. Além disso, narrava que seu pai se relacionava muito bem com sua mãe. Campo fértil para filhas não escorarem tão sedo nos braços de um namorado por carências afetivas.

Mas para crescer, o menino cujo pai herói era imagem de identificação, deverá sofrer um abalo de imaginário. È quando o menino começa a ficar adulto e entrará em choque com a autoridade de um pai, do seu pai. Por isto o conflito salutar e inevitável de filhos homens com seus pais. Lógico que haverá vínculos onde não acontecerão confrontos ou crises, mas geralmente onde há um pai que entende a necessidade de seu filho construir sua própria identidade. Estes pais, ao invés de sofrerem com a busca de autonomia do filho que muitas vezes se manifesta na postura de rebeldia, tendem a acolher por que entendem que a rebeldia já é um sintoma de busca de independência.

Neste sentido, só é possível construir uma identidade paterna nos homens que conseguirem matar o pai, isto é, saírem da relação de dependência do herói para construírem seus próprios referenciais. Quando um filho é capaz de confrontar seu pai com argumentos e opiniões próprias, é sinal que um novo pais está sendo elaborado.

Matar o pai é  uma necessidade simbólica  para a continuidade do pai como referência na sociedade.

Para não dizer que não falei das MÃES

sexta-feira, maio 6th, 2011

Houve um tempo em que ficava muito mal humorado com as comemorações do dia das mães. Sempre olhava pelo senso crítico da exploração comercial deste dia. O comércio faturando e as mães sendo enganadas. Um presentinho, beijinhos e depois novamente escrava dos filhos.

Nas escolas em que assessorava, cheguei até a indicar que não fizessem festas com teatrinhos melodramáticos, pois sempre acontecia uma choradeira daqueles que as mães, por causa de trabalho, não podiam comparecer na escola, ai os filhinhos desabavam em choro, e no trabalho as mães se torturavam se condenando por não poderem estar presentes.

E aqueles filhos adotivos, daquelas adoções realizadas sem critérios, os conflitos existenciais apareciam…Onde está minha verdadeira mãe!!.

Pasmem, já cheguei até a usar uma frase do Psiquiatra José Ângelo Gaiarça em uma palestra  no dia das mães: “Se toda mãe fosse boa não haveria doente mental”. Com certeza deixei muita mãe triste naquela noite.

Mas, com meus três filhos crescendo, fui observando o valor que eles depositam no dia das mães. E depois fui me tocar que eu também adorava ligar para minha mãe Aurora desejando-lhe um feliz dia das mães. Ela ficava toda derretida de emoção.

Agora, se o dia é explorado ou não pelo comércio, que assim seja. Afinal de contas muita cidade deste país vive do comércio. E a vida é para ser festejada, e presente é para retribuir em  agradecimento.

Mãe é realmente um ser fundamental para a existência da saúde emocional. É dela sim a maior força de energia psíquica que move uma criança durante todos os anos da infância de uma pessoa. É pela “maternagem” ( capacidade de cuidar e proteger com afeto segundo Winnicott), que chegamos à vida adulta com potencial para amar.

Vamos celebrar com muita alegria o dia das mães. Afinal de contas, todo ser humano teve seu primeiro ninho no útero de uma mulher.

Mania de sandálias – uma tendência feminina

sexta-feira, outubro 22nd, 2010

Nesta semana, por ocasião do aniversário de minha esposa, fui a uma loja de calçados para presenteá-la. No momento, fiquei observando o quanto a loja estava cheia de mulheres, e em outras lojas que passei também. E olha que era segunda feira.

Isto despertou em mim uma forte curiosidade, a de procurar entender o motivo pelo qual muitas mulheres gostam de acumular sandálias. Pensei por vários ângulos, primeiro na ótica dos homens ao olharem as mulheres, geralmente os homens observam outras coisas na mulher, e outras partes do corpo que não seja os pés; depois pensei na possibilidade de as sandálias deixarem as mulheres com um andar mais elegante, mas no fundo o atrativo masculino para o corpo de mulher ainda não é sandálias em si; depois pensei na possibilidade das sandálias serem tão psicodélicas que isto atrairia o olhar masculino; mas olhando mulheres andar nas ruas, as sandálias viram um pequeno detalhe; no final, conclui que as mulheres de fato não estão preocupadas em usarem sandálias para que os homens as vejam, mas sim por que elas possuem uma boa identificação com sandálias, é um elemento pessoal de fetiche delas.

Mas ainda faltava-me uma identificação mais elaborada com esta questão, assim fui buscar nos meus autos de pesquisa dentre centenas de mulheres que já analisei ao longo de vinte anos ( 90% da minha demanda analítica é de mulheres), cheguei a um elemento de elaboração:

As sandálias representam o vestir daquele que representa a sustentação da mulher, os pés ( na perspectiva de corpo), e consequentemente é o elemento de suporte para o caminhar da mulher (das buscas e sonhos). Pude observar em análise, que mulheres com sintomas bem definidos de transtornos comportamentais tendem a acumular muitas sandálias em casa. Já tive pacientes que me narravam ter mais de 500 sandálias. Parece que, dentro de uma dimensão mais interpretativa, as sandálias vira obsessão para uma mulher na medida que ela está sem rumo ou falta perspectivas na sua vida pessoal, profissional, ou mesmo se estiver bem sucedida profissionalmente, ainda sente-se vazia com seu próprio eu, ou mesmo apegada ou enraizada em si mesma.

São muitas as possibilidades, e gostaria que você que lê este texto neste momento, deixasse sua opinião no campo comentário:

Psicanálise não é profissão

quarta-feira, maio 12th, 2010

Neste ano celebro 20 anos de carreira profissional. Sou resultado de uma graduação em psicologia que primou pela qualidade na formação de seus graduados, tive a oportunidade de em 1985 ser aprovado na Universidade Estadual Paulista (UNES-CAMPUS-SP). Na época ela já se configurava como destaque da psicologia no Brasil e hoje ela se configura no rancking das graduações em psicologia como a primeira. Tive esta bela oportunidade que agarrei à “unhas e dentes”. Foram 5 anos de formação período integral e um pouco mais . A partir de 1990 iniciei a carreira profissional, sempre cunhando pelo exercício ético profissional e por isto sempre pagando o registro anual no Conselho Regional de Psicologia. Minha atuação nestes 20 anos esteve pautada no compromisso de construção da psicologia comprometida com a sociedade. Transferi-me para o Espírito Santo, após 6 anos atuando no estado de São Paulo e há 5 anos faço extensão clínica na cidade de Linhares, pelo Instituto Pensamento, a qual dirijo, cuja sede é na cidade de São Mateus – ES com extensão também em Vitória.

A escolha teórica e técnica que trilho é psicanálise, uma teoria que é utilizada por diversas profissionais em diferentes áreas. Pois sendo uma das teorias de personalidade de destaque e aplicada em todo planeta, sabemos que muitos profissionais acabam se interessando por conhecer a psicanálise, o que é muito bom. Só para terem uma idéia desta importância, na Argentina o estudo de psicanálise faz parte da disciplina curricular no 2º grau . Não tenho dúvidas que uma sociedade que aprende a entender os fatos com os objetos da teoria psicanalítica, é uma sociedade elevada.

Porém, no estado do Espírito Santo vemos um uso abusivo da psicanálise. Há um elevado número de “psicanalistas” que se intitulam profissionais e estão atendendo em consultórios. Em Linhares esta é uma realidade, há muitos se intitulando psicanalista e estão atendendo clinicamente. Sei que na sociedade há lugar para todos, mas temos um estado de direito e nele regras que possibilitam a convivência humana coletiva. No Brasil não há lei federal que regulamenta psicanálise como profissão e as leis que existem na regulamentação em Psicologia que todo atendimento na área psi é área reservada ao profissional Psicólogo, estão regulamentado em lei federal e organizado em altarquia federal pelo sistema no Conselho Federal de Psicologia.

Esta e uma realidade que esta mais ligado a questão de vigilância sanitária, que regula sobre o exercício profissional de atuação na área da saúde, e especificamente em clinica. Esta falta de clareza da população sobre a psicanálise de se colocar o titulo psicanalista confunde as pessoas e seus entes queridos para um processo psicanalítico. Nos deparamos com muitos pacientes que nos procuram com sintomas de transtornos emocionais e que já passaram por vários “psicanalistas” pensando que os mesmos eram psicólogos . Há uma propaganda enganosa.

Pelo tempo que atendo em Linhares, posso afirmar que este município e sua população, merecem um olhar diferenciado e ao mesmo tempo nobre (de uma população que tem sua cultura e é educada institucionalmente falando). Pela evolução do município de Linhares no aspecto sócio-político-econômico-cultural, com certeza a população fará com o tempo, escolhas que condizem com o que está estabelecido constitucionalmente – Psicologia para Psicólogos.

Você iria fazer uma cirurgia de joelho com um profissional que vende carne no açougue? Cuidado! Psicologia é para psicólogos e por trás de um psicólogo há um Conselho Regional que fiscaliza sua ação profissional. Pelo menos os usuários estarão mais respaldados. Mas o que responde um “psicanalista”?

Só para ir mais longe, nos Estados Unidos só podem atender em Psicologia Clínica, Psicólogos que tenham doutorado e registro profissional. No Brasil, há leis que garantem que o profissional seja registrado no CRP, mas não são cumpridas. Aqui ainda vale o ditado “Em terra de cego quem tem olho é rei”, mas Linhares não é terra de cegos, ao contrário, de cidadãos esclarecidos e inteligentes.

Finais de semana, uma agenda com os filhos

segunda-feira, maio 10th, 2010
Hélder, nosso pequeno. O quarto em pé, da direita para a esquerda

Hélder, nosso pequeno. O quarto em pé, da direita para a esquerda

Na correria do dia a dia, tendemos a querer ficar na boa aos finais de semana. As vezes nos envolvemos com atividades da Igreja intensamente e no lazer com os amigos. Mas e os filhos?

Eles esperam por seus pais e anseiam por um final de semana com presença real. Aqui não vale a idéia de que vale a qualidade, mais do que a quantidade. Pois final de semana com os pais por perto, qualidade com quantidade é a coerência que fica registrado na mente dos filhos. Mas quando nossa atenção é mínima e os filhos nos vêem ao redor das mesas com amigos e irritados quando nos absorvem para brincar, a ansiedade deles vai a mil por hora. Não adiante criar conceitos de camaleão, eles saberão medir a nossa verdade. E se assim não formos ( verdadeiros), ficarão desconfiados e será estabelecido um vínculo de insegurança e desconfiança.

Já presenciamos uma antiga publicidade que explorava esta idéia: “não basta ser pai, têm que participar”.

E participar é estar junto, fazendo, acontecendo.

O resultado de centenas e milhares de finais de semanas com a presença qualitativa e quantitativa dos pais na vida  de uma criança, só dará resultados satisfatórios para a vida emocional de um filho, a quase certeza de um adulto feliz.

Muitos transtornos emocionais que remetem à variação de humor comportamental, estão associados à labilidade dos pais na relação com seus filhos, pela falta de frequência presencial lúdica.

Nosso querido filho Davi, de goleiro

Nosso querido filho Davi, de goleiro

AO REDOR DA MESA – SOBRE DEGUSTAR E CONVERSAR

sexta-feira, fevereiro 26th, 2010

O umbigo da casa é a cozinha. Já dizia nossos antepassados. E na cozinha temos o fogão, se de lenha, comida feita com manha. Mas a gás, pode ser bem temperada tanto quanto. Tudo bem que no microondas a comida sai mais rápido, mas se o tempero não for matreiro, a conversa fica atavessada.

Se ontem a cozinha fazia encontros e conversas longas, hoje também não é diferente. Agorinha mesmo, eu estava junto com minha esposa Maria Celina recebendo uma amiga que acabou de chegar de viagem. Que sala ou varanda coisa nenhuma, é na cozinha que o papo rolou, saboreando um arroz com lentílha e uma boa salada.

Por quê  cozinha foi associada com umbigo?

É porque somos gestados por nove meses ligados ao cordão umbilical. Que após o nascimento deixa-nos uma marca no formato de umbigo. Assim, umbigo lembra vínculo, lembra alimentar-se, pois pelo cordão umbilical nos alimentávamos e na cozinha, local para cozir e se alimentar, criamos ambiente uterino.

Famílias com cozinhas sem gente, é como útero de gestação fantasiosa, não tem vida, só desejo.

Casa sem cozinha habitada, é parecida com hotel, onde  vamos para o refeitório comer no café da manhã, e só.

Sabe, andei pensando agora, restaurante ainda continua sendo um bom investimento, pois é hoje o representativo simbólico da cozinha umbilical. Nos bons restaurantes, vicamos horas conversando.

Mas para quem quer curar-se de  estresse, nada melhor que aprender a cozinhar, para aos domingos, gastar um bom tempo cozindo, conversando, “umbilicando”.

Sabe, dizem que casal que cozinha junto, juntos ficam por mais tempo. Pelo menos o beijo tem mais sabor. Sabor de um bom tempero.

O NAMORADO DA MÃE, NÃO É PADRASTO

segunda-feira, fevereiro 22nd, 2010

Muita confusão se faz na cabeça de crianças que necessitam conviver com a realidade dos pais separados e que se juntam em novos relacionamentos.

As crianças são orientadas a chamar o namorado da mãe de padrasto ou a namorada do pai de madrasta.

Mas esta orientação está totalmente equivocada e acaba gerando grande confusão na cabeça das crianças e dos próprios pais. A maior delas é a dificuldade de definição de papéis dentro do novo modelo familiar. Principalmente quando os   novos conjuguês  residem juntos e agregam filhos de ambos os relacionamentos anteriores.

Para as crianças, o conflito de quem terá a autoridade no lar. Para os pais e parceiros agregados, o conflito de saber quando podem ou não entrar na colocação dos limites às crianças que não são  seus filhos .

O certo é que não existe padrasto ou madrasta de pais vivos. Esta denominação é para caracterizar aqueles que são substitutos dos pais quando morrem. Só de delimitar este papel, as crianças já começam a entender quem é quem dentro do lar.

Para o novo casal, é importante saber que o responsável pela colocação dos limites é o pai biológico e a mãe biológica. Quem acabar colocando colher no meio em que não foi chamado vai se dar muito mal.

Não é por acaso que muitos casais de segundo relacionamento acabam partindo pasra o terceiro e outros…

Melhorando a Tolerância Conjugal

segunda-feira, outubro 5th, 2009

Uma das maiores dificuldades da vida à dois em um casamento é a capacidade de aceitar os erros e limites do parceiro e da parceira. A intolerância é um sintoma que pode levar casais a terem prejuízos em várias áreas do convívio conjugal.

Ela se importa com aquele cacuete (mania) dele. Toda vez que manifesta aquela mania ela fica extremamente irritada e “desce as tamancas”.

Ele por sua vez detesta aquela forma dela falar quando tem que exigir alguma coisa. Tem até vontade de “esganá-la”.

Mas, salvo as exceções, os casais passaram por um período de conhecimento prévio, pelo namoro, noivado até o casamento. Muitos hábitos de um ou outro já eram intensos ou foram revelados pela paixão.

Ele deixava roupas e toalhas jogadas pelo quarto. Mas tinha alguém, a mãe ou empregada que vinha atrás arrumando tudo. Ela chegou a ver este costume quando foi à casa dele na época do namoro, mas a chata era a mãe dele (futura sogra na época e atual no presente) pelo menos a namorada assim imaginava. Hoje, ele parece que ficou pior e a chata passou a ser ela, pois dizia para si mesma que nunca ficaria fazendo do mesmo jeito da mãe dele – mas o sujeito não mudou, aliás piorou e sua tolerância ficou abaixo de zero e quando ela tem de arrumar a bagunça do marido, ela fica extremamente irritada. Mas ela já sabia disto.

Da mesma forma ele, que acreditou que sua esposa era forte e corajosa. Mas toda vez que ela tem que ficar sozinha em casa por conta de viagens dele, ela corre para a casa da mãe ou toma psicotrópico para dormir. Ele fica com impulsão de fugir do casamento e começa a imaginar uma outra possibilidade de vínculo amoroso.

As intolerâncias conjugais nascem quando queremos que o outro mude em atitudes na qual temos a certeza que não vai mudar, ou por que já faz parte da estrutura de personalidade das pessoas ou por que são costumes enraizados na cultura.

Tenho indicado aos casais que escrevam uma lista de comportamentos que não gosta do parceiro ou da parceira e fixem-na na geladeira da cozinha (individualmente). Quando ela e ele realizarem algo que deixa irritado uma das partes, vai até a lista da geladeira e veja se aquele comportamento já estava escrito ali. Se já, não adianta irritar-se, já era esperado. É melhor que esta lista seja de comportamentos que já veem desde o namoro, pois assim o casal terá a certeza que não houve mudanças, mas sim que alguns comportamentos se repetem e simplesmente ficaram piores com o tempo.

Isto pode ajudar o casal a entender que o outro no casamento não mudou, é o mesmo que escolher um parceiro ou parceira diferente, o que não vai resolver o problema, pois a fantasia de um príncipe ou de uma princesa só tem lugar nos contos de fada.

Aprendendo a lidar com a tolerância, pode até ser que manias antigas sejam eliminadas, pois será estabelecida uma parceria de ajuda para que um lembre ao outro das repetições passadas.

FAMÍLIA, O LUGAR ONDE SE MANIFESTA AS NEUROSES

sábado, setembro 5th, 2009
A fam�lia brasileira - tela de Tars�lia Amaral

A família brasileira - tela de Tarsíla Amaral

Todo dia eles fazem sempre tudo igual.

Ele levanta bem cedo e sem perceber acorda a todos quando vai ao banheiro. Têm uma mania de ficar fungando alto com o nariz, que consegue acordar a todos com irritação. Mas coitado, nem se toca que está repetindo um costume do seu pai, que também diariamente o acordava e o deixava irritado. Provavelmente seu pai deve ter copiado do avô paterno, e assim sucessivamente.

Ela, tadinha, quando precisa dar uma geral na casa, já consegue fazer de forma diferente, coloca todos os filhos para ajudar, coisa que sua própria mãe não fazia. Mas quando as baratas começam a sair dos bueiros, ela se desespera e sobe em uma cadeira, como se as baratas fossem mais forte que ela.

Daqui a pouco começa uma “muvuca” entre a garotada, parece que vão se matar. A mãe chega gritando feito “doida”: “ei , vamos parar com esta briga!!. Foi assim que Caim matou Abel”. Ela fala, fala, fala, e nada. A briga entre os irmãos continua.

Ele chega do trabalho e corre tomar banho. Daqui a pouco grita desesperado:”cadê minha toalha”. E pra variar, ela vai ao guarda roupas e pega a toalha pro maridão, como a sua mãe sempre fazia com seu pai.

Sabe como é estas coisas de homem comprar roupas para si mesmo, é quase impossível. Mas as reclamações sempre ficam no mesmo lugar: “Olha aí que cueca mais feia que você comprou”. Mas vai ver o que acontece com os filhos meninos, a mesma mulher que também é mãe, está sempre se antecipando para escolher a melhor roupa para o menino. E olha que desde quando eles eram pequeninos, ela tinha o costume de deixar as roupinhas deles estendidas na cama após o banho.

FAMÍLIA, FAMÍLIA…É ASSIM!!! UM ESPAÇO DA MANIFESTAÇÃO DAS NEUROSES.

Neurose: aquilo que a gente repete por ter aprendido, e não conseguimos perceber que estamos repetindo…

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