Posts Tagged ‘psicoterapia’

Sindrome do Pânico têm cura?

quarta-feira, abril 6th, 2011

Tenho recebido muitos pacientes que foram avaliados como portadores de Sindrome de Pânico e cujo profissionais afirmam que é um quadro que não têm cura e que o tratamento consiste em o paciente adapitar-se aos sintomas.

Este tipo de orientação é típica de uma visão da saúde centrada na doença, escrava dos laboratórios.

Sindrome do Pânico têm cura sim. Mas é necessário participar de um processo de tratamento que tenha monitoramento medicamentoso sob orientação de um Psiquiátra e psicoterapia semanal contínua ao longo do tratamento.

Observamos em nossas pesquisas com os pacientes que se colocam fielmente ao tratamento, que os resultados começam a ser pontuados depois de aproximadamente dois anos, quando o paciente já inicia sua percepção dos sintomas e consegue colocar-se em posição de enfrentamento do pânico. Logo em seguida, com uma sequência de episódios de superação, o paciente tende a diminuir o número dos sintomas do pânico.

A psicoterapia entra em processo de alta quando o paciente já saiu da medicação com a orientação médica. Pois assim teremos a certeza de que o paciente superou a sindrome.

A dica é procurar Psicólogos que trabalhem com abordagens que leve o paciente a se encontrar com sua própria história, pois é nela que foi construido o processo do pânico ( quem sabe no passado fobia).

Outra dica importante é procurar Psiquiátras que saibam desenvolver ação interdisciplinar e que não mediquem apenas para derrubar os sintomas mas sim preparar o paciente para uma boa Psicoterapia. Pois remédio não pensa e não conversa com o paciente.

Cuidado com as intervenções que estimulam técnicas de auto estima( regrinhas desconectadas com a realidade do paciente)

Desta forma, devemos categóricamente afirmar que Sindrome do Pânico têm cura

Culpa, o maior obstáculo nos transtornos emocionais

quarta-feira, janeiro 12th, 2011

Mais do que superar os sintomas imediatos dos transtornos emocionai, é necessário entender todo o movimento interno da construção do emocional da pessoa para superar os sintomas indesejáveis de cada transtorno.

Sabemos que é a culpa a maior barreira, e por ela a fixação e evolução do transtorno.

No TOC, quanto mais culpado a pessoa se sente, mais sintomas obsessivo compulsivo terá. Geralmente são fatores da história pessoal que estão associados ao sentimento de culpa que leva à comportamentos que geram sofrimento. Por de trás de do TOC temos um individuo que precisa se desvincular das culpas. Por isso, devera entender os motivos que desencadearam a culpa. Pode ter sido por repressão, sentimento de fracasso, etc.

Também na ansiedade pela TAG, muitas vezes a necessidade de estar no amanhã para fugir de fatores que no presente geram culpa. Como se a antecipação trouxesse a sensação que haverá a superação do objeto de culpa.

O que nos derruba emocionalmente não são tanto nossos atos, mas sim a culpa que carregamos por eles.

Se as culpas não forem elaboradas em um tratamento de transtorno emocional, dificilmente veremos caminhos de cura. E só pela psicoterapia ou processos analíticos um paciente conseguirá buscar esta construção interna para a destruição das culpas que o sufocam. Medicação é química que soma, mas não faz pensar, e nem conversa ou confronta com o paciente.

TOC – Quando os sintomas são preocupantes

sábado, janeiro 8th, 2011

Na seqüência deste tema sobre transtornos emocionais, o Transtorno Obsessivo Compulsivo é o dos mais comentados nos artigos anteriores que escrevi neste blog. Mas devemos tomar cuidado em definir quando uma pessoa está com sintomas reais de TOC, tendo em vista que nós humanos somos constituídos de comportamentos repetitivos ao longo de nossa história, hábitos criados pela cultura e processos de educação para a higiene, como também para conviver com o cotidiano.

Desta forma, temos uma série de comportamentos que são necessários na vida humana. Como exemplo a necessidade de escovar os dentes após as refeições, ou mesmo a necessária condição de lavarmos as mãos em tempo de gripe suína.

Na prática religiosa temos rituais que são repetições, como é o caso do terço ou do rosário para os Católicos, que se forem vivenciados sem entendimento e consciência pode virar expressão obsessiva, sem significado.

Para que um sintoma possa entrar na ordem de preocupação se é ou não um transtorno obsessivo compulsivo, é preciso que o comportamento repetitivo esteja trazendo angustia e sofrimento, além de gerar na pessoa a sensação de ser incontrolável. Algo é um transtorno quando, pela própria palavra, causa transtorno. O comportamento desencadeado deixa a pessoa escravizada, com angústia e sem forças de sair daquele comportamento.

Se é comportamento repetitivo e que incomoda e impede da pessoa crescer e ser feliz, ai sim está na hora de procurar fazer uma boa avaliação psicológica para se verificar o grau do transtorno e traçar uma busca terapêutica.

Hipinose é uma técnica ultrapassada

quarta-feira, outubro 6th, 2010

Participação no programa Trocando Idéias da Tv Canção Nova

Tema: Estresse

Participação: Felipe Aquino

Psicologias Indutivas

terça-feira, novembro 25th, 2008

O crescente número de pessoas procurando por profissionais de psicologia, faz-nos pensar sobre o significado desta busca. Neste final de semana, uma amiga que estuda pedagogia, opinava em um circulo de conversas que a psicologia é uma boa profissão, pois cada dia que passa as pessoas vão precisando mais de apoio psicológico. Nesta posição, observamos que a psicologia de hoje ainda é muito vista pela sociedade como a psicologia de anos atrás, quando  começou para tratar doentes emocionais. Sem dúvida que a pós-modernidade tem criado situações de vida urbana que desencadeia doenças emocionais, desta forma, o olhar da população para a psicologia é de uma ciência que trará cura emocional.

Outro aspecto é a necessidade das pessoas em  terem respostas prontas. Cada vez mais o ser humano torna-se dependente do outro. Perde sua capacidade manufaturada e suas agilidades. Foi através do fazer pelas mãos que o ser humano evoluiu no seu desenvolvimento cerebral, pois aprendia mecanismos de superar suas dificuldades elementares do cotidiano. Mas o indivíduo pós-moderno é teórico e pouco prático, e diante de simples necessidades não consegue encontrar respostas, necessitando com isto de que alguém faça por ele.

Imagine diante de um quadro de depressão que mobiliza muito sofrimento, tendo o paciente a necessidade de uma cura rápida, quase que milagrosa, o psicólogo dizer que o tratamento percorrerá um longo caminho e que necessitará de pelo menos dois anos para que se tenha alguma resposta mais favorável de recuperação?  A angustia do paciente ficará ainda mais acentuada. Não é por acaso que as propostas de psicologia indutiva ganham força nas abordagens psicoterapêuticas, pois torna-se uma adaptação ao contexto pós-modernos das respostas imediatas.

Com minha formação em psicologia, proveniente de um centro de estudos de excelência – UNESP – Assis/SP -, associado a minha trajetória pessoal de prática religiosa que me proporcionou muitos estudos teológicos, somado à minha capacidade persuasiva, estaria milionário hoje se tivesse escolhido uma abordagem de psicologia indutiva. Misturaria religião com psicologia e “venderia” a idéia de que teria a fórmula mágica para resolução dos sofrimentos emocionais. Estaria propondo tratamentos a curto prazo, com simbologias milagrosas, do tipo regressivas – trocaria meus referenciais éticos e morais pelo sucesso econômico -. Ao contrário, continuei pragmático na prática de uma psicologia que não promete nada a ninguém, apenas se compromete em aplicar teoria e técnica científica para que o próprio paciente aprenda a encontrar seu caminho. Esta minha escolha faz-me perder muitos pacientes, porém delimitou minha prática em processos sólidos, transparentes e estáveis. Com meus 18 anos de atuação ininterrupta, considero-me portador de uma experiência bem sucedida sem ter tido a necessidade de apelar para a venda de ilusões.

Mas por que há uma forte tendência de se buscar respostas prontas para transtornos emocionais? O paciente em sofrimento emocional está fixado em etapas de desenvolvimento infantil que o coloca na condição de neurótico, isto é, repete suas ações no presente sem conseguir avançar para um futuro. Sua fixação, o remete a necessidades infantis de ser gratificado, assim como uma criança é gratificada pela mãe e pai. Ao adoecer emocionalmente já na vida adulta, busca por alguém que lhe gratificará. Assim o psicólogo passa a ser objeto de transferência da neurose do paciente  quando procura suprir suas necessidades dizendo que irá curá-lo, ou que em pouco tempo terá melhora do sintoma e se coloca como  mãe e pai do paciente em um estágio regressivo. Processos deste tipo podem provocar uma súbita melhora, assim como ele ficava gratificado quando recebia a proteção de seus pais. Mas desta forma será estabelecido um vinculo de dependência ao psicólogo, onde o paciente acreditará que foi suprido em sua necessidade. O problema é que neste tipo de indução, a neurose não estará sendo elaborada pelo próprio paciente. A falsa resolução do problema aconteceu de fora para dentro. Uma hora a neurose retorna ao mesmo lugar de origem.

Durante minha trajetória de formação acadêmica busquei primeiro as teorias que estivessem mais associadas com minha prática religiosa da época. Abominava Freud e qualquer filosofia que questionasse a existência de Deus. Mas com o tempo fui observando a grande tendência das teorias de suporte emocional de criarem vínculos de dependência aos pacientes, davam apoio, mas não davam estrutura de levá-los a caminharem com suas próprias pernas. Desta forma acabei escolhendo abordagens que colaboram para que as pessoas vejam e reconstruam suas próprias histórias por elas mesmas. Assim, Freud passou a ter um grande sentido nesta construção de um referencial; também Nietzsche com sua filosofia do questionar tudo, desconstruindo para reconstruir. Hoje trilho uma forma pessoal de atuação que tenho dado o nome de Psicanálise Contextualizada, em que acolhemos a todos, nas suas diferentes situações de necessidades e sofrimentos, para ir construindo junto com o paciente a reconstrução da história de vida pessoal na perspectiva de que aprenda a caminhar elaborando seus problemas  por ele mesmo. Eliminamos a idéia de que um problema será eliminado ou curado. Construímos a idéia de que o paciente precisa aprender a enfrentar os problemas quando surgem.

Tenho clareza de estar no caminho certo pelos índices que estamos aferindo pelo Instituto Pensamento, onde conseguimos manter um grande contingente de pacientes em processo de psicoterapia sendo que 70% a 80% dos que dão prosseguimento ao  processo de tratamento pontuam melhora de sintomas em relação à queixa inicial, dentro de um período de dois anos contínuos de psicoterapia. Mais do que oferecer muletas para as pessoas caminharem, preferimos leva-las a caminharem sem auxilio delas. As induções, deixamos para os vendedores de ilusões.

Desenvolvimento Emocional – Sentimento de Culpa*

segunda-feira, novembro 17th, 2008

Gerson Abarca* *

Culpa na vida humana reflete a experiência do conflito na  realidade existencial entre amor e ódio. A culpa é o elemento intermediário capaz de integrar estes dois sentimentos, como se fosse a espessura de uma moeda  – cara e coroa – amor e ódio. Na moeda fina, a culpa é integração das duas vivências, já na moeda de espessura grossa a culpa é o equivalente à dificuldade de se transitar entre os dois sentimentos que estão co-relacionados.

Viver com culpa é não permitir-se viver, pois para se viver é condição a transitoriedade entre amor e ódio. Mas por sua vez, viver sem culpa é a não percepção existencial da bipolaridade de amor e ódio dentro de nós, condição observada nos delinqüentes, que ficam desprovidos de qualquer sentimento de culpa diante de seus atos delinqüentes. É o resultado de uma mente que não conheceu limites.

Já a culpa como fator estruturante, é necessária para que cada indivíduo a perceba em momentos que necessita reparar um erro, a culpa como condição de auto percepção de si no mundo.Como uma mãe que ao amar seu filho,  diante de um processo de correção, castiga, mas  vê neste castigo uma necessidade de limites.Este castigo corretivo dispertará a culpa por ter ofendido um objeto de amor, que a remeterá  na busca  pela continuidade  de manifestação deste amor para com seu filho. Este processo cíclico e permanente é o resultado da vivência de culpa que integra. Já, uma mãe, disprovida de sentimento de culpa, ao invés de corrigi vai espancar e não se preocupará de ter ofendido seu objeto de amor, o filho, que aliás, não conseguirá pontuar a existência de amor nesta relação, mas sim o resultado de uma  relação onde a mãe não conseguiu sair de seu próprio mundo.

“O sentimento de culpa – implica a tolerância da ambivalência…”(Winnicott – 1958), do conflito causado na ansiedade vivenciada no conflito entre amor e ódio.

Em Melanie Klein temos no conceito de “Posição depressiva” a relação duálica entre mãe e filho, em um estágio bem precoce do relacionamento onde a criança ao ser gratificada pelo seio materno se vê na condição de ataque ao mesmo. Nesta ansiedade vivida entre o seio bom e o seio mal, provocado pela ação destrutiva do bebê ou pela ausência da mãe no processo de amamentação, dá-se início à vivência de culpa. Culpa esta que estará configurando-se em estruturante ou destrutiva e quem sabe sem a existência dela. A culpa que nos impulsiona para revitalizar o amor é aquela que não nos faz negar dentro de nós o sentimento de ódio, ou raiva que são provenientes de qualquer vínculo amoroso: na amizade, no trabalho, na família; mas quando negamos o ódio que está intrínseco ao amor vivido, como parte de uma moeda de duas caras, passamos a desejar apenas o amor e seus benefícios provenientes do vínculo amoroso, que quando despertado em um repente de ódio, de cisão com o objeto amado, torna-se obsessão, compulsão, depressão – chicote sobre si mesmo –, prevalecendo a culpa destrutiva e o distanciamento de amor ao objeto amado. Já a ausência de culpa é o resultado de vínculos afetivos que não se estabeleceram, a ausência total de um ambiente sem traços afetivos.

**Psicólogo – Psicoterapeuta. Diretor do Instituto Pensamento.

* Winnicott,W.D - O Ambiente e os Processos de Maturação. Teoria do desenvolvimento emocional.  Artmed-RS. 2008

ELABORANDO ANGÚSTIAS

quarta-feira, agosto 13th, 2008

O processo de sobrevivência do bebê é estabelecido no princípio pelo foco alimentar, pelo menos nos primeiros meses. Ao desejar o seio da mãe, o espera como se fosse um mecanismo automático, e como se fizesse parte dele mesmo. Mas o seios podem faltar, ou não chegar no tempo exato de sua espera. Começa aqui as primeiras relações do indivíduo com a ansiedade, este sentimento que acompanha o ser humano por toda a vida, instaurado nas primeiras relações com a mãe. A ansiedade desencadeia angústia pela espera   e ao mesmo tempo por não poder estabelecer autonomia sobre esta relação. Quando o alimento chega, ele já angustiado ataca o seio materno, como resposta à demora de satisfação de sua necessidade.

Para Melanie Klain, precursora da Psicanálise infantil, a função do ego (estrutura do eu percebido) é o domínio da angústia pelas perdas. Através dos processos de projeção e introjeção, o mundo interno do bebê vai se construindo por fantasias inconscientes. O bebê projeta externamente amor e ódio e introjeta gratificações pelo leite recebido, que será incorporado como amor e ódio. Nasce a dissociação entre o bem e o mal e a angústia é internalizada pelo medo da perseguição. Veja que todo este processo se dá na forma de fantasia inconsciente. Por isto que dizemos que os processos analíticos para crianças, adolescentes e adultos, é a reconstrução de processos regressivos inconscientes, construídos desde bebê, neste jogo de gratificação pela amamentação, que as pessoas transferem para o mundo externo, principalmente nos relacionamentos.

O bebê plenamente feliz deverá percorrer esta ambivalência de sentimento. È necessário transitar entre amor e ódio, ganhos e perdas, vida e morte; esta é a dinâmica da vida que todo ser humano precisa passar. Negar este processo, ou fazer como muitas mães fazem, de evitarem o jogo da angústia pelas perdas, procurando estar a serviço do bebê por vinte quatro horas, sem que ele sofra, é um caminho que trará mais prejuízos ao mundo emocional da criança e consequentemente do futuro adulto.

Tenho debatido com os pais em escolas, que os pais que não aceitam a possível morte dos filhos, não estão preparados para o processo educacional. È constante e diário as situações em que a vida nos convida a morrer. O bebê deseja ser plenamente saciado, mas o leite não vem. Instaura a ansiedade e todas as fantasias de ataque ao seio, para nascer a angústia de ter atacado aquele que o nutrirá, os seios. A angústia de fantasiosamente estar introjetando objetos destrutivos, como resposta ao seu ataque.

Você pode estar perguntando-se, como é possível o ser humano nascer com esta ambivalência tão acentuada entre o amor e o ódio? Esta pergunta geralmente brota no coração de adultos que foram educados só para deixarem manifestar dentro de si o bem, o amor, e ao longo da vida sofrem quando se deparam com sensações e sentimentos de raivas e ódios interior. Mas o ser humano necessita se encontrar com esta ambivalência, pois a vida é um constante jogo entre a vida e a morte, o bem e o mal.

Assim como o sol é belo por que aquece, pode ser terrível por destruir plantações em plena seca. Como também a chuva serena encanta, mas diante de uma tempestade ela destroe coisas belas, amedronta. O bebê que lhe é permitido transitar com as fantasias inconscientes de amor e ódio, terá potencializado dentro de si um ser fortalecido, com capacidade para superar desafios.

APRENDENDO A PERDER OS SEIOS

LEMBRANÇA DA MÃE

quarta-feira, agosto 13th, 2008

A construção do psiquismo inicia na interação pós-natal a partir de processos de satisfações, angústias e frustrações que o bebê estabelece na relação com a figura materna. Ela carrega em si a lembrança inconsciente da existência da mãe. Por isto que o bebê feliz não é meramente um estágio de gratificação plena, mas sim a somatória de todos os estágios e condições relacionais que o bebê vai configurando na relação com sua mãe, tanto de coisas boas como ruins.

Mas podemos indagar como fica as crianças adotivas ou entregues as instituições sociais de internação integral sob privação materna? Se a lembrança da mãe é estruturante na  formação do psiquismo e está cravado no inconsciente, poderíamos entender que um bebê que passou por perda da mãe terá dificuldades na constituição de vínculos afetivos e consequentemente estará fadada à infelicidade?

Estas questões norteiam a vida dos pais adotantes e tem dificultado o crescimento de pais com desejo de adotar. Mas sabemos que o psiquismo é energia que se compõe de processos, não é estanque, isto é, um bebê que passa pela privacidade da sua mãe biológica, terá nos braços que a acolhe a identificação da figura materna, por isto que hoje pensamos na idéia de que mãe e pai são aqueles que se fazem amor, relacionamento de acolhida. É verdade que bebês criados por suas mães biológicas poderão sofrer da ausência afetiva, tanto quando bebês que tiveram perdas reais de suas mães. A questão está na contingência de amor que uma mulher se dispõe a ser para com um bebê. A memória psíquica é de contato real, e da sensação estabelecida na relação, no vínculo.

Mesmo em situações em que o bebê é acolhido por um internato, ela terá nos braços das funcionárias que se fazem de mãe, a potencialização do estabelecimento de vínculo afetivo. Neste sentido, as boas instituições estão cuidando para que as babás sejam fixas e até se criou o conceito de mães substitutivas.

Quando nos deparamos com crianças em período escolar ou adolescentes que  foram adotados e estão apresentando sintomas psico-afetivos desestruturantes, temos observado que é por que as mães adotantes não conseguiram ao longo do processo educacional estabelecer em um real vínculo de afeto. Passaram por dificuldades pessoais que as disfocaram da integração com o filho adotivo. A fantasia de que a adoção é um problema, não passa de mero preconceito ou uma forma de não se enxergar as dificuldades pela qual os pais adotantes passaram ou passam. A adoção em si é semelhante com o processo de educação de um filho biológico, pois a saudade ou lembrança inconsciente não é de contatos biológicos em si, mas sim do vínculo.

O conflito na adoção vai se instaurando na medida em que dentro dos processos normais de satisfação, angústias e frustrações inerentes da construção do psiquismo, haja ausência de vínculo duradouro e estável, o bebê e posteriormente a criança adotiva começa a criar conflito interno sobre sua própria origem. Em conflito, a pergunta que não se faz calar é sobre a origem uterina: – “De que útero nasci”- tendo em vista que a verdade da adoção deve ser manifestada desde o primeiro dia de recebimento do bebê. Se o ambiente de acolhida é desfavorável, a dúvida interna aumenta e o conflito também. È comum observarmos que adolescentes adotivos em ambientes conflitivos e com instabilidade emocional, tendem a provocarem aos pais adotantes pelo desejo de conhecer a mãe biológica, o que gera muita angústia na família e a fantasia de que uma hora o filho vai abandonar os pais adotantes. Mas dificilmente teremos este tipo de provocação em situações onde os pais adotantes fizeram-se presença real de afeto.

Primeiras Construções do Conhecimento no Mundo do Bebê

sexta-feira, julho 4th, 2008

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O processo de conhecimento que tem início no ato de mamar do bebê se estende para suas atividades lúdicas na seqüência do desenvolvimento do primeiro ano de vida. É nos primeiros meses pela interação com a figura materna na amamentação que ocorre o estabelecimento do processo de aprendizado. O bebê deseja ser saciado e aprende que na interação com os seios da mãe terá o leite. Depois, com seu desenvolvimento motor, visual e perceptivo, começa a estabelecer o processo de aprendizado com objetos que estão ao seu redor, mas objetos do qual ele pode ter uma interação de satisfação. Tudo ao seu redor transforma-se em brinquedo, pois se interage com os objetos como se estivesse se interagindo com sua própria mãe. Assim, busca os objetos  que mais se assemelham ao vínculo materno, como é o caso dos chocalhos de borracha, pois neles pode morder e ao mesmo tempo ouvir sons. No chocalho imagina  que algo está dentro, provocando no bebê o desejo de descobrir de onde sai aquele barulho, algo parecido com a dinâmica do útero. Também os objetos pendurados no teto, que ao potencializar sua capacidade para visualizar as coisas além da sua própria mãe, tem nestes objetos estímulos de comunicação com o mundo externo. Em contato com os rostos familiares consegue sorrir, sinal de sua percepção de mundo externo. Aqui já estamos entrando na 2ª mês e estabelece uma relação intima com suas mãos. Inicia uma leve separação da mãe e apega-se aos seus membros (braços e pés). Seus grunhidos começam a ser escutados por ele mesmo e balbucia alto para tomar posse deles. No 3° mês, seu desenvolvimento psicomotor já possibilita o bebê entrar na brincadeira de esconde esconde, apegando-se às pessoas que estão ao seu redor e estabelecendo brincadeiras com elas. Como se as pessoas fossem objetos animados.

Ao se falar com o bebê, ele responde com vocalização de gargalhada e já busca pelas vozes que o chamam. Entrando no quarto mês, o bebê já pega objetos que caem de suas mãos. Interage com terceiros provocando o jogo da queda dos brinquedos, a perda e reencontro com sua própria imagem. Descobre seu retorno refletido no espelho e brinca com eles. Aos cinco meses já começa a distinguir rostos não familiares dos familiares e se interage muito com seus pés. Seu corpo é percebido além de sua boca e mãos. Aos seis meses, o bebê é capaz de realizar grandes proezas, pega um objeto em cada mão, acaricia sua imagem no espelho, já começa a comer papinha e com isto o jogo de se lambuzar jogando a comida para fora de sua boca, provocando um contínuo contato da criança com quem o cuida. O bebê está sempre provocando os encontros.

Nas interações com os diferentes objetos que vai interagindo, desde corporal até externos, o bebê revela sua busca pelo conhecimento em tudo que toca ou vê. O bebê é desta forma, um grande filósofo, tudo experiência, palpa, sensoriza, relaciona e integra. Absorve tudo para si. Este mundo que o cerca, sendo carregado de muito estímulo, impulso de vida, alegria de tê-lo (bebê) como centro, provocará um campo altamente favorável nesta primeira etapa de construção do conhecimento pelo bebê. Nos pequenos detalhes de busca, e na pré-disposição do ambiente em favorecer estas buscas, dá-se uma iniciação brilhante do processo de conhecimento. Nasce assim o ser desejante, curioso e estimulado para se encontrar com a vida.

Como Nasce o Conhecimento

quarta-feira, junho 25th, 2008

Desde bebê, o ser humano estabelece o processo de conhecimento. As primeiras interações com a mãe pelo ato de mamar, trás em si o mecanismo de conhecimento. Pela memória e motricidade desencadeada na experiênciação do ato de mamar, o bebê aprende a buscar seu alimento. Na mãe, seu ego está enraizado e integrado, onde elabora a reprodução do recordar, desejar e esperar os seios que o nutrirá. Encontra-se com os seios e o integra em seu ser, conhecendo que nesta interação estabelece a capacidade para se nutrir, superar-se em sua fome. O ato de se alimentar desta forma acontece como seu primeiro processo de conhecimento.

Conhecer é uma atitude que carrega em si a identificação, a cópia, o desejo pela busca de algo que espera. Conhecer mobiliza o sujeito a sair de si e encontrar-se. Por isto mesmo que quando nos deparamos com crianças em educação infantil que estão com dificuldade de conhecer, isto é, de aprendizado, imediatamente tentamos identificar como está o vínculo da criança com quem educa. Muitos são os casos em que ao se trocar o educador, a criança consegue surpreendentemente se superar nos seus conhecimentos, pois encontra alguém que consegue ser suporte de apoio e afeto para a busca pelo conhecimento. Pois o educador que se coloca afetivamente no processo educacional, oferece à criança a re-memorização de vínculos estabelecidos no início do processo de conhecimento que carrega gravado na criança a partir da amamentação. Amamentar não é bom só pelo fato do leite materno ter nutrientes que melhora na estruturação neurológica, mas também por deixar marcas de vínculos afetivos que nortearam os primeiros processos de aprendizado. Por isto mesmo que ser professor de ensino fundamental mobiliza intensamente processos regressivos nos professores.

Na tenra idade, quando imaginamos que uma criança ainda bebê não é capaz de estabelecer processos de busca, temos no ato da amamentação muito mais que um simples mecanismo de sobrevivência. Temos o princípio do mecanismo de conhecimento. È preciso conhecer para se alimentar, o alimento não chega até o bebê só por que sua mãe assim quer. Chega por que ele também desejou. É o encontro de seres desejantes, mãe e filho, ela desejosa pelo crescimento saudável do filho, ele desejoso de ter suas necessidades básicas realizadas. Se ambos buscam e se encontram nestes desejos, o resultado será favorável.

Uma boa interação de amamentação potencializa crianças para caminhos do conhecimento de forma prazerosa, tornando-os sedentos de saber, com o passar dos anos.

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