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Propaganda e crianças, a lei da selva

sexta-feira, março 26th, 2010

A Suécia baniu, em 2004, a publicidade na TV dirigida às crianças, com apoio de 88% da população. Desde 1991 ela já não podia ser veiculada antes das 21 horas. As decisões estão fundamentadas em pesquisas conduzidas pelo sociólogo Erling Bjurström. Diz ele que “algumas crianças já aos 3 ou 4 anos de idade conseguem distinguir um comercial de um programa normal de televisão, mas que somente dos 6 aos 8 anos é que a maioria consegue fazer a distinção”.

Para o sociólogo, só aos 12 é que todas as crianças conseguem ter uma posição crítica em relação à publicidade ou discernir corretamente sobre os seus objetivos. No Brasil nunca se fez esse tipo de pesquisa, mas acredito que, apesar de todas as diferenças culturais e econômicas existentes entre os dois países, as respostas seriam semelhantes. Afinal não é justo impor pressões comerciais às crianças quando elas ainda não tem idade nem para diferenciar ficção da realidade.

Está mais do que provado o poder de indução da TV às diferentes formas de comportamento infantil, positivas e negativas. Infelizmente estas últimas são predominantes, variando apenas o grau de periculosidade. Desde amarrar um avental às costas e pular de alguns degraus da escada, imitando um herói de desenho animado, até esfaquear a coleguinha como fez um menino em Brasília, reproduzindo imagens vistas na televisão, como ficou comprovado.

Aprende-se com os anúncios que só através do consumo se chega à felicidade e que a posse de determinados objetos torna algumas pessoas diferentes e superiores a outras. Molda-se, dessa forma, toda uma vida. Os únicos antídotos existentes para esse envenenamento precoce são oferecidos pelo entorno familiar e pela escola, instituições capazes de relativizar o poder da televisão. Em reduzidos setores da sociedade brasileira isso é perceptível. Escolas com métodos pedagógicos modernos e competentes, país intelectualizados e com um nível de renda que permita o acesso a outras formas de conhecimento impedem que a televisão e a propaganda exerçam domínio absoluto sobre a cultura infanto-juvenil. Falamos, infelizmente, de uma minoria privilegiada. A maioria no Brasil têm na televisão sua única fonte de informação e entretenimento, tornando-se presa fácil da monopolização cultural.

Sobre as crianças mais velhas, há uma pesquisa da Unesco, realizada em 23 paises (entre eles o Brasil), com cinco mil jovens de doze anos, mostrando a importância dos heróis televisivos e “pop-stars” na imaginação infanto-juvenil. Eles são cada vez mais modelos de vidas consideradas bem sucedidas. Não é por acaso que astros da televisão, pelo menos aqui no Brasil, transfiguram-se em garotos-propaganda, usando para vender mercadorias a aura conquistada nos programas de entretenimento.

Trata-se de uma violência praticada por adultos que seduzem as crianças e os jovens com seus encantos ficcionais, conseguindo estabelecer com eles uma relação fraternal e de confiança, mas ao mesmo tempo os traem, ao se apresentarem como vendedores de todo tipo de mercadoria. Fazem isso, muitas vezes, sem o mínimo pudor, inserindo o comercial no meio do programa infantil, impedindo a distinção entre o entretenimento e o comércio. É o tão decantado merchandising, xodó de publicitários e camelôs eletrônicos.

Não se respeita na TV nem a distinção que jornais e revistas responsáveis fazem entre anúncios e conteúdo editorial, separando-os muitas vezes com fios grossos e, se necessário, colocando em destaque a expressão “informe publicitário”. Não se respeita nem o artigo 36 do Código Brasileiro do Consumidor onde consta que “a publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal”. E nem mesmo o Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária que também exige a identificação do anúncio em seu artigo 28.

Se de um lado a ofensiva publicitária é cada vez mais intensa, buscando conquistar corações e mentes desde o berço, de outro alguns governos começam a se sensibilizar para a questão, instituindo formas de proteger a infância da televisão. Aliás, a Constituição brasileira diz que a lei deverá criar mecanismos para proteger a família da TV, lei que até hoje inexiste. Mas na Europa, a década de 1990 mostrou avanços sensíveis, impulsionados pela Convenção da ONU de 1989 que preconizava a necessidade de “encorajar o desenvolvimento de orientações apropriadas para proteger a criança de informações e materiais prejudiciais ao seu bem estar”.

Colocando em prática essa orientação, França, Inglaterra, Alemanha e Itália estabeleceram regras de proteção à infância, entre elas a exigência de uma distinção clara por meio de sinais óticos ou sonoros das emissões publicitárias. É exatamente o oposto da confusão proposital efetivada pelo merchandising.

Além disso, a Diretiva Européia sobre Televisão sem Fronteiras, adotada por vários países do continente, indica que os anúncios não devem incitar diretamente as crianças a comprar, ou estimulá-las a persuadir seus pais para que comprem alguma coisa, valendo-se da inexperiência e da credulidade infantis. Nem pensar, por exemplo, a exibição do comercial que passou na TV brasileira, onde um jovem não queria chegar à festa trazido pelo pai, para não se sentir criança na frente dos amigos. Mas quando o pai trocava de carro e ele aparecia descendo de um modelo novo e caro, a vergonha era deixada de lado, superada pelo orgulho de possuir um carro último tipo.

Alguns países foram além do sugerido pela Diretiva Européia. A Alemanha proibiu a inserção de publicidade em qualquer programa infantil. Nos canais públicos italianos não pode haver propaganda em programas infantis e na França o merchandising é proibido. A decisão sueca é ainda mais avançada e se apóia, além da pesquisa, na constatação de que as crianças não nascem com anticorpos necessários para se defender das pressões comerciais e, por isso, têm direito a zonas protegidas.

Aqui continua imperando a lei da selva. Produtos para o público infantil são anunciados antes, durante e depois dos programas dirigidos a essa faixa etária. Qualquer tentativa de civilizar a televisão é apontada como censura ou obstáculo à livre iniciativa, sem que os autores dessas falácias se sensibilizem com as deformações culturais e psicológicas impostas pela propaganda. São os mesmos que se queixam da violência urbana, da brutalidade no trânsito, do mau comportamento das crianças e adolescentes, fechando os olhos para a relação desses fatos com a educação para o consumo e o individualismo, impostas incessantemente pela propagada na TV.

Laurindo Lalo Leal Filho*

* Laurindo Lalo Leal Filho é sociólogo e jornalista, professor de Jornalismo da ECA-USP.

SE SAIR DO PAPEL, CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO TRANSFORMARÁ A MÍDIA BRASILEIRA NA MELHOR DO PLANETA

sexta-feira, dezembro 18th, 2009
Presidente Lula faz palestra de abertura na CONFECOM

Presidente Lula faz palestra de abertura na CONFECOM

Acabo de chegar da primeira CONFECOM, realizada em Brasíllia nos dias 14 a 17 de dezembro. Fui delegado pela delegação do Estado do Espírito Santo, onde pude fazer corpo lá com mais outros trinta Psicólogos representando o Conselho Federal de Psicologia e os mais de 1500 delegados de todo o Brasil.

O Presidente Lula fez a abertura da Conferência no dia 14 à noite, tendo sido muito aplaudido, principalmente quando fala do amadurecimento desta Conferência em reunir a sociedade civil , o empresariado e governo para debaterem o futuro da comunicação no Brasil. Lula lastima a incapacidade de alguns setores do empresariado terem se retirado do processo, reafirmando que ainda há dificuldades por parte daqueles que sempre estiveram recebendo benefícios do poder governamental de sentarem para negociação.

O Ministro  das Comunicações Hélio Costa não teve o mesmo desempenho de graça com a platéia, foi o tempo todo vaiado, pelos três setores. Sabemos que por vontade dele, esta CONFECOM não tria saido. Não sabemos o porquê ainda continua Ministro.

AS CONQUISTAS PRINCIPAIS:

Com certeza, são centenas de conquistas. Vou citar aqui algumas -

1) Criação do Conselho Nacional de Comunicação ( Que a Globo tenta enganar a sociedade  dizendo que este tipo de conselho é para fazer voltar a censura no Brasil)

2) Fim da publicidade dirigida à crianças e adolescentes;

3) Fim da publicidade de bebidas alcoólicas de qualquer nível alcoólico;

3) Necessidadde do diploma de Jornalista para exercício da profissão e criação do Código de Ética da categoria, o que forçará a criação do Conselho Federal de Jornalistas. ( Não foi a toa que alguns donos de mídia não foram, temerosos com este tipo de regulamentação);

4) Criação de critérios e parâmetros para a qualidade do conteúdo da programação;

5) Muitas propostas que garante o Direitos Humanos e proteção da imagem de homens e mulheres na mídia;

6) Regionalização da programação televisiva e radiofônica;

7) fortalecimento das rádios comunitárias;

8) Garantia de programações educativas, culturais e de debates públicos sociais;

E muito, muito, muito…mais.

VEJA ESTAS CONQUISTAS COM MAIS DETALHES NO SITE DA CONFECOM

CONFECOM – GERSON ABARCA ESTARÁ COMO DELEGADO

terça-feira, novembro 24th, 2009
Celso Schröder, Sueli, Gerson Abarca e Giovani César

Mesa Redonda Produção de Contéudo - Composição: Celso Schröder, Sueli, Gerson Abarca e Giovani César

Gerson Abarca e Celso Schröder

Gerson Abarca e Celso Schröder

A primeira Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá nos dias 11, 12, 13 de dezembro 2009 em Brasília, contará com delegados de todos os estados brasileiros eleitos nas etapar regionais. Conquistamos uma vaga para o Conselho Regional de Psicologia – ES (CRP16), dentre outras 11 entidades representantes do setor da sociedade civil. Também estarão delegados da sociedade civil empresarial e do governo.

Em Brasília estarei representando o CRP16, após intenso processo de participação nos movimentos pela democratização da comunicação. Na Conferência do Espírito Santo pude participar como debatedor na mesa redonda em que  o Jornalista Celso Shoröder (FNDC), um dos ícones pela democratização da mídia brasileira, realizou a conferência sobre o eixo temático produção e conteúdo. Foi um momento impar, coroando um envolvimento nesta temática desde 1995, quando lancei pela Editora Paulus o livro ” O poder da TV no mundo da criança e adolescente”.

Esta primeira Confecom, que têm sido ameaçada pelos empresários que até hoje tiveram muitos dividendos com a não regulamentação de critérios reguladores da Mídia, será o início para uma Comunicação Social que respeita os Direitos Humanos, e que garanta a informação verdadeira à todos.

PROGRAMAÇÃO DA CONFECOM-ES – GERSON ABARCA REPRESENTARÁ CRP-ES

quarta-feira, novembro 18th, 2009

Data: 20 a 22 de novembro de 2009

Local: Centro de Convenções de Vitória (R. Constante Sodré, 157 – Santa Lúcia)

Programação

Dia 20

19h – Solenidade de abertura

20h – Aprovação do Regimento Interno

Dia 21

8h – Painel Eixo 3 – Cidadania, Direitos e Deveres

Conferencista: Bernardo Joffily, jornalista, editor do portal www.vermelho.org.br e também autor do Atlas Histórico Brasileiro IstoÉ Brasil 500 anos (1998) e da Agenda Brasil Outros 500 (2000).

Debatedores: Edgard Rebouças, jornalista, professor da Ufes e Coordenador do Observatório da Mídia Regional, e Bruna Lyra Duque, professora e advogada (Vivo).

9h30 – Painel Eixo 1 – Produção de Conteúdo

Conferencista: Celso Schröder, coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas.

Debatedores: Gerson Abarca, Conselho Regional de Psicologia do ES, e Giovani César, jornalista (TV Capixaba).

11h – Painel Eixo 2 – Meios de Distribuição

Conferencista: Henrique Antoun, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenador do CiberCult (Laboratório de Pesquisa em Comunicação Distribuída e Transformação Política).

Debatedores: José Nilton de Oliveira Santos, vice-presidente da CUT-ES e Welton Sthell Duque, engenheiro de telecomunicações (Vivo).

A parte da tarde será dedicada aos Grupos de Trabalho que serão divididos pelos três eixos centrais.

Dia 22

8h – Plenária e eleição dos delegados para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação

12h – Encerramento

GOSTOSA E BOA! VOCÊ PENSOU EM… (MULHER OU CERVEJA?)

segunda-feira, novembro 16th, 2009

A publicidade de bebida alcoólica no Brasil poderá ter seus dias contatos se você e todos os brasileiros que estão preocupados com esta tendência mercadológica da mídia brasileira de veicular bebida alcoólica como se fosse água, e ainda mais, associada com o abuso da imagem da mulher, direcionando os olhares e construindo subjetividade em torno do ser mulher na sociedade – tem que ser gostosa e boa -; se interessarem pela Conferência Nacional de Comunicação – CONFECOM – que será realizado em Brasilia nos dias 11 a 12 de dezembro de 2009. Mais informação no site do MEC – www.cultura.org.br

MÍDIA E PSICOLOGIA – UM DEBATE PARA ESQUENTAR A CONFECOM

quarta-feira, novembro 4th, 2009
Prof.Dr.Edgard Rebouças (UFES) estará no debate

Prof.Dr.Edgard Rebouças (UFES) estará no debate

Evento será na Ufes e contará com participação do CRP-16

No clima das mobilizações visando a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), será realizado o seminário Observações, com o tema Mídia e Psicologia, nesta quinta-feira (05), em Vitória. O Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região (CRP-16) vai participar deste evento, que acontece no auditório do Cemuni IV, no campus de Goaibeiras da Ufes, a partir das 19h.

O conselheiro Gérson Abarca vai representar o CRP-16 e será um dos palestrantes da noite. Além dele, o professor e doutor em Comunicação Social Edgard Rebouças e o doutor em Psicologia Social Paulo Menandro também vão fazer palestras sobre a temática.

O evento é realizado pelo Observatório da Mídia Regional. Vale ressaltar que a mobilização em torno da Confecom contará ainda com a realização da Conecom/ES, a Conferência Estadual de Comunicação, nos dias 20, 21 e 22 de novembro.(Fonte: www.crp16.org.br )

MINHA FAMÍLIA É ASSIM – UM PROGRAMA QUE VALE A PENA ASSISTIR

sexta-feira, setembro 18th, 2009

Nesta terça passada, 15 de setembro, estive no programa “Minha família é assim”, com a apresentação do casal Presbítero Nelsinho e Márcia, pela Canção Nova.

Foi uma honra para mim, poder estar novamente neste programa com o tema publicidade infantil. Com amplo espaço para debates, o tema foi conversado livremente entre eu o Nelsinho e Márcia, como se estivessemos na mesa da cozinha de nossas casas. Aliás, esta é a grande sacada da produção deste programa, que simula o ambiente familiar.

O ponto forte da conversa foi quando falávamos sobre a capacidade que os pais possuem para serem os grandes publicitários da vida e do amor aos filhos. Muito mais do que os próprios pais imaginam.

Se em uma publicidade de 30 segundos  é capaz de fazer a cabeça de uma pessoa adulta, imagine de uma criança. Por isto que cabe aos pais a capacidade de controlar o que os filhos assistem na TV e quais os horários que assistem.

Você pode adquirir o DVD deste programa, é só entrar no call center da Canção Nova e solicitar. Vale a pena.

Pais, os Publicitários da Vida

sexta-feira, setembro 11th, 2009

Se a publicidade consegue atingir crianças de 2 meses a 2 anos sem muito esforço, pelo fato de nesta idade a criança necessitar de objeto transicional para estabelecer o processo de separação dele com a figura materna, a publicidade entra diretamente na alma da criança sem juízo de valores e sem bloqueio de censura pessoal. Assim, podemos pensar que os pais podem transformarem-se nos maiores publicitários da defesa pela vida na mente de seus filhos.

Se o ambiente familiar é de paz, tranqüilidade e aconchego, onde a música que se ouve dentro de casa; os conteúdos que se assiste na TV e a potencialização das trocas de afeto são uma freqüência, a vida estará sendo “vendida” no imaginário da criança, como um valor que ele desejará experimentar, defender e viver.

Cuidar para que a casa tenha ambiência de paz, bem e afeto, filtrando tudo o que entra na casa, desde pessoas até conteúdos televisivos e radiofônicos, como também estilos musicais; são fatores que construirão uma criança potencialmete desejosa de viver a paz e a vida na sua plenitude.

Aquilo que os pais desejam que seus filhos sejam, poderão interferir nos filhos desde bebês. Dizer conteúdos bons, mensagens positivas e alegres, são mecanismos que colocam os pais como os principais publicitários da vida junto aos filhos.

É preciso assumir assim a paternidade e maternidade responsável, e ter sobre a família o controle sobre o processo educacional dos filhos.

*Psicólogo – Psicoterapeuta – Autor do livro: “O Poder da TV no Mundo da Criança e do Adolescente”, Ed. Paulus – SP.

Após está breve reflexão, gostaria de saber se você também concorda que os pais são o principal veículo educacional dos filhos? Você têm alguma experiência neste sentido?

Deixe seu comentário abaixo:

Controle de Publicidade na Mídia Brasileira

sexta-feira, setembro 11th, 2009

O Governo Federal convocou a primeira Conferência Nacional de Comunicação (CONFECOM). Previsto para 3,4 e 5 de dezembro de 2009, a Conferência pretende criar mecanismos de controle para a mídia no Brasil. Dentre as temáticas que tem sido bastante debatidas entre os grupos que se organizam para influenciar nesta nova regulamentação está a questão da publicidade, principalmente a voltada para crianças e adolescentes como também a de bebidas alcoólicas.

O Conselho Federal de Psicologia tem participado deste debate e focado seu campo de interesse principalmente por estas duas formas de publicidade. Isto porque os psicólogos atuam na busca de melhor qualidade de vida emocional da população com teorias da psicologia, pesquisamos sobre o desenvolvimento infanto/juvenil e as tramas de construção de vínculo afetivo entre as pessoas.

Com o conhecimento da psicologia nas suas diversas áreas de função e campos teóricos, podemos certificar que a publicidade para crianças e adolescentes deve ter critérios bem estabelecidos, principalmente àqueles que não criam mecanismos ilusórios, fazendo penetrar idéias fantasiosas como verdades, em uma mente que ainda é desprovida da capacidade de pensar por si mesma e fazer juízo de valores sobre suas escolhas. A influência de publicidade para crianças e adolescentes é tão certeira, que há pesquisadores que indicam a eliminação de qualquer tema de publicidade para crianças e adolescentes. Já na questão da publicidade de bebidas alcoólicas o problema é ainda maior, pois crianças e adolescentes estão sendo introduzidos no vicio alcoólico com a ilusão de que a bebida alcoólica não causa dependência. O órgão que regula a questão da publicidade no Brasil CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) que é composto por empresários da mídia, criou a idéia de que bebida acima de 13º GL (Graus Gay – Lussac) é considerada alcoólica, pois querem associar a idéia de que o vinho (que geralmente é acima de 12°, é um alimento) para não dificultar a venda de vinhos dos produtores brasileiros. Porém a incoerência está lançada no ar, pois se um motorista beber uma única dose de bebida alcoólica ou até um copo de cerveja, será pego no bafômetro e será no enquadrado na Lei Seca. Pois é notório que pesquisas apontam que uma única dose de bebida alcoólica já altera a estrutura psicomotora do motorista.

*Psicólogo – Psicoterapeuta – Autor do livro: “O Poder da TV no Mundo da Criança e do Adolescente”, Ed. Paulus – SP.

Diante desta breve reflexão, você acredita que o Governo Federal deveria regulamentar melhor a publicidade de bebidas e as dirigidas à crianças e adolescentes?

De sua opinião nos comentários abaixo:

Publicidade de Bebidas Alcoólicas

quinta-feira, setembro 10th, 2009

Em recente pesquisa, a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) divulgou resultado de pesquisas desenvolvidas longitudinalmente (ao longo de anos) com a questão da publicidade de bebidas alcoólicas na mídia com os seguintes dados:

- Idade que se inicia o consumo de bebida alcoólica no Brasil é de 12 a 14 anos.

- A maior parte dos acidentes de trânsito provenientes de consumo de álcool ocorre por indivíduos que bebem eventualmente.

- 35% dos menores de idade consomem bebida alcoólica ao menos 1 vez ao ano, sendo que destes 9,1% o fazem com freqüência.

As conclusões sobre a publicidade de bebida alcoólica foram:

- Reforço atitude pró-álcool.

- Pode alimentar o consumo entre quem bebe.

- Pode desestimular a redução do consumo.

- Predispõe os jovens menores de 18 anos a beber

62% dos adolescentes informaram que são expostos diariamente à propagandas de álcool.

A pesquisa revela que quando o telespectador identifica-se com o produto de marketing, predispõe ao consumo de álcool.

Quando observamos estes índices, entendemos que nossa atual geração está sendo conduzida ao consumo de bebidas alcoólicas, nossas crianças e adolescentes estão ficando pré-dispostos ao alcoolismo.

Imagine como que a associação de imagem da cerveja em estádio de futebol ou financiando programas esportivos pode levar aos jovens a idéia de que cerveja não trás conseqüências negativas à saúde e que para ser esportista nada melhor do que uma cerveja para comemorar resultados.

Também vemos como a publicidade de cervejas associam a garrafa e o liquido com mulheres esculturais e na sua maioria louras, como se ao tomar cerveja estivessem degustando e saboreando uma linda mulher.

Tenho atendido nos últimos anos muitos adolescentes que utilizam cerveja para conseguirem conquistar uma menina pois julgam tímidos e a cerveja libera. Assim também com as meninas, que para não ficar de fora do poder masculino acabam entrando no mundo da cerveja pela necessidade de disputa de poder territorial, tipo “se eles podem, eu também”, mesmo a publicidade de cervejas sendo associadas como coisa de homem usufruindo a mulher/cerveja, elas acabam entrando no jogo.

*Psicólogo – Psicoterapeuta – Autor do livro: “O Poder da TV no Mundo da Criança e do Adolescente”, Ed. Paulus – SP.

Diante desta breve reflexão como você vê a publicidade de bebida alcoólica livremente na mídia brasileira?

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