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Desenhos animados ou idiotices caricaturais

sexta-feira, outubro 9th, 2009

Fazia muito tempo que não parava uma manhã para assistir a programação televisiva para as crianças brasileiras. Mas hoje, estava em uma clínica aguardando exames e na recepção havia uma TV Plasma enorme na parede ligada em uma canal de TV comercial, destes de grande audiência. Fiquei aguardando por 1 hora o exame e tive que assistir a pelo menos 7 desenhos diferentes.

Imaginava que a programação tivesse melhor de quando eu ainda era criança. Sou da época da Pantera Cor de Rosa; Popay; Tom e Jerry. Neles havia uma violência subliminar (mensagem indireta), mas pelo menos tinha enredo. Ao assistir os desenhos de hoje, fiquei estagnado, tentava incorporar a ótica de uma criança, para ver se dava para engolir alguma coisa. Mas, no final daquela hora já estava estressado – quanta idiotice!!

Pior ainda são as caricaturas dos desenhos, uma produção parecida com aula de geometria na estética corporal dos desenhos. O conteúdo, sem roteiro, sem fundamento e uma agressão gratuita. Para uma ação, sempre outra reação agressiva.

No momento que fui chamado para realizar o exame, falei para as recepcionistas: “nesta sala não tem crianças, por que vocês mantêm este tipo de programação ligada, não tem algo melhor?” Uma das atendentes respondeu-me: – “o pior é que a gente sai daqui na hora do almoço com uma carga tão negativa! E quando tem criança na recepção, nem elas aguentam.”

A intencionalidade deste tipo de programa só pode ter uma linha de interesse – transformar as crianças em pequenos idiotas, que não pensam, não criam e não tomam atitude. Quem sabe desta forma, toda aquela quantidade de propagandas de brinquedos, entram de forma anestesiada no desejo inconsciente das crianças idiotizadas.

MÍDIA E SUBJETIVIDADE

quinta-feira, junho 25th, 2009

* Gerson Abarca

O Conselho Federal de Psicologia ( CFP ), lança o livro “Mídia e subjetividade: produção de subjetividade e coletividade”. Resultado do I Seminário Mídia e Subjetividade, realizado em junho de 2007 no Rio de Janeiro-RJ.

Um belo material para quem trabalha com produção de mídia, que para os Psicólogos é “prato cheio” na conversa sobre como anda o sistema de comunicação social no Brasil.

Pegando o conceito de subjetividade a partir de José Novais (CRP -RJ), que aponta a subjetividade como “maneiras de perceber, de representar, de reagir afetivamente e de agir no mundo, o que antes o pensamento tradicional  chamava de personalidade…” ( Abertura do Seminário); podemos entender que a mídia é hoje a maior produtora de subjetividade. Da mídia podemos moldar personalidades, podemos aprender a perceber o mundo.

Se no passado o livro era o principal mediador de informações e de construção de identidades e personalidades, principalmente no velho continente, tanto que até hoje nos guiamos de grandes pensadores, como Sócrates ( 469-399 a.c.) com sua célebre afirmação “conhece-te a ti mesmo”; os relatos Bíblicos; e como nos lembrou na abertura do Seminário do Rio de Janeiro Marcos Ferreira ( presidente da Associação Brasileira de Ensino de Psicologia – ABEP ), do livro  “Dom Quixote”, onde a ama do Dom quixote afirmava que ele tornara-se daquela forma por consequência do excesso de leitura dos livros de cavalaria que realizara. Livros também modificavam comportamentos.

Até hoje escuto pessoas dizendo que quem lê muito fica “doido”.

Os livros se quer chegaram a conquistar o novo mundo subdesenvolvido do Brasil, e já estamos atolados nas telinhas dos computadores e televisores.

Uma adolescente estava preocupada com o seu grau de esquecimento do que estudava na escola e trouxe-me a seguinte pergunta: Será que é porque eu fico muitas horas no computador? Pergunto se ela ficava estudando. -”Não, fico conversando com o meu namorado”. A conversa segue para levar a adolescente a pensar qual era sua principal motivação na vida hoje. Ela confirmava que era mais namorar do que estudar. Desta forma pude mostrar para ela que para namorar, não precisa de ter curso. O ser humano está codificado geneticamente para esta atividade fisiológica como qualquer outro animal, e que se a preocupação dela hoje era de namorar simplesmente, então não deveria estar preocupada, pois para só isto não precisamos de conteúdo ou memória, só das sensações. Ela não gostou nada nada de saber disto e falou: – “Nossa… que horrível!!!”

Mas em tempos de BBB, a subjetividade esperada não passa dos lábios se unindo e dos corpos irradiantes e sarados. Uma subjetividade que reduz o ser humano à um simples animal.

Por conta disto, que nós Psicólogos estamos preocupados e atuantes, para fazer acontecer uma Conferência Nacional de Comunicação ( convocada pelo Governo Federal para Dezembro de 2009) que traga diretrizes para uma mídia que construa subjetividade cidadã.

* Psicólogo – é conselheiro no Conselho Regional de Psicologia – ES, autor do livro: O poder da T.V. no mundo da criança e adolescente – Ed Paulus – SP

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