Pátio do Colégio de São Paulo
segunda-feira, julho 2nd, 2007Sob os olhares curiosos dos Guainás e Tupiniquins, um grupo de treze padres da Companhia de Jesus, da qual faziam parte José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, escalaram a serra do mar chegando ao planalto de Piratininga onde se situava numa colina alta e plana, cercada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú. Quando o padre Manuel da Nóbrega e o noviço José de Anchieta, jesuítas a mando de Portugal resolveram se estabelecer na localidade que denominaram Vila São Paulo de Piratininga, a primeira construção foi o Pateo do Collegio – um marco inicial no nascimento da cidade de São Paulo.
Em 25 de janeiro de 1554 foi realizada em suas dependências a missa que oficializou o nascimento da capital paulista celebrada por padre Manuel de Paiva A reação dos índios à doutrina dos jesuítas não foi tranqüila. Houve resistência da cultura indígena, ao mesmo tempo que os bandeirantes paulistas, interessados em aprisionar os índios, em conflito com os catequizadores. Os jesuítas foram expulsos; mais tarde voltaram e retomaram a catequese. O colégio, erguido em uma encosta, funcionava como uma fortificação: os jesuítas pensavam em se proteger tanto dos bandeirantes quanto dos próprios índios. Reuniram-se em torno de uma cabana construída pelo cacique Tibiriça, no planalto de Inhapuambuçu, e ali celebraram a famosa missa de 25 de janeiro de 1554. A data corresponde ao dia da conversão do apóstolo Paulo que, por sua vez, justifica o nome dado à cidade. Desde então, essa solenidade constitui-se na certidão do nascimento de São Paulo Dois anos depois, em 1º de novembro de 1556, foram inaugurados a casa, construída pelo Cacique Tibiriçá, e o colégio. Em 1556 o padre Afonso Brás foi o encarregado da ampliação da antiga casa de barro socado para abrigar os catequizadores. Brigas entre os colonos e religiosos influenciaram na expusão dos jesuítas no local, para onde só retornariam 13 anos mais tarde.

Foi a partir de 1560 que São Paulo passou a ser reconhecida como vila com a instalação de uma Câmara de Representantes e Em 1653, Foi construído um anexo ao colégio, onde foram instalados paulatinamente os primeiros cursos de filosofia, teologia, artes, biblioteca e capela, ocupando uma área de mais de mil metros quadrados. Para essa construção foi utilizada a técnica da taipa de pilão, em que as paredes são feitas de barro comprimido em formas de madeira em 1711 ficou São Paulo se torna oficialmente cidade Em 1745, houve outra ampliação, 14 anos depois a ordem jesuíta foi expulsa por decreto do Marquês de Pombal, responsável pela Secretaria de Negócios Estrangeiros durante, o reinado de D. José em Portugal. O governo apropriou-se dos bens da Companhia de Jesus, e o antigo casarão colonial foi completamente descaracterizado por profundas reformas. Entre 1765 e 1908, funcionou como Palácio dos Governadores. Nesse período, um desmoronamento resultou na perda do precioso patrimônio da igreja. Em 1932, o Palácio do Governo foi transferido e o velho colégio passou a abrigar a Secretaria da Educação, que lá permaneceu por 21 anos Em seu interior encontram-se restos da primeira construção da cidade, datados de 1554. A construção atual é uma réplica da original, visto que em 1884 parte da obra foi demolida, sendo reinaugurada no formato atual no ano do 4º centenário de São Paulo, 1954. A primeira construção tinha aproximadamente 90 metros quadrados, segundo informações históricas.
O Pátio do Colégio se tornou num símbolo da cidade, e ainda um símbolo da memória paulistana, afinal resistiu a verticalização O Importante é que o Colégio de São Paulo de Piratininga guarda tesouros inesperados, em meio a cidade que “não pode parar”, por ter sido considerada a primeira construção da cidade. O prédio de 1554 já foi destruído a muito tempo, e o novo foi ampliado, gerando assim o edifício atual. Restou apenas uma parede. É importante lembrar que a urbanização da nossa cidade teve na escola a referência para sua definição original. A história do Pátio do Colégio se confunde com a da cidade de São Paulo. A execução pioneira da construção original, suas reformas, sua destruição, a construção para abrigar outro uso, de novo a destruição e finalmente a construção de uma réplica (o que conhecemos hoje como o Pátio do Colégio é uma reconstituição quase caricata do edifício original) são etapas reveladoras de um processo pelo qual passou e passa a nossa cidade. Hoje, quem visita o complexo Pátio do Colégio encontra o museu Padre Anchieta, o auditório Manoel da Nóbrega, onde são realizados eventos culturais, a Galeria Tenerife,a praça Ilhas Canárias com seu Café do Pátio, a Capela Beato José de Anchieta, onde estão guardados o Fêmur de José de Anchieta e seu manto, a Cripta Tibiriçá e a Biblioteca.


