Archive for novembro, 2009

Espera, o preço da felicidade!

Minha mãe costuma dizer que aproveitamos mais a espera, o preparativo para a festa do que a festa em si. A felicidade está em aguardar, em se preparar, em estar na expectativa desse momento de felicidade. Esperar nos dá vida, nos “desinstala” e nos alegra. A felicidade tem o preço da espera.

Pergunte a uma namorada o quanto é bom esperar o namorado chegar. Pergunte a uma mãe como é boa a expectativa do parto. Pergunte a um doente como a certeza de uma visita o refaz. A espera é um preço que pagamos pela felicidade do momento. É como uma viagem em que é necessário passar horas, talvez dias, para chegar ao destino, ao lugar tão sonhado.

O tempo do Advento é isso: a expectativa da chegada do Senhor, que veio há mais de dois mil anos, mas que voltará em breve. É por isso que mesmo paramentada de roxo, o sentimento que a Igreja vive é diferente. Não é o da dor do deserto da Quaresma, mas da espera da volta gloriosa do Filho de Deus. A Igreja vive neste tempo um misto de alegria e dor. Alegria da certeza da volta do Senhor e a dor da espera. Esperamos a volta d’Aquele que é O amado, d’Aquele que dá sentido às nossas vidas.

Para mim, uma das melhores descrições da expectativa da chegada da pessoa amada é a utilizada pelo autor francês Saint-Exupéry – em sua célebre obra “O pequeno príncipe” – na declaração de amor da raposa para o amigo príncipe: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!”

Assim deve estar a nossa alma no tempo do Advento: inquieta e agitada pela expectativa da vinda do Senhor. Inquieta para ser melhor, para estar em santidade e preparada para a volta de Jesus. E agitada por levar tantas outras almas a esperarem ansiosas a manifestação do Senhor.

Ao contrário da raposa, nós não sabemos a hora exata em que o Senhor virá; por isso precisamos começar a ser felizes agora. A grande certeza, que temos, é que a hora está chegando, e como a raposa, a cada dia estamos mais felizes. A alegria nos invade porque o Senhor está voltando.

A grande diferença na expectativa da vinda do Senhor é que quando Ele chegar a alegria vai ser muito maior. Não podemos imaginar o quanto seremos felizes, o quanto os nossos corações estarão em festa por terem aprendido a esperar. Será felicidade sem limite.

“Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição” (Ap 21,4)

Essa felicidade eterna nos dá a esperança para aguardar, para sofrer as demoras e as dificuldades no caminho. A espera tem sentido porque a felicidade tem nome: Jesus Cristo.

Aprendi com a raposa o preço da felicidade. Aprendi com a Igreja a esperar o Senhor e a clamar “Maranathá: Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,21).

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

Você será tratado da mesma forma que Jesus

Você será tratado da mesma forma que Jesus Deus é amor, e onde existe amor, ali Deus está. Já reparou que, embora com muito esforço, lutas e quedas, esmorecimentos e desânimos, você segue o Senhor e quer andar observando Suas leis e mandamentos Esforça-se por conhecer Sua Palavra e ser uma pessoa cheia do Espírito Santo? Luta para viver, na prática, a Palavra, mas é alvo de perseguições e calúnias? Falam de você, prejudicam-no e maltratam? E que, quando você era uma pessoa “comum”, nada disso acontecia? Então, você pensa: “Certamente estou errado. Não estou no caminho correto”.

Muitos deixam o caminho do Senhor por causa das dificuldades e oposições, por causa do que as pessoas dizem e dos comentários que fazem, do que elas inventam a seu respeito e pelas várias perseguições que suporta. Não é um simples complexo de perseguição; não se trata de sentir que você é perseguido ou rejeitado. Realmente é isso mesmo o que acontece.

Pergunte a si mesmo e ao Senhor: “Por que acontece tudo isso?” Sabe qual é a resposta? Porque você é discípulo de Jesus. O próprio Jesus disse: “Já que trataram de Beelzebul o dono da casa, com quanto maior razão dirão o mesmo dos de sua casa! (Mt 10,25b).

Você não pode se esquecer de que Jesus é o único justo. Ele foi o homem mais equilibrado que houve na face da terra; no entanto, foi incompreendido, perseguido e caluniado. Colocaram mil barreiras a Ele, apertaram o cerco até O condenarem e O levarem à morte. Você é discípulo de Jesus, O segue e tem sua Palavra. Pela graça do Senhor, você tem a mentalidade do Espírito Santo. Se trataram assim a Jesus, vão tratá-lo da mesma forma. Não por você, mas causa do Senhor.

E será sempre assim. As trevas sempre irão se opor à luz. Quando você começa a ser luz, as trevas o atacam e perseguem. Não tenha receio, pois o próprio Jesus chamou de bem-aventurados aqueles que são perseguidos. Vamos conferir:

Felizes os perseguidos por causa da justiça: deles é o reino dos céus. Felizes sois vós quando vos insultam, vos perseguem e mentindo dizem contra vós toda a espécie de mal por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque grande é a vossa recompensa nos céus: foi assim, com efeito, que perseguiram os profetas que vos precederam. (Mt 5,10-12).

Essa é a última bem-aventurança. Jesus a amplia mais porque sabia que era essa a mais difícil. Nesses versículos, Jesus não diz isso só por dizer, não se trata de mera retórica. O Senhor nos garantiu: “bem-aventurado sereis”. Você será feliz! É uma grande sorte ser assim. “Bem-aventurado será quando o insultarem, o perseguirem e, mentindo, disserem contra você toda a espécie de mal por minha causa.”

Aí está o precioso: “por minha causa”. Não é pelo fato de fazer sua vontade ou por seus erros humanos, mas “por minha causa”. E quando fizer isso “por minha causa”, não tema, não receie, isto é uma sorte, é uma grande sorte.

Alegrai-vos e regozijai-vos, porque grande é a vossa recompensa nos céus: foi assim, com efeito, que perseguiram os profetas que vos precederam (Mt 5,12).

Felizes sois vós quando os homens vos odeiam, quando vos rejeitam, e quando insultam e proscrevem vosso nome como infame por causa do Filho do Homem (Lc 6,22).

Os verdadeiros profetas, os cristãos verdadeiros, os homens do mundo ultrajam, perseguem, caluniam e se opõem. Os falsos profetas, os cristãos medíocres, sem qualidade de sal e de luz, os homens deste mundo elogiam, falam bem, exaltam. Aí está o teste para saber de que lado você está. Se os homens elogiam você, se eles falam bem de você e o tratam bem, se batem nas suas costas, dizendo: “Está tudo bem, maravilhoso”, parece então que, na visão de Jesus, você não tem a qualidade de um verdadeiro cristão, de um profeta verdadeiro.

Se pelo reino de Deus, por causa de suas atitudes cristãs, de sua linguagem renovada, por sua fé e porque segue os mandamentos do Senhor sem medo e sem receio de nada, você é rejeitado e perseguido, alegre-se. Você está tendo um sinal evidente de que, com toda a sua fraqueza, está sendo um verdadeiro cristão. Por tal razão, Jesus o chama de bem-aventurado.

Não existe Cristianismo sem cruz. “Sofrimento sem sofrimento não é sofrimento. Dor sem dor não é dor”.

Seu Mestre foi à sua frente com uma cruz às costas, flagelado e coroado de espinhos. O que o espera é isso também. Quando o Pai o trata assim, Ele não está sendo cruel; pelo contrário, trata-o como filho que não é deste mundo, mas está destinado a viver neste mundo e a dar a vida por eles. O Pai o trata com austeridade, porque você é filho d’Ele e Ele o quer para Si, a Seu lado, na feliz eternidade para todo o sempre.

Se você sofre por causa de Jesus, alegre-se. Se sofre por causa do Reino, se é incompreendido e perseguido, caluniado e ultrajado por causa do Evangelho, alegre-se! Bem-aventurados sereis.

Trecho do livro “O Pão da Palavra – Volume 1” de monsenhor Jonas Abib   

1 ano de Reconhecimento Pontifício!