Archive for the ‘Sofrimento’ Category
A força que nos falta!
Muitas vezes, olhamos para nós mesmos e, diante de tantas lutas que vivemos a cada dia, nos percebemos fracos, desfalecidos, sem força. O mundo tenta nos arrastar com uma avalanche de más notícias, de más ações, de decisões que nos apontam um futuro incerto e fora da vontade de Deus. Nós lutamos, tentamos resistir e nadar contra a maré, mas nos cansamos e nos questionamos e, por vezes, queremos desistir e nos deixar levar. Falta-nos força; a Força!
Depois da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a alegria voltou aos corações dos discípulos, mas, mesmo vendo Aquele a quem eles amavam vivo entre eles, ainda não tinham forças suficientes para enfrentar o mundo do lado de fora daquelas portas fechadas do Cenáculo. Falta-lhes a Força!
Pode ser que – como os discípulos – você já tenha se encontrado com Jesus e realmente experimentado a alegria do Ressuscitado, que foi capaz de lhe devolver a alegria e seus sonhos perdidos. Ou talvez você ainda esteja fechado em suas frustrações e amarguras, sem esperança, sem alegria, desejando a morte a cada dia.
De qualquer forma, quando você olha para o mundo lá fora que o espera, você treme e tranca as portas do seu coração com medo de perder tudo o que recebeu. Pois é, os discípulos de Jesus, os mais próximos d’Ele, aqueles que conviveram com Ele, também passaram por isso.
No entanto, uma promessa nos foi feita: “[...] recebereis a força do Espírito Santo que virá sobre vós” (At 1,8). Jesus fez essa promessa não somente aos Seus discípulos, mas a cada um de nós. O Senhor sabia que sozinhos não conseguiríamos enfrentar o mundo, pois é natural do ser humano temer o que lhe parece muito grande. Por isso era necessária uma força sobrenatural, para além do que é natural em nós, uma graça. Era necessário para nós o batismo no Espírito Santo: “[...] Vós, porém, dentro de poucos dias sereis batizados com o Espírito Santo” (At 1,5).
O Espírito Santo é a Força do alto, o Poder do Senhor, o Amor de Pai por cada um de nós, derramados de forma abundante sobre todos aqueles que pedem, que suplicam, que imploram e que clamam ao Pai essa graça. Jesus nos prometeu que esse dom, e mais do que isso: afirmou que o Espírito Santo nunca nos seria negado se pedíssemos ao Pai: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!” (Lc 11,13). Cristo não disse que o Pai “poderia” nos dar essa graça. Não! Ele disse que o Pai dará o Espírito a quem o pedir.
Ser batizado no Espírito Santo é mergulhar inteiramente no Amor de Deus, e nele viver, se mover e existir (cf. At 17, 28). Somos tomados inteiramente pela ação da Força de Deus, que nos impulsiona, nos dá coragem e todas as armas necessárias para enfrentarmos as batalhas do mundo; e acima de tudo: nos dá a certeza de que somos amados, que temos um Pai que cuida de nós e que, por isso, não há o que temer.
Você deve estar se perguntando: “O que eu preciso fazer para receber o batismo no Espírito Santo?”. Só duas coisas são necessárias: desejar isso de todo o seu coração e clamar que o Pai renove, pela força do Seu Amor, pela força do Seu Espírito Santo, o seu coração e toda a sua vida. Deseje, peça, clame, suplique e Deus lhe responderá com a Força do alto, com uma total renovação de vida.
Agora, cuidado! Ao pedir o batismo no Espírito Santo você correrá risco de vida. Sim! Risco certo de morrer para uma vida velha e receber de Deus uma vida nova em Seu Espírito!
Somos fracos e reconhecemos isso. Por essa razão clamamos a Deus que nos dê Seu Espírito Santo, pois só o Paráclito é capaz de nos dar a coragem para enfrentar esse mundo, sem medo e com toda a alegria daqueles que foram transformados pelo Amor de Deus.
Nós precisamos dessa Força. O mundo precisa desse testemunho. No entanto, a Força invisível do Espírito Santo de Deus só será manifestada ao mundo quando nossas vidas forem verdadeiramente transformadas pelo poder d’Ele!
É só pedir e a Força, que lhe falta, virá: Veni Creator Spiritus! Vinde, Espírito Santo!
Deus abençoe!
Seu irmão,
Renan Félix
@renancn
renan@geracaophn.com
Quando termina uma amizade?
Pode ser que, diante dessa pergunta, muitas respostas tenham vindo à sua cabeça: Quando há traição; quando uma das pessoas se muda para outra cidade; quando a outra pessoa começa a namorar; quando um se decepciona com o outro. Enfim, uma série de conclusões prontas que não chegam nem perto da resposta mais acertada. Todos os motivos que foram citados não são determinantes para uma amizade terminar, pois se esta é verdadeira, ela está fundamentada no amor e o verdadeiro amor supera tudo. Mas, infelizmente, há uma razão bem concreta para uma amizade terminar: quando ela deixa de ser amizade!

Já apresentamos muitas definições para esse relacionamento fundamental entre as pessoas. Para nós, a melhor expressão para classificá-lo é dom de Deus. E justamente por ser um dom de Deus a amizade é irrevogável (cf. Rm 11,29).
Então perguntar sobre o fim de uma verdadeira amizade é contradizer tudo isso? Pelo contrário, é justamente reforçar essas ideias; é voltar a afirmar que esse relacionamento, mesmo que verdadeiro e originado em Deus, só acaba quando ele deixa de ser e se descaracteriza.
Alguém pode nos dar um presente e nunca tentar tomá-lo de volta. Mas nós podemos pegar esse lindo presente e jogá-lo na parede, quebrá-lo, estragá-lo. É exatamente isso que acontece com o dom , que é um amigo. Deus não o toma; nós que estragamos tudo. É por isso que vemos muita coisa sendo chamada de amizade, sem o ser na realidade. Caricaturas de um dom tão precioso que o Senhor nos concede para nos aproximar mais d’Ele.
A missão principal de um amigo é levar o outro cada vez mais para o Senhor. Quando isso deixa de acontecer, já não se trata mais de uma amizade verdadeira. Podem até chamá-la dessa forma, mas, na verdade, muitas vezes, não passa de apego, conveniência, interesse, carência mútua, codependência afetiva, status social, coleguismo, sociedade, associação ou qualquer outra nomenclatura para relacionamentos afetivos que não ultrapassam a sensibilidade, as emoções, os interesses pessoais, sejam eles os mais nobres ou os mais deploráveis, mas, independentemente disso, se limitam exclusivamente aos nossos interesses.
Esses tipos de relacionamento realmente acabam, pois estão baseados em propósitos, em metas – positivas ou não – que se esgotam com o passar do tempo. Quando se alcança o objetivo definido, os que estão envolvidos naturalmente se separam e tudo acaba. Quando a essas relações muito sentimento é associado, o estrago é muito maior. Quem está envolvido não consegue ou não quer enxergar que aquele relacionamento é prejudicial e insiste em seguir adiante só se machucando e ferindo a outra pessoa. Tudo se reduz a uma compensação de carências; feridas que se encontram e só crescem juntas; um sentimento de posse destrutivo em graus menores ou maiores; nada que se aproxime do dom de Deus.
Uma amizade verdadeira, sólida no Senhor, não acaba, pois, como afirma Santa Catarina de Sena: “A amizade cuja fonte é Deus jamais se esgota”. É dom do Pai, por isso se renova todos os dias pela ação do Espírito Santo; sempre renovada n’Ele, que a todo momento faz nova todas as coisas (cf. Ap 21,5). Fundamentada no Senhor, ela é expressão concreta – mesmo que limitada – do Seu amor que “é paciente, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido, não se alegra com a injustiça, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor que jamais acabará” (cf. I Cor 13,4-8).
Se ao ler esse texto você disser que a sua amizade acabou, algumas perguntas você deverá se fazer: Era realmente uma amizade verdadeira? Que frutos esse relacionamento gerou na sua vida: frutos bons ou frutos maus? Acabou mesmo ou está passando pelo processo normal de purificação, pelo qual todo relacionamento passa para amadurecer? Ou pior: por causa das dificuldades, dos sofrimentos do amadurecer, você preferiu, por fraqueza, desistir do dom que Deus lhe deu? É preciso ter coragem para se olhar no espelho e se questionar, fazê-lo pode trazer uma nova luz para a sua vida.
Se acabou, talvez essa amizade não fosse verdadeira, não passasse de uma caricatura. Mas se é mesmo um dom do céu para a sua vida, que o próprio Deus lhe concedeu, não desista e – como Jesus – pague o preço do amor verdadeiro: ame até o fim. Ele, que é a Verdade, iluminará seus passos e lhe ensinará a viver uma amizade de verdade.
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Amigo de verdade é aquele que corrige
Há um princípio fundamental em qualquer amizade: ela deve nos fazer crescer. Como uma árvore boa é podada para poder dar frutos bons, assim também, durante a caminhada de crescimento e de amadurecimento, o ser humano precisa de algumas boas “podas”. Passar por esse processo não é fácil e, muitas vezes, nem aceitamos que qualquer um nos pode. Por isso Deus coloca algumas pessoas especiais em nossas vidas não só com a oportunidade, mas com a missão de nos corrigir para nos fazer crescer.
Monsenhor Jonas Abib, certa vez, escreveu que existem situações de nossa vida nas quais, muitas vezes, só o amigo é capaz de nos corrigir. O conhecimento mútuo, ou seja, a intimidade que uma amizade gera entre duas pessoas produz um conhecimento tão profundo da alma do amigo que nos permite saber a forma e quando corrigi-lo. O amor compartilhado é capaz de abrir “compartimentos lacrados” de nosso coração, os quais precisam da luz da verdade sobre as nossas misérias, para que estas possam ser curadas.
Por causa da abertura de alma que há numa amizade um amigo é capaz de chegar aonde ninguém consegue. Ele é capaz de atingir e tocar nos pontos mais delicados de nossa história, de nossa vida, com toda a maestria que só o amor é capaz de suscitar. São feridas nas quais ninguém havia tocado, mas que somente um amigo é capaz de tocá-las e curá-las com seu amor.
Um bom amigo é como um bisturi nas mãos de Deus, capaz de rasgar a nossa alma para que todas as mazelas sejam expelidas e o coração possa ser curado. Esse processo é muito doloroso no início; não é fácil aceitar a correção e escutar tantas verdades da boca de alguém. Muitas vezes, isso fere, machuca e realmente arranca pedaços, mas, logo depois, o bálsamo do amor do amigo é derramado, consolando, aliviando e cicatrizando as nossas feridas. Alguém precisa fazer o serviço, por isso Deus usa dos nossos amigos. Ele sempre se utiliza de alguém para agir em nossa vida, suscitando a pessoa certa para que, através do amor concreto, toque na ferida e cure o nosso coração.
Pressuposto de uma amizade madura e saudável é a correção. A Palavra de Deus nos ensina: “Corrige o amigo que talvez tenha feito o mal e diz que não o fez, para que, se o fez, não torne a fazê-lo” (Eclo 19,13). Amigo que não corrige, não faz o outro crescer e por isso não ama de verdade. Um relacionamento de amizade verdadeira em Deus não comporta omissão. É preciso haver verdade, sinceridade e por isso liberdade para poder corrigir, mas fazê-lo no amor. Quem ama quer o melhor para o outro e esse melhor, muitas vezes, exige correção.
Saber que alguém que está nos corrigindo nos ama não nos anestesia da dor da “poda”, mas nos traz segurança. Podemos até resmungar, nos irritar, no entanto, ouvimos e acabamos aceitando. Lá na frente veremos o quanto aquela exortação nos fez crescer e nos livrou de tantos sofrimentos.
Se um amigo o corrigiu, aceite a correção! Exortação não é questão de falta de carinho; pelo contrário, é ato concreto de quem ama e quer o melhor para nós. Se um amigo seu precisa de correção, não se omita! Não deixe que o seu medo de perder a amizade por ter de corrigi-lo o leve a perdê-lo definitivamente. Mostre o seu amor e se comprometa com a vida dele. Cumpra sua missão de amigo: corrija e o ganhe para sempre; o ganhe para Deus!
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Davi e Jônatas: uma amizade que incomoda
Fomos criados em um mundo de ideias liberais, que, em vez de nos tornarem livres, nos aprisionam cada vez mais em suas concepções e realidades. Numa sociedade permeada por uma erotização desmedida em todas as realidades, principalmente quando se fala em relacionamentos. Não se acredita mais no matrimônio, em um namoro santo, em uma amizade sadia, no amor gratuito e sem interesses sexuais. Pensar em amizades verdadeiras, em um mundo assim, é bater de frente com toda uma concepção maliciosa e deturpada do amor e apresentar a realidade, na qual é possível viver uma amizade sadia.
Alguns dos grandes testemunhos deixados a nós por Davi e Jônatas – príncipe de Israel e pastor de ovelhas respectivamente – são o companheirismo, a fidelidade, a lealdade e o amor puro e manifestado de diversas formas, que pode haver em uma amizade entre dois homens. Uma amizade que incomoda um mundo que praticamente exterminou a ideia de um relacionamento desinteressado e sadio entre homens e mulheres e que agora volta suas armas para as amizades masculinas. São termos, ideologias e opiniões que a todo o momento colocam em dúvida esse tipo de relacionamento ou o transformam em uma caricatura muito distante da verdade que habita no amor verdadeiro entre dois amigos.
O amor entre Davi e Jônatas era puro e concreto. Diz a Palavra de Deus que, ao se despedirem, – para nunca mais se verem – eles se beijaram e choraram (cf. I Sm 20,41b). Mas alguns olhares estragados pelos ideais, que andam por aí, conseguem ler essa passagem e ver sinais de uma relação erótica entre os dois. Minha mãe diz que, muitas vezes, nós vemos só o que queremos ver. O que a Sagrada Escritura testemunha é a liberdade que habita no coração de dois homens, que encontraram em Deus uma amizade verdadeira, os quais, justamente por terem o Senhor como fundamento desse relacionamento, são livres o suficiente para demonstrar o quanto se amam.
As atitudes afetuosas desses personagens bíblicos não são as únicas que encontramos na Palavra de Deus. O Evangelho é permeado de relatos de um Jesus que amava os amigos homens de maneira livre e concreta, cheia de demonstrações públicas de afeto. Quando descreve a alegria do reencontro do pai com o filho, que havia se perdido e consumido todos os bens herdados, o Senhor afirma que o pai corre ao encontro do herdeiro, abraça-o e o cobre de beijos (cf. Lc 15,20). O Filho de Deus não teve vergonha de chorar diante de uma multidão de pessoas no túmulo de se amigo Lázaro, fato que demonstrou a todos de maneira concreta o quanto Ele o amava (cf. Jo 11,35-36). O mesmo Jesus, na Última Ceia, após lavar os pés dos amigos, se coloca em tal liberdade com os apóstolos, que João – o discípulo amado – repousa a cabeça sobre Seu peito (cf. Jo 13,25). São manifestações concretas de quem ama de verdade e por isso não tem medo de demonstrar esse sentimento.
Parece que o mundo fica incomodado com aqueles que vivem as coisas como elas devem ser, de forma pura e sadia, arrumando logo um jeito de distorcer a situação ou levantar dúvidas. É mais fácil para alguns escreverem livros dizendo que era Maria Madalena que estava a lado de Jesus na Última Ceia do que admitir que, na sua castidade plena e livre, Ele tinha reclinado em seu peito o discípulo que mais amava. É mais fácil levantar suspeitas sobre a amizade de Davi e Jônatas do que admitir que um homem verdadeiramente amou um amigo e ao saber de sua morte é capaz de declarar que aquela amizade lhe era mais cara do que o amor das mulheres (cf. II Sm 1,26). É mais fácil criar mentiras do que se decidir viver pela Verdade.
Decidi passar a minha vida lutando pela Verdade, na Verdade e com a Verdade. Viver testemunhando ao mundo que é possível estabelecer relacionamentos sadios com homens e mulheres, sem medo de demonstrar o afeto e o amor, próprios entre os que decidiram viver uma vida nova em Cristo. Uma vida pautada na busca de equilíbrio, mas sem medo de ser um sinal de contradição em meio a uma sociedade que desacreditou o amor verdadeiro.
Deus me deu a graça de ter amigos de verdade. Homens que, com o seu testemunho, me edificam e me levam mais para Ele. Amigos casados, solteiros, padres, seminaristas que decidiram seguir o exemplo de Jesus de não ter medo de amar e demonstrar o quanto amam de forma concreta. Homens que, por se cumprimentarem com um abraço, com um gesto de afeto, não deixam de ser homens; pelo contrário, dão ao mundo o testemunho coerente do amor evangélico, o amor capaz de dar a vida (cf. Jo 15,13).
Não podemos ser ingênuos e pensar que é fácil testemunhar com a vida uma amizade verdadeira. Quem quer viver uma vida de santidade precisa estar disposto a sofrer, a não ser compreendido e a experimentar que a decisão pelo Senhor e por amar de forma pura e casta nos amadurece e nos faz homens muito melhores.
Viver assim é um desafio! Você aceita?
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
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> Amizade: na dor, disfarce do Amor
Amizade: na dor, disfarce do Amor
Em momentos de sofrimento e de dor em nossas vidas o que mais queremos é alguém com quem contar. Em uma cultura individualista, como a nossa, é difícil encontrar uma pessoa com quem possamos partilhar as nossas angústias, alguém que nos escute, que nos ajude a levantar em nossas quedas, que vá ao fundo do buraco nos resgatar. Por isso, nessas horas, determinadas pessoas se destacam, aproximando-se de nossas feridas, desrespeitando as nossas placas de “proibido seguir adiante” e enxergando nelas o nosso silencioso pedido de socorro. Assim são os amigos: aqueles que permanecem ao nosso lado quando todos se foram.
“Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação” (Eclo 6,7).
Davi pôde experimentar, de forma concreta, essa Palavra. Apesar de ter conhecido Jônatas logo depois da vitória sobre Golias, a amizade entre eles amadureceu em meio à dor da inveja e da perseguição de Saul. Foi na provação, no sofrimento que Davi pôde experimentar a Providência Divina na amizade de Jônatas. Ele não estava sozinho, mas tinha um amigo ao seu lado.
Talvez este também seja o grande desejo do seu coração: em meio à dor que tem vivido ter alguém com quem contar. Convido você para olhar em volta e tentar enxergar essa pessoa a partir das atitudes concretas que Jônatas teve para com o seu amigo Davi.
Diante da inveja e da perseguição de seu pai, Saul, Jônatas intercedeu pela vida de Davi (cf. I Sm 19,4). Em nossos momentos de sofrimento, um amigo é capaz de interceder por nós pedindo aos homens e a Deus pela nossa situação. Ele não vê limites para o seu clamor e mesmo sem poder fazer nada, “bombardeia” o céu com suas orações, confiante em que o Senhor é capaz de mudar aquela realidade. Santa Teresinha dizia que “Pensar em um amigo é rezar por ele”. Amigo intercede, clama e não se conforma com aquilo que os olhos alcançam: ele sempre vê mais longe. Vê em nossos limites oportunidades para a graça de Deus se manifestar.
Dessa forma, Davi retoma seu lugar na corte de Saul por intermédio das mãos de seu amigo (cf. I Sm 19,7). Quando estamos sofrendo, perdidos em meio aos nossos sentimentos, a nossa primeira atitude é abandonar o nosso “território”, nossos sonhos, nossa coragem, a alegria de viver, o entusiasmo, a nossa esperança. Somente uma verdadeira amizade é capaz de “nos desinstalar”, de nos levar além, de nos devolver a nós mesmos. Um amigo tem a capacidade de nos devolver o que perdemos, de nos fazer retomar os territórios da nossa vida que, durante o caminho, fomos entregando sem lutar, sem resistir. Ele nos coloca onde devemos estar, fazendo-nos retomar o nosso lugar – como antes – diante da nossa vida, dos outros e diante de Deus.
Jônatas não mediu esforços para ajudar Davi. Ele estava disposto a fazer tudo para ver a vida de seu amigo em segurança (cf. I Sm 20,4). Para aqueles que nos amam, não há limites, porque sempre há a esperança da vitória. Estão sempre dispostos a fazer tudo o que está ao alcance deles para nos ver restaurados. É só observar os verdadeiros amigos de alguém que está preso, nas drogas, na prostituição ou doente. Eles não desistem e fazem tudo o que está ao seu alcance para ver o amigo de pé novamente. Quando todos já desistiram, quando todas as esperanças acabaram, eles continuam lá, confiantes em que o milagre pode acontecer.
Não há nada mais forte e capaz de restaurar uma vida de maneira completa do que o amor. Uma amizade pura e sem interesses é uma fonte de bênçãos inesgotável. Jônatas não estava preocupado com seus interesses, mas queria salvar a vida de seu amigo de todo o perigo. Por isso ele abençoou a vida de Davi não só com palavras, mas com a sua presença (cf. I Sm 10, 13). O amor puro de um amigo é a Providência de Deus na vida de muitas pessoas, pois é capaz de curar, de equilibrar, encorajar, levantar, restaurar, abençoar de maneira concreta e eficaz. O amor sincero de um amigo, mesmo que de forma limitada, é a imagem do amor ilimitado do Senhor por nós. A presença de um amigo é o disfarce que Jesus mais usa para entrar em nossa vida.
Então, conseguiu enxergar os amigos que o Senhor colocou ao seu redor? Ainda não? Olhe com calma. Sugiro que você – a partir do que leu – pense em pessoas próximas, como seus pais, seus irmãos… Mas se mesmo assim você não conseguir enxergar ninguém, eu tenho uma novidade para você: o Amor não quer usar disfarces! Jesus quer se manifestar pessoalmente na sua vida e lhe mostrar que Ele é o seu verdadeiro Amigo. Lembre-se de que amizades são sempre “disfarces” do Senhor. Mas por saber que a sua dor é grande demais, Cristo quer que você veja de forma clara – sem disfarces – que Ele é o seu verdadeiro Amigo.
Essa é grande alegria em ter amigos: eles são a forma adequada para o Senhor se manifestar em nossas vidas em cada momento, pois sempre nos remetem ao Amigo verdadeiro, que é o próprio Jesus. Se isso não acontece, se sua amizade não o tem levado para Deus, é hora de olhar em volta mais uma vez e trocar essa falsificação de amigo por um amigo de verdade, alguém que, atrás do disfarce, revele o Senhor.
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
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> Um amigo de verdade ama primeiro o Senhor
> Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo
> Amizade desarmada
>Davi e Jônatas: uma amizade que incomoda
Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo
Quem entendeu que para se estabelecer uma verdadeira amizade é preciso amar a Deus em primeiro lugar, logo se vê impelido a buscar estabelecer relacionamentos, mas aprendendo com o Senhor como amar os seus amigos. O próprio Jesus nos deixou claro, com atos e palavras, que para amar de verdade é necessário amar ao próximo como a nós mesmos (cf. Mt 22,39). Sendo assim mais uma vez a prefiguração de uma amizade verdadeira, da amizade em Cristo, é demonstrada no relacionamento entre Davi e Jônatas.
Ouça comentários do autor
“Aconteceu que, terminando ele [Davi] de falar com Saul, Jônatas apegou-se a Davi. E Jônatas passou amá-lo como a si mesmo” (I Sm 18,1).
Essa é a primeira descrição bíblica da amizade entre os dois, que começa justamente na plenitude cristã da forma de amar. Quando eu amo alguém como a mim mesmo, entendo que ele é outra pessoa e não fico tentando modelá-lo conforme a minha vontade. Percebo que ele soma na minha vida justamente porque é diferente, sendo assim, fazê-lo parecido comigo é perder tudo o que as diferenças acrescentariam na vida um do outro.
Outra característica dessa forma de amar é a tolerância, o acolhimento e a misericórdia. Se eu amo a um amigo como me amo, entendo que ele é uma pessoa e não um super-herói. Não exijo perfeição porque ele é tão humano quanto eu, acolhendo assim suas limitações e fraquezas da mesma forma que acolho seus dons e qualidades. Aprendo com seus erros e posso contar com ele para me levantar quando os meus erros também me fizerem cair. Por conhecer minhas misérias e do que elas são capazes de fazer na minha vida, não espero dele perfeição, por isso não deixo a decepção habitar em meu coração.
Se eu estabeleço uma amizade desta forma, entendo que meu amigo é uma pessoa e não uma propriedade particular, um território reservado unicamente para ocultar minhas inseguranças e saciar minhas carências. A felicidade dele é a minha felicidade, por essa razão eu o deixo livre para ser amado por outros. Por amá-lo e reconhecê-lo como alguém muito especial, quero que também os outros conheçam os tesouros do seu coração. Isso não me leva ao sentimento de ter sido colocado de lado ou ameaçado, pois já experimentei o quanto aquele amigo me ama. Sei que sou único em sua vida e por isso não preciso de exclusividade, pelo contrário, permito que o amor cresça, transborde e atinja a muitos outros.
Jônatas, quando viu a necessidade de Davi partir, não o impediu; pelo contrário, foi o primeiro a incentivá-lo a ir. Ele sabia que, em uma amizade verdadeira, a liberdade do outro é peça fundamental e que, muitas vezes, forçá-lo a estar perto é uma maneira mais rápida de perdê-lo. Não havia entre eles apego desequilibrado, mas amor verdadeiro, que liberta e não aprisiona. E mesmo sendo esta a última vez que o viu antes de morrer, Jônatas viveu com a certeza de que havia um pedaço seu no coração de Davi, onde quer que ele estivesse.
Amar o próximo como a si mesmo é experimentar o amor de Deus em sua vida e permitir que ele transborde na vida dos outros. É a vocação própria do homem: amar. Porque sou profundamente amado, também quero amar profundamente. Justamente por isso não há como amar um amigo de verdade antes de fazer uma experiência profunda de amar e ser amado pelo Senhor. O amor aos irmãos é reflexo limitado do Amor ilimitado de Deus por nós. Só podemos dar o que temos. Se não nos sentimos amados, não nos amamos e não temos condições alguma de amar o outro.
A experiência do amor cristão é a da renúncia, do desapego, da oblação, do sacrifício. É amar para dar a vida a todo instante e não somente em momentos extremos. É dar a vida no silêncio, na oração e nas ações que não esperam nada em troca. Somente quem ama nas pequenas renúncias de uma amizade é capaz de amar com entrega total de vida. Jesus amou assim: amou na simplicidade do dia a dia, sendo capaz de dar toda a vida no momento decisivo. Ele deu o exemplo e nos deixou o ensinamento: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).
Amar um amigo como a si mesmo é amar da forma como Jesus amava: se doar em amor buscando não a realização pessoal, mas a felicidade do outro. Não é fácil, mas é possível! Abrace a oportunidade de ser expressão concreta do Amor de Deus na vida daqueles que ama e derrame a sua vida em amor.
Seu irmão,
Renan Félix
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>Davi e Jônatas: uma amizade que incomoda
Um amigo de verdade ama primeiro o Senhor
Vivemos em um mundo de pessoas solitárias, no qual muito se fala de amizade e da necessidade de ter amigos para uma vida melhor. Mas mesmo se falando tanto sobre o assunto, mais sozinhas as pessoas ficam a cada dia. O que muitas chamam de “amizade” muitas vezes, não passa de troca de interesses, de conveniência, de superficialidade. Pode ser até mesmo que a sociedade tenha reconhecido a necessidade de criamos vínculos e relacionamentos, mas a forma como isso tem sido apresentado e oferecido só tem gerado um vazio cada vez maior no coração das pessoas por causa das feridas que são criadas.
Uma amizade que não está fundamentada no Senhor é como uma casa sem alicerce: mais cedo ou mais tarde desmorona e fere a todos que estavam nela. Sem Deus qualquer relacionamento está destinado a se tornar dependência e troca de carências.
Uma das mais belas amizades relatadas na Sagrada Escritura é a entre Davi e Jônatas. Eles aprenderam, na provação e na dor, o que é estabelecer uma amizade que tenha o Senhor como fundamento e viveram dizendo um ao outro: “O Senhor esteja entre mim e ti para sempre” (I Sm 20,23).
Se a vontade de Deus não estiver entre dois amigos, cedo ou tarde, ambos, ao depararem com as limitações um do outro, não terão forças para ir além, para perdoar e acolher o outro na sua miséria. Somente o Senhor é capaz de nos ensinar o amor-oblação, o sacrifício e a renúncia. Mas, para aprender a amar assim, é preciso amar ao Senhor sobre todas as coisas, “com todo o coração, com toda alma e com todo entendimento” (cf. Dt 6,5).
Para amar a Davi de maneira concreta, Jônatas precisou ir contra muitas situações que estavam ao seu redor, inclusive contra seu pai. Mas esse ir contra a vontade paterna não se deu por rebeldia ou por falta de amor para com Saul, mas porque Jônatas, por amar a Deus com todo o coração, percebeu os erros de seu genitor e entendeu que o Senhor estava com o amigo [Davi] (cf. I Sm 16,18).
Havia confiança entre Davi e Jônatas porque ambos, antes de se amarem, amavam ao Senhor. Experimentavam a amizade recíproca verdadeira, pois sabiam que um amigo de verdade ama a Deus em primeiro lugar. Confiavam um no outro, porque confiavam antes no Altíssimo.
Quando se ama ao Senhor antes de tudo, cada coisa é colocada em seu lugar em nosso interior e podemos amar de maneira livre. Na liberdade de filhos de Deus aprendemos, com Jesus, o que é amar sem apegos, carências, ciúmes e sentimento de posse. Aprendemos a amar como Ele amou. O equilíbrio se estabelece à medida que tudo à nossa vida gira em torno do Senhor e da Sua vontade, pois percebemos, dessa forma, que até mesmo a nossa amizade é uma oportunidade de amá-Lo de modo mais pleno. O amor ao Senhor nos lança aos irmãos inevitavelmente e nos leva a amá-los de maneira concreta, pois, afinal, quem diz que ama a Deus e não ama o seu irmão é mentiroso (cf. I Jo 4,20).
Somente quem ama no Senhor, pelo Senhor e para o Senhor é capaz de tocar num relacionamento verdadeiro e experimentar os frutos de cura e libertação dessa dádiva. Por isso, se você tem buscado uma amizade sincera e só tem encontrado decepção, pare de buscá-la nos homens e busque antes de tudo amar a Deus em primeiro lugar.
Se a sua vida se tornar uma busca incansável pelo Senhor, Ele mesmo providenciará os amigos certos, na hora certa, como fez na vida desses personagens bíblicos [Davi e Jônatas]. Jesus sabe que ninguém pode seguir sozinho, pois Ele mesmo, na Sua humanidade, experimentou a importância de ter amigos. Por isso, ame ao Senhor com todo o seu coração e deixe-O surpreendê-lo com amigos de verdade, capazes de viver maior amor: amor capaz de dar a vida (cf. Jo 15,13).
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
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>Davi e Jônatas: uma amizade que incomoda
Você será tratado da mesma forma que Jesus
Você será tratado da mesma forma que Jesus Deus é amor, e onde existe amor, ali Deus está. Já reparou que, embora com muito esforço, lutas e quedas, esmorecimentos e desânimos, você segue o Senhor e quer andar observando Suas leis e mandamentos Esforça-se por conhecer Sua Palavra e ser uma pessoa cheia do Espírito Santo? Luta para viver, na prática, a Palavra, mas é alvo de perseguições e calúnias? Falam de você, prejudicam-no e maltratam? E que, quando você era uma pessoa “comum”, nada disso acontecia? Então, você pensa: “Certamente estou errado. Não estou no caminho correto”.
Muitos deixam o caminho do Senhor por causa das dificuldades e oposições, por causa do que as pessoas dizem e dos comentários que fazem, do que elas inventam a seu respeito e pelas várias perseguições que suporta. Não é um simples complexo de perseguição; não se trata de sentir que você é perseguido ou rejeitado. Realmente é isso mesmo o que acontece.
Pergunte a si mesmo e ao Senhor: “Por que acontece tudo isso?” Sabe qual é a resposta? Porque você é discípulo de Jesus. O próprio Jesus disse: “Já que trataram de Beelzebul o dono da casa, com quanto maior razão dirão o mesmo dos de sua casa! (Mt 10,25b).
Você não pode se esquecer de que Jesus é o único justo. Ele foi o homem mais equilibrado que houve na face da terra; no entanto, foi incompreendido, perseguido e caluniado. Colocaram mil barreiras a Ele, apertaram o cerco até O condenarem e O levarem à morte. Você é discípulo de Jesus, O segue e tem sua Palavra. Pela graça do Senhor, você tem a mentalidade do Espírito Santo. Se trataram assim a Jesus, vão tratá-lo da mesma forma. Não por você, mas causa do Senhor.
E será sempre assim. As trevas sempre irão se opor à luz. Quando você começa a ser luz, as trevas o atacam e perseguem. Não tenha receio, pois o próprio Jesus chamou de bem-aventurados aqueles que são perseguidos. Vamos conferir:
Felizes os perseguidos por causa da justiça: deles é o reino dos céus. Felizes sois vós quando vos insultam, vos perseguem e mentindo dizem contra vós toda a espécie de mal por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque grande é a vossa recompensa nos céus: foi assim, com efeito, que perseguiram os profetas que vos precederam. (Mt 5,10-12).
Essa é a última bem-aventurança. Jesus a amplia mais porque sabia que era essa a mais difícil. Nesses versículos, Jesus não diz isso só por dizer, não se trata de mera retórica. O Senhor nos garantiu: “bem-aventurado sereis”. Você será feliz! É uma grande sorte ser assim. “Bem-aventurado será quando o insultarem, o perseguirem e, mentindo, disserem contra você toda a espécie de mal por minha causa.”
Aí está o precioso: “por minha causa”. Não é pelo fato de fazer sua vontade ou por seus erros humanos, mas “por minha causa”. E quando fizer isso “por minha causa”, não tema, não receie, isto é uma sorte, é uma grande sorte.
Alegrai-vos e regozijai-vos, porque grande é a vossa recompensa nos céus: foi assim, com efeito, que perseguiram os profetas que vos precederam (Mt 5,12).
Felizes sois vós quando os homens vos odeiam, quando vos rejeitam, e quando insultam e proscrevem vosso nome como infame por causa do Filho do Homem (Lc 6,22).
Os verdadeiros profetas, os cristãos verdadeiros, os homens do mundo ultrajam, perseguem, caluniam e se opõem. Os falsos profetas, os cristãos medíocres, sem qualidade de sal e de luz, os homens deste mundo elogiam, falam bem, exaltam. Aí está o teste para saber de que lado você está. Se os homens elogiam você, se eles falam bem de você e o tratam bem, se batem nas suas costas, dizendo: “Está tudo bem, maravilhoso”, parece então que, na visão de Jesus, você não tem a qualidade de um verdadeiro cristão, de um profeta verdadeiro.
Se pelo reino de Deus, por causa de suas atitudes cristãs, de sua linguagem renovada, por sua fé e porque segue os mandamentos do Senhor sem medo e sem receio de nada, você é rejeitado e perseguido, alegre-se. Você está tendo um sinal evidente de que, com toda a sua fraqueza, está sendo um verdadeiro cristão. Por tal razão, Jesus o chama de bem-aventurado.
Não existe Cristianismo sem cruz. “Sofrimento sem sofrimento não é sofrimento. Dor sem dor não é dor”.
Seu Mestre foi à sua frente com uma cruz às costas, flagelado e coroado de espinhos. O que o espera é isso também. Quando o Pai o trata assim, Ele não está sendo cruel; pelo contrário, trata-o como filho que não é deste mundo, mas está destinado a viver neste mundo e a dar a vida por eles. O Pai o trata com austeridade, porque você é filho d’Ele e Ele o quer para Si, a Seu lado, na feliz eternidade para todo o sempre.
Se você sofre por causa de Jesus, alegre-se. Se sofre por causa do Reino, se é incompreendido e perseguido, caluniado e ultrajado por causa do Evangelho, alegre-se! Bem-aventurados sereis.
Trecho do livro “O Pão da Palavra – Volume 1” de monsenhor Jonas Abib
Perca o controle da sua vida para não perdê-la
Crescemos numa sociedade que nos educou a ter o controle de todas as coisas. Desde o controle remoto da TV até a medicina – que a todo momento busca prever e remediar os males -, absolutamente tudo nos impulsiona a ter todas as situações em nossas mãos. Inocentemente, começamos a acreditar que não precisamos de ninguém, que sabemos tudo e que as nossas palavras são a verdade. Nos tornamos autosuficientes, fechados em nossas concepções e ideias que vão se adequando conforme a nossa necessidade e a nossa aparente “felicidade”. Somos criados para buscar a nossa independência pessoal.
Acontece que nessa ilusão de ter todas as coisas sob o nosso controle, quando não sabemos como agir diante de uma situação, fugimos para não encará-la ou nos desesperamos, porque não sabemos o que fazer. Muitas vezes até Deus foi descartado de nossas vidas e, por isso, não há mais a quem recorrer. Por fim , na busca de independência pessoal, acabamos ficando sozinhos.
Isso não acontece somente com pessoas que estão longe do Senhor, pelo contrário, você pode estar todos os dias na Igreja, ser um consagrado, ou até mesmo um padre, e ainda assim não ter se colocado na posição de discípulo, de alguém que tem Jesus como o Mestre de sua vida. Na batalha para ser de Deus, buscamos ter tanto o domínio de nossas lutas que tiramos o Senhor do trono do nosso coração e nos sentamos nele. Caímos novamente no erro de Adão e Eva e desejamos ser como deuses (Gn3,5), senhores de tudo, de todos e de nós mesmos.
Pode ser que essa autosuficiência seja fruto de nossa criação, de traumas da nossa história ou das próprias lutas da vida que nos levaram a ser assim. Não importa! Quando encontramos Jesus, e nos entregamos a Ele, não estamos mais sozinhos. Não precismos lutar e nem provar para ninguém – nem para Deus – que somos fortes e estamos no controle de todas as situações. Não somos mais órfãos, sem amparo e nem apoio, mas temos um Pai que nos ama e tem, verdadeiramente, o controle de todas as coisas.
O nosso papel é se colocar em uma atitude filial e até mesmo infantil. Precisamos ser como crianças, que sabem de seus limites e reconhecem no Pai a segurança e o apoio. O que eu não posso, eu sei que Ele pode realizar. Quanto a mim, somente me abandono, me permito entrar na escola da vida mais uma vez – independente de quantos anos eu tenho –, me sentar na cadeira e me colocar como aluno, nas matérias da minha história nas quais eu me considerava doutor.
Assim, reconheço que sou muito menos do que imaginava, enxergo a minha verdade, os meus limites e me abandonando no Pai. Perco o controle, mas não por causa das situações, mas porque me disponho a colocar tudo, absolutamente tudo, nas mãos de Deus. Perco o domínio da minha vida, para não perdê-la.
Independente de qual é a situação que você está vivendo, pare de bancar o papel de forte. Você não precisa vestir a fantasia de super-homem ou mulher-maravilha, mentir para si mesmo, acreditando ser capaz de manter o controle dessa situação. Deus conhece você e o vê! Ele é Pai e sabe muito bem quem você é, suas vitórias e derrotas e, justamente por causa disso, te ama tanto.
Não importa se passou a vida inteira lutando na solidão, não tendo ninguém para lutar por você e com você. Pode ser até mesmo que você começou a ler este texto buscando respostas para o seu problema, buscando ter o controle da situação. Não importa se você não tenha achado a força necessária para sozinho enfrentar essa batalha. Ou melhor, que bom que isso não aconteceu! Você não encontrou forças para lutar sozinho, mas encontrou quem pode lutar por você e com você.
Seja criança novamente e, sem forças, peça ajuda ao seu Pai, que mais que um super-herói, é Deus. Se permita perder o controle da sua vida e experimente a alegria do cuidado e do carinho daqueles que são chamados filhos do Senhor.
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Mesmo na dor, uma amizade verdadeira gera frutos
Em um relacionamento, nem todos os momentos são de alegria e felicidade, como diz o ditado popular: “nem tudo são flores”. No decorrer do caminho, aparecem situações que nos impelem, que nos questionam, que nos paralisam e que nos fazem sofrer.
Situações que muitas vezes independem de nós. São fatores externos, mas que atingem diretamente as nossas vidas. E pode ser que esses fatores até mesmo possam levar dois amigos a se afastarem, por necessidade ou porque eles não sabem lidar com a situação naquele momento. É nesta hora que o sofrimento cresce e não há nada que possamos fazer a não ser esperar. O amigo tão próximo agora precisa se colocar distante e o coração chora a saudade de quem está perto.
Não há muito o que fazer nesses momentos, a não ser esperar e sofrer as demoras desse tempo. É preciso respeito e paciência com a outra pessoa e consigo. Mesmo tendo a consciência de tudo isso, e do que precisamos fazer, não é fácil e nem menos doloroso. Mas é necessário e precisamos lidar com os nossos sentimentos.
Nesses momentos de escuridão, onde não enxergamos nada, Deus nos dá a possibilidade de equilibrar e temperar os nossos sentimentos e até mesmo nos rever. Se nos dispomos a olhar para o interior e tirar o amadurecimento da dor, poderemos experimentar a consolação do Pai e nos surpreender com o Seu amor.
Acredito que num relacionamento de amizade, a comunhão que se cria entre os corações parte da doação. Um amigo doa ao outro um pouco de si, da sua vida, da sua história. Quando amamos alguém verdadeiramente, somos capazes de encontrar um pedaço de nós mesmos nessa pessoa. A comunhão é real se partilhamos o coração e a vida!
Deus é pedagógico e nos ensina que amar é muito mais do que estar perto; é “tocar” no outro com a alma e não com as mãos. Um amor que é muito maior do que o visível, o palpável, que vai além dos limites físicos, que transcende. Deus nos ensina a amar como Ele ama.
Eu posso amar um amigo concretamente e até mesmo “tocar” em seu coração a partir das pessoas que ele ama. Elas trazem em si um pouco dele e são capazes de atualizar no meu coração a felicidade e a alegria do encontro. Essas pessoas são capazes de trazer consolo e alívio a um coração marcado pela dor da ausência. São capazes de fazer presente o velho amigo em um simples “oi”, em um sorriso ou em um abraço apertado. O amor por aquele amigo, comum ao seu coração e ao daquela pessoa, supera qualquer obstáculo e qualquer distância e faz tudo se tornar um eterno presente.
A dor que é bem vivida, pode nos levar além do que os nossos olhos podem ver e nos fazer experimentar a novidade de Deus no coração de novas pessoas. Você pode até mesmo buscar alguém pensando no seu amigo, mas, com essa iniciativa, já estará correndo o risco de encontrar uma nova amizade. É a experiência do amor de Deus que transborda, transcende, contagia e une pessoas a partir de pessoas, corações a partir de corações, vida por meio de vida.
Pode ser que a distância que você vive hoje, seja física ou não, se trate de uma grande oportunidade de experimentar o amor de forma nova e surpreendente. Buscando estar perto de alguém, você se aproxima de outros e também entra em suas vidas. Uma amizade verdadeiramente em Deus não se fecha, mas nos lança a novas experiências. É a dinâmica do amor: quando amamos não há restrição, mas transbordamento e impacto na vida de outras pessoas. Uma amizade verdadeira, mesmo na dor da distância, gera frutos.
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Transformando sofrimento em amor
Todos nós passamos por momentos de sofrimento em nossas vidas. Isso faz parte da nossa caminhada rumo à vontade de Deus. Jesus foi bem claro ao afirmar que o Seu seguimento comportava renúncia e cruz. Não há vida cristã autêntica sem cruz! Mas não basta sofrer, é preciso aprender a fazê-lo: sofrer como Jesus, que abraçou o sofrimento e o transformou em ato concreto de amor e salvação.

Há uma dinâmica própria na qual Deus nos coloca quando estamos sofrendo. Justamente nos momentos de dor, tantas outras situações e pessoas aparecem e nos levam a manifestar, de forma muito concreta, o amor misericordioso do Senhor. Mesmo sofrendo, o Todo-poderoso nos impele a consolar o coração de outras pessoas.
São Paulo afirma que “Deus nos consola em todas as nossas aflições, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos d’Ele, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição!” (II Coríntios 1,4). Isso parece loucura, mas é a manifestação concreta do Senhor, que tira um proveito muito maior das nossas dores. Ele não nos faz parar, mas nos lança em direção a tantos outros que necessitam de nós. Dessa forma, nosso sofrimento é transformado em testemunho, em evangelização, em manifestação concreta de amor.
Quantas pessoas encontraram o verdadeiro sentido de suas vidas e a missão que o Senhor lhes havia confiado justamente nos momentos de extrema angústia. Pessoas que ultrapassaram, com a graça de Deus, a sua dor e enxergaram que não sofriam sozinhas, pois muitos irmãos sofrem de forma igual ou mais intensa e assim entenderam o sentido real do sofrimento cristão.
Pode ser que em meio à dor em que nos encontramos não enxerguemos essa realidade e que nem mesmo queiramos pensar sobre isso. Mas é quando o sofrimento passa que vamos perceber o quanto Deus fez nos outros e em nós por intermédio de nossas lágrimas. Uma oração feita na aflição ganha muito mais peso. Um sorriso verdadeiro – em meio à tristeza – é capaz de libertar. Da mesma forma, uma palavra de consolo para outra pessoa, quando você mesmo só queria ser consolado, é capaz de salvar uma vida.
Aprender a sofrer é aprender a transformar o seu sofrimento em amor. É perceber que, como afirma a Palavra de Deus, quanto mais eu consolo, tanto mais sou consolado e que a consolação que Deus me envia é matéria-prima para transformar a vida de tantos irmãos. Somos como conchas que, imersas em consolação, só sabem transbordar o que receberam.
Talvez você esteja passando pelo maior sofrimento da sua vida e não consiga compreender ou tocar em consolação alguma. Nesse momento Deus convida você a olhar ao redor e ver além da sua dor. Enxergar pessoas que precisam de você e do consolo do seu coração. Quando você se decidir a ir além do seu sofrimento, a superar as suas dores, poderá tocar na consolação do Senhor, que o abraça e o acolhe. Muito mais que dar, é você quem vai receber. Só um coração disposto a amar pode verdadeiramente experimentar um Deus que ama.
Amor em meio à dor, é o amor capaz de gerar vida nova. Jesus nos mostrou isso na cruz. Deu a vida para nos dar uma Vida Nova. O exemplo nos foi dado, agora nos basta segui-lo. Nós entramos com a decisão e o Senhor, com a graça. Só assim experimentaremos em nossas vidas que sofrer é muito mais do que dor. Sofrer é uma possibilidade de amar de forma surpreendente.
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Uma criança precisa das nossas orações
Olá galera! Alguns dias atrás eu recebi um e-mail do José Marcos, que é pai dessa menina linda que está na foto. O nome dela é Maria Isabel, ela tem apenas 2 anos, e está a mais de um mês em uma UTI. Melhor do que falar, vou transcrever parte do e-mail que o Marcos me enviou:

”Estou com a minha filha Maria Isabel internada na UTI em Jacarei devido a um acidente doméstico. Ela estava passando a tarde na casa da minha sogra, quando a televisão não sabemos como, caiu sobre ela. (…)
O quadro era grave e ficou ainda mais grave com as duas paradas respiratórias que teve durante esse período no hospital, mas a Fé em Deus é muito grande. (…) Não tivemos como fugir de fazer a cirurgia na cabeça para aliviar a pressão. (…) Atualmente, ela está sedada pois não pode ficar agitada devido ao seu quadro clínico. Recebemos as noticias dos médicos, mas Deus se manifesta de forma contraria aos resultados das varias tomografias que ela tem feito. Os médicos tecnicamente não sabem explicar como as reações dela são diferentes das mostradas nos exames, mas eu e minha esposa, que esta grávida de 4 meses, sabemos.
Por favor, reze para recuperação da minha filha, peço todos os dias pela restauração da sua saúde, pois estou sentido muito falta de escutar a sua voz me chamando de pai. Conforto-me sabendo que temos que esperar o tempo de Deus, e que no momento certo teremos a resposta para todos os nossos questionamentos.”
O caso da Maria isabel mexeu de uma forma muito especial comigo, e por isso peço a oração de vocês pela menina e pelos seus pais – Marcos e Gabriela – e também pelo bebê que eles esperam. Oremos para que Deus dê fortaleza para essa família e faça a Sua vontade acontecer na vida da Maria Isabel.
Deixe uma mensagem para essa família nos comentários, e eu as enviarei a eles.
Conto com a sua oração!
Deus abençoe!
Renan Félix
Amizade: dom irrevogável
Eu não me canso de afirmar que amizade é um dom de Deus. Dom é dádiva, presente, bem que se goza, uma concessão da Providência. É graça! É uma iniciativa amorosa do coração do Senhor que sabe das nossas necessidades e que vem em nosso auxílio. Mas existem situações e circunstâncias que vão acontecendo e que podem nos levar a temer no fundo da alma. Imaginar que podemos perder o que tão especial Deus nos concedeu, nos leva muitas vezes a paralisar diante das situações. O medo nos faz esquecer uma grande verdade: “os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis” (Rm 11,29).
Irrevogável é aquilo que nada e nem ninguém pode revogar. Se amizade é dom de Deus, ela não pode se perder por qualquer situação. Vem de Deus, por isso é irrevogável. Existem processos dentro de um relacionamento de amizade que são próprios. Descobrir as diferenças, entrar em crise, questionar-se faz parte do processo de amadurecimento. Mas se a amizade vem realmente de Deus, foi uma iniciativa Dele, ela permanece.
Fomos formados em uma cultura que não admite nenhum tipo de sofrimento ou renúncia por nada. Isso inclui os relacionamentos. Diante de uma situação que me gera algum sofrimento dentro de uma amizade, eu posso cair na tentação de desistir dela para não sofrer, para não me deparar com os meus limites que o relacionamento com aquele amigo está me fazendo enxergar. Ou então, já dentro do momento de crise, eu não espero a tempestade passar e já pulo do barco no meio dela. Prefiro me arriscar a morrer afogado, do que esperar para ver o que vai acontecer. Prefiro morrer logo, do que sofrer o que é necessário.
Tudo precisa passar por uma certa ‘crise’ para amadurecer . São momentos decisivos que nos afligem, mas que nos levam a uma maturidade. Um momento de crise em uma amizade é um momento de muito sofrimento, de dor, mas que se bem vivido pode levar a um amadurecimento profundo. Não podemos negar que é muito difícil, de uma hora para outra, ter que viver com uma pessoa que você ama tanto um processo tão doloroso. Ficamos sem chão, sem entender, sem saber o que fazer ou como se comportar. Nos parece que o mundo caiu e que tudo que com tanto amor foi construído, agora está desmoronando. Afundamos em nossos sentimentos e esquecemos que “os dons de Deus são irrevogáveis”.
Nesse momento precisamos ter paciência e esperar o tempo que é necessários para o outro e para nós mesmos. Esperar nunca é fácil pois queremos tudo para ontem. Mas esperar amadurece, cria força e resistência. Um amigo que sabe esperar o tempo do outro, o processo próprio que o outro está vivendo, demonstra de forma concreta o seu amor. Suspende-se a fase de demonstrações explícitas de amor e entra em cena o tempo de amar no silêncio, na reserva e na espera. É a hora do amor que “é paciente, que desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo ”(I Cor 13, 4.7).
A amizade que era pública, passa pelo tempo do silêncio da cruz e do sepulcro. A escuridão rodeia os sentimentos e a visão do coração. Não enxergamos nada e precisamos caminhar pela fé. Olhar para dentro do coração e fazer memória de quanto amor e quanto bem aquela pessoa te fez viver. Esperar sabendo que perto do amanhecer a escuridão é mais intensa. Mas acreditar que o sol vai nascer e que a pedra do sepulcro vai rolar. Só experimenta a ressurreição de uma amizade, quem tem a coragem de passar pelo tempo da escuridão, do silêncio e da espera do sepulcro.
Amizade é dom irrevogável! Só a perco, se eu renuncio ou não aceito vivê-la. Se eu renuncio o presente, eu não posso ganhá-lo. Mas se eu tenho a coragem de enfrentar, mas também esperar e pagar o preço que for preciso por um verdadeiro amigo, poderei experimentar a novidade, a alegria e o poder da ressurreição: “Eis que eu renovo todas as coisas!” (Ap 21,5)
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Amar: o verdadeiro martírio
Muitas vezes nos deparamos com coisas que precisamos fazer, e que diante a nossa miséria nos sentimos muito incapazes. Jesus no seu ‘testamento’ nos deixa uma ordem que vai se tornar o grande desafio da vida de qualquer ser humano: “Amai-vos uns aos outros” (Jo 15,12). O mandamento do amor, muito mais que uma simples ordem, é um projeto de vida que perpassa a existência de todo o homem.
Como imagem e semelhança de Deus que é amor, o homem tem por vocação amar. Por isso se não cumpre essa vocação, não encontra em sua vida a verdadeira realização e a felicidade. Amar é a vida do ser humano. Alguém que não ama já está morto.
:: Leia este texto em espanhol

Mas quem disse que amar é fácil? Quem disse que felicidade e realização são palavras contrárias a sacrifício e sofrimento? Em meio a um mundo hedonista, impregnaram em nossa consciência que felicidade é fazer e viver tudo que de alguma forma não nos custe nada. É por isso que cada vez mais o mundo se torna individualista e a atitude de amar é cada vez mais rara. Amar exige sofrimento, renúncia, martírio.
Se amar é muito mais do que um simples sentimento, é uma decisão, uma atitude de vida, logicamente vai exigir um sacrifício próprio. Muita gente projeta a vida a partir de um desejo, às vezes um carro, uma casa e sacrifica muita coisa por causa disso. Se o projeto próprio dos filhos de Deus é amar, precisamos nos dispor a acolher os sacrifícios próprios dessa decisão.
Somos acostumados a desejar que as pessoas nos amem muito, incondicionalmente, sem olhar para as nossas misérias e limitações. Mas quando chega a hora de amar, colocamos uma série de condições. E o amor incondicional? E o amor oblação? E a alegria maior de dar do que receber? E a verdade que o amor que me cura é também o que dou, e não somente o que eu recebo? Não são simples perguntas, mas uma verdadeira revisão de vida ao qual Deus nos convida.
Jesus vai afirmar que se a semente que cai na terra não morrer ela não gera frutos. Amar é morrer! Morrer para as minhas vontades e minhas carências e me decidir em traduzir em ato a vocação que Deus destinou para a minha existência. Não há nenhum ato de amor que não exija de nós o derramar do nosso sangue, um martírio constante que nos leva a oblação e a doação. O amor acarreta sofrimento, cruz, morte. Mas traz consigo redenção, ressurreição, alegria!
Martírio é testemunho. Mártir é aquele que derramou o seu sangue para testemunhar ao mundo um amor maior. São aqueles que cumpriram com excelência a sua vocação de amar. Em um mundo que desacreditou em muita verdades essenciais, há a extrema necessidade de pessoas capazes de suportar todas as tribulações, para testemunhar que é possível, que o mandamento do Senhor não é uma utopia. Deus nos chama a sermos hoje mártires do amor, em meio a um povo que esqueceu a sua vocação de amar.
Talvez você esteja sofrendo muito por ter se decidido em amar alguém concretamente e sem esperar nada em troca. Pode ser que a decisão de amar esteja te levando a chorar ao se deitar e perder noites de sono. Ou então, sua vida se tornou um verdadeiro calvário a partir do momento que você saiu da teoria e foi colocar a sua vocação de filho de Deus em prática. Louvado seja Deus! Você está se aproximando cada vez mais da meta, da plenitude do verdadeiro projeto de vida que Jesus nos deixou : “amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo” (Jo 15, 12).
Quando os nossos sofrimentos são causados por atos verdadeiros de amor, eles nos trazem dor, mas trazem também um sentimento de felicidade inigualável. Não uma felicidade aos moldes mundanos, mas a verdadeira felicidade, a verdadeira paz no coração daqueles que realizaram com aquele sacrifício a vontade de Deus para a sua vida.
Jesus nos deixou o exemplo da cruz. A cruz é o modelo de amor. Ele nos amou até o fim e nos mostrou que por amor, somos capazes de levar a nossa decisão até as últimas consequências. Até o derramamento de sangue. Dando literalmente a vida. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo15, 13).
É hora de pararmos de ficar lambendo as nossas feridas e transformá-las em chagas de amor. Se amar tem machucado e ferido, você agora tem mais coisas em comum com Jesus. Quando chegar na vida eterna, Ele vai olhar para essas chagas e vai lhe dizer: “Como você é parecido comigo!”. Por isso: não desista de amar! Não desista de testemunhar ao mundo que o amor não é uma utopia, mas uma verdade. Onde for que Deus lhe coloque, seja um mártir do amor. Dê a sua vida pela simples, mas inigualável e heróica decisão de amar sem condições, sem medidas.
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Suas feridas o levam a Deus
A nossa vida é uma constante busca. Mesmo que não pareça, passamos a vida inteira à procura de algo. Vivemos procurando por algo que nos realize e, muitas vezes, acabamos por preencher essa carência nas coisas materiais, em sentimentos e pessoas que possam nos fazer felizes e que nos completem. O ser humano precisa disso para viver, ou melhor, para sobreviver.

Perdemos o rumo de nossas vidas quando tentamos saciar a sede que há em nós nas pessoas. Nesse momento de imaturidade, não medimos esforços para nos realizar, para alcançar prazer, para satisfazer os nossos desejos. Transformamos o outro em um “estepe”, tratando-o como um objeto que vai “substituir” uma peça ainda não encontrada em nossa vida. Brincamos com o outro, mas, acima de tudo, com nós mesmos.
Quantos de nós já vivemos essa situação? Talvez, como eu, você buscou ou está buscando preencher este vazio com uma vida afetiva e sexual desordenada, ou, então, está vivendo isso nas drogas, na bebida, nas compras no shopping, entre outros.
Chegamos ao fundo do poço. Não agüentamos mais, não queremos viver aquela vida de antes; nada nos preenche por inteiro. Mas é nesse momento, em um instante de graça, que encontramos o verdadeiro sentido das nossas vidas: Jesus. Através do sofrimento vivido por essa busca, acabamos por encontrar Aquele que esteve sempre ao nosso lado, somente esperando de nós um olhar em Sua direção para que Ele possa mudar as nossas vidas. Nosso Senhor vem e se apresenta a nós, leva-nos a uma experiência com Ele e muda a nossa vida totalmente.
Muitas vezes, depois do início de um processo de conversão, quando olhamos para a nossa história, sentimo-nos culpados por tudo aquilo que já fizemos de errado. Olhamos as nossas feridas e nos martirizamos, desejando nunca ter vivido nada daquilo. Desejamos, ardentemente, esquecer tudo o que aconteceu, passar uma borracha e apagar tudo isso das nossas mentes e corações. Por muito tempo, eu também desejei ardentemente isso para mim.
Chegou um dia em que Deus mudou o meu olhar sobre a minha história. Ele me fez enxergar que, sem que eu percebesse, em tudo o que aconteceu em minha vida Ele sempre estava comigo. E que, em cada ato desordenado, no fundo, era Ele que eu procurava encontrar. Mesmo sem saber, em cada momento que eu tentava preencher o vazio com os meus erros, eu somente buscava e ansiava por Deus. Quando Nosso Senhor me fez tocar nessa realidade, meu coração se encheu de uma gratidão profunda por Ele, que me esperou e nunca me abandonou. Ele sabia que, mesmo errando e vivendo uma vida de pecado, meu coração ansiava somente por Deus.
Talvez você esteja vivendo essa situação em sua vida hoje. Talvez você esteja buscando preencher o seu vazio com pessoas, ou, quem sabe, já tenha encontrado o Senhor, mas continua se culpando por tudo o que viveu. Entenda: você está buscando ou sempre buscou por Deus. É Ele que vai completar a sua vida. Pare de buscá-Lo nos lugares errados. Pare de dar murro em ponta de faca, Ele só espera um olhar seu.
Hoje, eu olho para a minha história e posso dizer: Bendito “fundo do poço” em que eu cheguei, pois este me levou a Deus. Busquei tanto, feri-me tanto, mas encontrei Aquele que deu sentido a todas as coisas em minha vida.
O maior desejo de nossas almas é o Senhor. Os nossos corações anseiam por Deus. Foi Ele quem eu sempre busquei. E ao me encontrar com Ele, pude entender isso. Custou-me, mas achei-O. Hoje, eu sei disso; e, como Santo Agostinho, eu digo: “Tarde te amei!”
Entenda: você sempre buscou Deus! Vá ao encontro d’Aquele que pode dar sentido à toda sua vida. Lembre-se: Ele só espera por um olhar seu!
Estamos juntos!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Não desperdice o seu sofrimento!
Umas das coisas que mais impressionavam em Jesus era a capacidade que Ele tinha de se compadecer do sofrimento das pessoas. Ele olhava para cada pessoa em particular e vivia junto com ela os seus sofrimentos. Independentemente do que vivemos, Jesus sempre está unido a nós, pois Ele tem um olhar especial pelos que sofrem. É no sofrimento que mais parecemos com Ele.
Vivemos em um mundo que busca o prazer a qualquer custo, no qual a idéia de prazer foi vinculada à felicidade. Por isso, falar de sofrimento é ir contra a correnteza. Acredita-se que somente seremos felizes se tivermos prazer em tudo o que fazemos. Dessa forma, o sofrimento virou sinônimo de infelicidade.
O cristão é convidado a mostrar ao mundo um testemunho diferente. Mostrar que se colocamos sentido e significado aos nossos sofrimentos, neles encontramos a felicidade. Talvez o maior problema hoje seja este: as pessoas andam desperdiçando o seu sofrimento.
Se eu dou sentido ao sofrimento que vivo, santifico-me. Você é quem escolhe o sentido que você vai dar a essa palavra na sua vida. Quantas pessoas – com doenças graves – encontraram sentido para suas vidas a partir do momento em que começaram a ajudar outras pessoas com o mesmo problema.
O que tornou tantos homens e mulheres santos na história não foi o sofrimento que viveram, mas o sentido que eles deram ao seu sofrimento. Aprenderam a não desperdiçar esses momentos para se aproximar de Deus e dos outros.
É preciso que aprendamos a sofrer. É preciso que coloquemos sentido aos nossos sofrimentos. Uma mulher que vai dar à luz uma criança sofre, mas ela não pensa nas suas dores, ela só pensa no filho que carregará nos braços e verá crescer. A mãe entende que a alegria que virá depois será muito maior que o sofrimento presente. São Francisco de Assis já dizia: “É tão grande o bem que espero, que todo o sofrimento me é um grande prazer” .
Não há sofrimento grande ou pequeno. Qualquer sofrimento é capaz de levá-lo à santidade e lançá-lo ao céu. Assim, é preciso que cada um de nós aprenda a viver intensamente as visitas de Deus nos momentos de dor.
A escolha é de cada um. Sofrer por sofrer ou sofrer com sentido – mesmo nos momentos de dor. Use do seu sofrimento para ir além de suas limitações, para ir além do que você se vê capaz de fazer ou viver. Supere-se!
Se você não desperdiçar o seu sofrimento, surgirá em seus lábios um sorriso capaz de ressuscitar a muitos que estavam a ponto de morrer. Isso é santidade. Não desperdice o seu sofrimento!
Deus abençoe!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com





