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Amigo de verdade é aquele que corrige
Há um princípio fundamental em qualquer amizade: ela deve nos fazer crescer. Como uma árvore boa é podada para poder dar frutos bons, assim também, durante a caminhada de crescimento e de amadurecimento, o ser humano precisa de algumas boas “podas”. Passar por esse processo não é fácil e, muitas vezes, nem aceitamos que qualquer um nos pode. Por isso Deus coloca algumas pessoas especiais em nossas vidas não só com a oportunidade, mas com a missão de nos corrigir para nos fazer crescer.
Monsenhor Jonas Abib, certa vez, escreveu que existem situações de nossa vida nas quais, muitas vezes, só o amigo é capaz de nos corrigir. O conhecimento mútuo, ou seja, a intimidade que uma amizade gera entre duas pessoas produz um conhecimento tão profundo da alma do amigo que nos permite saber a forma e quando corrigi-lo. O amor compartilhado é capaz de abrir “compartimentos lacrados” de nosso coração, os quais precisam da luz da verdade sobre as nossas misérias, para que estas possam ser curadas.
Por causa da abertura de alma que há numa amizade um amigo é capaz de chegar aonde ninguém consegue. Ele é capaz de atingir e tocar nos pontos mais delicados de nossa história, de nossa vida, com toda a maestria que só o amor é capaz de suscitar. São feridas nas quais ninguém havia tocado, mas que somente um amigo é capaz de tocá-las e curá-las com seu amor.
Um bom amigo é como um bisturi nas mãos de Deus, capaz de rasgar a nossa alma para que todas as mazelas sejam expelidas e o coração possa ser curado. Esse processo é muito doloroso no início; não é fácil aceitar a correção e escutar tantas verdades da boca de alguém. Muitas vezes, isso fere, machuca e realmente arranca pedaços, mas, logo depois, o bálsamo do amor do amigo é derramado, consolando, aliviando e cicatrizando as nossas feridas. Alguém precisa fazer o serviço, por isso Deus usa dos nossos amigos. Ele sempre se utiliza de alguém para agir em nossa vida, suscitando a pessoa certa para que, através do amor concreto, toque na ferida e cure o nosso coração.
Pressuposto de uma amizade madura e saudável é a correção. A Palavra de Deus nos ensina: “Corrige o amigo que talvez tenha feito o mal e diz que não o fez, para que, se o fez, não torne a fazê-lo” (Eclo 19,13). Amigo que não corrige, não faz o outro crescer e por isso não ama de verdade. Um relacionamento de amizade verdadeira em Deus não comporta omissão. É preciso haver verdade, sinceridade e por isso liberdade para poder corrigir, mas fazê-lo no amor. Quem ama quer o melhor para o outro e esse melhor, muitas vezes, exige correção.
Saber que alguém que está nos corrigindo nos ama não nos anestesia da dor da “poda”, mas nos traz segurança. Podemos até resmungar, nos irritar, no entanto, ouvimos e acabamos aceitando. Lá na frente veremos o quanto aquela exortação nos fez crescer e nos livrou de tantos sofrimentos.
Se um amigo o corrigiu, aceite a correção! Exortação não é questão de falta de carinho; pelo contrário, é ato concreto de quem ama e quer o melhor para nós. Se um amigo seu precisa de correção, não se omita! Não deixe que o seu medo de perder a amizade por ter de corrigi-lo o leve a perdê-lo definitivamente. Mostre o seu amor e se comprometa com a vida dele. Cumpra sua missão de amigo: corrija e o ganhe para sempre; o ganhe para Deus!
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Um amigo de verdade ama primeiro o Senhor
Vivemos em um mundo de pessoas solitárias, no qual muito se fala de amizade e da necessidade de ter amigos para uma vida melhor. Mas mesmo se falando tanto sobre o assunto, mais sozinhas as pessoas ficam a cada dia. O que muitas chamam de “amizade” muitas vezes, não passa de troca de interesses, de conveniência, de superficialidade. Pode ser até mesmo que a sociedade tenha reconhecido a necessidade de criamos vínculos e relacionamentos, mas a forma como isso tem sido apresentado e oferecido só tem gerado um vazio cada vez maior no coração das pessoas por causa das feridas que são criadas.
Uma amizade que não está fundamentada no Senhor é como uma casa sem alicerce: mais cedo ou mais tarde desmorona e fere a todos que estavam nela. Sem Deus qualquer relacionamento está destinado a se tornar dependência e troca de carências.
Uma das mais belas amizades relatadas na Sagrada Escritura é a entre Davi e Jônatas. Eles aprenderam, na provação e na dor, o que é estabelecer uma amizade que tenha o Senhor como fundamento e viveram dizendo um ao outro: “O Senhor esteja entre mim e ti para sempre” (I Sm 20,23).
Se a vontade de Deus não estiver entre dois amigos, cedo ou tarde, ambos, ao depararem com as limitações um do outro, não terão forças para ir além, para perdoar e acolher o outro na sua miséria. Somente o Senhor é capaz de nos ensinar o amor-oblação, o sacrifício e a renúncia. Mas, para aprender a amar assim, é preciso amar ao Senhor sobre todas as coisas, “com todo o coração, com toda alma e com todo entendimento” (cf. Dt 6,5).
Para amar a Davi de maneira concreta, Jônatas precisou ir contra muitas situações que estavam ao seu redor, inclusive contra seu pai. Mas esse ir contra a vontade paterna não se deu por rebeldia ou por falta de amor para com Saul, mas porque Jônatas, por amar a Deus com todo o coração, percebeu os erros de seu genitor e entendeu que o Senhor estava com o amigo [Davi] (cf. I Sm 16,18).
Havia confiança entre Davi e Jônatas porque ambos, antes de se amarem, amavam ao Senhor. Experimentavam a amizade recíproca verdadeira, pois sabiam que um amigo de verdade ama a Deus em primeiro lugar. Confiavam um no outro, porque confiavam antes no Altíssimo.
Quando se ama ao Senhor antes de tudo, cada coisa é colocada em seu lugar em nosso interior e podemos amar de maneira livre. Na liberdade de filhos de Deus aprendemos, com Jesus, o que é amar sem apegos, carências, ciúmes e sentimento de posse. Aprendemos a amar como Ele amou. O equilíbrio se estabelece à medida que tudo à nossa vida gira em torno do Senhor e da Sua vontade, pois percebemos, dessa forma, que até mesmo a nossa amizade é uma oportunidade de amá-Lo de modo mais pleno. O amor ao Senhor nos lança aos irmãos inevitavelmente e nos leva a amá-los de maneira concreta, pois, afinal, quem diz que ama a Deus e não ama o seu irmão é mentiroso (cf. I Jo 4,20).
Somente quem ama no Senhor, pelo Senhor e para o Senhor é capaz de tocar num relacionamento verdadeiro e experimentar os frutos de cura e libertação dessa dádiva. Por isso, se você tem buscado uma amizade sincera e só tem encontrado decepção, pare de buscá-la nos homens e busque antes de tudo amar a Deus em primeiro lugar.
Se a sua vida se tornar uma busca incansável pelo Senhor, Ele mesmo providenciará os amigos certos, na hora certa, como fez na vida desses personagens bíblicos [Davi e Jônatas]. Jesus sabe que ninguém pode seguir sozinho, pois Ele mesmo, na Sua humanidade, experimentou a importância de ter amigos. Por isso, ame ao Senhor com todo o seu coração e deixe-O surpreendê-lo com amigos de verdade, capazes de viver maior amor: amor capaz de dar a vida (cf. Jo 15,13).
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
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Será que o meu lugar é na Canção Nova?
Em meio a um mundo triste, o sorriso de uma juventude entregue ao Senhor traz um novo brilho e uma nova esperança aos corações. Esses jovens são sinais concretos de um Deus que não se esquece dos Seus e que deposita, no chamado feito a cada um deles, a certeza de uma vida nova em Cristo. Rapazes e moças que deixaram tudo – casa, trabalho, namoro, sonhos, projetos – para se entregar, de forma completa, ao anúncio de um Deus vivo e vivido, apaixonado por nós e que em breve voltará. Uma juventude que não teve medo de questionar ao Senhor sobre a Sua vontade e sobre o lugar onde deveriam gastar as suas vidas. Uma geração disposta a cantar ao Senhor um cântico novo, uma “canção nova” (cf. Sl 96,1).
Talvez você tenha a coragem de se perguntar: “Será que o meu lugar é na Canção Nova?”. Ao se questionar sobre isso você abre o coração para Deus, permitindo-Lhe, – mais do que somente lhe mostrar a vontade d’Ele –, revelar o Seu amor de maneira que você nunca experimentou. Sua vocação é, antes de tudo, um ato concreto do amor e da misericórdia de um Deus apaixonado.
Aqueles que Deus criou “Canção Nova” são homens e mulheres que sabem de suas misérias e de suas incapacidades, mas que também confiam, de forma plena, na graça do Senhor, maior do que essas limitações e capaz de tornar instrumentos defeituosos em uma linda orquestra. São corações consagrados, profundamente gratos, que decidiram doar a vida em resposta ao amor de um Deus que nos “constrange”. A música é d’Ele, é do Espírito Santo, que canta em nós e apesar de nós.
São jovens que perceberam não somente um desejo de ser Canção Nova, mas que reconheceram que sempre haviam cantado um canto novo, mesmo sem o compreender. Não são consagrados fruto de um projeto pessoal, mas de um ato criador no coração de Deus, que desde sempre havia pensado neles nessa “companhia de pesca”. Não se “tornaram Canção Nova”, mas reconheceram que haviam sido desde sempre.
Homens e mulheres que lutam pela santidade de forma concreta e nos atos normais do dia a dia. Que são limitados, que caem, mas que se levantam abraçando a sua cruz e seguindo em frente. Pessoas que não esperam grandes ocasiões, mas que em tudo buscam a Deus em primeiro lugar, acreditando que todo o resto Ele proverá. Que assumiram a Jesus como o seu Senhor desde o dia em que O encontraram face a face e Ele lhes mudou a vida.
Jovens que compreenderam não ter sido criados para ser sozinhos, para buscar a santidade de forma individual, mas em uma comunidade. Que encontram, no abraço dos irmãos, o conforto do Senhor e o perdão que levanta, que cura e que liberta. Rapazes, moças, sacerdotes, diáconos, celibatários, casais, famílias inteiras, que desejam dar um testemunho concreto do amor verdadeiro, puro e sem malícia, que cura e amadurece. Que acreditam e dão a vida por um mundo novo, formado por homens e mulheres novos.
“Ser Canção Nova” é quem tem a evangelização correndo nas veias, pois compreendeu que essa graça provém de um relacionamento concreto com o Senhor, alimentado pela Sua Palavra e pela Eucaristia. É quem sente a necessidade de ser formado por Deus por intermédio dos irmãos, para também formar um povo novo. São pessoas que querem comunicar Jesus com suas vidas, com suas palavras, com o seu trabalho através de todos os meios providenciados pelo Senhor, sobretudo pelos meios de comunicação, capazes de atingir uma multidão, tocando a cada um de maneira particular.
Filhos que decidiram seguir os passos de Jesus e morar na “Casa de Maria”. Ali são formados pelo seu amor de Mãe e mestra, que educa, forma e cura os corações. Com ela aprendem a cantar o canto de gratidão, o “Magnificat” de suas vidas, que sempre será uma forma de render ao Senhor a honra e a glória que só a Ele pertencem. Quando olham sua história, de forma atenta, percebem a sua presença discreta de Mãe, que sempre esteve presente e que tudo fez e faz.
Talvez ao ler esse texto, você tenha sentido que, muito mais do que falar de outras pessoas, cada palavra foi revelando um pouco de você. Ou, então, o sentimento que brota em seu coração é como a felicidade de uma criança ao achar a peça que faltava de um quebra-cabeça. O coração pode estar batendo mais forte na certeza de ter encontrado o seu lugar, trazendo-lhe lágrimas aos olhos e uma felicidade nunca antes experimentada. Se isso tudo está acontecendo com você, eu preciso lhe dizer: acho que você faz parte dessa família.
Um dia eu me questionei e permiti que a voz de Deus crescesse no meu coração. Então, ouvi um convite a cantar uma canção nova com a vida, em comunidade, preparando um povo para a volta de Jesus. Deixei tudo, permitindo que o amor de Deus me seduzisse e me guiasse. Dei os passos que cabiam a mim e encontrei a família a qual eu sempre pertenci. Tive que assumir a verdade: eu era mesmo “diferente”. Mas isso trouxe alegria, pois encontrei um bando de gente “diferente” como eu. Eu me senti em casa e quero estar nessa casa para sempre. Sou feliz assim. E posso, com a minha vida, declarar que ser Canção Nova realmente é BOM DEMAIS!
E aí? Está esperando o quê? Talvez o e-mail da nossa equipe vocacional? Pois então anote aí: vocacao@cancaonova.com.
Não perca tempo! Não deixe o medo o impedir de dar os passos que são necessários, pois do seu “sim” dependem muitas almas. Deus está chamando você, por isso, não demore em dizer “sim”. Venha para a Canção Nova: aqui é bom demais!
Seu irmão,
Renan Félix
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Tarde te amei – Santo Agostinho
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!
Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!
Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas.
Estavas comigo, mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.
Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti.
Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz…
Santo Agostinho
Amar: o verdadeiro martírio
Muitas vezes nos deparamos com coisas que precisamos fazer, e que diante a nossa miséria nos sentimos muito incapazes. Jesus no seu ‘testamento’ nos deixa uma ordem que vai se tornar o grande desafio da vida de qualquer ser humano: “Amai-vos uns aos outros” (Jo 15,12). O mandamento do amor, muito mais que uma simples ordem, é um projeto de vida que perpassa a existência de todo o homem.
Como imagem e semelhança de Deus que é amor, o homem tem por vocação amar. Por isso se não cumpre essa vocação, não encontra em sua vida a verdadeira realização e a felicidade. Amar é a vida do ser humano. Alguém que não ama já está morto.
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Mas quem disse que amar é fácil? Quem disse que felicidade e realização são palavras contrárias a sacrifício e sofrimento? Em meio a um mundo hedonista, impregnaram em nossa consciência que felicidade é fazer e viver tudo que de alguma forma não nos custe nada. É por isso que cada vez mais o mundo se torna individualista e a atitude de amar é cada vez mais rara. Amar exige sofrimento, renúncia, martírio.
Se amar é muito mais do que um simples sentimento, é uma decisão, uma atitude de vida, logicamente vai exigir um sacrifício próprio. Muita gente projeta a vida a partir de um desejo, às vezes um carro, uma casa e sacrifica muita coisa por causa disso. Se o projeto próprio dos filhos de Deus é amar, precisamos nos dispor a acolher os sacrifícios próprios dessa decisão.
Somos acostumados a desejar que as pessoas nos amem muito, incondicionalmente, sem olhar para as nossas misérias e limitações. Mas quando chega a hora de amar, colocamos uma série de condições. E o amor incondicional? E o amor oblação? E a alegria maior de dar do que receber? E a verdade que o amor que me cura é também o que dou, e não somente o que eu recebo? Não são simples perguntas, mas uma verdadeira revisão de vida ao qual Deus nos convida.
Jesus vai afirmar que se a semente que cai na terra não morrer ela não gera frutos. Amar é morrer! Morrer para as minhas vontades e minhas carências e me decidir em traduzir em ato a vocação que Deus destinou para a minha existência. Não há nenhum ato de amor que não exija de nós o derramar do nosso sangue, um martírio constante que nos leva a oblação e a doação. O amor acarreta sofrimento, cruz, morte. Mas traz consigo redenção, ressurreição, alegria!
Martírio é testemunho. Mártir é aquele que derramou o seu sangue para testemunhar ao mundo um amor maior. São aqueles que cumpriram com excelência a sua vocação de amar. Em um mundo que desacreditou em muita verdades essenciais, há a extrema necessidade de pessoas capazes de suportar todas as tribulações, para testemunhar que é possível, que o mandamento do Senhor não é uma utopia. Deus nos chama a sermos hoje mártires do amor, em meio a um povo que esqueceu a sua vocação de amar.
Talvez você esteja sofrendo muito por ter se decidido em amar alguém concretamente e sem esperar nada em troca. Pode ser que a decisão de amar esteja te levando a chorar ao se deitar e perder noites de sono. Ou então, sua vida se tornou um verdadeiro calvário a partir do momento que você saiu da teoria e foi colocar a sua vocação de filho de Deus em prática. Louvado seja Deus! Você está se aproximando cada vez mais da meta, da plenitude do verdadeiro projeto de vida que Jesus nos deixou : “amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo” (Jo 15, 12).
Quando os nossos sofrimentos são causados por atos verdadeiros de amor, eles nos trazem dor, mas trazem também um sentimento de felicidade inigualável. Não uma felicidade aos moldes mundanos, mas a verdadeira felicidade, a verdadeira paz no coração daqueles que realizaram com aquele sacrifício a vontade de Deus para a sua vida.
Jesus nos deixou o exemplo da cruz. A cruz é o modelo de amor. Ele nos amou até o fim e nos mostrou que por amor, somos capazes de levar a nossa decisão até as últimas consequências. Até o derramamento de sangue. Dando literalmente a vida. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo15, 13).
É hora de pararmos de ficar lambendo as nossas feridas e transformá-las em chagas de amor. Se amar tem machucado e ferido, você agora tem mais coisas em comum com Jesus. Quando chegar na vida eterna, Ele vai olhar para essas chagas e vai lhe dizer: “Como você é parecido comigo!”. Por isso: não desista de amar! Não desista de testemunhar ao mundo que o amor não é uma utopia, mas uma verdade. Onde for que Deus lhe coloque, seja um mártir do amor. Dê a sua vida pela simples, mas inigualável e heróica decisão de amar sem condições, sem medidas.
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
O desafio de deixar
O ato de deixar é um processo muito doloroso para todos nós porque nos desestabiliza, desloca-nos e nos coloca em uma situação de insegurança, pois não sabemos em que terreno vamos pisar. O “deixar” gera em nós um medo de perder, de esquecer e de ser esquecido, embora a nossa vida seja um eterno deixar. Deixamos o ventre de nossa mãe, os amigos de escola, a vizinhança, a namorada, a nossa casa, o nosso bairro, a nossa cidade etc. É um sofrimento que toma conta da alma e que, diante das inseguranças, prefere, muitas vezes, acomodar-se ao invés de arriscar-se.

Chega um momento em que cada um de nós vê-se em um dilema: ou deixa ou não cresce; arrisca-se ou vai passar o resto da vida questionando-se sobre o que teria acontecido se tivesse tentado. É uma decisão difícil, mas que precisa ser tomada.
O que faz cada um de nós viver o “deixar” é a motivação, algo que nos estimula ao ponto de nos fazer superar o medo da insegurança e que nos faz pular ao encontro do desconhecido, do novo, do crescimento. Essa motivação pode ser uma namorada, um bom salário, a faculdade e até mesmo Deus.
Deus é o motivo de muitos jovens que trocam suas seguranças e lançam-se em uma vocação, uma vida missionária. Eles deixam a estabilidade de suas casas, a faculdade e a profissão para viver uma vida cuja única segurança e riqueza é e sempre será o Senhor.
Quando temos uma experiência concreta com o Senhor, somos capazes de deixar aquilo que é mais difícil por Ele: nós mesmos.
Essa é parte mais difícil: deixar-se. Abandonar nossas idéias, vontades, argumentos, nossa criação, costumes e desejos para lançar-se na vontade do Senhor.
Loucura? Talvez para os olhos daqueles que nunca viveram uma experiência com o amor de Deus, que nunca sentiram o peito queimar depois de comungar nem a sensação de não precisar de mais nada, a não ser do Senhor. Esse é um desafio para cada jovem que sente, no peito, a ânsia de entregar-se em uma vida consagrada.
E qual é a atitude que nós, jovens, temos quando somos desafiados? “Caímos dentro!”. O jovem vive de desafios, corre em direção a eles. Esse é o segredo: encarar a busca por santidade e o desejo de responder à vontade de Deus como um desafio. Desse jeito, nada nem ninguém poderá segurá-lo.
Foi o que aconteceu comigo. Vivi uma experiência com Deus que me fez encarar o meu chamado como um desafio. Deixei tudo – casa, trabalho, namoro, amigos, família – para ir ao encontro do Senhor. Não foi fácil deixar o que eu amava, porém posso lhe dizer que o desafio maior acontece a cada dia, isto é, deixar as minhas vontades e os meus desejos para querer o que Deus desejou desde toda a eternidade para mim.
Deus desafia cada um de nós a deixar nossas vontades, planos, desejos e principalmente nós mesmos, para tê-Lo como nosso único tesouro, nossa única riqueza, nosso único amor. Não é fácil, mas é possível e vale a pena!
Estamos juntos!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
É preciso ser muito homem para dizer sim a Deus
Ao olharmos para a Igreja, hoje, deparamos com a beleza do grande número de jovens que se entregam ao serviço do Senhor. Jovens que deixaram tudo: projetos, juventude, sonhos, para sonhar o sonho de Deus, para dedicar a vida à salvação das almas. Vocações que se levantam, a cada dia, em resposta ao apelo do coração de Deus, por intermédio do Seu povo. Uma juventude que testemunha – com a vida – que o segredo da felicidade tem nome: Jesus Cristo.
Observando com cuidado também deparamos com uma dura realidade: são as mulheres que representam a grande maioria desses jovens que respondem ao chamado de Deus. Elas constituem a maioria em grande parte dos serviços da Igreja e dedicam, com muito carinho, toda a sua vida ao serviço do Senhor. É nesse momento que surge a pergunta: onde estão os homens?
Deus é o mesmo e continua a chamar a todos, assim como fez em toda a história da salvação. Assim como fez com Abraão, Moisés, Samuel, Davi, Pedro, Tiago, João, Paulo, Ele continua a chamar homens para o Seu seguimento. Se Ele os chama, por que eles não respondem?
Parece que os rapazes de hoje têm medo de se decidir, de se posicionar e encarar as consequências de suas decisões até o fim. Ficam ponderando e se agarrando a falsas seguranças pessoais, como se estas fossem eternas. Não afirmo isso somente com relação à vocação à vida consagrada, mas digo o mesmo com relação aos relacionamentos, ao matrimônio, ao trabalho, aos compromissos próprios da vida. Encontramos uma geração de pessoas que querem viver sem assumir a responsabilidade própria do ser homem, sem assumir o seu papel na história.
Vivemos em uma sociedade que por vezes se mostra machista, mas que ao mesmo tempo vai retirando – por meio de seus conceitos e estruturas – a firmeza, a coragem e a decisão que são próprias do ser homem. Por causa da busca desenfreada pela igualdade entre os sexos, anula-se aquilo que é próprio do homem e se forma uma sociedade frágil, na qual ninguém quer assumir o papel que lhe compete.
Para seguir uma vocação é preciso ser muito homem! É preciso muita coragem para renunciar a tudo a fim de fazer a vontade de Deus. Como homens que somos paramos de buscar a segurança em nossas próprias forças, em nossa racionalidade, que nos é tão própria, e nos abandonamos confiantes nos braços de Deus, que cuida de todas as coisas. Assumimos que mesmo sendo chamados a cuidar, a zelar e a responder por muitos, somos antes de tudo cuidados por um Pai que nos ama. Dessa forma, tornamo-nos inteiramente do Senhor e, por essa razão, nos tornamos muito mais homens.
Deus precisa de homens para levar a salvação até os confins da terra. Homens que assumam o seu papel na história e se deixem conduzir inteiramente pela ação do Espírito Santo. Homens que podem mudar a história com uma simples palavra: “sim”!
Um dia, eu fui provocado pelo Amor de Deus, que me desafiou e me exigiu uma resposta. Dei um “sim” na escuridão da fé e hoje vejo um horizonte ilimitado de felicidade na vontade de Deus. Não foi fácil romper com as amarras dos desígnios da sociedade e seguir a vontade do Senhor, mas hoje vejo o quanto essa decisão me fez muito mais homem. Hoje, sou muito mais feliz por saber que assumo o meu papel na história, assim como tantos homens que se deixaram seduzir por um Amor maior.
Talvez neste momento Deus o esteja desafiando a dar a sua resposta. Uma resposta que só depende de você. Não importa o que o Senhor esteja suscitando no seu coração: sacerdócio, matrimônio, vida consagrada em comunidade ou qualquer outra forma serviço pelo Reino de Deus. Agora é a hora da resposta e da decisão que mudarão toda a sua vida. Dê a sua resposta, mas lembre-se: é preciso ser muito homem para dizer “sim” a Deus!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Ninguém erra por buscar a vontade de Deus!
Muitas vezes, ao partilhar algo com jovens, que assim como eu, se sentem chamados a uma vocação, escuto sempre esta frase: “Eu tenho medo de errar, de não ser esse o lugar que Deus quer!” Este é um questionamento que sempre aflige o coração daqueles que estão descobrindo sua vocação.
Olhando para a minha curta caminhada vocacional, percebo que eu também me fiz esse questionamento, e que ele nada mais é do que medo disfarçado de preocupação. Isso mesmo: medo.
O jovem tem medo de se decidir por algo, de tomar uma decisão definitiva, que somente ele vai arcar com as conseqüências. Muitos buscam pessoas, palavras, sinais, para confirmar a sua vocação, o que – em muitas situações – pode significar o desejo de responsabilizar alguém pelas suas atitudes. O jovem tem medo de decidir pela sua vida.
Esse medo começa a partir do momento em que ele se percebe crescendo, amadurecendo, se comprometendo. É neste momento que, na grande maioria das vezes, Deus entra na vida dele e faz o chamado. Agora ele tem de se decidir!
Vivemos em uma sociedade que desacreditou nas escolhas definitivas, que desacreditou em tudo que é para sempre. É nessa sociedade que os jovens hoje se vêem.
Mas há um caminho! Deus quando escolhe alguém é de forma definitiva. A escolha de Deus independe do seu querer, do seu medo. Claro, Ele o escolhe, mas você é quem dá o sim. Mas mesmo que você fuja, corra, o chamado vai sempre estar no coração de Deus, e se você mudar de idéia, Ele estará pronto a conquistá-lo novamente.
Não tenha medo de se arriscar no caminho que leva à vontade de Deus. Não tenha medo de errar, de perceber mais na frente que não era bem aquele o lugar que Deus havia preparado para você. Deus vai aproveitar de todas as suas experiências para fazê-lo crescer. Se não for aquele o ponto de chegada, durante a corrida Deus vai lhe mostrar o desvio. Não tenha medo de se arriscar!
Independente da vocação – matrimônio, sacerdócio, vida consagrada ou até mesmo uma vocação profissional – no mundo irão existir sempre dois tipos de pessoas vocacionadas por Deus: as que se arriscaram e descobriram a verdade do Senhor para elas, e as que nunca deram passos e ficaram sempre se questionando: “E se eu tivesse dado passos nesta direção?” Você é quem escolhe que tipo de pessoa quer ser.
Medo todos temos. Eu o tive. Eu o tenho. Mas cada vez que esse medo salta em meu coração eu me lembro de Quem me chamou. Lembro-me de que foi Deus quem me fez o chamado, e Ele pode cuidar de tudo – basta que eu deixe que Ele cuide – e dê passos na fé.
O segredo é se arriscar! Ninguém erra por buscar a vontade de Deus. Se você se lançar, o mais Deus tudo fará!
Deus abençoe a sua vocação!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Suas feridas o levam a Deus
A nossa vida é uma constante busca. Mesmo que não pareça, passamos a vida inteira à procura de algo. Vivemos procurando por algo que nos realize e, muitas vezes, acabamos por preencher essa carência nas coisas materiais, em sentimentos e pessoas que possam nos fazer felizes e que nos completem. O ser humano precisa disso para viver, ou melhor, para sobreviver.

Perdemos o rumo de nossas vidas quando tentamos saciar a sede que há em nós nas pessoas. Nesse momento de imaturidade, não medimos esforços para nos realizar, para alcançar prazer, para satisfazer os nossos desejos. Transformamos o outro em um “estepe”, tratando-o como um objeto que vai “substituir” uma peça ainda não encontrada em nossa vida. Brincamos com o outro, mas, acima de tudo, com nós mesmos.
Quantos de nós já vivemos essa situação? Talvez, como eu, você buscou ou está buscando preencher este vazio com uma vida afetiva e sexual desordenada, ou, então, está vivendo isso nas drogas, na bebida, nas compras no shopping, entre outros.
Chegamos ao fundo do poço. Não agüentamos mais, não queremos viver aquela vida de antes; nada nos preenche por inteiro. Mas é nesse momento, em um instante de graça, que encontramos o verdadeiro sentido das nossas vidas: Jesus. Através do sofrimento vivido por essa busca, acabamos por encontrar Aquele que esteve sempre ao nosso lado, somente esperando de nós um olhar em Sua direção para que Ele possa mudar as nossas vidas. Nosso Senhor vem e se apresenta a nós, leva-nos a uma experiência com Ele e muda a nossa vida totalmente.
Muitas vezes, depois do início de um processo de conversão, quando olhamos para a nossa história, sentimo-nos culpados por tudo aquilo que já fizemos de errado. Olhamos as nossas feridas e nos martirizamos, desejando nunca ter vivido nada daquilo. Desejamos, ardentemente, esquecer tudo o que aconteceu, passar uma borracha e apagar tudo isso das nossas mentes e corações. Por muito tempo, eu também desejei ardentemente isso para mim.
Chegou um dia em que Deus mudou o meu olhar sobre a minha história. Ele me fez enxergar que, sem que eu percebesse, em tudo o que aconteceu em minha vida Ele sempre estava comigo. E que, em cada ato desordenado, no fundo, era Ele que eu procurava encontrar. Mesmo sem saber, em cada momento que eu tentava preencher o vazio com os meus erros, eu somente buscava e ansiava por Deus. Quando Nosso Senhor me fez tocar nessa realidade, meu coração se encheu de uma gratidão profunda por Ele, que me esperou e nunca me abandonou. Ele sabia que, mesmo errando e vivendo uma vida de pecado, meu coração ansiava somente por Deus.
Talvez você esteja vivendo essa situação em sua vida hoje. Talvez você esteja buscando preencher o seu vazio com pessoas, ou, quem sabe, já tenha encontrado o Senhor, mas continua se culpando por tudo o que viveu. Entenda: você está buscando ou sempre buscou por Deus. É Ele que vai completar a sua vida. Pare de buscá-Lo nos lugares errados. Pare de dar murro em ponta de faca, Ele só espera um olhar seu.
Hoje, eu olho para a minha história e posso dizer: Bendito “fundo do poço” em que eu cheguei, pois este me levou a Deus. Busquei tanto, feri-me tanto, mas encontrei Aquele que deu sentido a todas as coisas em minha vida.
O maior desejo de nossas almas é o Senhor. Os nossos corações anseiam por Deus. Foi Ele quem eu sempre busquei. E ao me encontrar com Ele, pude entender isso. Custou-me, mas achei-O. Hoje, eu sei disso; e, como Santo Agostinho, eu digo: “Tarde te amei!”
Entenda: você sempre buscou Deus! Vá ao encontro d’Aquele que pode dar sentido à toda sua vida. Lembre-se: Ele só espera por um olhar seu!
Estamos juntos!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Não desperdice o seu sofrimento!
Umas das coisas que mais impressionavam em Jesus era a capacidade que Ele tinha de se compadecer do sofrimento das pessoas. Ele olhava para cada pessoa em particular e vivia junto com ela os seus sofrimentos. Independentemente do que vivemos, Jesus sempre está unido a nós, pois Ele tem um olhar especial pelos que sofrem. É no sofrimento que mais parecemos com Ele.
Vivemos em um mundo que busca o prazer a qualquer custo, no qual a idéia de prazer foi vinculada à felicidade. Por isso, falar de sofrimento é ir contra a correnteza. Acredita-se que somente seremos felizes se tivermos prazer em tudo o que fazemos. Dessa forma, o sofrimento virou sinônimo de infelicidade.
O cristão é convidado a mostrar ao mundo um testemunho diferente. Mostrar que se colocamos sentido e significado aos nossos sofrimentos, neles encontramos a felicidade. Talvez o maior problema hoje seja este: as pessoas andam desperdiçando o seu sofrimento.
Se eu dou sentido ao sofrimento que vivo, santifico-me. Você é quem escolhe o sentido que você vai dar a essa palavra na sua vida. Quantas pessoas – com doenças graves – encontraram sentido para suas vidas a partir do momento em que começaram a ajudar outras pessoas com o mesmo problema.
O que tornou tantos homens e mulheres santos na história não foi o sofrimento que viveram, mas o sentido que eles deram ao seu sofrimento. Aprenderam a não desperdiçar esses momentos para se aproximar de Deus e dos outros.
É preciso que aprendamos a sofrer. É preciso que coloquemos sentido aos nossos sofrimentos. Uma mulher que vai dar à luz uma criança sofre, mas ela não pensa nas suas dores, ela só pensa no filho que carregará nos braços e verá crescer. A mãe entende que a alegria que virá depois será muito maior que o sofrimento presente. São Francisco de Assis já dizia: “É tão grande o bem que espero, que todo o sofrimento me é um grande prazer” .
Não há sofrimento grande ou pequeno. Qualquer sofrimento é capaz de levá-lo à santidade e lançá-lo ao céu. Assim, é preciso que cada um de nós aprenda a viver intensamente as visitas de Deus nos momentos de dor.
A escolha é de cada um. Sofrer por sofrer ou sofrer com sentido – mesmo nos momentos de dor. Use do seu sofrimento para ir além de suas limitações, para ir além do que você se vê capaz de fazer ou viver. Supere-se!
Se você não desperdiçar o seu sofrimento, surgirá em seus lábios um sorriso capaz de ressuscitar a muitos que estavam a ponto de morrer. Isso é santidade. Não desperdice o seu sofrimento!
Deus abençoe!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com

