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Missa em 3D?!

A moda agora é o 3D! De uns tempos pra cá, o mundo está sendo bombardeado com uma série de produtos com tecnologia de imagem em três dimensões. O que há de melhor em TVs, computadores, filmes, vem com uma tecnologia própria para criar imagens tridimensionais. Entre um filme “comum” e um em 3D – mesmo pagando mais caro – nós vamos escolher a novidade do momento. Afinal, somos uma geração que adora novidades! Por falar em novidade, e se te dissessem que existe Missa em 3D? Você acreditaria? E se ainda afirmassem que essa “novidade” é muito mais antiga do que você pensa? Pois é! É a mais pura verdade!


Falar de tecnologia de imagem em 3D, é falar de imagens comuns, manipuladas de uma forma à iludir nosso cérebro. Na realidade a terceira dimensão não existe, é apenas uma ilusão da sua mente. É a sua percepção que faz a diferença no 3D. É por isso que os óculos especiais são essenciais. São eles que enganam o nosso cérebro e nos fazem ver tudo saltando da tela. Na verdade mesmo, é tudo ilusão! Ficamos horas com aqueles óculos na cara, tendo a sensação de estar dentro daquela cena, aquela com aquele ator, com aquela atriz de tirar o fôlego. Tem gente que até estica os braços para ver se alcança, mas o máximo que pega é…nada. Tudo é só ilusão.

Aí vem a grande novidade: a Missa em 3D não é ilusão! É verdade! É real! “Mas como assim?”. Calma, nós vamos explicar!

Quando você vai a Missa em qualquer lugar do mundo – seja na capelinha perto da roça do vô ou numa grande catedral – você está entrando na Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Você está lá no Calvário, ao lado da Virgem Maria, aos pés da cruz. Você está lá! Você entra no mistério! Você não só assiste tudo, mas você participa. Entra você, sua vida, sua família, seus problemas, suas vitórias, seus sonhos, suas dores. Entra você inteiro! Você está lá! Não é ilusão!

“Então é igual um portal no tempo?” Se você pensou assim, lembrando dos desenhos da infância e dos super-heróis da TV, tudo bem. Não é bem desse jeito, mas ao pensar assim, você não está totalmente errado. Na verdade, o sacrifício salvador de Jesus é algo tão grande que não cabe na história, no tempo como o conhecemos. Vai além dele, transbordando em toda a história.

A Santa Missa atinge as três dimensões do tempo como o conhecemos: passado, presente e futuro. Opa! Três dimensões do tempo? 3D?! Isso mesmo! Sacou porque a Missa é em 3D? 3D = Três dimensões = Presente + Passado + Futuro. Daí você entende que na realidade, não inventaram uma Missa em 3D só para seguir o modismo, mas que Jesus instituiu a Eucaristia em “tecnologia 3D”, maior que o tempo, capaz de atingir as realidades presentes, passadas e futuras não só do mundo, mas também da sua vida. A Santa Missa acontece num eterno presente, em um hoje que não passa. Muito louco, não é? E o melhor: não é ilusão. É a mais pura realidade.

Pode ser que você nunca tenha percebido isso, ou pior, sempre sentou no banco da igreja e achou tudo aquilo muito chato. Pode ser também que não te ofereceram um óculos na entrada ou você nunca se ligou em pedir. Sim, para realmente participar da Missa e ver tudo em “3D” é preciso um par de óculos: os óculos da fé. Só quem tem fé, só quem faz a experiência com Jesus vivo e ressuscitado, vai perceber que não está em um teatro ou numa repetição de acontecimentos passados. Lembra que quando falamos de 3D, dissemos que é a sua percepção que faz a diferença? Só quem se deixou encontrar pelo Senhor é capaz de ir além dos sentidos e experimentar a ação da salvação de Cristo em sua vida. Salvação que age em três dimensões, atingindo o seu passado ferido, o seu presente instável e o seu futuro cheio de medos. É preciso os óculos da fé, que não vende na net, mas que são dados gratuitamente, pelo Senhor, a quem os pedir.

É muito bom se divertir com imagens saltando da tela diante dos seus olhos. Muito melhor é saber que você está aos pés da cruz do Senhor. Que você realmente está lá. Que não é ilusão. Quem participa da Santa Missa com os “óculos” da fé, é capaz de ir além do sensível, de ver além do tempo, de olhar para o altar e atualizar com a sua vida, as palavras do centurião romano: “Na verdade, este homem é o Filho de Deus!” (cf. Mc 14, 39).

Se abra à essa novidade! Santa Missa em 3D: Agora. Em uma igreja perto de você!

Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com

Vídeo: Orar em meio a tribulação

Transformando sofrimento em amor

Todos nós passamos por momentos de sofrimento em nossas vidas. Isso faz parte da nossa caminhada rumo à vontade de Deus. Jesus foi bem claro ao afirmar que o Seu seguimento comportava renúncia e cruz. Não há vida cristã autêntica sem cruz! Mas não basta sofrer, é preciso aprender a fazê-lo: sofrer como Jesus, que abraçou o sofrimento e o transformou em ato concreto de amor e salvação.

 Há uma dinâmica própria na qual Deus nos coloca quando estamos sofrendo. Justamente nos momentos de dor, tantas outras situações e pessoas aparecem e nos levam a manifestar, de forma muito concreta, o amor misericordioso do Senhor. Mesmo sofrendo, o Todo-poderoso nos impele a consolar o coração de outras pessoas.

São Paulo afirma que “Deus nos consola em todas as nossas aflições, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos d’Ele, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição!” (II Coríntios 1,4). Isso parece loucura, mas é a manifestação concreta do Senhor, que tira um proveito muito maior das nossas dores. Ele não nos faz parar, mas nos lança em direção a tantos outros que necessitam de nós. Dessa forma, nosso sofrimento é transformado em testemunho, em evangelização, em manifestação concreta de amor.

Quantas pessoas encontraram o verdadeiro sentido de suas vidas e a missão que o Senhor lhes havia confiado justamente nos momentos de extrema angústia. Pessoas que ultrapassaram, com a graça de Deus, a sua dor e enxergaram que não sofriam sozinhas, pois muitos irmãos sofrem de forma igual ou mais intensa e assim entenderam o sentido real do sofrimento cristão.

Pode ser que em meio à dor em que nos encontramos não enxerguemos essa realidade e que nem mesmo queiramos pensar sobre isso. Mas é quando o sofrimento passa que vamos perceber o quanto Deus fez nos outros e em nós por intermédio de nossas lágrimas. Uma oração feita na aflição ganha muito mais peso. Um sorriso verdadeiro – em meio à tristeza – é capaz de libertar. Da mesma forma, uma palavra de consolo para outra pessoa, quando você mesmo só queria ser consolado, é capaz de salvar uma vida.

Aprender a sofrer é aprender a transformar o seu sofrimento em amor. É perceber que, como afirma a Palavra de Deus, quanto mais eu consolo, tanto mais sou consolado e que a consolação que Deus me envia é matéria-prima para transformar a vida de tantos irmãos. Somos como conchas que, imersas em consolação, só sabem transbordar o que receberam.

Talvez você esteja passando pelo maior sofrimento da sua vida e não consiga compreender ou tocar em consolação alguma. Nesse momento Deus convida você a olhar ao redor e ver além da sua dor. Enxergar pessoas que precisam de você e do consolo do seu coração. Quando você se decidir a ir além do seu sofrimento, a superar as suas dores, poderá tocar na consolação do Senhor, que o abraça e o acolhe. Muito mais que dar, é você quem vai receber. Só um coração disposto a amar pode verdadeiramente experimentar um Deus que ama.

Amor em meio à dor, é o amor capaz de gerar vida nova. Jesus nos mostrou isso na cruz. Deu a vida para nos dar uma Vida Nova. O exemplo nos foi dado, agora nos basta segui-lo. Nós entramos com a decisão e o Senhor, com a graça. Só assim experimentaremos em nossas vidas que sofrer é muito mais do que dor. Sofrer é uma possibilidade de amar de forma surpreendente.

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

Tarde te amei – Santo Agostinho

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!
Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!
Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas.
Estavas comigo, mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.
Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti.
Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz…

Santo Agostinho

Uma criança precisa das nossas orações

Olá galera! Alguns dias atrás eu recebi um e-mail do José Marcos, que é pai dessa menina linda que está na foto. O nome dela é Maria Isabel, ela tem apenas 2 anos, e está a mais de um mês em uma UTI. Melhor do que falar, vou transcrever parte do e-mail que o Marcos me enviou:

 ”Estou com a minha filha Maria Isabel internada na UTI em Jacarei devido a um acidente doméstico.  Ela estava passando a tarde na casa da minha sogra, quando a televisão não sabemos como, caiu sobre ela. (…)
O quadro era grave e ficou ainda mais grave com as duas paradas respiratórias que teve durante esse período no hospital, mas a Fé em Deus é muito grande. (…) Não tivemos como fugir de fazer a cirurgia na cabeça para aliviar a pressão.  (…) Atualmente, ela está sedada pois não pode ficar agitada devido ao seu quadro clínico.  Recebemos as noticias dos médicos, mas Deus se manifesta de forma contraria aos resultados das varias tomografias que ela tem feito.  Os médicos tecnicamente não sabem explicar como as reações dela são diferentes das mostradas nos exames, mas eu e minha esposa, que esta grávida de 4 meses, sabemos.

Por favor, reze para recuperação da minha filha, peço todos os dias pela restauração da sua saúde, pois estou sentido muito falta de escutar a sua voz me chamando de pai. Conforto-me sabendo que temos que esperar o tempo de Deus, e que no momento certo teremos a resposta para todos os nossos questionamentos.”

O caso da Maria isabel mexeu de uma forma muito especial comigo, e por isso peço a oração de vocês pela menina e pelos seus pais – Marcos e Gabriela – e também pelo bebê que eles esperam. Oremos para que Deus dê fortaleza para essa família e faça a Sua vontade acontecer na vida da Maria Isabel.

Deixe uma mensagem para essa família nos comentários, e eu as enviarei a eles.

Conto com a sua oração!
Deus abençoe!
Renan Félix

 

 

Amizade: dom irrevogável

Eu não me canso de afirmar que amizade é um dom de Deus. Dom é dádiva, presente, bem que se goza, uma concessão da Providência. É graça! É uma iniciativa amorosa do coração do Senhor que sabe das nossas necessidades e que vem em nosso auxílio. Mas existem situações e circunstâncias que vão acontecendo e que podem nos levar a temer no fundo da alma. Imaginar que podemos perder o que tão especial Deus nos concedeu, nos leva muitas vezes a paralisar diante das situações. O medo nos faz esquecer uma grande verdade: “os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis” (Rm 11,29).

Irrevogável é aquilo que nada e nem ninguém pode revogar. Se amizade é dom de Deus, ela não pode se perder por qualquer situação. Vem de Deus, por isso é irrevogável. Existem processos dentro de um relacionamento de amizade que são próprios. Descobrir as diferenças, entrar em crise, questionar-se faz parte do processo de amadurecimento. Mas se a amizade vem realmente de Deus, foi uma iniciativa Dele, ela permanece.

Fomos formados em uma cultura que não admite nenhum tipo de sofrimento ou renúncia por nada. Isso inclui os relacionamentos. Diante de uma situação que me gera algum sofrimento dentro de uma amizade, eu posso cair na tentação de desistir dela para não sofrer, para não me deparar com os meus limites que o relacionamento com aquele amigo está me fazendo enxergar. Ou então, já dentro do momento de crise, eu não espero a tempestade passar e já pulo do barco no meio dela. Prefiro me arriscar a morrer afogado, do que esperar para ver o que vai acontecer. Prefiro morrer logo, do que sofrer o que é necessário.

Tudo precisa passar por uma certa ‘crise’ para amadurecer . São momentos decisivos que nos afligem, mas que nos levam a uma maturidade. Um momento de crise em uma amizade é um momento de muito sofrimento, de dor, mas que se bem vivido pode levar a um amadurecimento profundo. Não podemos negar que é muito difícil, de uma hora para outra, ter que viver com uma pessoa que você ama tanto um processo tão doloroso. Ficamos sem chão, sem entender, sem saber o que fazer ou como se comportar. Nos parece que o mundo caiu e que tudo que com tanto amor foi construído, agora está desmoronando. Afundamos em nossos sentimentos e esquecemos que “os dons de Deus são irrevogáveis”.

Nesse momento precisamos ter paciência e esperar o tempo que é necessários para o outro e para nós mesmos. Esperar nunca é fácil pois queremos tudo para ontem. Mas esperar amadurece, cria força e resistência. Um amigo que sabe esperar o tempo do outro, o processo próprio que o outro está vivendo, demonstra de forma concreta o seu amor. Suspende-se a fase de demonstrações explícitas de amor e entra em cena o tempo de amar no silêncio, na reserva e na espera. É a hora do amor que “é paciente, que desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo ”(I Cor 13, 4.7).

A amizade que era pública, passa pelo tempo do silêncio da cruz e do sepulcro. A escuridão rodeia os sentimentos e a visão do coração. Não enxergamos nada e precisamos caminhar pela fé. Olhar para dentro do coração e fazer memória de quanto amor e quanto bem aquela pessoa te fez viver. Esperar sabendo que perto do amanhecer a escuridão é mais intensa. Mas acreditar que o sol vai nascer e que a pedra do sepulcro vai rolar. Só experimenta a ressurreição de uma amizade, quem tem a coragem de passar pelo tempo da escuridão, do silêncio e da espera do sepulcro.

Amizade é dom irrevogável! Só a perco, se eu renuncio ou não aceito vivê-la. Se eu renuncio o presente, eu não posso ganhá-lo. Mas se eu tenho a coragem de enfrentar, mas também esperar e pagar o preço que for preciso por um verdadeiro amigo, poderei experimentar a novidade, a alegria e o poder da ressurreição: “Eis que eu renovo todas as coisas!” (Ap 21,5)

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com