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Davi e Jônatas: uma amizade que incomoda
Fomos criados em um mundo de ideias liberais, que, em vez de nos tornarem livres, nos aprisionam cada vez mais em suas concepções e realidades. Numa sociedade permeada por uma erotização desmedida em todas as realidades, principalmente quando se fala em relacionamentos. Não se acredita mais no matrimônio, em um namoro santo, em uma amizade sadia, no amor gratuito e sem interesses sexuais. Pensar em amizades verdadeiras, em um mundo assim, é bater de frente com toda uma concepção maliciosa e deturpada do amor e apresentar a realidade, na qual é possível viver uma amizade sadia.
Alguns dos grandes testemunhos deixados a nós por Davi e Jônatas – príncipe de Israel e pastor de ovelhas respectivamente – são o companheirismo, a fidelidade, a lealdade e o amor puro e manifestado de diversas formas, que pode haver em uma amizade entre dois homens. Uma amizade que incomoda um mundo que praticamente exterminou a ideia de um relacionamento desinteressado e sadio entre homens e mulheres e que agora volta suas armas para as amizades masculinas. São termos, ideologias e opiniões que a todo o momento colocam em dúvida esse tipo de relacionamento ou o transformam em uma caricatura muito distante da verdade que habita no amor verdadeiro entre dois amigos.
O amor entre Davi e Jônatas era puro e concreto. Diz a Palavra de Deus que, ao se despedirem, – para nunca mais se verem – eles se beijaram e choraram (cf. I Sm 20,41b). Mas alguns olhares estragados pelos ideais, que andam por aí, conseguem ler essa passagem e ver sinais de uma relação erótica entre os dois. Minha mãe diz que, muitas vezes, nós vemos só o que queremos ver. O que a Sagrada Escritura testemunha é a liberdade que habita no coração de dois homens, que encontraram em Deus uma amizade verdadeira, os quais, justamente por terem o Senhor como fundamento desse relacionamento, são livres o suficiente para demonstrar o quanto se amam.
As atitudes afetuosas desses personagens bíblicos não são as únicas que encontramos na Palavra de Deus. O Evangelho é permeado de relatos de um Jesus que amava os amigos homens de maneira livre e concreta, cheia de demonstrações públicas de afeto. Quando descreve a alegria do reencontro do pai com o filho, que havia se perdido e consumido todos os bens herdados, o Senhor afirma que o pai corre ao encontro do herdeiro, abraça-o e o cobre de beijos (cf. Lc 15,20). O Filho de Deus não teve vergonha de chorar diante de uma multidão de pessoas no túmulo de se amigo Lázaro, fato que demonstrou a todos de maneira concreta o quanto Ele o amava (cf. Jo 11,35-36). O mesmo Jesus, na Última Ceia, após lavar os pés dos amigos, se coloca em tal liberdade com os apóstolos, que João – o discípulo amado – repousa a cabeça sobre Seu peito (cf. Jo 13,25). São manifestações concretas de quem ama de verdade e por isso não tem medo de demonstrar esse sentimento.
Parece que o mundo fica incomodado com aqueles que vivem as coisas como elas devem ser, de forma pura e sadia, arrumando logo um jeito de distorcer a situação ou levantar dúvidas. É mais fácil para alguns escreverem livros dizendo que era Maria Madalena que estava a lado de Jesus na Última Ceia do que admitir que, na sua castidade plena e livre, Ele tinha reclinado em seu peito o discípulo que mais amava. É mais fácil levantar suspeitas sobre a amizade de Davi e Jônatas do que admitir que um homem verdadeiramente amou um amigo e ao saber de sua morte é capaz de declarar que aquela amizade lhe era mais cara do que o amor das mulheres (cf. II Sm 1,26). É mais fácil criar mentiras do que se decidir viver pela Verdade.
Decidi passar a minha vida lutando pela Verdade, na Verdade e com a Verdade. Viver testemunhando ao mundo que é possível estabelecer relacionamentos sadios com homens e mulheres, sem medo de demonstrar o afeto e o amor, próprios entre os que decidiram viver uma vida nova em Cristo. Uma vida pautada na busca de equilíbrio, mas sem medo de ser um sinal de contradição em meio a uma sociedade que desacreditou o amor verdadeiro.
Deus me deu a graça de ter amigos de verdade. Homens que, com o seu testemunho, me edificam e me levam mais para Ele. Amigos casados, solteiros, padres, seminaristas que decidiram seguir o exemplo de Jesus de não ter medo de amar e demonstrar o quanto amam de forma concreta. Homens que, por se cumprimentarem com um abraço, com um gesto de afeto, não deixam de ser homens; pelo contrário, dão ao mundo o testemunho coerente do amor evangélico, o amor capaz de dar a vida (cf. Jo 15,13).
Não podemos ser ingênuos e pensar que é fácil testemunhar com a vida uma amizade verdadeira. Quem quer viver uma vida de santidade precisa estar disposto a sofrer, a não ser compreendido e a experimentar que a decisão pelo Senhor e por amar de forma pura e casta nos amadurece e nos faz homens muito melhores.
Viver assim é um desafio! Você aceita?
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
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> Um amigo de verdade ama primeiro o Senhor
> Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo
> Amizade desarmada
> Amizade: na dor, disfarce do Amor
O desafio de deixar
O ato de deixar é um processo muito doloroso para todos nós porque nos desestabiliza, desloca-nos e nos coloca em uma situação de insegurança, pois não sabemos em que terreno vamos pisar. O “deixar” gera em nós um medo de perder, de esquecer e de ser esquecido, embora a nossa vida seja um eterno deixar. Deixamos o ventre de nossa mãe, os amigos de escola, a vizinhança, a namorada, a nossa casa, o nosso bairro, a nossa cidade etc. É um sofrimento que toma conta da alma e que, diante das inseguranças, prefere, muitas vezes, acomodar-se ao invés de arriscar-se.

Chega um momento em que cada um de nós vê-se em um dilema: ou deixa ou não cresce; arrisca-se ou vai passar o resto da vida questionando-se sobre o que teria acontecido se tivesse tentado. É uma decisão difícil, mas que precisa ser tomada.
O que faz cada um de nós viver o “deixar” é a motivação, algo que nos estimula ao ponto de nos fazer superar o medo da insegurança e que nos faz pular ao encontro do desconhecido, do novo, do crescimento. Essa motivação pode ser uma namorada, um bom salário, a faculdade e até mesmo Deus.
Deus é o motivo de muitos jovens que trocam suas seguranças e lançam-se em uma vocação, uma vida missionária. Eles deixam a estabilidade de suas casas, a faculdade e a profissão para viver uma vida cuja única segurança e riqueza é e sempre será o Senhor.
Quando temos uma experiência concreta com o Senhor, somos capazes de deixar aquilo que é mais difícil por Ele: nós mesmos.
Essa é parte mais difícil: deixar-se. Abandonar nossas idéias, vontades, argumentos, nossa criação, costumes e desejos para lançar-se na vontade do Senhor.
Loucura? Talvez para os olhos daqueles que nunca viveram uma experiência com o amor de Deus, que nunca sentiram o peito queimar depois de comungar nem a sensação de não precisar de mais nada, a não ser do Senhor. Esse é um desafio para cada jovem que sente, no peito, a ânsia de entregar-se em uma vida consagrada.
E qual é a atitude que nós, jovens, temos quando somos desafiados? “Caímos dentro!”. O jovem vive de desafios, corre em direção a eles. Esse é o segredo: encarar a busca por santidade e o desejo de responder à vontade de Deus como um desafio. Desse jeito, nada nem ninguém poderá segurá-lo.
Foi o que aconteceu comigo. Vivi uma experiência com Deus que me fez encarar o meu chamado como um desafio. Deixei tudo – casa, trabalho, namoro, amigos, família – para ir ao encontro do Senhor. Não foi fácil deixar o que eu amava, porém posso lhe dizer que o desafio maior acontece a cada dia, isto é, deixar as minhas vontades e os meus desejos para querer o que Deus desejou desde toda a eternidade para mim.
Deus desafia cada um de nós a deixar nossas vontades, planos, desejos e principalmente nós mesmos, para tê-Lo como nosso único tesouro, nossa única riqueza, nosso único amor. Não é fácil, mas é possível e vale a pena!
Estamos juntos!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
É preciso ser muito homem para dizer sim a Deus
Ao olharmos para a Igreja, hoje, deparamos com a beleza do grande número de jovens que se entregam ao serviço do Senhor. Jovens que deixaram tudo: projetos, juventude, sonhos, para sonhar o sonho de Deus, para dedicar a vida à salvação das almas. Vocações que se levantam, a cada dia, em resposta ao apelo do coração de Deus, por intermédio do Seu povo. Uma juventude que testemunha – com a vida – que o segredo da felicidade tem nome: Jesus Cristo.
Observando com cuidado também deparamos com uma dura realidade: são as mulheres que representam a grande maioria desses jovens que respondem ao chamado de Deus. Elas constituem a maioria em grande parte dos serviços da Igreja e dedicam, com muito carinho, toda a sua vida ao serviço do Senhor. É nesse momento que surge a pergunta: onde estão os homens?
Deus é o mesmo e continua a chamar a todos, assim como fez em toda a história da salvação. Assim como fez com Abraão, Moisés, Samuel, Davi, Pedro, Tiago, João, Paulo, Ele continua a chamar homens para o Seu seguimento. Se Ele os chama, por que eles não respondem?
Parece que os rapazes de hoje têm medo de se decidir, de se posicionar e encarar as consequências de suas decisões até o fim. Ficam ponderando e se agarrando a falsas seguranças pessoais, como se estas fossem eternas. Não afirmo isso somente com relação à vocação à vida consagrada, mas digo o mesmo com relação aos relacionamentos, ao matrimônio, ao trabalho, aos compromissos próprios da vida. Encontramos uma geração de pessoas que querem viver sem assumir a responsabilidade própria do ser homem, sem assumir o seu papel na história.
Vivemos em uma sociedade que por vezes se mostra machista, mas que ao mesmo tempo vai retirando – por meio de seus conceitos e estruturas – a firmeza, a coragem e a decisão que são próprias do ser homem. Por causa da busca desenfreada pela igualdade entre os sexos, anula-se aquilo que é próprio do homem e se forma uma sociedade frágil, na qual ninguém quer assumir o papel que lhe compete.
Para seguir uma vocação é preciso ser muito homem! É preciso muita coragem para renunciar a tudo a fim de fazer a vontade de Deus. Como homens que somos paramos de buscar a segurança em nossas próprias forças, em nossa racionalidade, que nos é tão própria, e nos abandonamos confiantes nos braços de Deus, que cuida de todas as coisas. Assumimos que mesmo sendo chamados a cuidar, a zelar e a responder por muitos, somos antes de tudo cuidados por um Pai que nos ama. Dessa forma, tornamo-nos inteiramente do Senhor e, por essa razão, nos tornamos muito mais homens.
Deus precisa de homens para levar a salvação até os confins da terra. Homens que assumam o seu papel na história e se deixem conduzir inteiramente pela ação do Espírito Santo. Homens que podem mudar a história com uma simples palavra: “sim”!
Um dia, eu fui provocado pelo Amor de Deus, que me desafiou e me exigiu uma resposta. Dei um “sim” na escuridão da fé e hoje vejo um horizonte ilimitado de felicidade na vontade de Deus. Não foi fácil romper com as amarras dos desígnios da sociedade e seguir a vontade do Senhor, mas hoje vejo o quanto essa decisão me fez muito mais homem. Hoje, sou muito mais feliz por saber que assumo o meu papel na história, assim como tantos homens que se deixaram seduzir por um Amor maior.
Talvez neste momento Deus o esteja desafiando a dar a sua resposta. Uma resposta que só depende de você. Não importa o que o Senhor esteja suscitando no seu coração: sacerdócio, matrimônio, vida consagrada em comunidade ou qualquer outra forma serviço pelo Reino de Deus. Agora é a hora da resposta e da decisão que mudarão toda a sua vida. Dê a sua resposta, mas lembre-se: é preciso ser muito homem para dizer “sim” a Deus!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
Desafiando a malícia: a amizade entre homens e mulheres
Em meio a um mundo de realidades tão difíceis, corremos o risco de, pouco a pouco, nos deixarmos levar pelas ideias e concepções que nos envolvem. Há uma malícia estabelecida sobre todas as situações, principalmente nos relacionamentos. São poucos os que realmente acreditam na pureza e no desinteresse que podem gerar grandes amizades. Se pensarmos em amizade entre homens e mulheres a situação piora ainda mais.
:: Leia este texto em espanhol
Parece que há uma opinião comum na qual se acredita que não é possível haver um relacionamento entre pessoas do sexo oposto que não seja ou que não vá gerar um relacionamento amoroso ou um envolvimento sexual. Em um mar de malícias pré-estabelecidas em nossa mente, perdemos a oportunidade de crescer e até mesmo de ser mais felizes.
“Os doze iam com Ele, e também algumas mulheres” (Lucas 8,1-2). Jesus, na Sua humanidade, viveu a realidade da pureza do relacionamento com as mulheres e pôde experimentar a riqueza disso. Mesmo em meio a uma sociedade machista, que na época nem mesmo as incluía ao número de pessoas, Cristo estabelece uma nova forma de relacionamento com as mulheres de Israel. Ele foi amigo de Maria Madalena, de Marta e Maria, irmãs de Lázaro, deixou-se ser marcado e tocado por tantas outras figuras femininas que atravessaram o Seu caminho. Ele não tinha medo de se expor e de enfrentar a sociedade para viver a vontade do Pai. Jesus é o primeiro a viver a sadia convivência.
A amizade entre homens e mulheres é possível. Assim como entre casados e solteiros, sacerdotes e leigos, religiosas e religiosos, idosos e jovens. Não podemos nos deixar contaminar por tanta malícia e deixar de experimentar a beleza de vivermos juntos, de partilharmos vida e experiências e de vivermos em sadia convivência.
Um relacionamento sadio entre pessoas de sexos diferentes leva à maturidade, ao crescimento e à santidade. Uma mulher, apenas com o seu jeito natural de ser, é capaz de ajudar um homem a ser muito mais homem, a não ser malicioso, agressivo e grosseiro. Um homem, somente por ser homem, é capaz de mostrar a uma mulher o quanto ela pode ser mais feminina, mais cuidada e respeitada. A sadia convivência nos ajuda a chegar à maturidade que Deus sonhou para nós desde a criação.
Então, por que perdemos tanto tempo e não vivemos relacionamentos sadios? Talvez por medo, imaturidade, feridas deixadas por outros relacionamentos e toda uma série de fatores que pode nos levar a não nos lançar na novidade que o Todo-poderoso tem para nós. Muitos desses fatores precisam ser acompanhados ou até mesmo de ajuda capacitada, para que deixem de ser pedras no meio do caminho. Não podemos ser ingênuos ou bancarmos os intocáveis. Para vivermos relacionamentos sadios é preciso, antes de qualquer coisa, maturidade, coragem e verdade com nós mesmos.
Não podemos negar que viver um relacionamento puro e sadio afetivamente é enfrentar toda uma sociedade que desacredita na pureza e no amor desinteressado. É enfrentar cristãos que se deixaram contaminar pelas ideias do mundo e não conseguem mais perceber a pureza de um relacionamento sem antes desconfiar dele. É viver um martírio – testemunho – que vai gerar dor, sofrimento, incompreensão, desconfiança, mas que com certeza vai levar à maturidade e à felicidade em Deus.
Não é uma missão fácil! É preciso ter muita coragem para encarar a forma de pensar de toda uma sociedade e mostrar que é possível, que vale a pena e que existem amizades profundas, puras e sinceras entre pessoas de sexo e estados de vida diferentes.
Um dia eu tomei coragem, superei meus medos e aceitei o desafio. O resultado? Sou um homem muito mais realizado e muito mais maduro por causa de cada uma das mulheres que estão e que passaram pela minha vida. Amigas que me ensinaram a ver pureza onde todos só enxergam malícia. Mulheres que me fazem muito mais homem, apenas pelo fato de serem mulheres. Amigas que me mostraram e que me ensinaram que é possível a amizade pura e sincera entre um homem e uma mulher.
Eu aceitei o desafio e hoje colho os grandes e abundantes frutos de cada um desses relacionamentos.
Hoje, Deus também o desafia ao novo, a entrar na linda aventura de viver a sadia convivência. Nessa aventura só há um grande risco: de você amadurecer e se tornar uma pessoa muito melhor. Você aceita o desafio? Não perca mais tempo!
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
