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Missa em 3D?!

A moda agora é o 3D! De uns tempos pra cá, o mundo está sendo bombardeado com uma série de produtos com tecnologia de imagem em três dimensões. O que há de melhor em TVs, computadores, filmes, vem com uma tecnologia própria para criar imagens tridimensionais. Entre um filme “comum” e um em 3D – mesmo pagando mais caro – nós vamos escolher a novidade do momento. Afinal, somos uma geração que adora novidades! Por falar em novidade, e se te dissessem que existe Missa em 3D? Você acreditaria? E se ainda afirmassem que essa “novidade” é muito mais antiga do que você pensa? Pois é! É a mais pura verdade!


Falar de tecnologia de imagem em 3D, é falar de imagens comuns, manipuladas de uma forma à iludir nosso cérebro. Na realidade a terceira dimensão não existe, é apenas uma ilusão da sua mente. É a sua percepção que faz a diferença no 3D. É por isso que os óculos especiais são essenciais. São eles que enganam o nosso cérebro e nos fazem ver tudo saltando da tela. Na verdade mesmo, é tudo ilusão! Ficamos horas com aqueles óculos na cara, tendo a sensação de estar dentro daquela cena, aquela com aquele ator, com aquela atriz de tirar o fôlego. Tem gente que até estica os braços para ver se alcança, mas o máximo que pega é…nada. Tudo é só ilusão.

Aí vem a grande novidade: a Missa em 3D não é ilusão! É verdade! É real! “Mas como assim?”. Calma, nós vamos explicar!

Quando você vai a Missa em qualquer lugar do mundo – seja na capelinha perto da roça do vô ou numa grande catedral – você está entrando na Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Você está lá no Calvário, ao lado da Virgem Maria, aos pés da cruz. Você está lá! Você entra no mistério! Você não só assiste tudo, mas você participa. Entra você, sua vida, sua família, seus problemas, suas vitórias, seus sonhos, suas dores. Entra você inteiro! Você está lá! Não é ilusão!

“Então é igual um portal no tempo?” Se você pensou assim, lembrando dos desenhos da infância e dos super-heróis da TV, tudo bem. Não é bem desse jeito, mas ao pensar assim, você não está totalmente errado. Na verdade, o sacrifício salvador de Jesus é algo tão grande que não cabe na história, no tempo como o conhecemos. Vai além dele, transbordando em toda a história.

A Santa Missa atinge as três dimensões do tempo como o conhecemos: passado, presente e futuro. Opa! Três dimensões do tempo? 3D?! Isso mesmo! Sacou porque a Missa é em 3D? 3D = Três dimensões = Presente + Passado + Futuro. Daí você entende que na realidade, não inventaram uma Missa em 3D só para seguir o modismo, mas que Jesus instituiu a Eucaristia em “tecnologia 3D”, maior que o tempo, capaz de atingir as realidades presentes, passadas e futuras não só do mundo, mas também da sua vida. A Santa Missa acontece num eterno presente, em um hoje que não passa. Muito louco, não é? E o melhor: não é ilusão. É a mais pura realidade.

Pode ser que você nunca tenha percebido isso, ou pior, sempre sentou no banco da igreja e achou tudo aquilo muito chato. Pode ser também que não te ofereceram um óculos na entrada ou você nunca se ligou em pedir. Sim, para realmente participar da Missa e ver tudo em “3D” é preciso um par de óculos: os óculos da fé. Só quem tem fé, só quem faz a experiência com Jesus vivo e ressuscitado, vai perceber que não está em um teatro ou numa repetição de acontecimentos passados. Lembra que quando falamos de 3D, dissemos que é a sua percepção que faz a diferença? Só quem se deixou encontrar pelo Senhor é capaz de ir além dos sentidos e experimentar a ação da salvação de Cristo em sua vida. Salvação que age em três dimensões, atingindo o seu passado ferido, o seu presente instável e o seu futuro cheio de medos. É preciso os óculos da fé, que não vende na net, mas que são dados gratuitamente, pelo Senhor, a quem os pedir.

É muito bom se divertir com imagens saltando da tela diante dos seus olhos. Muito melhor é saber que você está aos pés da cruz do Senhor. Que você realmente está lá. Que não é ilusão. Quem participa da Santa Missa com os “óculos” da fé, é capaz de ir além do sensível, de ver além do tempo, de olhar para o altar e atualizar com a sua vida, as palavras do centurião romano: “Na verdade, este homem é o Filho de Deus!” (cf. Mc 14, 39).

Se abra à essa novidade! Santa Missa em 3D: Agora. Em uma igreja perto de você!

Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com

Quando termina uma amizade?

Pode ser que, diante dessa pergunta, muitas respostas tenham vindo à sua cabeça: Quando há traição; quando uma das pessoas se muda para outra cidade; quando a outra pessoa começa a namorar; quando um se decepciona com o outro. Enfim, uma série de conclusões prontas que não chegam nem perto da resposta mais acertada. Todos os motivos que foram citados não são determinantes para uma amizade terminar, pois se esta é verdadeira, ela está fundamentada no amor e o verdadeiro amor supera tudo. Mas, infelizmente, há uma razão bem concreta para uma amizade terminar: quando ela deixa de ser amizade!


Já apresentamos muitas definições para esse relacionamento fundamental entre as pessoas. Para nós, a melhor expressão para classificá-lo é dom de Deus. E justamente por ser um dom de Deus a amizade é irrevogável (cf. Rm 11,29).

Então perguntar sobre o fim de uma verdadeira amizade é contradizer tudo isso? Pelo contrário, é justamente reforçar essas ideias; é voltar a afirmar que esse relacionamento, mesmo que verdadeiro e originado em Deus, só acaba quando ele deixa de ser e se descaracteriza.

Alguém pode nos dar um presente e nunca tentar tomá-lo de volta. Mas nós podemos pegar esse lindo presente e jogá-lo na parede, quebrá-lo, estragá-lo. É exatamente isso que acontece com o dom , que é um amigo. Deus não o toma; nós que estragamos tudo. É por isso que vemos muita coisa sendo chamada de amizade, sem o ser na realidade. Caricaturas de um dom tão precioso que o Senhor nos concede para nos aproximar mais d’Ele.

A missão principal de um amigo é levar o outro cada vez mais para o Senhor. Quando isso deixa de acontecer, já não se trata mais de uma amizade verdadeira. Podem até chamá-la dessa forma, mas, na verdade, muitas vezes, não passa de apego, conveniência, interesse, carência mútua, codependência afetiva, status social, coleguismo, sociedade, associação ou qualquer outra nomenclatura para relacionamentos afetivos que não ultrapassam a sensibilidade, as emoções, os interesses pessoais, sejam eles os mais nobres ou os mais deploráveis, mas, independentemente disso, se limitam exclusivamente aos nossos interesses.

Esses tipos de relacionamento realmente acabam, pois estão baseados em propósitos, em metas – positivas ou não – que se esgotam com o passar do tempo. Quando se alcança o objetivo definido, os que estão envolvidos naturalmente se separam e tudo acaba. Quando a essas relações muito sentimento é associado, o estrago é muito maior. Quem está envolvido não consegue ou não quer enxergar que aquele relacionamento é prejudicial e insiste em seguir adiante só se machucando e ferindo a outra pessoa. Tudo se reduz a uma compensação de carências; feridas que se encontram e só crescem juntas; um sentimento de posse destrutivo em graus menores ou maiores; nada que se aproxime do dom de Deus.

Uma amizade verdadeira, sólida no Senhor, não acaba, pois, como afirma Santa Catarina de Sena: “A amizade cuja fonte é Deus jamais se esgota”. É dom do Pai, por isso se renova todos os dias pela ação do Espírito Santo; sempre renovada n’Ele, que a todo momento faz nova todas as coisas (cf. Ap 21,5). Fundamentada no Senhor, ela é expressão concreta – mesmo que limitada – do Seu amor que “é paciente, não é interesseiro, não se encoleriza, não leva em conta o mal sofrido, não se alegra com a injustiça, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor que jamais acabará” (cf. I Cor 13,4-8).

Se ao ler esse texto você disser que a sua amizade acabou, algumas perguntas você deverá se fazer: Era realmente uma amizade verdadeira? Que frutos esse relacionamento gerou na sua vida: frutos bons ou frutos maus? Acabou mesmo ou está passando pelo processo normal de purificação, pelo qual todo relacionamento passa para amadurecer? Ou pior: por causa das dificuldades, dos sofrimentos do amadurecer, você preferiu, por fraqueza, desistir do dom que Deus lhe deu? É preciso ter coragem para se olhar no espelho e se questionar, fazê-lo pode trazer uma nova luz para a sua vida.

Se acabou, talvez essa amizade não fosse verdadeira, não passasse de uma caricatura. Mas se é mesmo um dom do céu para a sua vida, que o próprio Deus lhe concedeu, não desista e – como Jesus – pague o preço do amor verdadeiro: ame até o fim. Ele, que é a Verdade, iluminará seus passos e lhe ensinará a viver uma amizade de verdade.

Seu irmão,

Renan Félix
renan@geracaophn.com

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Ao meu amigo

É impressionante olhar para a minha história e ver como Deus gosta de me constranger com o Seu amor. Sou testemunha viva de que muito mais Ele tem reservado para aqueles que O buscam; coisas que eu nunca poderia imaginar. O amor do Senhor se antecipa por saber das minhas necessidades, das minhas fraquezas e limitações, manifestando-se de maneira concreta por meio de pessoas, que muito mais do que somente pessoas, são manifestações concretas da presença d’Ele na minha vida. Teofanias de um Deus que não se contém em amar. Assim é você, meu amigo.

O Amor ilimitado de Deus Pai escolheu se fazer presente na minha vida através da sua, amigo, sempre me revelando traços do sagrado em seu olhar, no seu falar, na sua presença, no seu silêncio. Como eu conseguiria enfrentar tantos momentos de sofrimento se o Todo-poderoso não se revelasse a mim por intermédio do seu olhar acolhedor quando lhe faltaram palavras diante da minha dor. Como eu teria conseguido me levantar se a sua mão não estivesse estendida para me ajudar, quando eu já não tinha mais forças para caminhar sozinho. E aquele momento de grande felicidade, que sentido teria se eu não tivesse você para partilhá-lo? Que bom, meu amigo, que Deus, sabendo das minhas dificuldades, se apresenta a mim através de você!

Se me pedissem para explicar o quanto a sua vida significa na minha me faltariam as palavras. Elas não conseguem exprimir aquilo que é dom do Senhor. A razão não compreende, mas somente se rende agradecida e constrangida pelo presente que recebeu de Deus. O coração só sente, não entende nem busca explicações, só acolhe tamanho dom da parte do céu. Você é como aquele presente raro e caro, dado por Alguém extremamente especial, que não exige retribuições, mas se satisfaz com o nosso sorriso e com o nosso olhar constrangido com tanto amor.

Acho bom parar por aqui. Não adianta…palavras não comportam. A única coisa que posso fazer é agradecer ao Senhor e me dirigir a Ele em louvor, pedindo-Lhe que o Espírito venha em meu auxílio para completar aquilo que falta em meus lábios. É hora de agradecer a Deus pela sua vida na minha vida.

Obrigado, Pai, pelo Seu infinito Amor que me desconcerta. Louvado seja o Senhor por demonstrar em cada amigo que o Seu Amor nunca me abandona e sempre me surpreende. Como alguém que não sabe o que dizer ao ganhar um presente eu afirmo: não mereço, mas agradeço com todo o meu coração.

Obrigado, Jesus, por me chamar de amigo e por demonstrar com Sua vida que ama de verdade quem dá a vida. A Sua amizade me ensina como amar. Maior exemplo eu não tenho, Senhor!Cabe a mim agora lutar, contando com a Sua graça, para poder tentar ser na vida de todos aqueles que o Senhor confiou a mim uma centelha do Seu Amor infinito.

Muito obrigado, Espírito Santo, Amigo que se antecede às minhas necessidades e que se revela a todo o momento. É a Sua presença que me capacita e me ensina a amar com todas as minhas forças.

Bem, a você, meu amigo, somente um muito obrigado! Peço ao Senhor que minha vida possa ser cada vez mais manifestação d’Ele na sua vida. Que o meu amor limitado possa revelar o Amor ilimitado do Senhor por você. É só isso que eu quero: ser presença d’Ele na sua vida.

Te amo, meu amigo! Você é dom de Deus na minha vida. Que eu possa ser o mesmo na sua!

Renan Félix
renan@geracaophn.com

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A amizade nos capacita para a missão

Uma das coisas que mais impressiona em Jesus, é sua humanidade. Ele viveu todos os sentimento com intensidade e não tinha nenhum temor em expor o que sentia. Um dos trechos do Evangelho que demonstra isso com mais propriedade, é justamente a ressurreição de Lázaro. Ali vemos Jesus que ama, que se comove, se perturba e que chora a morte do Seu amigo. O amor Dele por Lázaro era tão forte e tão manifesto, que todos – discípulos e judeus – reconheciam. Um amor que não vê limites para ir ao encontro. Nem mesmo o risco de morte foi capaz de impedir que Jesus fosse ao encontro do seu amigo, e por causa da ressurreição de Lázaro, os judeus decidiram realmente matar Jesus. A amizade entre eles era testemunho vivo: “Vede como Ele o amava!” (Jo 11, 36)

Muito mais do que amar Lázaro e suas irmãs, Jesus se sentia profundamente amado em Betânia. Ali Ele se sentia em casa, seguro, refugiado, e é por isso mesmo que ele vai àquele pequeno povoado antes de entrar em Jerusalém para a cumprir Sua missão. Ele poderia ter ido a Nazaré ver Sua Mãe, ou a Cafarnaum na casa de Pedro, mas não, Ele decidi ir a Betânia para ser amado.

Jesus entende que a missão é muito grande, e que precisa de ajuda. Aquele que é o amor, agora precisa ser amado. Aquele que amou a tantos durante a Sua vida, agora no momento final, precisa deixar ser amado por aqueles que realmente O amam. São os verdadeiros amigos que preparam Jesus para a missão.

Na última noite em Betânia, Maria unge Jesus com perfume muito caro, declarando que ela o preparou para a morte. Não foi somente com o perfume caro que Ele se viu ungido e preparado para o Seu sacrifício. O que realmente ungiu Jesus e que para Ele era muito mais caro, foi o amor de Seus amigos. Se o ato de ungir é capacitar alguém para uma missão, o amor dos irmãos de Betânia capacitou Jesus. A partir daquele momento, nem a traição de Judas, nem o pavor que lhe tomou conta no Horto das Oliveiras ou o abandono de todos os Seus discípulos, foram capaz de impedir a missão de Jesus.

Jesus mostrou com a sua vida o que uma amizade verdadeira, o amor de verdadeiros amigos é capaz de nos fazer suportar. Ele mostrou que por mais que amemos a muitos, precisamos também ser amados, para podermos cumprir a missão que Deus nos confiou. Não há quem ame o suficiente que não precise ser amado. O Amor, até mesmo Ele, precisou ser amado. O amor verdadeiro nos capacita para a missão.

O Evangelho tem sempre a capacidade de nos questionar. As atitudes de Jesus nos levam a reflexão. Talvez você esteja buscando força para continuar em outros lugares e não na Betânia da sua vida. Vem buscando em “grandes cidades” o amor que você só vai encontrar nos “pequenos povoados”. Talvez seja a hora de revermos a nossa vida, e identificarmos quais são os Lázaros, Martas e Marias que Deus nos concedeu. Quem são os amigos capazes de nos capacitar para enfrentar a missão? Se olharmos com atenção, nos “pequenos povoados” de nossa vida, na pequena Betânia, encontraremos aqueles que verdadeiramente podem nos amar.

Jesus teve amigos e não nos deixa sem eles, pois experimentou o quanto são necessários em nossas vidas nos momentos decisivos. Basta que nós os reconheçamos em nossa caminhada, e percebamos que dependemos do seu amor para cumprir a missão que Deus nos concedeu.

Deus me deu Lázaros, Martas e Marias. Não são muitos, mas os poucos que são, são extremamente necessários para que eu cumpra a missão que Deus me confiou. Aprendi que não basta amar, mas só serei realmente eficaz se me deixo ser amado. Se o Amor precisou ser amado, quem sou eu para insistir em caminhar sozinho?

Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com

Davi e Jônatas: uma amizade que incomoda

Fomos criados em um mundo de ideias liberais, que, em vez de nos tornarem livres, nos aprisionam cada vez mais em suas concepções e realidades. Numa sociedade permeada por uma erotização desmedida em todas as realidades, principalmente quando se fala em relacionamentos. Não se acredita mais no matrimônio, em um namoro santo, em uma amizade sadia, no amor gratuito e sem interesses sexuais. Pensar em amizades verdadeiras, em um mundo assim, é bater de frente com toda uma concepção maliciosa e deturpada do amor e apresentar a realidade, na qual é possível viver uma amizade sadia.

Alguns dos grandes testemunhos deixados a nós por Davi e Jônatas – príncipe de Israel e pastor de ovelhas respectivamente – são o companheirismo, a fidelidade, a lealdade e o amor puro e manifestado de diversas formas, que pode haver em uma amizade entre dois homens. Uma amizade que incomoda um mundo que praticamente exterminou a ideia de um relacionamento desinteressado e sadio entre homens e mulheres e que agora volta suas armas para as amizades masculinas. São termos, ideologias e opiniões que a todo o momento colocam em dúvida esse tipo de relacionamento ou o transformam em uma caricatura muito distante da verdade que habita no amor verdadeiro entre dois amigos.

O amor entre Davi e Jônatas era puro e concreto. Diz a Palavra de Deus que, ao se despedirem, – para nunca mais se verem – eles se beijaram e choraram (cf. I Sm 20,41b). Mas alguns olhares estragados pelos ideais, que andam por aí, conseguem ler essa passagem e ver sinais de uma relação erótica entre os dois. Minha mãe diz que, muitas vezes, nós vemos só o que queremos ver. O que a Sagrada Escritura testemunha é a liberdade que habita no coração de dois homens, que encontraram em Deus uma amizade verdadeira, os quais, justamente por terem o Senhor como fundamento desse relacionamento, são livres o suficiente para demonstrar o quanto se amam.

As atitudes afetuosas desses personagens bíblicos não são as únicas que encontramos na Palavra de Deus. O Evangelho é permeado de relatos de um Jesus que amava os amigos homens de maneira livre e concreta, cheia de demonstrações públicas de afeto. Quando descreve a alegria do reencontro do pai com o filho, que havia se perdido e consumido todos os bens herdados, o Senhor afirma que o  pai corre ao encontro do herdeiro, abraça-o e o cobre de beijos (cf. Lc 15,20). O Filho de Deus não teve vergonha de chorar diante de uma multidão de pessoas no túmulo de se amigo Lázaro, fato que demonstrou a todos de maneira concreta o quanto Ele o amava (cf. Jo 11,35-36). O mesmo Jesus, na Última Ceia, após lavar os pés dos amigos, se coloca em tal liberdade com os apóstolos, que João – o discípulo amado – repousa a cabeça sobre Seu peito (cf. Jo 13,25). São manifestações concretas de quem ama de verdade e por isso não tem medo de demonstrar esse sentimento.

Parece que o mundo fica incomodado com aqueles que vivem as coisas como elas devem ser, de forma pura e sadia, arrumando logo um jeito de distorcer a situação ou levantar dúvidas. É mais fácil para alguns escreverem livros dizendo que era Maria Madalena que estava a lado de Jesus na Última Ceia do que admitir que, na sua castidade plena e livre, Ele tinha reclinado em seu peito o discípulo que mais amava. É mais fácil levantar suspeitas sobre a amizade de Davi e Jônatas do que admitir que um homem verdadeiramente amou um amigo e ao saber de sua morte é capaz de declarar que aquela amizade lhe era mais cara do que o amor das mulheres (cf. II Sm 1,26). É mais fácil criar mentiras do que se decidir viver pela Verdade.

Decidi passar a minha vida lutando pela Verdade, na Verdade e com a Verdade. Viver testemunhando ao mundo que é possível estabelecer relacionamentos sadios com homens e mulheres, sem medo de demonstrar o afeto e o amor, próprios entre os que decidiram viver uma vida nova em Cristo. Uma vida pautada na busca de equilíbrio, mas sem medo de ser um sinal de contradição em meio a uma sociedade que desacreditou o amor verdadeiro.

Deus me deu a graça de ter amigos de verdade. Homens que, com o seu testemunho, me edificam e me levam mais para Ele. Amigos casados, solteiros, padres, seminaristas que decidiram seguir o exemplo de Jesus de não ter medo de amar e demonstrar o quanto amam de forma concreta. Homens que, por se cumprimentarem com um abraço, com um gesto de afeto, não deixam de ser homens; pelo contrário, dão ao mundo o testemunho coerente do amor evangélico, o amor capaz de dar a vida (cf. Jo 15,13).

Não podemos ser ingênuos e pensar que é fácil testemunhar com a vida uma amizade verdadeira. Quem quer viver uma vida de santidade precisa estar disposto a sofrer, a não ser compreendido e a experimentar que a decisão pelo Senhor e por amar de forma pura e casta nos amadurece e nos faz homens muito melhores.

Viver assim é um desafio! Você aceita?

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

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Amizade: na dor, disfarce do Amor

Em momentos de sofrimento e de dor em nossas vidas o que mais queremos é alguém com quem contar. Em uma cultura individualista, como a nossa, é difícil encontrar uma pessoa com quem possamos partilhar as nossas angústias, alguém que nos escute, que nos ajude a levantar em nossas quedas, que vá ao fundo do buraco nos resgatar. Por isso, nessas horas, determinadas pessoas se destacam, aproximando-se de nossas feridas, desrespeitando as nossas placas de “proibido seguir adiante” e enxergando nelas o nosso silencioso pedido de socorro. Assim são os amigos: aqueles que permanecem ao nosso lado quando todos se foram.


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“Se queres adquirir um amigo, adquire-o na provação” (Eclo 6,7)
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Davi pôde experimentar, de forma concreta, essa Palavra. Apesar de ter conhecido Jônatas logo depois da vitória sobre Golias, a amizade entre eles amadureceu em meio à dor da inveja e da perseguição de Saul. Foi na provação, no sofrimento que Davi pôde experimentar a Providência Divina na amizade de Jônatas. Ele não estava sozinho, mas tinha um amigo ao seu lado.

Talvez este também seja o grande desejo do seu coração: em meio à dor que tem vivido ter alguém com quem contar. Convido você para olhar em volta e tentar enxergar essa pessoa a partir das atitudes concretas que Jônatas teve para com o seu amigo Davi.

Diante da inveja e da perseguição de seu pai, Saul, Jônatas intercedeu pela vida de Davi (cf. I Sm 19,4). Em nossos momentos de sofrimento, um amigo é capaz de interceder por nós pedindo aos homens e a Deus pela nossa situação. Ele não vê limites para o seu clamor e mesmo sem poder fazer nada, “bombardeia” o céu com suas orações, confiante em que o Senhor é capaz de mudar aquela realidade. Santa Teresinha dizia que “Pensar em um amigo é rezar por ele”. Amigo intercede, clama e não se conforma com aquilo que os olhos alcançam: ele sempre vê mais longe. Vê em nossos limites oportunidades para a graça de Deus se manifestar.

Dessa forma, Davi retoma seu lugar na corte de Saul por intermédio das mãos de seu amigo (cf. I Sm 19,7). Quando estamos sofrendo, perdidos em meio aos nossos sentimentos, a nossa primeira atitude é abandonar o nosso “território”, nossos sonhos, nossa coragem, a alegria de viver, o entusiasmo, a nossa esperança. Somente uma verdadeira amizade é capaz de “nos desinstalar”, de nos levar além, de nos devolver a nós mesmos. Um amigo tem a capacidade de nos devolver o que perdemos, de nos fazer retomar os territórios da nossa vida que, durante o caminho, fomos entregando sem lutar, sem resistir. Ele nos coloca onde devemos estar, fazendo-nos retomar o nosso lugar – como antes – diante da nossa vida, dos outros e diante de Deus.

Jônatas não mediu esforços para ajudar Davi. Ele estava disposto a fazer tudo para ver a vida de seu amigo em segurança (cf. I Sm 20,4). Para aqueles que nos amam, não há limites, porque sempre há a esperança da vitória. Estão sempre dispostos a fazer tudo o que está ao alcance deles para nos ver restaurados. É só observar os verdadeiros amigos de alguém que está preso, nas drogas, na prostituição ou doente. Eles não desistem e fazem tudo o que está ao seu alcance para ver o amigo de pé novamente. Quando todos já desistiram, quando todas as esperanças acabaram, eles continuam lá, confiantes em que o milagre pode acontecer.

Não há nada mais forte e capaz de restaurar uma vida de maneira completa do que o amor. Uma amizade pura e sem interesses é uma fonte de bênçãos inesgotável. Jônatas não estava preocupado com seus interesses, mas queria salvar a vida de seu amigo de todo o perigo. Por isso ele abençoou a vida de Davi não só com palavras, mas com a sua presença (cf. I Sm 10, 13). O amor puro de um amigo é a Providência de Deus na vida de muitas pessoas, pois é capaz de curar, de equilibrar, encorajar, levantar, restaurar, abençoar de maneira concreta e eficaz. O amor sincero de um amigo, mesmo que de forma limitada, é a imagem do amor ilimitado do Senhor por nós. A presença de um amigo é o disfarce que Jesus mais usa para entrar em nossa vida.

Então, conseguiu enxergar os amigos que o Senhor colocou ao seu redor? Ainda não? Olhe com calma. Sugiro que você – a partir do que leu – pense em pessoas próximas, como seus pais, seus irmãos… Mas se mesmo assim você não conseguir enxergar ninguém, eu tenho uma novidade para você: o Amor não quer usar disfarces! Jesus quer se manifestar pessoalmente na sua vida e lhe mostrar que Ele é o seu verdadeiro Amigo. Lembre-se de que amizades são sempre “disfarces” do Senhor. Mas por saber que a sua dor é grande demais, Cristo quer que você veja de forma clara – sem disfarces – que Ele é o seu verdadeiro Amigo.

Essa é grande alegria em ter amigos: eles são a forma adequada para o Senhor se manifestar em nossas vidas em cada momento, pois sempre nos remetem ao Amigo verdadeiro, que é o próprio Jesus. Se isso não acontece, se sua amizade não o tem levado para Deus, é hora de olhar em volta mais uma vez e trocar essa falsificação de amigo por um amigo de verdade, alguém que, atrás do disfarce, revele o Senhor.

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

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> Um amigo de verdade ama primeiro o Senhor

> Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo

> Amizade desarmada
>Davi e Jônatas: uma amizade que incomoda

Amizade desarmada

Em um mundo de inseguranças e desconfianças, fica cada vez mais difícil estabelecer relacionamentos profundos. Parece que todos têm medo de se expor, de mostrar sua verdade, por isso, sempre se aproximam das pessoas com desconfiança. Se somarmos a essa cultura de medo relacionamentos que não deram certo, traições e decepções, veremos pessoas cada vez mais isoladas e que optam por uma vida de solidão, mesmo que isso não seja o que realmente desejam.


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Uma amizade verdadeira só vai ser viável se ambos estiverem dispostos a se revelar e a expor a sua verdade para que esta torne esse relacionamento cada vez mais sólido e profundo. Isso precisa partir de ambos os lados, porque se um dos dois estabelecerem reservas, a amizade será como um barco de dois remadores, no qual só um rema: só vai rodar, sem sair nunca do lugar.

“Jônatas fez uma aliança com Davi, que amava como a si mesmo. Tirando a túnica com que estava vestido, deu-a a Davi, bem como suas vestes, e mesmo sua espada, seu arco e até seu cinturão” (I Sm 18,3-4).

Davi e Jônatas, mais uma vez, nos ensinam com sua amizade. A primeira atitude de Jônatas foi entregar tudo a Davi. Mesmo sendo um guerreiro, o filho do rei de Israel, ele entregou àquele simples pastor todas as suas defesas, suas seguranças e até mesmo seu cinturão, sinal de sua realeza. Ele entendeu que uma amizade de verdade começa com entrega, com despojamento, renúncia e transparência. Jônatas mais do que entregar tudo a Davi, se mostrou de forma total: sem defesas, máscaras ou títulos. Naquele momento ele se revelava ao amigo sem restrições.

Uma amizade sem entrega não subsiste! É evidente que essa entrega não se dá de uma hora para outra, no impulso de um momento, mas pouco a pouco com o decorrer do tempo. O mais importante que a Palavra quer nos revelar, no exemplo de Jônatas, é a necessidade de haver em nosso coração o desejo e a determinação de nos revelarmos ao outro de forma plena.

Davi não era amigo do príncipe de Israel, mas de Jônatas, um homem como ele. Quando nos entregamos e expomos os nossos corações e os nossos sentimentos, nos igualamos com aquele amigo e embarcamos na aventura daqueles que se arriscam por amor. Jesus viveu se arriscando por amor, revelando toda a Sua verdade aos que amava. Seja em Sua glória no Tabor ou em Sua miséria no Calvário, Cristo sempre se arriscava perante aqueles que amava. Ele se arriscava em perder, em ser abandonado, em ser traído, mas também se dava a oportunidade de ser cada vez mais amado por se revelar de forma total.

Não há seguranças para aqueles que amam verdadeiramente. Assim como não há como ter certeza de que aquele amigo não nos trairá. É arriscar-se como Jesus fez ao escolher Judas, para quem revelou os Seus segredos, amou intensamente, mas também foi roubado, vendido e traído. Amar sempre é um risco que nos aproxima mais do Senhor.

Correr esse risco vale a pena se vivermos a amizade no amor que se doa e que quer fazer o outro feliz. Diz a Palavra que depois de Jônatas entregar suas armas a Davi, este tinha êxito em todas as batalhas (cf. I Sm 18,5). Quando alguém percebe que um amigo se revelou – ou está se revelando – de forma completa, confiando totalmente nele, isso lhe dá forças para ir além de suas limitações e vencer as suas batalhas interiores. Ao revelar o seu amor sem restrições a alguém, você poderá testemunhar as libertações que esse sentimento gera na pessoa, mas também em sua vida.

Somente uma amizade desarmada será capaz de experimentar, em plenitude, tudo aquilo que o Senhor quer realizar. Nosso relacionamento com os irmãos sempre é um reflexo do relacionamento com Deus. Por isso, à medida que confiamos nas pessoas e nos revelamos a elas, sinalizamos que estamos cada vez mais entregues ao Senhor e por isso não temos medo de nos dar. Somos d’Ele e por isso não temos o que temer.

Experimente se arriscar em amar como Jesus fez, e esteja preparado para tudo, mas principalmente para ser amado e curado de forma verdadeira e plena.

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

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>Davi e Jônatas: uma amizade que incomoda

Amar um amigo é amá-lo como a si mesmo

Quem entendeu que para se estabelecer uma verdadeira amizade é preciso amar a Deus em primeiro lugar, logo se vê impelido a buscar estabelecer relacionamentos, mas aprendendo com o Senhor como amar os seus amigos. O próprio Jesus nos deixou claro, com atos e palavras, que para amar de verdade é necessário amar ao próximo como a nós mesmos (cf. Mt 22,39). Sendo assim mais uma vez a prefiguração de uma amizade verdadeira, da amizade em Cristo, é demonstrada no relacionamento entre Davi e Jônatas.


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“Aconteceu que, terminando ele [Davi] de falar com Saul, Jônatas apegou-se a Davi. E Jônatas passou amá-lo como a si mesmo” (I Sm 18,1).

Essa é a primeira descrição bíblica da amizade entre os dois, que começa justamente na plenitude cristã da forma de amar. Quando eu amo alguém como a mim mesmo, entendo que ele é outra pessoa e não fico tentando modelá-lo conforme a minha vontade. Percebo que ele soma na minha vida justamente porque é diferente, sendo assim, fazê-lo parecido comigo é perder tudo o que as diferenças acrescentariam na vida um do outro.

Outra característica dessa forma de amar é a tolerância, o acolhimento e a misericórdia. Se eu amo a um amigo como me amo, entendo que ele é uma pessoa e não um super-herói. Não exijo perfeição porque ele é tão humano quanto eu, acolhendo assim suas limitações e fraquezas da mesma forma que acolho seus dons e qualidades. Aprendo com seus erros e posso contar com ele para me levantar quando os meus erros também me fizerem cair. Por conhecer minhas misérias e do que elas são capazes de fazer na minha vida, não espero dele perfeição, por isso não deixo a decepção habitar em meu coração.

Se eu estabeleço uma amizade desta forma, entendo que meu amigo é uma pessoa e não uma propriedade particular, um território reservado unicamente para ocultar minhas inseguranças e saciar minhas carências. A felicidade dele é a minha felicidade, por essa razão eu o deixo livre para ser amado por outros. Por amá-lo e reconhecê-lo como alguém muito especial, quero que também os outros conheçam os tesouros do seu coração. Isso não me leva ao sentimento de ter sido colocado de lado ou ameaçado, pois já experimentei o quanto aquele amigo me ama. Sei que sou único em sua vida e por isso não preciso de exclusividade, pelo contrário, permito que o amor cresça, transborde e atinja a muitos outros.

Jônatas, quando viu a necessidade de Davi partir, não o impediu; pelo contrário, foi o primeiro a incentivá-lo a ir. Ele sabia que, em uma amizade verdadeira, a liberdade do outro é peça fundamental e que, muitas vezes, forçá-lo a estar perto é uma maneira mais rápida de perdê-lo. Não havia entre eles apego desequilibrado, mas amor verdadeiro, que liberta e não aprisiona. E mesmo sendo esta a última vez que o viu antes de morrer, Jônatas viveu com a certeza de que havia um pedaço seu no coração de Davi, onde quer que ele estivesse.

Amar o próximo como a si mesmo é experimentar o amor de Deus em sua vida e permitir que ele transborde na vida dos outros. É a vocação própria do homem: amar. Porque sou profundamente amado, também quero amar profundamente. Justamente por isso não há como amar um amigo de verdade antes de fazer uma experiência profunda de amar e ser amado pelo Senhor. O amor aos irmãos é reflexo limitado do Amor ilimitado de Deus por nós. Só podemos dar o que temos. Se não nos sentimos amados, não nos amamos e não temos condições alguma de amar o outro.

A experiência do amor cristão é a da renúncia, do desapego, da oblação, do sacrifício. É amar para dar a vida a todo instante e não somente em momentos extremos. É dar a vida no silêncio, na oração e nas ações que não esperam nada em troca. Somente quem ama nas pequenas renúncias de uma amizade é capaz de amar com entrega total de vida. Jesus amou assim: amou na simplicidade do dia a dia, sendo capaz de dar toda a vida no momento decisivo. Ele deu o exemplo e nos deixou o ensinamento: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13).

Amar um amigo como a si mesmo é amar da forma como Jesus amava: se doar em amor buscando não a realização pessoal, mas a felicidade do outro. Não é fácil, mas é possível! Abrace a oportunidade de ser expressão concreta do Amor de Deus na vida daqueles que ama e derrame a sua vida em amor.

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

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Um amigo de verdade ama primeiro o Senhor

Vivemos em um mundo de pessoas solitárias, no qual muito se fala de amizade e da necessidade de ter amigos para uma vida melhor. Mas mesmo se falando tanto sobre o assunto, mais sozinhas as pessoas ficam a cada dia. O que muitas chamam de “amizade” muitas vezes, não passa de troca de interesses, de conveniência, de superficialidade. Pode ser até mesmo que a sociedade tenha reconhecido a necessidade de criamos vínculos e relacionamentos, mas a forma como isso tem sido apresentado e oferecido só tem gerado um vazio cada vez maior no coração das pessoas por causa das feridas que são criadas.


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Uma amizade que não está fundamentada no Senhor é como uma casa sem alicerce: mais cedo ou mais tarde desmorona e fere a todos que estavam nela. Sem Deus qualquer relacionamento está destinado a se tornar dependência e troca de carências.

Uma das mais belas amizades relatadas na Sagrada Escritura é a entre Davi e Jônatas. Eles aprenderam, na provação e na dor, o que é estabelecer uma amizade que tenha o Senhor como fundamento e viveram dizendo um ao outro: “O Senhor esteja entre mim e ti para sempre” (I Sm 20,23).

Se a vontade de Deus não estiver entre dois amigos, cedo ou tarde, ambos, ao depararem com as limitações um do outro, não terão forças para ir além, para perdoar e acolher o outro na sua miséria. Somente o Senhor é capaz de nos ensinar o amor-oblação, o sacrifício e a renúncia. Mas, para aprender a amar assim, é preciso amar ao Senhor sobre todas as coisas, “com todo o coração, com toda alma e com todo entendimento” (cf. Dt 6,5).

Para amar a Davi de maneira concreta, Jônatas precisou ir contra muitas situações que estavam ao seu redor, inclusive contra seu pai. Mas esse ir contra a vontade paterna não se deu por rebeldia ou por falta de amor para com Saul, mas porque Jônatas, por amar a Deus com todo o coração, percebeu os erros de seu genitor e entendeu que o Senhor estava com o amigo [Davi] (cf. I Sm 16,18).

Havia confiança entre Davi e Jônatas porque ambos, antes de se amarem, amavam ao Senhor. Experimentavam a amizade recíproca verdadeira, pois sabiam que um amigo de verdade ama a Deus em primeiro lugar. Confiavam um no outro, porque confiavam antes no Altíssimo.

Quando se ama ao Senhor antes de tudo, cada coisa é colocada em seu lugar em nosso interior e podemos amar de maneira livre. Na liberdade de filhos de Deus aprendemos, com Jesus, o que é amar sem apegos, carências, ciúmes e sentimento de posse. Aprendemos a amar como Ele amou. O equilíbrio se estabelece à medida que tudo à nossa vida gira em torno do Senhor e da Sua vontade, pois percebemos, dessa forma, que até mesmo a nossa amizade é uma oportunidade de amá-Lo de modo mais pleno. O amor ao Senhor nos lança aos irmãos inevitavelmente e nos leva a amá-los de maneira concreta, pois, afinal, quem diz que ama a Deus e não ama o seu irmão é mentiroso (cf. I Jo 4,20).

Somente quem ama no Senhor, pelo Senhor e para o Senhor é capaz de tocar num relacionamento verdadeiro e experimentar os frutos de cura e libertação dessa dádiva. Por isso, se você tem buscado uma amizade sincera e só tem encontrado decepção, pare de buscá-la nos homens e busque antes de tudo amar a Deus em primeiro lugar.

Se a sua vida se tornar uma busca incansável pelo Senhor, Ele mesmo providenciará os amigos certos, na hora certa, como fez na vida desses personagens bíblicos [Davi e Jônatas]. Jesus sabe que ninguém pode seguir sozinho, pois Ele mesmo, na Sua humanidade, experimentou a importância de ter amigos. Por isso, ame ao Senhor com todo o seu coração e deixe-O surpreendê-lo com amigos de verdade, capazes de viver maior amor: amor capaz de dar a vida (cf. Jo 15,13).

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

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Será que o meu lugar é na Canção Nova?

Em meio a um mundo triste, o sorriso de uma juventude entregue ao Senhor traz um novo brilho e uma nova esperança aos corações. Esses jovens são sinais concretos de um Deus que não se esquece dos Seus e que deposita, no chamado feito a cada um deles, a certeza de uma vida nova em Cristo. Rapazes e moças que deixaram tudo – casa, trabalho, namoro, sonhos, projetos – para se entregar, de forma completa, ao anúncio de um Deus vivo e vivido, apaixonado por nós e que em breve voltará. Uma juventude que não teve medo de questionar ao Senhor sobre a Sua vontade e sobre o lugar onde deveriam gastar as suas vidas. Uma geração disposta a cantar ao Senhor um cântico novo, uma “canção nova” (cf. Sl 96,1).

Talvez você tenha a coragem de se perguntar: “Será que o meu lugar é na Canção Nova?”. Ao se questionar sobre isso você abre o coração para Deus, permitindo-Lhe, – mais do que somente lhe mostrar a vontade d’Ele –, revelar o Seu amor de maneira que você nunca experimentou. Sua vocação é, antes de tudo, um ato concreto do amor e da misericórdia de um Deus apaixonado.

Aqueles que Deus criou “Canção Nova” são homens e mulheres que sabem de suas misérias e de suas incapacidades, mas que também confiam, de forma plena, na graça do Senhor, maior do que essas limitações e capaz de tornar instrumentos defeituosos em uma linda orquestra. São corações consagrados, profundamente gratos, que decidiram doar a vida em resposta ao amor de um Deus que nos “constrange”. A música é d’Ele, é do Espírito Santo, que canta em nós e apesar de nós.

São jovens que perceberam não somente um desejo de ser Canção Nova, mas que reconheceram que sempre haviam cantado um canto novo, mesmo sem o compreender. Não são consagrados fruto de um projeto pessoal, mas de um ato criador no coração de Deus, que desde sempre havia pensado neles nessa “companhia de pesca”. Não se “tornaram Canção Nova”, mas reconheceram que haviam sido desde sempre.

Homens e mulheres que lutam pela santidade de forma concreta e nos atos normais do dia a dia. Que são limitados, que caem, mas que se levantam abraçando a sua cruz e seguindo em frente. Pessoas que não esperam grandes ocasiões, mas que em tudo buscam a Deus em primeiro lugar, acreditando que todo o resto Ele proverá. Que assumiram a Jesus como o seu Senhor desde o dia em que O encontraram face a face e Ele lhes mudou a vida.

Jovens que compreenderam não ter sido criados para ser sozinhos, para buscar a santidade de forma individual, mas em uma comunidade. Que encontram, no abraço dos irmãos, o conforto do Senhor e o perdão que levanta, que cura e que liberta. Rapazes, moças, sacerdotes,  diáconos, celibatários, casais, famílias inteiras, que desejam dar um testemunho concreto do amor verdadeiro, puro e sem malícia, que cura e amadurece. Que acreditam e dão a vida por um mundo novo, formado por homens e mulheres novos.

“Ser Canção Nova” é quem tem a evangelização correndo nas veias, pois compreendeu que essa graça provém de um relacionamento concreto com o Senhor, alimentado pela Sua Palavra e pela Eucaristia. É quem sente a necessidade de ser formado por Deus por intermédio dos irmãos, para também formar um povo novo. São pessoas que querem comunicar Jesus com suas vidas, com suas palavras, com o seu trabalho através de todos os meios providenciados pelo Senhor, sobretudo pelos meios de comunicação, capazes de atingir uma multidão, tocando a cada um de maneira particular.

Filhos que decidiram seguir os passos de Jesus e morar na “Casa de Maria”. Ali são formados pelo seu amor de Mãe e mestra, que educa, forma e cura os corações. Com ela aprendem a cantar o canto de gratidão, o “Magnificat” de suas vidas, que sempre será uma forma de render ao Senhor a honra e a glória que só a Ele pertencem. Quando olham sua história, de forma atenta, percebem a sua presença discreta de Mãe, que sempre esteve presente e que tudo fez e faz.

Talvez ao ler esse texto, você tenha sentido que, muito mais do que falar de outras pessoas, cada palavra foi revelando um pouco de você. Ou, então, o sentimento que brota em seu coração é como a felicidade de uma criança ao achar a peça que faltava de um quebra-cabeça. O coração pode estar batendo mais forte na certeza de ter encontrado o seu lugar, trazendo-lhe lágrimas aos olhos e uma felicidade nunca antes experimentada. Se isso tudo está acontecendo com você, eu preciso lhe dizer: acho que você faz parte dessa família.

Um dia eu me questionei e permiti que a voz de Deus crescesse no meu coração. Então, ouvi um convite a cantar uma canção nova com a vida, em comunidade, preparando um povo para a volta de Jesus. Deixei tudo, permitindo que o amor de Deus me seduzisse e me guiasse. Dei os passos que cabiam a mim e encontrei a família a qual eu sempre pertenci. Tive que assumir a verdade: eu era mesmo “diferente”. Mas isso trouxe alegria, pois encontrei um bando de gente “diferente” como eu. Eu me senti em casa e quero estar nessa casa para sempre. Sou feliz assim. E posso, com a minha vida, declarar que ser Canção Nova realmente é BOM DEMAIS!

E aí? Está esperando o quê? Talvez o e-mail da nossa equipe vocacional? Pois então anote aí: vocacao@cancaonova.com.

Não perca tempo! Não deixe o medo o impedir de dar os passos que são necessários, pois do seu “sim” dependem muitas almas. Deus está chamando você, por isso, não demore em dizer “sim”. Venha para a Canção Nova: aqui é bom demais!

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

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Somos a Canção Nova!

O que falta para você dizer ‘sim’?

É impressionante perceber como Deus quer se manifestar em nossa vida cada vez de forma mais surpreendente. Ele não mede limites para nos proclamar o Seu Amor “constrangedor” e vê nas nossas limitações e misérias uma oportunidade de nos surpreender a todos, demonstrando no instrumento incapaz a plenitude da Sua manifestação.

Deus tem uma fascinação especifica por aqueles que se demonstram mais limitados, mais pecadores e por isso os separa, os consagra e os lança para o Seu povo. É assim que um chamado, com um “sim” decisivo dado a cada dia, se torna vida e felicidade para quem segue a voz do Bom Pastor. Um “sim” dado para sempre, mas que se renova a cada momento, a cada passo que damos rumo à realização plena da vontade de Deus.

Há uma pedagogia própria do Senhor para atrair aqueles que foram escolhidos por Ele. Ele usa daquilo que faz parte da vida do homem e manifesta a Sua vontade. A alguns Ele chama em meio aos campos, nas “praias” da vida e a outros, em meio ao barulho das cidades de um mundo que grita, tentando impedir-nos de escutar a doce voz que nos elegeu. Basta estarmos atentos aos sinais e poderemos perceber há quanto tempo Ele vem esperando que lancemos um simples olhar em Sua direção, para que então possa nos revelar – pouco a pouco – a Sua vontade.

Deus Pai escolhe quem quer, por isso não adianta tentarmos demonstrar o quanto somos fracos para tão grande missão, escondendo e justificando os nossos medos atrás de nossas misérias, pois o Senhor nos conhece mais do que nós mesmos, por essa razão nos chamou. Assim a nossa vida passa a ser um reconhecimento de que nada somos, mas que n’Ele tudo é possível. Reconhecemos que não merecemos esse chamado, por isso mesmo transformamos a nossa vida em um ato de louvor ao Senhor, com uma gratidão eterna que precisa ser demonstrada em fidelidade concreta.

Se Deus não mede esforços para nos demonstrar isso, – e mais do que isso –, para nos convencer de que Ele nos escolheu, porque ainda estamos perdendo tempo? O que mais nos falta para dizermos “sim” e nos lançarmos na vontade do Senhor? Coragem? Decisão? Abandono? Confiança?

Não podemos negar que é muito difícil romper com toda a ideologia depositada em nossa consciência, a qual nos leva a querer seguranças e tranquilidade. Fomos formados em uma sociedade imediatista, que quer o agora e na qual tudo é para ontem. Por isso é tão difícil. Mas não é impossível!

A cada dia cresce o número de jovens, rapazes e moças, que abandonaram tudo e decidiram viver abandonados em um Amor muito maior do que eles mesmos. Mais do que seguranças é o olhar de plena felicidade e realização interior que testemunham como vale a pena seguir a voz do Amado. Jovens que tiveram a coragem de romper com tudo e se lançar na novidade que o Evangelho nos oferece a cada dia. Eles são, com suas vidas, a prova concreta de que vale a pena.

Por que você ainda continua perdendo tempo? Se for uma palavra direta ou um sinal concreto de que você precisava para dar o primeiro passo, ao ler esse texto você o encontrou. Deus, mais uma vez, está falando com você! Pode ser que o medo do “novo” seja grande, mas onde está a ousadia própria da juventude? Você já foi corajoso para fazer muita coisa que não prestava na sua vida, por que então não demonstrar toda essa coragem agora, entregando sua existência nas mãos d’Aquele que verdadeiramente o ama?

O que, uma vez, escrevi, eu reafirmo: ninguém erra por buscar a vontade de Deus! Nunca me arrependi de ter dado um passo na direção da vontade de Deus para a minha vida; pelo contrário, à medida que continuo dando passos mais realizado e mais feliz eu sou, porque mais perto do Senhor eu estou.

Antes de tudo é para isto que o Todo-poderoso nos chama: para sermos d’Ele. E nessa Divina Vontade está o segredo da felicidade de tantos homens e mulheres, sorridentes em meio a um mundo triste. Por essa razão, não tenha medo de entregar ao Senhor aquilo que Lhe é de direito: a sua vida. Experimente como é maravilhoso ser amado e ser instrumento desse Amor maior. Deus está gritando! O que falta para você dizer “sim”?

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

Espera, o preço da felicidade!

Minha mãe costuma dizer que aproveitamos mais a espera, o preparativo para a festa do que a festa em si. A felicidade está em aguardar, em se preparar, em estar na expectativa desse momento de felicidade. Esperar nos dá vida, nos “desinstala” e nos alegra. A felicidade tem o preço da espera.

Pergunte a uma namorada o quanto é bom esperar o namorado chegar. Pergunte a uma mãe como é boa a expectativa do parto. Pergunte a um doente como a certeza de uma visita o refaz. A espera é um preço que pagamos pela felicidade do momento. É como uma viagem em que é necessário passar horas, talvez dias, para chegar ao destino, ao lugar tão sonhado.

O tempo do Advento é isso: a expectativa da chegada do Senhor, que veio há mais de dois mil anos, mas que voltará em breve. É por isso que mesmo paramentada de roxo, o sentimento que a Igreja vive é diferente. Não é o da dor do deserto da Quaresma, mas da espera da volta gloriosa do Filho de Deus. A Igreja vive neste tempo um misto de alegria e dor. Alegria da certeza da volta do Senhor e a dor da espera. Esperamos a volta d’Aquele que é O amado, d’Aquele que dá sentido às nossas vidas.

Para mim, uma das melhores descrições da expectativa da chegada da pessoa amada é a utilizada pelo autor francês Saint-Exupéry – em sua célebre obra “O pequeno príncipe” – na declaração de amor da raposa para o amigo príncipe: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!”

Assim deve estar a nossa alma no tempo do Advento: inquieta e agitada pela expectativa da vinda do Senhor. Inquieta para ser melhor, para estar em santidade e preparada para a volta de Jesus. E agitada por levar tantas outras almas a esperarem ansiosas a manifestação do Senhor.

Ao contrário da raposa, nós não sabemos a hora exata em que o Senhor virá; por isso precisamos começar a ser felizes agora. A grande certeza, que temos, é que a hora está chegando, e como a raposa, a cada dia estamos mais felizes. A alegria nos invade porque o Senhor está voltando.

A grande diferença na expectativa da vinda do Senhor é que quando Ele chegar a alegria vai ser muito maior. Não podemos imaginar o quanto seremos felizes, o quanto os nossos corações estarão em festa por terem aprendido a esperar. Será felicidade sem limite.

“Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição” (Ap 21,4)

Essa felicidade eterna nos dá a esperança para aguardar, para sofrer as demoras e as dificuldades no caminho. A espera tem sentido porque a felicidade tem nome: Jesus Cristo.

Aprendi com a raposa o preço da felicidade. Aprendi com a Igreja a esperar o Senhor e a clamar “Maranathá: Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,21).

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

Você será tratado da mesma forma que Jesus

Você será tratado da mesma forma que Jesus Deus é amor, e onde existe amor, ali Deus está. Já reparou que, embora com muito esforço, lutas e quedas, esmorecimentos e desânimos, você segue o Senhor e quer andar observando Suas leis e mandamentos Esforça-se por conhecer Sua Palavra e ser uma pessoa cheia do Espírito Santo? Luta para viver, na prática, a Palavra, mas é alvo de perseguições e calúnias? Falam de você, prejudicam-no e maltratam? E que, quando você era uma pessoa “comum”, nada disso acontecia? Então, você pensa: “Certamente estou errado. Não estou no caminho correto”.

Muitos deixam o caminho do Senhor por causa das dificuldades e oposições, por causa do que as pessoas dizem e dos comentários que fazem, do que elas inventam a seu respeito e pelas várias perseguições que suporta. Não é um simples complexo de perseguição; não se trata de sentir que você é perseguido ou rejeitado. Realmente é isso mesmo o que acontece.

Pergunte a si mesmo e ao Senhor: “Por que acontece tudo isso?” Sabe qual é a resposta? Porque você é discípulo de Jesus. O próprio Jesus disse: “Já que trataram de Beelzebul o dono da casa, com quanto maior razão dirão o mesmo dos de sua casa! (Mt 10,25b).

Você não pode se esquecer de que Jesus é o único justo. Ele foi o homem mais equilibrado que houve na face da terra; no entanto, foi incompreendido, perseguido e caluniado. Colocaram mil barreiras a Ele, apertaram o cerco até O condenarem e O levarem à morte. Você é discípulo de Jesus, O segue e tem sua Palavra. Pela graça do Senhor, você tem a mentalidade do Espírito Santo. Se trataram assim a Jesus, vão tratá-lo da mesma forma. Não por você, mas causa do Senhor.

E será sempre assim. As trevas sempre irão se opor à luz. Quando você começa a ser luz, as trevas o atacam e perseguem. Não tenha receio, pois o próprio Jesus chamou de bem-aventurados aqueles que são perseguidos. Vamos conferir:

Felizes os perseguidos por causa da justiça: deles é o reino dos céus. Felizes sois vós quando vos insultam, vos perseguem e mentindo dizem contra vós toda a espécie de mal por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque grande é a vossa recompensa nos céus: foi assim, com efeito, que perseguiram os profetas que vos precederam. (Mt 5,10-12).

Essa é a última bem-aventurança. Jesus a amplia mais porque sabia que era essa a mais difícil. Nesses versículos, Jesus não diz isso só por dizer, não se trata de mera retórica. O Senhor nos garantiu: “bem-aventurado sereis”. Você será feliz! É uma grande sorte ser assim. “Bem-aventurado será quando o insultarem, o perseguirem e, mentindo, disserem contra você toda a espécie de mal por minha causa.”

Aí está o precioso: “por minha causa”. Não é pelo fato de fazer sua vontade ou por seus erros humanos, mas “por minha causa”. E quando fizer isso “por minha causa”, não tema, não receie, isto é uma sorte, é uma grande sorte.

Alegrai-vos e regozijai-vos, porque grande é a vossa recompensa nos céus: foi assim, com efeito, que perseguiram os profetas que vos precederam (Mt 5,12).

Felizes sois vós quando os homens vos odeiam, quando vos rejeitam, e quando insultam e proscrevem vosso nome como infame por causa do Filho do Homem (Lc 6,22).

Os verdadeiros profetas, os cristãos verdadeiros, os homens do mundo ultrajam, perseguem, caluniam e se opõem. Os falsos profetas, os cristãos medíocres, sem qualidade de sal e de luz, os homens deste mundo elogiam, falam bem, exaltam. Aí está o teste para saber de que lado você está. Se os homens elogiam você, se eles falam bem de você e o tratam bem, se batem nas suas costas, dizendo: “Está tudo bem, maravilhoso”, parece então que, na visão de Jesus, você não tem a qualidade de um verdadeiro cristão, de um profeta verdadeiro.

Se pelo reino de Deus, por causa de suas atitudes cristãs, de sua linguagem renovada, por sua fé e porque segue os mandamentos do Senhor sem medo e sem receio de nada, você é rejeitado e perseguido, alegre-se. Você está tendo um sinal evidente de que, com toda a sua fraqueza, está sendo um verdadeiro cristão. Por tal razão, Jesus o chama de bem-aventurado.

Não existe Cristianismo sem cruz. “Sofrimento sem sofrimento não é sofrimento. Dor sem dor não é dor”.

Seu Mestre foi à sua frente com uma cruz às costas, flagelado e coroado de espinhos. O que o espera é isso também. Quando o Pai o trata assim, Ele não está sendo cruel; pelo contrário, trata-o como filho que não é deste mundo, mas está destinado a viver neste mundo e a dar a vida por eles. O Pai o trata com austeridade, porque você é filho d’Ele e Ele o quer para Si, a Seu lado, na feliz eternidade para todo o sempre.

Se você sofre por causa de Jesus, alegre-se. Se sofre por causa do Reino, se é incompreendido e perseguido, caluniado e ultrajado por causa do Evangelho, alegre-se! Bem-aventurados sereis.

Trecho do livro “O Pão da Palavra – Volume 1” de monsenhor Jonas Abib   

Perca o controle da sua vida para não perdê-la

Crescemos numa sociedade que nos educou a ter o controle de todas as coisas. Desde o controle remoto da TV até a medicina – que a todo momento busca prever e remediar os males -, absolutamente tudo nos impulsiona a ter todas as situações em nossas mãos. Inocentemente, começamos a acreditar que não precisamos de ninguém, que sabemos tudo e que as nossas palavras são a verdade. Nos tornamos autosuficientes, fechados em nossas concepções e ideias que vão se adequando conforme a nossa necessidade e a nossa aparente “felicidade”. Somos criados para buscar a nossa independência pessoal.


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Acontece que nessa ilusão de ter todas as coisas sob o nosso controle, quando não sabemos como agir diante de uma situação, fugimos para não encará-la ou nos desesperamos, porque não sabemos o que fazer. Muitas vezes até Deus foi descartado de nossas vidas e, por isso, não há mais a quem recorrer. Por fim , na busca de independência pessoal, acabamos ficando sozinhos.

Isso não acontece somente com pessoas que estão longe do Senhor, pelo contrário, você pode estar todos os dias na Igreja, ser um consagrado, ou até mesmo um padre, e ainda assim não ter se colocado na posição de discípulo, de alguém que tem Jesus como o Mestre de sua vida. Na batalha para ser de Deus, buscamos ter tanto o domínio de nossas lutas que tiramos o Senhor do trono do nosso coração e nos sentamos nele. Caímos novamente no erro de Adão e Eva e desejamos ser como deuses (Gn3,5), senhores de tudo, de todos e de nós mesmos.

Pode ser que essa autosuficiência seja fruto de nossa criação, de traumas da nossa história ou das próprias lutas da vida que nos levaram a ser assim. Não importa! Quando encontramos Jesus, e nos entregamos a Ele, não estamos mais sozinhos. Não precismos lutar e nem provar para ninguém – nem para Deus – que somos fortes e estamos no controle de todas as situações. Não somos mais órfãos, sem amparo e nem apoio, mas temos um Pai que nos ama e tem, verdadeiramente, o controle de todas as coisas.

O nosso papel é se colocar em uma atitude filial e até mesmo infantil. Precisamos ser como crianças, que sabem de seus limites e reconhecem no Pai a segurança e o apoio. O que eu não posso, eu sei que Ele pode realizar. Quanto a mim, somente me abandono, me permito entrar na escola da vida mais uma vez – independente de quantos anos eu tenho –, me sentar na cadeira e me colocar como aluno, nas matérias da minha história nas quais eu me considerava doutor.

Assim, reconheço que sou muito menos do que imaginava, enxergo a minha verdade, os meus limites e me abandonando no Pai. Perco o controle, mas não por causa das situações, mas porque me disponho a colocar tudo, absolutamente tudo, nas mãos de Deus. Perco o domínio da minha vida, para não perdê-la.

Independente de qual é a situação que você está vivendo, pare de bancar o papel de forte. Você não precisa vestir a fantasia de super-homem ou mulher-maravilha, mentir para si mesmo, acreditando ser capaz de manter o controle dessa situação. Deus conhece você e o vê! Ele é Pai e sabe muito bem quem você é, suas vitórias e derrotas e, justamente por causa disso, te ama tanto.

Não importa se passou a vida inteira lutando na solidão, não tendo ninguém para lutar por você e com você. Pode ser até mesmo que você começou a ler este texto buscando respostas para o seu problema, buscando ter o controle da situação. Não importa se você não tenha achado a força necessária para sozinho enfrentar essa batalha. Ou melhor, que bom que isso não aconteceu! Você não encontrou forças para lutar sozinho, mas encontrou quem pode lutar por você e com você.

Seja criança novamente e, sem forças, peça ajuda ao seu Pai, que mais que um super-herói, é Deus. Se permita perder o controle da sua vida e experimente a alegria do cuidado e do carinho daqueles que são chamados filhos do Senhor.

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

Vídeo: Você ainda pode escolher!

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Transformando sofrimento em amor

Todos nós passamos por momentos de sofrimento em nossas vidas. Isso faz parte da nossa caminhada rumo à vontade de Deus. Jesus foi bem claro ao afirmar que o Seu seguimento comportava renúncia e cruz. Não há vida cristã autêntica sem cruz! Mas não basta sofrer, é preciso aprender a fazê-lo: sofrer como Jesus, que abraçou o sofrimento e o transformou em ato concreto de amor e salvação.

 Há uma dinâmica própria na qual Deus nos coloca quando estamos sofrendo. Justamente nos momentos de dor, tantas outras situações e pessoas aparecem e nos levam a manifestar, de forma muito concreta, o amor misericordioso do Senhor. Mesmo sofrendo, o Todo-poderoso nos impele a consolar o coração de outras pessoas.

São Paulo afirma que “Deus nos consola em todas as nossas aflições, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos d’Ele, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição!” (II Coríntios 1,4). Isso parece loucura, mas é a manifestação concreta do Senhor, que tira um proveito muito maior das nossas dores. Ele não nos faz parar, mas nos lança em direção a tantos outros que necessitam de nós. Dessa forma, nosso sofrimento é transformado em testemunho, em evangelização, em manifestação concreta de amor.

Quantas pessoas encontraram o verdadeiro sentido de suas vidas e a missão que o Senhor lhes havia confiado justamente nos momentos de extrema angústia. Pessoas que ultrapassaram, com a graça de Deus, a sua dor e enxergaram que não sofriam sozinhas, pois muitos irmãos sofrem de forma igual ou mais intensa e assim entenderam o sentido real do sofrimento cristão.

Pode ser que em meio à dor em que nos encontramos não enxerguemos essa realidade e que nem mesmo queiramos pensar sobre isso. Mas é quando o sofrimento passa que vamos perceber o quanto Deus fez nos outros e em nós por intermédio de nossas lágrimas. Uma oração feita na aflição ganha muito mais peso. Um sorriso verdadeiro – em meio à tristeza – é capaz de libertar. Da mesma forma, uma palavra de consolo para outra pessoa, quando você mesmo só queria ser consolado, é capaz de salvar uma vida.

Aprender a sofrer é aprender a transformar o seu sofrimento em amor. É perceber que, como afirma a Palavra de Deus, quanto mais eu consolo, tanto mais sou consolado e que a consolação que Deus me envia é matéria-prima para transformar a vida de tantos irmãos. Somos como conchas que, imersas em consolação, só sabem transbordar o que receberam.

Talvez você esteja passando pelo maior sofrimento da sua vida e não consiga compreender ou tocar em consolação alguma. Nesse momento Deus convida você a olhar ao redor e ver além da sua dor. Enxergar pessoas que precisam de você e do consolo do seu coração. Quando você se decidir a ir além do seu sofrimento, a superar as suas dores, poderá tocar na consolação do Senhor, que o abraça e o acolhe. Muito mais que dar, é você quem vai receber. Só um coração disposto a amar pode verdadeiramente experimentar um Deus que ama.

Amor em meio à dor, é o amor capaz de gerar vida nova. Jesus nos mostrou isso na cruz. Deu a vida para nos dar uma Vida Nova. O exemplo nos foi dado, agora nos basta segui-lo. Nós entramos com a decisão e o Senhor, com a graça. Só assim experimentaremos em nossas vidas que sofrer é muito mais do que dor. Sofrer é uma possibilidade de amar de forma surpreendente.

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

Jesus ainda é motivo de escândalo

“Muitos discípulos que o ouviram disseram então: ‘Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?’. A partir daquele momento, muitos discípulos o abandonaram e não mais andavam com ele. Jesus disse aos Doze: ‘Vós também quereis ir embora?’ “. (Jo 6, 60.66-67)

Esta pergunta provocadora não se dirige somente aos que o escutavam então, mas alcança os crentes e os homens de todas as épocas. Também hoje, muitos se “escandalizam” diante do paradoxo da fé cristã. O ensinamento de Jesus parece “duro”, difícil demais de acolher e de praticar. Então, existem aqueles que rejeitam e abandonam Cristo; existem aqueles que tentam “adaptar” sua palavra às modas, desvirtuando seu sentido e valor.

“Vós também quereis ir embora?”: esta inquietante provocação ressoa no coração e espera de cada um uma resposta pessoal. Jesus, de fato, não se contenta com uma pertença superficial e formal; não lhe basta uma primeira adesão entusiasta; é necessário, pelo contrário, participar durante a vida toda do seu “pensar e querer”. Segui-lo enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas comporta dificuldades e renúncias, pois com muita frequência é preciso nadar contra a corrente.

“Vós também quereis ir embora?” À pergunta de Jesus, Pedro responde em nome dos apóstolos: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (v. 68-69).

Queridos irmãos e irmãs: também nós podemos repetir a resposta de Pedro, conscientes certamente da nossa fragilidade humana, mas confiando na potência do Espírito Santo, que se expressa e se manifesta na comunhão com Jesus. A fé é dom de Deus ao homem e é, ao mesmo tempo, entrega livre e total do homem a Deus; a fé é dócil escuta da Palavra do Senhor, que é “lâmpada” para os nossos passos e “luz” em nosso caminho (cf. Sl 119, 105). Se abrimos com confiança o coração a Cristo, se nos deixamos conquistar por Ele, podemos experimentar, também nós, junto ao santo Cura de Ars, que “nossa única felicidade nesta terra consiste em amar a Deus e saber que Ele nos ama”.

Papa Bento XVI
23 de agosto de 2009

Programa especial do dia do amigo

Oi galera! Devido ao grande número de acessos ao especial de amizade no portal Canção Nova, foi produzido um programa no dia do amigo. Tive a graça de participar dele com grandes amigos.
Assita abaixo!