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A amizade nos capacita para a missão

Uma das coisas que mais impressiona em Jesus, é sua humanidade. Ele viveu todos os sentimento com intensidade e não tinha nenhum temor em expor o que sentia. Um dos trechos do Evangelho que demonstra isso com mais propriedade, é justamente a ressurreição de Lázaro. Ali vemos Jesus que ama, que se comove, se perturba e que chora a morte do Seu amigo. O amor Dele por Lázaro era tão forte e tão manifesto, que todos – discípulos e judeus – reconheciam. Um amor que não vê limites para ir ao encontro. Nem mesmo o risco de morte foi capaz de impedir que Jesus fosse ao encontro do seu amigo, e por causa da ressurreição de Lázaro, os judeus decidiram realmente matar Jesus. A amizade entre eles era testemunho vivo: “Vede como Ele o amava!” (Jo 11, 36)

Muito mais do que amar Lázaro e suas irmãs, Jesus se sentia profundamente amado em Betânia. Ali Ele se sentia em casa, seguro, refugiado, e é por isso mesmo que ele vai àquele pequeno povoado antes de entrar em Jerusalém para a cumprir Sua missão. Ele poderia ter ido a Nazaré ver Sua Mãe, ou a Cafarnaum na casa de Pedro, mas não, Ele decidi ir a Betânia para ser amado.

Jesus entende que a missão é muito grande, e que precisa de ajuda. Aquele que é o amor, agora precisa ser amado. Aquele que amou a tantos durante a Sua vida, agora no momento final, precisa deixar ser amado por aqueles que realmente O amam. São os verdadeiros amigos que preparam Jesus para a missão.

Na última noite em Betânia, Maria unge Jesus com perfume muito caro, declarando que ela o preparou para a morte. Não foi somente com o perfume caro que Ele se viu ungido e preparado para o Seu sacrifício. O que realmente ungiu Jesus e que para Ele era muito mais caro, foi o amor de Seus amigos. Se o ato de ungir é capacitar alguém para uma missão, o amor dos irmãos de Betânia capacitou Jesus. A partir daquele momento, nem a traição de Judas, nem o pavor que lhe tomou conta no Horto das Oliveiras ou o abandono de todos os Seus discípulos, foram capaz de impedir a missão de Jesus.

Jesus mostrou com a sua vida o que uma amizade verdadeira, o amor de verdadeiros amigos é capaz de nos fazer suportar. Ele mostrou que por mais que amemos a muitos, precisamos também ser amados, para podermos cumprir a missão que Deus nos confiou. Não há quem ame o suficiente que não precise ser amado. O Amor, até mesmo Ele, precisou ser amado. O amor verdadeiro nos capacita para a missão.

O Evangelho tem sempre a capacidade de nos questionar. As atitudes de Jesus nos levam a reflexão. Talvez você esteja buscando força para continuar em outros lugares e não na Betânia da sua vida. Vem buscando em “grandes cidades” o amor que você só vai encontrar nos “pequenos povoados”. Talvez seja a hora de revermos a nossa vida, e identificarmos quais são os Lázaros, Martas e Marias que Deus nos concedeu. Quem são os amigos capazes de nos capacitar para enfrentar a missão? Se olharmos com atenção, nos “pequenos povoados” de nossa vida, na pequena Betânia, encontraremos aqueles que verdadeiramente podem nos amar.

Jesus teve amigos e não nos deixa sem eles, pois experimentou o quanto são necessários em nossas vidas nos momentos decisivos. Basta que nós os reconheçamos em nossa caminhada, e percebamos que dependemos do seu amor para cumprir a missão que Deus nos concedeu.

Deus me deu Lázaros, Martas e Marias. Não são muitos, mas os poucos que são, são extremamente necessários para que eu cumpra a missão que Deus me confiou. Aprendi que não basta amar, mas só serei realmente eficaz se me deixo ser amado. Se o Amor precisou ser amado, quem sou eu para insistir em caminhar sozinho?

Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com

A amizade por Santo Agostinho

“Nem os bosques amenos, nem os jogos e cantos, nem os lugares suavemente perfumados, nem os banquetes sumptuosos, nem os prazeres da alcova e do leito, nem, tão pouco, os livros e versos podiam disfarçar a amargura do amigo que havia perdido. Tudo me causava horror, até a própria luz.

Os meus olhos buscavam por toda a parte o amigo que a morte me levara, e o mundo não mo devolvia. Cheguei a odiar todas as coisas, porque nada o continha, e ninguém mais me podia dizer como antes, ao chegar depois de uma ausência: «Aí vem ele!»

A alma não me obedecia, e com razão, porque para mim, era mais real e melhor o amigo querido que perdera do que o fantasma que mandava que tivesse resignação.

O que mais me confortava e alegrava eram sobretudo as consolações de outros amigos, com os quais partilhava o amor por aquilo que amava em Teu lugar.

Ama-se de tal modo os amigos que a consciência se julga culpada se não é capaz de amar aquele que ama, ou se não procura retribuir o amor com amor, e apenas procura na pessoa do amigo o sinal exterior da sua benevolência. Daqui, esse luto quando alguém morre, as trevas de dores, o coração umedecido pela mudança da doçura em angústia e a morte dos vivos pela perda da vida dos mortos.

Feliz o que Vos ama, feliz o que ama o amigo e Vós, e o inimigo por amor de Vós. Só não perde nenhuma amigo aquele a quem todos são queridos n’Aquele que nuca perdemos. E quem é Esse, senão o nosso Deus, o Deus que criou o céu e a terra e os enche porque, enchendo-os, os criou? Ninguém Vos perde, a não ser quem Vos abandona; e, se Vos deixa, para onde vai, para onde foge, senão de Vós manso, para Vós irado? Onde é que não encontra, no seu castigo, a vossa lei? ‘A vossa lei é a verdade’, e ‘Vós a mesma verdade’.”
 

S. Agostinho (354-430, filósofo e teólogo cristão, in Confissões)  

Amizade: dom irrevogável

Eu não me canso de afirmar que amizade é um dom de Deus. Dom é dádiva, presente, bem que se goza, uma concessão da Providência. É graça! É uma iniciativa amorosa do coração do Senhor que sabe das nossas necessidades e que vem em nosso auxílio. Mas existem situações e circunstâncias que vão acontecendo e que podem nos levar a temer no fundo da alma. Imaginar que podemos perder o que tão especial Deus nos concedeu, nos leva muitas vezes a paralisar diante das situações. O medo nos faz esquecer uma grande verdade: “os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis” (Rm 11,29).

Irrevogável é aquilo que nada e nem ninguém pode revogar. Se amizade é dom de Deus, ela não pode se perder por qualquer situação. Vem de Deus, por isso é irrevogável. Existem processos dentro de um relacionamento de amizade que são próprios. Descobrir as diferenças, entrar em crise, questionar-se faz parte do processo de amadurecimento. Mas se a amizade vem realmente de Deus, foi uma iniciativa Dele, ela permanece.

Fomos formados em uma cultura que não admite nenhum tipo de sofrimento ou renúncia por nada. Isso inclui os relacionamentos. Diante de uma situação que me gera algum sofrimento dentro de uma amizade, eu posso cair na tentação de desistir dela para não sofrer, para não me deparar com os meus limites que o relacionamento com aquele amigo está me fazendo enxergar. Ou então, já dentro do momento de crise, eu não espero a tempestade passar e já pulo do barco no meio dela. Prefiro me arriscar a morrer afogado, do que esperar para ver o que vai acontecer. Prefiro morrer logo, do que sofrer o que é necessário.

Tudo precisa passar por uma certa ‘crise’ para amadurecer . São momentos decisivos que nos afligem, mas que nos levam a uma maturidade. Um momento de crise em uma amizade é um momento de muito sofrimento, de dor, mas que se bem vivido pode levar a um amadurecimento profundo. Não podemos negar que é muito difícil, de uma hora para outra, ter que viver com uma pessoa que você ama tanto um processo tão doloroso. Ficamos sem chão, sem entender, sem saber o que fazer ou como se comportar. Nos parece que o mundo caiu e que tudo que com tanto amor foi construído, agora está desmoronando. Afundamos em nossos sentimentos e esquecemos que “os dons de Deus são irrevogáveis”.

Nesse momento precisamos ter paciência e esperar o tempo que é necessários para o outro e para nós mesmos. Esperar nunca é fácil pois queremos tudo para ontem. Mas esperar amadurece, cria força e resistência. Um amigo que sabe esperar o tempo do outro, o processo próprio que o outro está vivendo, demonstra de forma concreta o seu amor. Suspende-se a fase de demonstrações explícitas de amor e entra em cena o tempo de amar no silêncio, na reserva e na espera. É a hora do amor que “é paciente, que desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo ”(I Cor 13, 4.7).

A amizade que era pública, passa pelo tempo do silêncio da cruz e do sepulcro. A escuridão rodeia os sentimentos e a visão do coração. Não enxergamos nada e precisamos caminhar pela fé. Olhar para dentro do coração e fazer memória de quanto amor e quanto bem aquela pessoa te fez viver. Esperar sabendo que perto do amanhecer a escuridão é mais intensa. Mas acreditar que o sol vai nascer e que a pedra do sepulcro vai rolar. Só experimenta a ressurreição de uma amizade, quem tem a coragem de passar pelo tempo da escuridão, do silêncio e da espera do sepulcro.

Amizade é dom irrevogável! Só a perco, se eu renuncio ou não aceito vivê-la. Se eu renuncio o presente, eu não posso ganhá-lo. Mas se eu tenho a coragem de enfrentar, mas também esperar e pagar o preço que for preciso por um verdadeiro amigo, poderei experimentar a novidade, a alegria e o poder da ressurreição: “Eis que eu renovo todas as coisas!” (Ap 21,5)

Seu irmão,
Renan Félix

renan@geracaophn.com

Soltando a língua: Amizade dom de Deus

Esse é um quadro do programa Revolução Jesus, na TV Canção Nova, que tratou do tema amizade. Quem apresenta é o Juninho, membro da Comunidade Canção Nova e meu grande amigo. Nesse vídeo ele fala um pouco da nossa amizade. Confere aí!

Programa especial do dia do amigo

Oi galera! Devido ao grande número de acessos ao especial de amizade no portal Canção Nova, foi produzido um programa no dia do amigo. Tive a graça de participar dele com grandes amigos.
Assita abaixo!

Irmão? Amigo? Não sei dar nome!

Muitas pessoas passam por nossas vidas. Cada uma nos marcando de uma maneira especial. Assim, quando nos deparamos com cada uma dessas pessoas, com o tempo, ou até mesmo imediatamente, damos nome ao relacionamento que estabelecemos com elas: meu parente, meu irmão, meu amigo, minha namorada, etc. É próprio do ser humano dar nome a todas as coisas, inclusive aos relacionamentos. Ao dar nome, tomamos posse, abraçamos aquela pessoa como parte de nós, como nossa. Foi isso que Adão fez com toda a criação e depois com Eva: tomou posse para si (Gn 2,20).

Mas e quando não conseguimos dar nome ao que sentimos ou vivemos com alguém? Não falo de relacionamentos como namoro, mas falo de amizades que chegam à tamanha profundidade, que aquela pessoa não é somente um irmão, um amigo… O que ela é então? É nesse momento que o nosso coração se angustia por não conseguir dar nome ao que vive. Surge então um sentimento de impotência sobre aquele relacionamento. Eu vivo, sinto, é parte de mim, mas eu não posso ter controle total sobre ele.

Estamos acostumados a ter o controle de todas as coisas, por isso quando isso acontece, é como se nos faltasse segurança sobre esse relacionamento. Se não consigo nomear, não consigo ter direitos e nem deveres, não consigo ter as seguranças próprias de um relacionamento. Vivo abandonado em um amor gratuito e desinteressado, sem nada a cobrar ou exigir, somente a dar sem esperar nada em troca.

Sofri muito nessa busca de dar nome ao que vivia com algumas pessoas, até o momento em que descobri a grande verdade: eu só posso dar nome ao que me pertence. Se eu não consigo dar nome a um relacionamento, é porque na verdade ele não é meu. Eu vivo, eu sinto, mas não me pertence, pertence a Deus.

Quando não conseguimos dar nome ao que sentimos por alguém, é porque foi o próprio Deus que colocou aquele sentimento em nossos corações. Somos como que celeiros dos sentimentos do coração de Deus. Eles não nos pertencem, somente zelamos por eles. entimento em nossos coraçele seentimos por algude, algumas pessoas, atexigir, somente a dar sem esperar nada em troca.Por isso é algo tão grande, tão divino, tão sagrado que não conseguimos dar nome. Podemos até mesmo perguntar ao Senhor: que nome eu dou para o que vivo? O que responderei se me perguntarem? Então escutaremos o Senhor responder: “É aquilo que é! Não lhe cabe dar nome. Cabe a ti viver”.

O que é sagrado, a nossa razão não alcança. Relacionamentos assim são como que presentes, graças que Deus nos dá e que zelamos com toda a nossa dedicação, porque pertencem ao Senhor. Não nos será cobrado o nome que demos a eles, mas como vivemos tão grande presente. Por isso quando você se deparar com uma situação na qual você não sabe dar nome ao que sente, ao que vive com alguém, você pode dizer sem medo:

“Não sei dar nome ao que vivo contigo, só tenho a certeza de que não é meu, não é seu, mas vem de Deus!”

Renan Félix
renan@geracaophn.com

Um amigo, um altar

Altar é lugar de sacrifício, lugar onde se oferece uma vítima em holocausto. Os altares sempre são constituídos para esta finalidade, para através de um sacrifício fazer memória dos favores que Deus concedeu.

Um altar precisa ser construído com esforço pessoal e decisão de coração. Ele é memorial, lugar da teofania, da manifestação do amor de Deus. Amizades são altares. 


Amizade é oblação, é ir além do que é natural em nós, é tocar o sobrenatural. Da mesma forma que um altar pressupõe um holocausto, uma amizade traz em si o sacrifício. É preciso sacrificar a nós mesmos, nossas falsas verdades, nossos gostos e desejos pessoais. Amizade é altar, é lugar onde se derrama sentimento, lágrimas, sangue, vida. Se esse derramar em sacrifício não acontece, não há altar, não há amizade.

Como os altares, as amizades precisam ser construídas, edificadas com o que há de melhor em cada um. São sentimentos, experiências, valores, sonhos, que como verdadeiras pedras vão se sobrepondo para que ali verdadeiramente aconteça o sacrifício. São pedras que não podem ser tolhidas pelos desejos de nenhuma das partes, pois trazem em si aquilo que é o melhor, o sagrado, o original de Deus em cada um. Lapidá-las para adaptá-las às nossas vontades, aos nossos desejos, significa profaná-las. Eu não posso construir um altar, uma amizade com nada a não ser o que há de mais puro e sagrado. Eu não posso ser verdadeiramente um amigo se eu não levo comigo a originalidade de Deus em mim. Um altar profanado, uma amizade profanada, só tem um destino: a destruição.

Há um valor especial em qualquer coisa que nós mesmos construímos ou ajudamos a construir, ainda mais quando se trata de pessoas. Uma amizade que não traz em si a vontade de ajudar a construir o outro, não manifesta vida, não há significado, não há porque, não há santidade, não há razão de ser. Um altar é santo em razão do que ele significa. Uma amizade que não constrói o outro perdeu o seu sentido, o seu significado, a sua capacidade de sacralizar.

O ato de construir o outro não é fácil, causa dor em ambos, entraves, muito sacrifício mútuo e pessoal. Mas – como foi dito antes – se não há sacrifício, não há altar. Para construir o outro eu preciso derramar o meu sangue, a minha vida, para que a oferta do meu sacrifício seja capaz de trazer à tona o que há de melhor no outro, mesmo que para isso precise doer primeiro em mim. É um ato de oblação, de oferta, que à medida que nos aproxima do altar, nos aproxima do próprio Deus, tornando-nos interiormente livres. Quanto mais sacrifício há em uma amizade, mais liberdade se adquire, mais próximo de Deus se chega. O altar me leva a alcançar a Deus. Se uma amizade não me leva ao Senhor, ela perdeu a essência.

Deus me levou a construir amizades durante a minha vida. Elas são verdadeiros memoriais da visita do Senhor na minha história. São verdadeiros altares onde eu posso me derramar, derramar a minha vida, sacrificar a mim mesmo, ser melhor, crescer na certeza de estar me aproximando cada vez mais de Deus. Se uma oferenda é santificada e apresentada ao Senhor pelo contato com o altar, cada vez que me “derramo” sobre um amigo, sou apresentado mais santo do que poderia ser sozinho. Ninguém se santifica sozinho. Amizades são instrumentos eficazes de Deus para minha santificação.

Deus não colocou somente pessoas em minha vida, me deu amigos, me deu altares onde eu posso perpetuamente me oferecer em holocausto e me sacralizar.

Seu altar,
Renan Felix
renan@geracaophn.com

Amigos: tesouros escondidos

Quem nunca brincou de caça ao tesouro quando criança? Alegres íamos procurar algo escondido, oculto aos nossos olhos infantis, mas que quando achada, trazia a alegria aos nossos corações. Depois de crescidos, continuamos procurando os tesouros que o próprio Deus colocou em nossos caminhos. Não são mais coisas ou somente objetos, mas são pessoas, amigos.

Diz a Palavra de Deus que quem encontrou um amigo encontrou um tesouro (Eclo 6,14b). Como tesouro que são, os amigos, muitas vezes, estão escondidos pela nossa vida, por isso é preciso um olhar atento de criança para encontrá-los. Deus até poderia deixar essas pessoas bem aos nossos olhos, mas Ele nos desafia a lutar para encontrá-los e perceber o valor que possuem com a alegria da descoberta.

Tesouros são sempre tesouros. Não importa onde estão guardados, eles trazem em si a surpresa de suas riquezas incontáveis. Muitas vezes não estão em baús bonitos ou em lugares de fácil acesso, por isso vão sempre exigir de nós algum sacrifício pessoal para chegar até eles. Mas quando se os alcança, quando nos deixamos conduzir pela santa curiosidade que nos leva a querer desvendar o mistério escondido, não há nada que possa se comparar à tamanha alegria.

Deus não priva ninguém dos tesouros de uma amizade. O que acontece, muitas vezes, é que o tesouro está ao nosso lado por tanto tempo, mas não nos aproximamos, não queremos abri-lo. Esperamos baús reluzentes que atraiam as nossa expectativas, sem nos lembrarmos de que Deus sempre esconde o melhor naquilo que é mais simples.

Como é maravilhoso ter a certeza no coração de que você encontrou um tesouro e que, conduzido pelo Espírito de Deus, deixou-se atrair por aquilo que as pessoas não viam. No entanto, agora tem a linda missão de conhecer todas as grandes riquezas que sempre esperaram que alguém as encontrassem.

Essa é a experiência que eu faço hoje. Encontrei um grande amigo que, na simplicidade do seu coração, traz grandes riquezas que estavam prontas para serem descobertas, mas que as pessoas por tanto tempo não viram. Agora eu tenho a linda missão de não apenas me aprofundar nesse tesouro, mas mostrar aos que não viram antes o que eles ainda são capazes de encontrar.

Amigos são tesouros que ao encontrarmos queremos levar muitos outros a conhecer suas riquezas. Não são nossos, mas Deus nos permitiu encontrá-los para levar outros a experimentarem a grande riqueza dos seus corações. Essa é a missão de um verdadeiro amigo.

Seu tesouro,

Renan Félix
renan@geracaophn.com

Um amigo, uma saudade

Existem pessoas que fazem falta em nossas vidas. Quanto mais especiais e mais importantes para nós, tanto mais sentimos falta da presença delas, das coisas simples, dos pequenos gestos. É um sentimento que preenche a alma, mas, ao mesmo tempo, traz um vazio ao peito. Uma saudade sem tamanho.

Se estamos em um lugar e a saudade aperta, mesmo que tudo diga que a pessoa não virá, há uma esperança tão grande, que a todo momento vivemos a expectativa do encontro. Não importa o que nos dizem e o quão contrárias sejam as notícias, o coração vive a expectativa da chegada no olhar que busca o amigo em todos os lugares. Mesmo que demore dias, meses, anos, o coração sempre espera ansioso o reencontro com o coração do amigo.

Mas por que tudo isso? Por que esse sentimento tão forte de ausência e de saudade que preenche a alma? Por que isso não acontece com todas as pessoas?

Já dizia o poeta que quando sentimos saudade de um amigo, sentimos saudade do pedaço de nós que está no coração dele. Por isso o sentimento de ausência. Por isso a saudade tão forte. Só nos sentimos completos quando encontramos nele o pedaço de nós mesmos que nos falta. Não é uma dependência afetiva da pessoa, pelo contrário, é uma necessidade de encontrar a si mesmo nela.

Esse encontro não se limita à presença física, ele a transcende porque o sentimento que há nos corações nos leva além do tempo e do espaço. Padre Léo dizia: “A presença física é a mais pobre das presenças”, mas quando ela é sublimada, torna-se parte de um todo e intensifica o que já existe. Não depende de estar perto da pessoa, mas se há o sentimento puro e verdadeiro, essa proximidade se plenifica.

No entanto, não esperemos viver isso com todas as pessoas; essa graça ocorrerá com poucas, não porque algumas sejam melhores que as demais, mas porque foi a essas pessoas que Deus confiou parte de nós mesmos para que por elas fôssemos cuidados.

Essa é a saudade de uma verdadeira amizade. A saudade que é uma pessoa. Via pela qual encontramos no amigo a nós mesmos. Encontramos o que falta em nós e que a ele foi confiado por Deus. Por isso dói, por isso traz um vazio ao peito. Sentimos falta do pedaço de nós mesmos que ele traz em si.

Santo Agostinho dizia que a metade de nossa alma é um bom amigo. Por isso quando o coração apertar com a dor da saudade de um grande amigo, só o Senhor poderá romper o tempo, o espaço, e levar a nossa alma a estar novamente completa. Somente Ele pode consolar essa dor, pois é n’Ele que os verdadeiros amigos se encontram e se eternizam. No Senhor a saudade se torna esperança e alegre expectativa de reencontrar a si mesmo no coração de um grande amigo.

Tenho saudade! Por isso não demore a me trazer de volta para mim mesmo!
Saudade de mim em você,

Renan Félix
renan@geracaophn.com

Desafiando a malícia: a amizade entre homens e mulheres

Em meio a um mundo de realidades tão difíceis, corremos o risco de, pouco a pouco, nos deixarmos levar pelas ideias e concepções que nos envolvem. Há uma malícia estabelecida sobre todas as situações, principalmente nos relacionamentos. São poucos os que realmente acreditam na pureza e no desinteresse que podem gerar grandes amizades. Se pensarmos em amizade entre homens e mulheres a situação piora ainda mais.

:: Leia este texto em espanhol

Parece que há uma opinião comum na qual se acredita que não é possível haver um relacionamento entre pessoas do sexo oposto que não seja ou que não vá gerar um relacionamento amoroso ou um envolvimento sexual. Em um mar de malícias pré-estabelecidas em nossa mente, perdemos a oportunidade de crescer e até mesmo de ser mais felizes.


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“Os doze iam com Ele, e também algumas mulheres” (Lucas 8,1-2). Jesus, na Sua humanidade, viveu a realidade da pureza do relacionamento com as mulheres e pôde experimentar a riqueza disso. Mesmo em meio a uma sociedade machista, que na época nem mesmo as incluía ao número de pessoas, Cristo estabelece uma nova forma de relacionamento com as mulheres de Israel. Ele foi amigo de Maria Madalena, de Marta e Maria, irmãs de Lázaro, deixou-se ser marcado e tocado por tantas outras figuras femininas que atravessaram o Seu caminho. Ele não tinha medo de se expor e de enfrentar a sociedade para viver a vontade do Pai. Jesus é o primeiro a viver a sadia convivência.

A amizade entre homens e mulheres é possível. Assim como entre casados e solteiros, sacerdotes e leigos, religiosas e religiosos, idosos e jovens. Não podemos nos deixar contaminar por tanta malícia e deixar de experimentar a beleza de vivermos juntos, de partilharmos vida e experiências e de vivermos em sadia convivência.

Um relacionamento sadio entre pessoas de sexos diferentes leva à maturidade, ao crescimento e à santidade. Uma mulher, apenas com o seu jeito natural de ser, é capaz de ajudar um homem a ser muito mais homem, a não ser malicioso, agressivo e grosseiro. Um homem, somente por ser homem, é capaz de mostrar a uma mulher o quanto ela pode ser mais feminina, mais cuidada e respeitada. A sadia convivência nos ajuda a chegar à maturidade que Deus sonhou para nós desde a criação.

Então, por que perdemos tanto tempo e não vivemos relacionamentos sadios? Talvez por medo, imaturidade, feridas deixadas por outros relacionamentos e toda uma série de fatores que pode nos levar a não nos lançar na novidade que o Todo-poderoso tem para nós. Muitos desses fatores precisam ser acompanhados ou até mesmo de ajuda capacitada, para que deixem de ser pedras no meio do caminho. Não podemos ser ingênuos ou bancarmos os intocáveis. Para vivermos relacionamentos sadios é preciso, antes de qualquer coisa, maturidade, coragem e verdade com nós mesmos.

Não podemos negar que viver um relacionamento puro e sadio afetivamente é enfrentar toda uma sociedade que desacredita na pureza e no amor desinteressado. É enfrentar cristãos que se deixaram contaminar pelas ideias do mundo e não conseguem mais perceber a pureza de um relacionamento sem antes desconfiar dele. É viver um martírio – testemunho – que vai gerar dor, sofrimento, incompreensão, desconfiança, mas que com certeza vai levar à maturidade e à felicidade em Deus.

Não é uma missão fácil! É preciso ter muita coragem para encarar a forma de pensar de toda uma sociedade e mostrar que é possível, que vale a pena e que existem amizades profundas, puras e sinceras entre pessoas de sexo e estados de vida diferentes.

Um dia eu tomei coragem, superei meus medos e aceitei o desafio. O resultado? Sou um homem muito mais realizado e muito mais maduro por causa de cada uma das mulheres que estão e que passaram pela minha vida. Amigas que me ensinaram a ver pureza onde todos só enxergam malícia. Mulheres que me fazem muito mais homem, apenas pelo fato de serem mulheres. Amigas que me mostraram e que me ensinaram que é possível a amizade pura e sincera entre um homem e uma mulher.

Eu aceitei o desafio e hoje colho os grandes e abundantes frutos de cada um desses relacionamentos.

Hoje, Deus também o desafia ao novo, a entrar na linda aventura de viver a sadia convivência. Nessa aventura só há um grande risco: de você amadurecer e se tornar uma pessoa muito melhor. Você aceita o desafio? Não perca mais tempo!

Seu irmão,

Renan Félix
renan@geracaophn.com

A amizade nos sacraliza

Sempre acreditei no valor de uma amizade. Amizade é algo tão sagrado ao coração de Deus, que Jesus teve seus amigos e fez questão de manifestar a importância deles em sua vida – mais do que com palavras –, mas com atos. Foi por Lázaro, seu amigo, que Ele chorou e demonstrou o mais íntimo de sua humanidade: Ele o amava (João 11,5).


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Jesus nos deixa o exemplo e nos mostra o quanto um amigo é importante em nossas vidas. Era na casa de Lázaro, em Bethânia, que Ele descansava e ia para se refazer e se refugiar.

Uma amizade parte do princípio da comunhão de duas pessoas. Comunhão que não depende da mesma forma de pensar, de semelhanças, mas que depende de uma comunhão de coração acima de tudo. Um amigo mais que alguém parecido com você, é alguém que tem a capacidade de enxergá-lo como você é. De perceber no seu “lindo sorriso” a tristeza de sua alma. De perceber que – mesmo com medo – você é capaz de ir adiante, de ir além. De lhe mostrar os caminhos e acompanhá-lo quando estes se tornarem mais difíceis, estando sempre pronto para levantá-lo quando você cair.

Diante de uma amizade verdadeira corremos um grande risco: o risco de crescer. Uma amizade verdadeira nos faz deparar com nossas limitações, mas acima de tudo nos encoraja a ir além delas.

No olhar, você pode perceber uma amizade. Por isso, não precisa ser proclamada, se percebe. Esse perceber passa além do proclamar, do ver junto e do estar junto. Percebe-se no jeito de falar, no olhar preocupado, na ansiedade da chegada e na dor da partida.

A distância e o tempo não são empecilhos. Se os amigos permanecem longe um do outro parece que é uma eternidade, mas quando se encontram parece que foi ontem a última risada. É o coração que determina, é ele que faz o tempo parar ou correr diante de um amigo.

Mais que saber ser amigo na dor, um amigo sabe sê-lo na alegria. Ele se alegra com as vitórias e realizações do outro. Ele chora junto, sofre junto, espera junto, ama junto.

Deus me concedeu a graça de ter poucos, mas grandes amigos. Pessoas que são capazes de entrar no que há de mais sagrado em mim e tirar o melhor. De me levantar quando caio e de sempre me mostrar o horizonte. Quando sofro, sofro com eles e por eles. Quando me alegro é a alegria deles que me emociona. É com eles que experimento o amor e o cuidado de Deus.

Um amigo é algo sagrado ao coração de Deus. A amizade nos sacraliza. Obrigado, amigo, por fazer parte do que há de sagrado em mim.

Deus abençoe!
Renan Félix
renan@geracaophn.com