Amar: o verdadeiro martírio
terça-feira, agosto 11th, 2009Muitas vezes nos deparamos com coisas que precisamos fazer, e que diante a nossa miséria nos sentimos muito incapazes. Jesus no seu ‘testamento’ nos deixa uma ordem que vai se tornar o grande desafio da vida de qualquer ser humano: “Amai-vos uns aos outros” (Jo 15,12). O mandamento do amor, muito mais que uma simples ordem, é um projeto de vida que perpassa a existência de todo o homem.
Como imagem e semelhança de Deus que é amor, o homem tem por vocação amar. Por isso se não cumpre essa vocação, não encontra em sua vida a verdadeira realização e a felicidade. Amar é a vida do ser humano. Alguém que não ama já está morto.
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Mas quem disse que amar é fácil? Quem disse que felicidade e realização são palavras contrárias a sacrifício e sofrimento? Em meio a um mundo hedonista, impregnaram em nossa consciência que felicidade é fazer e viver tudo que de alguma forma não nos custe nada. É por isso que cada vez mais o mundo se torna individualista e a atitude de amar é cada vez mais rara. Amar exige sofrimento, renúncia, martírio.
Se amar é muito mais do que um simples sentimento, é uma decisão, uma atitude de vida, logicamente vai exigir um sacrifício próprio. Muita gente projeta a vida a partir de um desejo, às vezes um carro, uma casa e sacrifica muita coisa por causa disso. Se o projeto próprio dos filhos de Deus é amar, precisamos nos dispor a acolher os sacrifícios próprios dessa decisão.
Somos acostumados a desejar que as pessoas nos amem muito, incondicionalmente, sem olhar para as nossas misérias e limitações. Mas quando chega a hora de amar, colocamos uma série de condições. E o amor incondicional? E o amor oblação? E a alegria maior de dar do que receber? E a verdade que o amor que me cura é também o que dou, e não somente o que eu recebo? Não são simples perguntas, mas uma verdadeira revisão de vida ao qual Deus nos convida.
Jesus vai afirmar que se a semente que cai na terra não morrer ela não gera frutos. Amar é morrer! Morrer para as minhas vontades e minhas carências e me decidir em traduzir em ato a vocação que Deus destinou para a minha existência. Não há nenhum ato de amor que não exija de nós o derramar do nosso sangue, um martírio constante que nos leva a oblação e a doação. O amor acarreta sofrimento, cruz, morte. Mas traz consigo redenção, ressurreição, alegria!
Martírio é testemunho. Mártir é aquele que derramou o seu sangue para testemunhar ao mundo um amor maior. São aqueles que cumpriram com excelência a sua vocação de amar. Em um mundo que desacreditou em muita verdades essenciais, há a extrema necessidade de pessoas capazes de suportar todas as tribulações, para testemunhar que é possível, que o mandamento do Senhor não é uma utopia. Deus nos chama a sermos hoje mártires do amor, em meio a um povo que esqueceu a sua vocação de amar.
Talvez você esteja sofrendo muito por ter se decidido em amar alguém concretamente e sem esperar nada em troca. Pode ser que a decisão de amar esteja te levando a chorar ao se deitar e perder noites de sono. Ou então, sua vida se tornou um verdadeiro calvário a partir do momento que você saiu da teoria e foi colocar a sua vocação de filho de Deus em prática. Louvado seja Deus! Você está se aproximando cada vez mais da meta, da plenitude do verdadeiro projeto de vida que Jesus nos deixou : “amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo” (Jo 15, 12).
Quando os nossos sofrimentos são causados por atos verdadeiros de amor, eles nos trazem dor, mas trazem também um sentimento de felicidade inigualável. Não uma felicidade aos moldes mundanos, mas a verdadeira felicidade, a verdadeira paz no coração daqueles que realizaram com aquele sacrifício a vontade de Deus para a sua vida.
Jesus nos deixou o exemplo da cruz. A cruz é o modelo de amor. Ele nos amou até o fim e nos mostrou que por amor, somos capazes de levar a nossa decisão até as últimas consequências. Até o derramamento de sangue. Dando literalmente a vida. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo15, 13).
É hora de pararmos de ficar lambendo as nossas feridas e transformá-las em chagas de amor. Se amar tem machucado e ferido, você agora tem mais coisas em comum com Jesus. Quando chegar na vida eterna, Ele vai olhar para essas chagas e vai lhe dizer: “Como você é parecido comigo!”. Por isso: não desista de amar! Não desista de testemunhar ao mundo que o amor não é uma utopia, mas uma verdade. Onde for que Deus lhe coloque, seja um mártir do amor. Dê a sua vida pela simples, mas inigualável e heróica decisão de amar sem condições, sem medidas.
Seu irmão,
Renan Félix
renan@geracaophn.com
