A natureza há quatro grandes estações que, de modo emblemático,
caracterizam os dias, as noites, a temperatura, as temporadas de chuvas ou
a falta delas. Cada uma destas estações é marcada por singularidades que
fazem diferir uma das outras e traz benefícios a toda a Criação. A
primavera, dita como a estação mais linda, nos presenteia com os aromas
das flores que despontam das mais diferentes espécies. Os pássaros compõem
a sinfonia da natureza, cada qual com seu acorde específico, dando aos
nossos ouvidos a doce sensação de encantamento. No verão, a temperatura é
mais elevada, o ciclo das chuvas é ocasional, o sol se levanta mais cedo e
se põe tardiamente. O outono é quando as plantas deixam cair suas folhas
velhas ao chão para dar lugar, mais tarde, às novas que virão. Os galhos
secos, sem vida, adormecem ao solo depois de terem cumprido sua função
singular. A chegada do inverno é anunciada pelo silenciar dos pássaros,
pela ausência do verde nas árvores, já quase sem folhas. A temperatura vai
bruscamente declinando, principalmente à noite, e assim permanece até
perto do meio-dia. O anoitecer dá o ar de sua graça mais cedo e as chuvas
finas são acompanhadas pelo assoviar dos ventos gélidos.
A Igreja, da mesma forma, tem seus grandes ciclos, cada qual com suas
características e finalidades. Usando desta metodologia, talvez imitando a
Natureza, a Igreja nos ensina as verdades da fé, sobre a qual devemos
guiar nossa vida espiritual. Por analogia, diria que estamos vivendo o
Tempo da Quaresma, como a mãe natureza vive seu outono. É o momento do
desvencilhar-se, é o momento de nos libertar e de deixar cair por terra o
homem velho para dar lugar ao homem novo. Homem novo este que virá
acompanhado com o perfume da ressurreição e os cantos dos anjos que entoam
o solene Aleluia primaveril.
É preciso ter coragem para abandonar nossas folhas velhas e nossos
galhos secos que teimam em permanecer em nós, mesmo sem vida. Estão
agarrados a nós como se nos pertencessem de maneira definitiva. Lutam por
ficar e não se deixam facilmente vencer. Na natureza, entra em cena o
vento que ajuda as plantas a se libertar daquilo que não é mais
necessário. Ventos fortes, às vezes, é preciso, para levar as folhas e os
galhos secos que insistiam em permanecer agarrados à arvore.
Nós cristãos, como na natureza, temos um forte aliado: é o Espírito Santo
de Deus. Ele nos auxilia na tarefa tão árdua de discernir o momento certo
de nos desprender das coisas antigas para que haja em nós possibilidade de
regeneração. É necessário rezar e pedir a Deus que envie, nesta Quaresma,
o seu Espírito Santo para cumprir a missão de levar para longe o que nos
atrapalha e nos suga. Da mesma forma que as folhas e os galhos secos não
resistem à força dos ventos, não há pecado em nós, não há vício em nós que
resista à força do Espírito de Deus em nossas vidas.
Contemplemos a Natureza e aprendamos dela as mais belas lições de vida que
ela nos revela a cada instante. Ela espera seu tempo certo para agir; tem
paciência e confia. Assim também, o Espírito Santo nos tornará pessoas
mais pacientes e confiantes, pela Graça que nos vem do Alto.
É preciso estar atento às vozes de Deus em nosso cotidiano. Ele nos fala
de maneira paterna e amorosamente. Não esbraveja e muito menos altera sua
voz. Para ouvir a voz de Deus é imprescindível calar, é necessário
emudecer. A Quaresma é o momento do ouvir Deus e cessar a tagarelice de
nossa língua; é o momento de cessar a inquietude dos afazeres e nos
colocar em atitude de oração. Observemos as plantas como agem no outono:
parecem estar adormecidas, parecem contemplar o Criador numa postura
silenciosa e ouvinte. Uma das maneiras mais eficazes de se ouvir Deus é
deixar somente que Ele fale, através do suave vento que toca o ouvido de
nossas almas.
As raízes cumprem outro papel preponderante: fixar a planta no chão. Um
cristão é alguém que vive no mundo, apesar de não pertencer a ele. É neste
mundo, no espaço de sua casa, de sua família, de sua vizinhança que ele dá
testemunho de sua fé. A árvore é mais fiel que nós. Uma vez fixada à
terra, permanece ali , enfrentando as mais torrenciais das chuvas, os mais
impetuosos dos ventos; ali ficará até sua morte. Nós, ao contrário, por
motivos variados, sentimos necessidade, vez por outra, de fugir de nosso
ambiente, quando as coisas parecem ficar difíceis. É nas maiores
dificuldades que somos convidados a testemunhar nossa fé em Deus. O ato de
fugir não deve fazer parte das atitudes de um cristão, ante as intempéries
da vida.
A Natureza é um dos sinais visíveis e sensíveis da constante e permanente
ação providencial de Deus que continua a nos ensinar grandes verdades.
Basta-nos sermos discípulos atentos ao que o Mestre nos ensina, também
através da sábia natureza.
Pe. Pavlos, hieromonge




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Olá amigos, adorei essa mensagem… tudo de bom.
Abraços, Elisangela