Para você que clicou nesse texto, ele faz parte de uma série. Trata-se do testemunho de minha família, que vivenciou três internações de UTI. Na primeira, foram minha esposa e filho, os quais, após uma eclâmpsia, foram hospitalizados. Meu filho precisou ser retirado com somente seis meses de gestação. Foi a intervenção certa que Deus abençoou para que se salvassem os dois. Foi um tempo longo de dor, mas de profunda manifestação da presença de Deus em nossa vida. Deus se aproxima do coração atribulado.

Na segunda parte do testemunho, da qual faz parte esse texto, venho partilhando sobre a gestação e nascimento da nossa filha, que chegou a nascer bem, aos oito meses de gestação, mas, por ser pequena demais para o tempo gestacional, foi conduzida também à UTI. No tempo em que ela passou por lá, contraiu uma bactéria que a levou a níveis tão graves de infecção, que chegou a ser desenganada pelo médicos.

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No último texto, caminhamos um pouco mais pelo tempo que a Maria Júlia começou a sua recuperação.

Ela foi desenganada sim, mas o Senhor a ressuscitou!

Agora, com o tratamento correto em andamento, as taxas de seu exame de sangue se normalizavam. Infelizmente, não pôde mais receber o leite materno como narramos, no entanto, estava ganhando peso dia após dia. Os acessos para veias colocados em seus bracinhos e pernas pouco a pouco foram sendo retirados. A sonda para a alimentação e os tubos para a respiração também. Imagine o nosso contentamento! Era tão difícil vê-la com as picadas das agulhas e com aqueles tubos… Ela já havia aprendido a sugar o leite que lhe era dado. Depois do grande susto, seu caminho foi sendo somente de ascensão. A angústia estava sendo trocada pela feliz expectativa de sua saída da UTI! Foram 42 dias ao todo, cerca de 20 a menos que nosso primeiro filho.

Fizemos a mala, para que minha esposa, Elisa, passasse um tempo com ela no hospital. Era necessário. Ela não podia sair da UTI e ir direto para casa; antes, teria de permanecer um tempo no quarto com minha esposa, afim de seu tratamento ser concluído com a presença da mãe juntamente com a checagem dos médicos.

Estávamos profundamente felizes, pois, mais uma vez, o Senhor nos libertou das mãos da morte. Ele não nos deixou passar pela perda de nenhum de nossos filhos tão prematuramente. Alcançamos a vitória com a mão de Deus! Por isso, o sofrimento já nem nos ocupava tanto mais os pensamentos. Já tínhamos a alegria do nosso primeiro filho, e agora com nossa pequena nos braços. A dor foi ficando para trás!

Para você entender melhor esse testemunho, leia:

:: Expectativas frustradas e sonhos completamente abandonados
:: Somos fortes no sofrimento
:: Na UTI, ela passou por uma parada respiratória
:: Os traumas da primeira gestação nos acompanharam

O Senhor faz mais por nós do que podemos imaginar

Você se lembra de agradecer a Deus? Posso estar escrevendo para pessoas que não tenham tido o mesmo desfecho que nós. Talvez você tenha perdido a batalha e sofrido perdas. Eu nem imagino os motivos pelos quais você sofreu ou sofre. Mesmo assim, você já parou para pensar no quanto ainda dependemos de Deus? Embora haja uma grande influência humana nas coisas, a presença espiritual é ainda maior. Imagine. Antes de existir qualquer coisa, existia Deus. Ele criou tudo. Ele criou tudo do nada. O que Ele tinha nas mãos de matéria-prima? Ele mesmo. Dessa forma, nós existimos, porque Ele existe. Ao mesmo tempo, continuamos existindo, porque Ele quer!

Sua vida não é uma droga! Sua vida é o caminho necessário para o encontro definitivo com Deus. Se você a assumir dessa forma, der sua mão à mão de Deus, procurar uma vida sincera e firme, fugir do pecado, ser fiel à confissão sacramental e buscar a oração, a Sagrada Eucaristia, tenho total convicção de que você vai ver mais motivos de louvor do que de dor. Aos poucos, a dor se tornará amor. De Deus para você e de você para Deus.

Uma semana antes de a Elisa ir para o hospital, para ficar com a Maria Júlia, estranhamente comecei a sentir dores no meu corpo. Um cansaço além do normal. Mas eu não podia parar.

No tão esperado dia, pude finalmente ter a Maria Júlia em meus braços! Tão miudinha… Dava até medo de segurá-la. Mas ela era forte e guerreira! Naquela hora, eu já não sabia quem estava nos braços de quem.

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Quase não pude permanecer ali, pois era perigoso para o André estar num hospital, pois ele tinha pouco mais que três anos. O ambiente é perigoso; além de ele ser muito ativo, o que dificultava um pouco a atenção que a Elisa precisava ter naquele primeiro momento com a Maria Júlia. Por isso, eu ia e vinha diariamente para o hospital com ele e passava pouco tempo. Além do mais, ele estava na escola e eu trabalhando, portanto, ele contava somente comigo para cuidar dele.

Ao mesmo tempo disso tudo, aquelas dores no meu corpo foram crescendo. Que estranho! Um cansaço a ponto de quase me impedir de fazer qualquer coisa. Naqueles dias, desde cedo já me acompanhava. Nessa época, eu tomava remédio para dormir, e, mesmo assim, acordava cansado.

O tempo de a Elisa permanecer no hospital foi se estendendo mais do que o esperado. Eu acordava cedo, preparava o André para a escola e ia trabalhar. Eu o pegava em torno do meio-dia, dava-lhe almoço e nos preparávamos para ir ao hospital. Retornávamos ao fim da tarde. Como eu estava ficando cada dia pior das dores no corpo, fui pedir ajuda aos meus superiores na comunidade Canção Nova. Fui encaminhado a uma psiquiatra. Nesse meio tempo, a Elisa veio para casa com a Maria Júlia.

Passado poucos dias, veio o diagnóstico de depressão em estado moderado por estafa. Não era capaz de entender o “para quê” daquilo.

No próximo texto continuamos.

Deus abençoe.


Roger de Carvalho, é membro da Canção Nova desde o ano 2000. Ingressou na comunidade aos 19 anos de idade.

 

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