Você é tímido(a)?

Ainda que sejamos a maior parte do tempo espontâneos, todos nós experimentamos algum grau de timidez. Prova disso é que vez em quando aparece algum artista, que tem quase todos os aspectos de sua vida expostos, mas se declara tímido. A tendência da nossa racionalidade é duvidar. “Tímido? Como assim? Em vista de sua repercussão e exposição”.
Na verdade, existe em nós um mistério que o inconsciente insiste em não revelar. É a sacralidade, o território, a morada interior que se caracteriza com o mais profundo “eu”. Onde está a nossa essência, o núcleo íntimo da pessoa. E quando sentimos que alguma situação ou outra pessoa está rompendo, violando esse território próprio interior, nos sentimos roubados de nós mesmos.
A timidez é a consciência de preservação do ser interior. Portanto natural e boa.

Mas se você é tímido demais e chega ao extremo de se ver paralisado diante de situações naturais aos outros, saiba que você está precisando vencer essa barreira. A timidez não pode também lhe tirar a liberdade de viver e o gosto de compartilhar vitórias e bons momentos entre as outras pessoas. Até porque o nosso íntimo tem a vocação de estar em comunhão, precisamos de relacionamentos, dividir o que somos.
As virtudes também são adquiridas pelo exercício.
Inicie devagar, sem a imposição, a obrigação de acabar com a timidez de uma hora para outra, mas dê os passos. Comece com alguma coisa mais fácil para você neste momento. Uma leitura na igreja, se dispor a ensinar algo a alguém ou a um pequeno grupo de pessoas. A partir de tarefas assim, vamos nos acostumando a mostrar um pouquinho mais de nós e a partir daí ir avançando. Exercitando!
Com certeza dentro de algum tempo, vamos descobrindo a alegria de poder estar mais a vontade em meio as pessoas, de fazê-los parte da nossa vida e de estarmos inseridos na vivencia das outras pessoas também.

Não tenha medo de se lançar, tudo parte de uma decisão, que com o exercício da virtude aos poucos se torna natural em nós.


Deus abençoe!

O Ano da Fé

No último dia 17 de Outubro, o Vaticano divulgou a Carta Apostólica “Porta Fidei” (Porta da Fé) na qual o Papa Bento XVI proclamou o Ano da Fé.

Este terá início em 11 de Outubro de 2012, data de comemoração dos cinquenta anos da abertura do Concílio Vaticano II e de vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica (Cf. João Paulo II, Const. ap. Fidei depositum “11 de Outubro de 1992), e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013.

Não é a primeira vez que a Igreja celebra um Ano da Fé. O último foi em 1967, no pontificado de Paulo VI, motivado, já naquela época, pelas “grandes convulsões que se verificaram naquele ano”.

Assim também, hoje, o Papa Bento XVI, diz: “em nossos dias mais que no passado, a fé vê-se sujeita a uma série de interrogativos, que provem duma diversa mentalidade que, particularmente hoje, reduz o âmbito das certezas racionais ao das conquistas científicas e tecnológicas. Mas a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre a fé e ciência autêntica”.

Este novo Ano da Fé, tem igualmente o objetivo de impulsionar os cristãos a aprofundarem o conhecimento sobre a Igreja, dissipando assim, a nuvem negra dos erros de doutrina. “A Igreja prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus. De modo a vencer pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades”.

O Sumo Pontífice refere-se ao Ano da Fé como, um “tempo de graça espiritual que o Senhor nos oferece” e “tempo de particular reflexão e redescoberta da fé”.

O documento trata ainda, que, para alcançarmos uma maior amplitude do dom da Fé, na sociedade e na pessoa em particular, cada crente deve “reavivar, purificar, confirmar, confessar” numa “dimensão pública do crer e do anunciar sem temor a própria fé”. Devemos ter a “responsabilidade social daquilo que acreditamos”. Ou seja, é preciso declarar com a vida o Evangelho do Cristo, não ficarmos tímidos ou tomar partido da maioria, diante das questões contrárias a essência do ser humano e expressar com alegria nossa adesão a fé, pois somos detentores das palavras portadoras da verdade e da vida, que Jesus nos deixou. “Não podemos aceitar que o sal fique insípido e a luz fique escondida (cf.Mt 5, 13-16). Devemos adquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja”.

Várias vezes o Papa Bento insiste neste exemplo: “através do testemunho prestado pela vida dos crentes, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com sua própria vida no mundo, a Palavra da verdade que o Senhor Jesus nos deixou”, “nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias. Desejamos que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção e esperança”.

Entretanto, para que o nosso testemunho esteja de acordo com a fé que professamos é preciso um empenho de nossa parte, particularmente nesse ano, em conhecer e propagar os conteúdos que a Igreja colheu nestes dois mil anos de história. Afinal, o mundo pede respostas cada vez mais racionais e acertadas. “estar com Ele (Jesus) introduz na compreensão das razões pelas quais se acredita” e “o conhecimento dos conteúdos da fé é essencial para se dar o próprio assentimento, aderir plenamente com a inteligência e a vontade”.

Entre os principais meios, para se chegar a esse conhecimento da fé, o Papa cita:

Os textos deixados em herança pelo Concílio Vaticano II, “É necessário fazê-los ler de forma que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificativos e normativos do Magistério. ” Bento XVI fala fortemente sobre a importância do Concílio Vaticano II: “Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça que beneficiou a Igreja no século XX. Nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa”.

E também o Catecismo da Igreja Católica. Bento XVI considera-o como “subsídio precioso e indispensável. Nele, de fato, sobressai a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e ofereceu durante os seus dois mil anos de história. Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária. Ali se apresenta não uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que vive na Igreja”.

Devemos recorrer constantemente a esse documento, em nossas catequeses, em grupos de estudo e pastorais, como também na formação pessoal.

Ainda, salienta o Papa que, sobretudo, o Ano da Fé é um “repassar a história da nossa fé” para “tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor”. Este, com certeza será uma período de celebrarmos a nossas certezas e princípios, firmar valores para descobrirmos cada vez mais a felicidade e a honra de estar na única e verdadeira Igreja de Cristo.

Entremos portanto, pela Porta da Fé.

Deus abençoe!

O místico e o mágico

Muitas vezes na nossa espiritualidade confundimos o que é a mística com magia.

Em alguns casos queremos que Deus resolva tudo como na mágica, ou seja, que venha um poder fora do contexto natural e aja sobre uma situação desfavorável. Ou então, esse conceito, da intervenção imediata e transformadora, aplica-se também ao que conhecemos como sorte, pedimos para estar no local exato, no tempo correto, para que algo esplendoroso aconteça e nos remeta a uma mudança de destino.

O risco é interpretarmos tudo isso como sendo a mística intervenção de Deus. Nossos sentimentos nos traem acabamos por agir como crianças birrentas diante do Senhor. Se todos os nossos anseios tivessem resoluções mágicas não haveria o crescimento da pessoa, somente a sua vontade sendo feita.

Já, a mística é iniciativa do Senhor, vem Dele, o homem apenas intui pelos seus sentidos e responde em abrir-se ou não aquele desígnio de Deus. É o caso dos dons espirituais, das revelações particulares (como a Sta Faustina) que Deus transmite a um ser humano, da vocação de cada um e até mesmo de alguns sofrimentos e tempos de prova.

Ser uma pessoa envolvida pela mística é viver na dependência total de Deus, confiando na divina providência, principalmente nos casos desfavoráveis, mesmo não enxergando um propósito para aquela cruz, trazendo a esperança, pois vê que o tempo desfavorável é necessário para um bem maior, para si ou para o próximo.

Deus Se comunica conosco, nas horas alegres e nas horas tristes e fala até mesmo no silêncio de um deserto espiritual. Interpreta os sinais do Céu sem ser espiritualoide – Sabe distinguir entre as lutas e responsabilidades humanas e do plano espiritual.

O místico é intimo do Altíssimo. Vive atento a linguagem de Deus.

Tenha Jesus como seu amigo, queira criar um vínculo com Ele. Não vá até Ele somente para falar das suas dores ou Lhe fazer pedidos. Fale a Ele sobre tudo o que está no seu interior, inclusive suas alegrias e vitórias. Converse com o Senhor como conversa com alguém que está ao seu lado. Alías, Ele realmente está.

Procure com afinco, ter momentos a sós entre você e Ele.

Isso é ser místico.

Deus abençoe!

Persistência ou teimosia. Qual a diferença?

É fácil identificar o teimoso e o persistente. O teimoso é rebelde e intransigente com sua autoridade, faz tudo contrário ao que lhe é pedido. O persistente acata ordens, age com humildade e deixa que ao tempo de Deus as coisas se resolvam, não o faz por obediência cega e desinteligente, mas porque tem esperança, acredita que a verdade prevalesce sempre.

Realmente não é fácil, no momento, se dobrar a uma direção que parece absurda e infundada, que satisfaz somente o bel prazer de quem detém o poder e a última palavra.

Porém, a teimosia leva a inconstância, já persistência gera constância e solidez nos propósitos que trazemos no coração. Se você tem razão, se o que faz verdadeiramente é de qualidade, uma hora será justificado.

Temos no dia de hoje um grande símbolo dos frutos da persistência. São Francisco de Assis, que corrigiu os erros de muitos religiosos da sua época, não por força de argumentos ou de acusações aos outros. Essa sua convicção do que deveria ser mudado, foi combustível primeiramente do seu próprio lema de vida, daí então seu testemunho ser o maior demonstrativo de que se deveria urgentemente, rever-se muitos conceitos aplicados na Igreja daquele século.

Podeira São Francisco ter virado as costas para a Igreja Católica e fundar sua própria, como fazem tantas pessoas hoje em dia. Se assim procedesse, ele não estaria acatando o pedido do Senhor “Francisco! Reconstroi a minha Igreja”.

Uma frase inspirada do saudoso Papa João Paulo II dizia:A Igreja não precisa de reformadores, precisa de santos”.

Possamos nós também, mesmo que vivendo injustiça ou simplesmente o não reconhecimento do que trazemos de bom, sermos fiéis ao que Deus nos pediu, mas que para ter ainda mais a benção do Altíssimo, agirmos com a nossa persistência, no seu casamento, ministério, profissional ou onde necessitar.

Acredite que sua intuição a um fato ou seu talento terá mérito um dia.

Contudo, seja persistênte e não teimoso.

São Francisco de Assis, rogai por nós!

Deus abençoe!

Sua família precisa de salvação?

Nos evangelhos de Mateus e de Lucas, a família – árvore genealógica – de Jesus aparece, em forma ascendente e no outro decesdente (o primeiro “Mt 1″ parte de Abraão e vai até Jesus, o segundo “Lc 3″ parte de Jesus e volta a Abraão, Adão e Deus).

Assim nos mostra que, se sua família não te trouxe a Jesus, leve você, Jesus a eles.

Maria nasceu isenta de pecado também devido ao mérito da salvação de Jesus na cruz. Isso é um mistério. Para Deus não existe tempo, Ele pode usar um ato de redenção do futuro, já no presente ou passado, inclusive para nossos familiares.

Tanto em forma ascendente ou descendente, o Cristo quer entrar na sua família.

Se há alguma maldição, tendência a pecado ou vício, que vem passando de geração em geração, em você esse mal pode ser interrompido, pois, você foi escolhido pelo Mestre para levar a Pessoa Dele aos seus. Ele é cura e libertação.

Falta de amor, de valores e de moral, tudo isso pode ser cancelado quando assumimos a Pessoa de Jesus em nós e repassamos através do perdão, misericórdia e concórdia. Devemos nos antecipar em amar, mesmo quando os nossos parentes demonstram não merecer.

Na Eucaristia encontramos essa força, buscamos em Jesus e nos transformamos Nele, ainda que limitado pela nossa humanidade. Mas, é esse Jesus que você comunga que pode salvar sua família.

Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e tua família” (At 16, 31)

Deus abençoe!

Exaltação da Sta Cruz – Quanto pesa a sua cruz?

Antigamente a cruz era um grande símbolo de vergonha e morte, instituída como objeto de tortura para criminosos. Por este suplício, a pessoa condenada além de pagar por seu crime com a própria vida, ainda sofria a humilhação de estar à vista de todos como exemplo de escória da humanidade, para que seu castigo servisse de intimidação as demais pessoas e súditos de um reinado.

Os crucificados eram postos às margens das estradas de acesso as cidades ou lugares públicos, locais em que transitava muita gente. Isso, exatamente para que, enquanto esperassem a morte, ainda ouvissem dos transeuntes, todo tipo de injúrias e malediscência a seu respeito.

Antes de desfalecer, a pessoa cravada numa cruz, podia viver essa condição durante alguns dias. Era abandonada a dor física, a debilidade pela falta de nutrientes (água e comida), ao escarnio e a dificuldade em respirar, pois, a posição do corpo preso a cruz, obrigava o crucificado a erguer-se sobre o apoio dos pés, também atravessados por um cravo, e então tornar possível o enchimento de ar pelos pulmões, o que geralmente ocasionava em morte por asfixia.

Em alguns casos, lhes quebravam as pernas para antecipar a morte.

Tudo isso, tornava a penalidade da cruz, uma das piores formas de tortura de todos os tempos.

Dentro do império de Roma, decretar essa sentença de condenação para um criminoso, era algo permitido somente aos romanos, nem mesmo as autoridades de países por eles conquistados, poderiam condenar alguém a cruz. “Disse, então, Pilatos (cidadão romano): Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo vossa lei. Responderam-lhe os judeus: Não nos é permitido matar ninguém” (cf. Jo 18, 31).

Assim os romanos procediam contra quem se opusesse ao seu domínio e império, ou então, aos que fossem responsáveis pelos crimes mais hediondos e bárbaros.

Podemos então perceber como o objeto da cruz era abominado pelas pessoas. Sinal de tudo o que é horrendo e não desejado, símbolo que representava o sofrimento e a vergonha.

Porém, um Homem mudou essa história. Fez da cruz, objeto de redenção e ressurreição. Aliás, é típico desse Homem, tomar tudo aquilo que a humanidade desconsidera e usar para obtenção do bem e do amor. “Eis que renovo todas as coisas” (cf. Ap). Jesus escolheu este que era um dos piores exemplos de sofrimento no seu tempo, para trazer a salvação e redenção, e mostrar que depois que Ele o assumiu, todo fardo, toda cruz, com Ele torna-se necessário e suportável. “Se, pois, somos atribulados, é para vossa consolação e salvação” (cf. II Cor 1, 6). A cruz é a ponte entre a agrura do presente e a vitória que nos aguarda.

E junto a trajetória histórica da cruz devemos aprender que a visão do sofrimento deve sair da atmosfera da dor e adentrar a atmosfera do aprendizado para então chegar a dimensão da ressurreição.

Toda cicatriz remete a uma memória, é a marca da ferida fechada, mas, de nada valerá ter suportado um desconfortável processo de cicatrização, se este não nos servir de escola. “não corra!; olhe para os dois lados!;seja mais prudente de agora em diante!; não se envolva com más companhias! Vá por outro caminho!.

A cruz já é prefigurada no antigo testamento como objeto de salvação.

Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um POSTE. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida” (cf. Nm 21, 9).

Também, “Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem” (cf. Ez 9, 1-7). O TAU é a mais antiga grafia da cruz e nesta passagem, a que menciona explicitamente sua forma (cruz) já no Antigo Testamento.

Todos nós, inclusive aqueles que não vivem segundo o Cristo, carregam sua cruz diária. Neste mundo ninguém está isento de sofrimento, também os não cristãos sofrem, vivemos num mundo corruptível, passível de fatalidades e desacertos. Mas o cristão pode dar um sentido, extrair o bem e o amor de suas desventuras. Na docilidade de seguir a Jesus, transcendemos a dor em ressurreição “os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rm 8, 18).

Aquele que assume sua cruz, aprende a despertar um certo sentimento de honra e alegria por ter sido escolhido pelo céu para completar na sua carne as tribulções vividas pelo Cristo “O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Cl 1, 24). Parece loucura, mas a prática esportiva nos dá uma idéia do que é isso, pois apesar do cansaço físico, a atividade corporal libera substâncias na corrente sanguínea que fornecem uma sensação prazerosa. Se o exercício proporciona isto ao corpo, porque então, o Espírito Santo não pode iluminar e trazer a expectativa de crescimento e fortaleza numa alma quando assume por amor um sacrifício?

E quando o peso da cruz estiver grande demais, se achegue perto do mestre “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (cf. Mt 11, 28).

A Igreja recomenda que iniciemos nossas atividades, orações, sacramentos e tudo o que tem valor de sacramental com o sinal da cruz de Jesus, invocando a Santíssima Trindade. “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (cf. Catecismo da Igreja Católica, art. n 1668).

Devemos por tudo isso, ter a confiança de que, onde enxergavamos somente à desgraça, o desamparo e desespero de nossa cruz diária, com Jesus, ela nos trará a santidade, fará com que sejamos pessoas melhores, amplamente mais fortes, preparadas para grandes desafios, pois, Ele nos ensinou que depois da cruz vem a ressurreição.

O livro Imitação de Cristo, traz “Se levares a cruz de boa vontade, ela te há de levar e conduzir ao termo desejado, onde acaba o sofrimento, posto que não seja neste mundo. Se a levares de má vontade, aumentas-lhe o peso e o fardo maior te impões; contudo é forçoso que a leves. Se rejeitares uma cruz, sem dúvida acharás outra, talvez mais pesada.” (Lv. Imitação de Cristo, n.5, Cap.12 – Da estrada real da santa cruz).

Isso tudo não significa que é necessário ir buscar a cruz. Ela virá na hora certa, com os efeitos próprios do que precisamos “A cada dia basta o seu cuidado” (cf. Mt 6, 34).

Não tenhamos medo de nenhum sofrimento, pois, Deus não exige além do que possamos resistir. “Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suporta-la e sairdes dela” (cf. I Cor 10, 13).

Com o Cristo Ressuscitado, tudo o que era ruim se transforma em bem, ainda que seja o mais difícil objeto de sacrifício.

O dia da Exaltação da Santa Cruz é isso, tempo de reflexão para rezar com os fatos pesarosos de agora e retomar propósitos de santidade. Também dimensionar, quais os frutos que foram produzidos com a matéria prima de nossos sofrimentos? E  principalmente acreditar que a vitória chegará.

Não tenha medo! Talvez somente através da sua cruz, é que seja possível configurar e tornar viavel as virtudes que estamos precisando.

Depois da via dolorosa o caminho se ramifica em possibilidades. É o resultado da tempera forjada em você.

Santo dia de Exaltação da Santa Cruz!

Deus o abençoe!

Sandro Ap. Arquejada-Missionário Canção Nova

blog.cancaonova.com/sandro – sandroarq@geracaophn.com

O ipê destituiu-se de sua beleza para reverenciar a caminhada de um filho de Deus.

Quando o Senhor nos pede para iniciar uma jornada, Ele providencia e cuida até dos mínimos detalhes para chegarmos onde devemos chegar, e revela maravilhosas surpresas no trajeto.

Porque elas querem estar com eles e eles querem ir jogar futebol?

Para responder a essa pergunta temos que ir lá nas bases da consciência de cada sexo para enterdermos o que fundamenta os sentimentos e o entendimento de homens e mulheres, a forma de manifestar o amor, a impressão que cada um tem dos conceitos e vivência do que é essa capacidade humana, e de como pensam e reagem nos relacionamentos.

Desde a época das cavernas, o cerébro de homens e mulheres tem sido condicionados a desenvolver diferentes percepções.

O homem saía para caçar, o que lhe trouxe maiores aptidões em áreas especificas para cumprir esse seu ofício, como: um maior senso de direção (localização, orientação, posicionamento), também de foco em um alvo (a presa), ainda agilidade e força física. Todas habilidades para caça.

Enquanto que, a mulher cuidava da caverna. Então, também lhe foram sendo moldadas caracteristícas para tal, como: uma visão mais periférica, uma apurada percepção e sensibilidade (tudo isso para, desempenhar as funções que lhe eram próprias, por exemplo: ter multiplas atividades ao mesmo tempo: elas precisavam cuidar de manter o fogo aceso e das crianças, também em interpretar as necessidades de uma criança quando essa ainda não sabe se comunicar).

Então, para o ser masculino, tudo é foco, alvo. Tendência a tornar tudo prático.

No ser feminino, isso gerou a capacidade de interiorização. Buscar o significado dos gestos. Emoção.

O cérebro feminino formou-se com um maior número de conexões entre as células nervosas. Os hemisférios direito e esquerdo trocam mais informações que no cérebro masculino, que trabalha de forma mais compartimentada.

Isso equivale dizer que, para os homens é mais fácil dividir e viver os vários assuntos, temas e situações que os envolvem, de maneira separada. Se existe uma crise na àrea afetiva, eles tendem a não deixar aquilo afetar no seu trabalho, no seu círculo de amizades e nos outros aspectos da sua vida. Existe o foco do problema.

Já as mulheres, quando vivem um problema no trabalho, podem continuar vivendo-o em casa, no relacionamento com o esposo ou namorado, na vida financeira e etc. Transmitem tudo à toda extensão de sua vida.

Neles, cada acontecimento, cada evento tem um sentido único – Foco.

Nelas, cada ação pode significar muita coisa – Conexão.

O cérebro masculino é voltado para a compreensão, enquanto o feminino para a empatia.

Tudo isso, programou á vocação feminina de amar entranhado. Quem acompanha este blog, já viu em outros artigos, que o amor feminino se faz de forma que quer reter para si, é entranhado. “o amor materno é feito de acolhida e de ternura; é um amor visceral; parte das profundas fibras do ser da mãe, onde a criatura se formou, e ali enraíza toda a sua pessoa, fazendo-a ‘estremecer de compaixão” segundo Cantalamessa, pregador oficial da Casa Pontifícia.

Ainda teus desejos te arrastarão para teu marido” (Gn 3, 16), justificando a tendência de querer trazer para perto também o conjugê.

E, na vocação masculina, o estímulo “O amor paterno é feito de estímulo e solicitude”, e ação (proceder, fazer, transformar pelo próprio esforço) “Tirarás dela (terra) com trabalhos penosos o teu sustento” (Gn 3, 17).

Quando um casal vive uma discordância quanto ao assunto que propomos no tema, é claro que não é só uma questão de preferências de como aproveitar o tempo. Antes, é muito mais uma posição quanto as necessidades de cada sexo.

Para o homem, o fato dele sair para jogar bola, academia, um hobbie, ainda estar um pouco com os amigos (pode colocar no pacote – o assistir ao futebol, o churrasco. Relacionamento em grupo masculino, pois entre eles, os assuntos se fazem de forma a desprender COMPREENSÃO pergunta e resposta direta, prática, e não entrelinhas). Enfim, ter um tempo para ele, não significa que ele não ama à sua namorada ou esposa. Pois, não estar com ela naquele momento não significa trocá-la por outra opção. Na cabeça dele, ele separou para seu dia, em suas responsibilidades e compromissos, para suas necessidades, um momento para cada coisa, inclusive para namorar. Para ele, o interesse em reservar o tempo e o ambiente para estar com ela é prova de amor e exclusividade.

Também que, seu ser caçador, que busca estímulo, movimento e desprender esforço, necessita usar essa energia interior, ainda que não necessariamente em movimento corporal, mas em alguma atividade que sacie o instinto masculino – exemplo: algo que o desafie, que produza efeito, resultado.

O conjunto de todo o “ser homem” anseia por investir em momentos assim.

Para a mulher, amar significa estarem juntos, fazer as coisas juntos, afinal, ela entrou no relacionamento para estar com alguém, para criar EMPATIA. É mister que ela se sinta parte do mundo dele e possa interagir. Para ela, é prova de amor a presença dele nas situações diversas.

O ser sensível e perceptivo feminino necessita de colaboração, participação, de conversar, trocar idéias, ir além da simples aparência e senso prático das coisas, aliás, sempre existe mesmo algo nas entrelinhas dos fatos que avança o terreno do prático, onde o masculino tende a deter-se.

Seu pensamento (feminino) que conecta todas as coisas, interpreta o fato dele querer sair para jogar futebol (+ pacote), como um alerta para o relacionamento. “Algo está errado, pois ele não quer estar comigo!“, elas não apartam um fato de outro. Também que, nelas, a necessidade gerada pelo seu ser é de uma grande vocação em trazer para perto, por vezes, sentir a presença física do namorado, noivo ou esposo.

É claro, que não estamos falando aqui de casos que ele sai muito frequentemente, e quase não dá atenção para ela ou quando ela não permite que ele nunca faça o que goste. Isso é mesmo desleixo e desequilibrio! Digo aqui, sobre as situações em que é gerado um mal estar, um conflito entre pessoas que estão vivendo uma adaptação – início de namoro ou casamento, uma nova fase, uma nova experiência com a pessoa amada (talvez em seu antigo namoro ou ritmo de vida não o tenha colocado diante de situações assim).

Então, tudo bem! Chegamos a um entendimento do que ocorre e como interpretamos os fatos. Mas, o que fazer á partir de agora, pois, continuaremos com as mesmas tendências primitivas dentro de nós.

Bom, quando duas pessoas se relacionam com o intuito de viver uma vida a dois, tudo deve ser colocado para tal direção.

Não existe uma formula ideal, mas ambos devem saber que a vocação maior é de constituirem uma família, que requer união, vínculo e responsabilidades uns com os outros (já incluo aqui os filhos, que é um dos propósitos do matrimônio). Que a caminhada, deverá fazer com que homem e mulher, tenham cada vez mais proximidade e intimidade.

Ele tente compreender mais e se interessar pelas necessidades específicas da sua parceira, qual o nível e o grau de interação e aprofundamento que ela necessita. Da mesma forma, ela perceba quais os anseios e intensidade de experiências e movimento que ele precisa.

À partir da visão da beleza do outro, o que é o geral do sexo oposto e a individualidade de quem se ama, podemos direcionar melhor nossos esforços e nos alegrar com a concórdia. O sacrifício, o fazer pela felicidade de quem amamos, traz sentido ao coração, desde que, não venha a tolher o que somos. Acredita, existe um ponto ideal.

Deus abençoe!


Não se canse de perseguir o tesouro

Existe uma altura da caminhada que o cansaço pelas injustiças sofridas, pelas demoras, aliado a impressão de nada dar certo e de que nossos esforços parecem inúteis, desperta em nós a tentação de desistir e abandonar tudo.

Nessa hora, pensamos em deixar de lado os propósitos para com Deus e viver uma vida simples, sem as aspirações maiores que Deus nos despertou um dia.

Dá vontade de ir atrás do jovem rico, continuar numa vida de retidão sem a severidade de seguir Jesus, de tão perto, afinal a adesão ao Mestre é exigente demais e na atual conjuntura duvidamos das forças existentes em nós.

Cuidado! O inimigo de Deus sabe que a humilhação é uma das mais difíceis vias de santificação e de alcançarmos o projeto de Deus. Nem mesmo ele (Satanás) aceitou humilhar-se, mas se usa, e muito, dessa estrada, para tentar perder os escolhidos do Senhor. Por vezes, não enxergamos a ação maligna em nosso ânimo porque é feita de forma sutil e valendo-se das falhas e fraquezas humanas em nosso meio. Como por exemplo: Uma pessoa da família que não concorda com o Evangelho, um superior que nos persegue, uma fatalidade que estamos sujeitos, o não reconhecimento de seus bons atributos.

Não estou dizendo com isso que as pessoas e as coisas que nos cercam estão endemoniadas, não! Mas quero esclarecer que, é a nossa alma e o pensamento, nossa visão das coisas que estão sendo bombardeadas por essa concepção.

O momento de sentimento de incapacidade ou confusão não significa que estamos no caminho errado.

Firme-se nas palavras que Deus lhe disse anteriormente. Há certezas dentro de nós que não mudam, estão plantadas firmemente no coração, porque vieram da boca do Altissímo, daí a força transformadora, a vida e verdade existente nessas palavras.

Deus provê as nossas necessidades, mas, não segundo nossas medidas.

Por mais que seja difícil, não abandone o Senhor agora, você está mais próximo da vitória do que quando iniciou. Não se renda as artimanhas do inimigo.

Não tenha medo de continuar trocando seus bens, distribuindo-os aos pobres e recebendo o que o jovem rico procurava, mas que nem sabia dizer ao certo o que era.

Deus já te revelou qual o seu bem maior, o seu verdadeiro tesouro.

Continue correndo atrás da sua felicidade. Duvido que você seja feliz com menos que o “tudo” que Jesus tem para você.

Deus abençoe!

Deus exaltou os humildes” (Lc 1, 53).

Que tal começar tudo pela Palavra de Deus?

Jesus é o motivo de todas as coisas existirem. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1, 3).

Cristo é o Senhor, e tudo Lhe está submetido, tanto o mundo material quanto o angélico, “para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos” (Fl 2, 10), também toda matéria e forma, viva ou inanimada, estão sob Seu olhar. “Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4, 12-13).

Jesus veio revelar também, ser Ele o Verbo Encarnado do Pai, a Palavra criadora (cf. Jo 1, 14). Palavra que quis colocar-Se em meio a nós, perpassando e agindo em nossas realidades: “a palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” ( Is 55, 11).

A Palavra de Deus rege todas as coisas.

Se então, a Palavra pode trazer essa eficácia, porque nos privamos de nos orientar por ela quando vamos empreender em algo?

Queira ser um agente que propaga a Sagrada Escritura. A força e a Sabedoria ali contidas provém da boca do Senhor e não de nós. Deus não A deixará cair no descrédito. É do interesse divino que a Bíblia transmita Seus efeitos onde quer que ela seja colocada em prática e proferida, ainda que seja através de nós, servos fracos e sujeitos ao pecado.

Podemos contar sempre com os efeitos da vontade de Jesus em nossas iniciativas. Leve sempre a Bíblia onde for.

Comece tudo o que for fazer com a oração de um trecho bíblico, como um salmo por exemplo. Ao acordar, antes de pegar o trânsito, antes de iniciar um trabalho ou ministério, leia um versículo, busque uma passagem relacionada com a situação que você esteja vivendo. Com certeza, Deus te falará, pois Ele quer participar de sua vida.

Destaque textos da Sagrada Escritura e cole em lugares por onde for passar, na cabeceira da cama, no interior do carro, na porta da geladeira, nos cadernos e nos aparelhos de seu trabalho. Se, por vezes enfeitamos nossos pertences com diversos dizeres, frases de efeito, figurinhas e personagens, porque não fixar também ali a Palavra de Deus? Aproveite para ler rezando toda vez que visualizar estes.

Não se trata de separar textos que mais nos agradam e vivê-los isoladamente. Queira com essa prática, aprender a amar a Palavra de Deus para ser Evangelho vivo, comungando-O na sua totalidade. Essa sugestão é uma maneira de memorizar trechos ou inspirar-se num lema para vida ou tempo presente.

Viver conforme a Palavra de Deus, configura-nos segundo a Pessoa de Jesus, Verbo Eterno, de forma que, estaremos permitindo que Sua voz tenha poder sobre todo o nosso ser, “Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração”(Hb 4, 12). Assim, também será com nossas ações e sobre o que elas desencadeiam, suas consequências e resultados.

Estas passarão a ter uma eficiência, tal como o coração de Deus quer imprimir nas situações em que colocamos A Palavra de Deus em prática, segundo os designios divinos e não somente para o alcançe que imaginamos num primeiro momento.

Todas as realidades contidas na Pessoa da Palavra, se farão favoráveis em nossa vida, mesmo quando não entendermos o porquê de um fato estar acontecendo daquela maneira. No final, testemunharemos que tudo concorrerá para um bem maior, pois o Altissímo quer sempre o melhor para nós, como afirma a Bíblia “tudo contribui para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8, 28).

Começar pela Palavra, também é colocar Jesus em primeiro lugar.

Antes de qualquer tarefa, vem a palavra verdadeira” (Eclo 37, 20).

Deus abençoe!

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