Filmes como Senhor dos Anéis e As crônicas de Nárnia são usados para catequizar os jovens

por Renata Cabral (Revista IstoÉ)

Wellington Cerqueira/Ag. ISTO É; Fabrizia G

NO ESCURINHO DA IGREJA “Em vez de partir da Bíblia para o cotidiano, faço o contrário”, diz o padre Paulo Dea, que lança mão de filmes nas aulas

SESSÃO PIPOCA Grupo jovem do Rio: ética religiosa em discussão

Foi-se o tempo em que um encontro de catequese se resumia a uma aula baseada na Bíblia e em livros didáticos. Para atrair a atenção dos jovens, acostumados com o dinamismo das novas mídias, vale até usar o bruxinho Harry Potter – protagonista da série exibida nas aulas. Outros filmes, como Senhor dos Anéis e A bússola de ouro, já condenados por católicos e protestantes pelo conteúdo “ocultista”, entram no discurso religioso como aliados no processo de aprendizado da chamada moral cristã. “Esses filmes serão vistos de qualquer forma fora da Igreja. É melhor que nós façamos os contrapontos”, defende o padre Luiz Alves de Lima, assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O sobrenatural é contrário aos princípios da Igreja, mas, em vez de criticar as obras cinematográficas que o retratam, os catequistas utilizam esses filmes para expor as contradições humanas e ilustrar os ensinamentos bíblicos. “Funciona bem melhor do que atiçar a curiosidade dos jovens com a proibição”, acredita o teólogo e escritor paulista Sérgio Fernandes. O padre Paulo Dalla Dea, teólogo e pároco da Diocese de São Carlos, no interior de São Paulo, encontrou em filmes como Homem- Aranha 3 uma oportunidade para falar de ética. Já na trilogia Senhor dos Anéis percebeu uma referência à retirada dos hebreus do Egito por Moisés, numa cena de perseguição em que as águas eliminam cavaleiros do mal. Em As crônicas de Nárnia: o leão, a feiticeira e o guarda-roupa, o leão Aslan é a metáfora perfeita de Jesus Cristo, com direito a sacrifício e ressurreição no final. “Em vez de partir da Bíblia para o cotidiano, faço o contrário. Proponho filmes que eles já assistiram para falar de aspectos que talvez não tenham percebido”, diz o padre.
Para a coordenadora do grupo jovem da Igreja do Sagrado Coração de Jesus do Méier, no Rio de Janeiro, Érica de Holanda, obras que permitem explorar a ética religiosa ajudam a ilustrar a teoria das aulas. “A identificação com os dilemas expostos na tela gera bons questionamentos”, diz ela, que já promoveu debates a partir de obras como Corrente do bem, Todo-poderoso e Paixão de Cristo. Além do cinema, letras de músicas e internet também são utilizados na catequese. Os métodos são aprovados pelos jovens, como a estudante Marina Cid, 15 anos. “Os encontros se tornaram menos cansativos”, diz ela. Na opinião do professor de matemática e catequista Fábio Lagoeiro, de São Carlos, a mudança traz benefícios percebidos no dia-a-dia. “A participação dos alunos melhorou muito, assim como o espírito crítico”, afirma.
O padre Paulo Ricardo, reitor do seminário de Cuiabá, em Mato Grosso, e membro do Conselho Internacional de Catequese, é um dos religiosos antenados com os novos tempos. Tem um site pessoal na internet e conta com vídeos no You- Tube gravados para o canal de tevê a cabo católico Canção Nova para aulas em que analisa os dilemas existenciais dos personagens de Senhor dos Anéis. “Há um conteúdo rico sobre a vitória do bem contra o mal que pode ser explorado”, diz, ressaltando que o mito, a literatura e a fantasia fazem parte do processo de assimilação do evangelho. Na opinião dele, os representantes mais conservadores da Igreja fazem críticas superficiais à utilização de filmes na evangelização.
Embora bem-sucedida, a inclusão de recursos da mídia na catequese ainda é iniciativa isolada. “O processo de adaptação às novas linguagens está sendo lento”, admite o padre Luiz Alves de Lima, da CNBB. Mas pode ser uma trilha a ser seguida no futuro, sobretudo uma forma de aproximar o jovem do catolicismo: “A Igreja que não se moderniza morre. É preciso manter os princípios, mas perceber que o mundo muda”, diz Israel Néri, presidente da Sociedade de Catequetas Latino-Americanos.

Da esquerda para direita:

Paixão de Cristo
Apesar da violência excessiva, ilustra o sofrimento de Jesus Cristo, que é a materialização de um dos ensinamentos recebidos pelos jovens na catequese

Harry Potter
Os conflitos que, no filme, são resolvidos com a magia são transpostos para a vida real, para fazer os jovens católicos refletirem sobre como lidar com problemas

As Crônicas de Nárnia
As referências bíblicas da obra são utilizadas para trazer à tona temas como pecado e redenção. O leão Aslan representa Jesus, com sacrifício e ressurreição

A Bússola de ouro
Embora tenha sido acusado pela Liga Católica americana de promover o ateísmo, discute a verdadeira figura de Deus e sua relação com os homens

Senhor dos anéis
O embate do bem contra o mal e os dilemas de Frodo (foto) são os principais pontos de análise. Tem valores católicos como bondade, simplicidade e fé nos outros

As histórias em quadrinhos não são maniqueístas, o herói podia acabar com o vilão na hora que bem quisesse, mas ele alimenta a esperança de redenção e justiça.

por Nataniel Gomes

Hollywood já descobriu há muito tempo que as histórias em quadrinhos têm um público fiel de ardorosos fãs e um potencial cinematográfico fantástico. Quem não se lembra, por exemplo, dos verdadeiros blockbusters baseados em quadrinhos comoSuperman, com Christopher Reeve, e Batman, estrelado por Michael Keaton? Recentemente, o público pôde ver nos cinemas as trilogias do Homem-Aranha e dos X-men, os dois filmes doQuarteto FantásticoHulkO JusticeiroA volta do Superman,Homem de FerroDemolidorMotoqueiro-Fantasma… Além de mais um filme do homem-morcego e um solo de Wolverine. Mas o que isso tem a ver com o Cristianismo? Muito. Afinal de contas, o ponto em comum de todos esses filmes é a eterna luta entre o Bem e o Mal, protagonizada desde o início dos tempos entre as hostes celestiais e as forças das trevas. Na verdade, as histórias em quadrinhos não são maniqueístas, o herói podia acabar com o vilão na hora que bem quisesse, mas ele alimenta a esperança de redenção e justiça. Desde a década de 1960, quando começaram a surgir num contexto de profundas transformações sociais e comportamentais, essas histórias trouxeram personagens cheios de contradições como qualquer ser humano, com suas angústias e desafios. Vejamos alguns casos recentes que o cinema retratou:

Homem de Ferro – Tony Stark é um multimilionário da indústria armamentista que se torna vítima das próprias armas que constrói e vende pelo mundo. Quando isso acontece, descobre que precisa mudar de vida e assume seu papel na luta contra a violência. Torna-se um mocinho, mas, a exemplo de Paulo, tem o seu “espinho na carne” – ferido em um atentado, precisa ficar constantemente ligado a um aparelho que o mantém vivo. E ainda enfrenta as constantes tentações do álcool e das mulheres.

X-Men – Os protagonistas são seres humanos que nasceram diferentes dos demais. Por isso, são perseguidos e discriminados como se fossem animais. Surgem então dois caminhos para os mutantes: ajudar a humanidade, como propõe Charles Xavier, o líder dos X-Men, ou simplesmente exterminar o homo sapiens, a sugestão de Magneto. As analogias estão ligadas ao momento de criação dos personagens. Charles Xavier representa o ministro batista e defensor dos direitos humanos Martin Luther King Jr, e Magneto encarna o perfil de Malcolm X, ativista que defendia uma luta armada.

Demolidor – O jovem Mathew Murddock perde a visão em um acidente, mas consegue potencializar seus outros sentidos e se torna um advogado (afinal, a justiça é cega, mas ele vê o que ninguém consegue enxergar). Cristão praticante, ele se veste como um demônio para atemorizar os criminosos.

Quarteto Fantástico – Mostra um grupo de amigos que sofre os efeitos de uma tempestade cósmica e desenvolvem super-poderes: força, elasticidade, invisibilidade e transformação em fogo. Mesmo possuindo dons diferentes e necessários para salvar o mundo, eles vivem brigando entre si, como fazemos em nossas igrejas.

Superman – Enviado a este mundo por seu pai, ele é adotado por um casal, dedica sua vida a salvar pessoas e cumpre uma vocação para praticar o bem. Isso lembra alguma coisa? Embora criado por judeus, o personagem retrata a figura messiânica de Jesus de forma bela, certamente de maneira inconsciente. É por isso que o autor de Eclesiastes diz que Deus colocou a eternidade no coração do homem.

Por Sérgio Fernandes

Para quem já passa a semana em tensão, com tantos compromissos no trabalho e com os filhos, não há nada pior do que ter de ficar de castigo em um banco nos encontros de casais na paróquia nos finais de semana. Não há santo que tenha tamanha boa vontade para se submeter a tal condição, por devoção ou para agradar a mulher.

A idéia, então, é mudar o plano para o trabalho pastoral com os casais. É necessário oferecer a eles formas com diferentes dinâmicas, porém produtivas, que tornem a pastoral mais adequada ao seu ritmo. Quando um casal sai de casa para ir à igreja, busca algo que lhe faça bem, que lhe motive e lhe informe sobre sua fé e quais são as aplicações à sua vida. A proposta que apresento neste artigo é a de sair das salas de reuniões e organizar, uma vez no mês, a exibição de um bom filme. Isso mesmo! Não é queima de tempo, mas um filme bem escolhido renderá mais que muitas palavras.

Quero sugerir nesta edição três filmes, com temas que poderão ser aplicados à formação de casais. Confesso que há dificuldade na escolha dos títulos, mas não vamos fraquejar. Os coordenadores deverão assistir antecipadamente ao filme, para provocarem o debate. Informe no início sobre o conteúdo do filme (a sinopse, não o final) e fomente no grupo a atenção para a compreensão da mensagem da obra. E bom filme para todos!

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Um Amor Para Recordar (A Walk to Remember, Europa Filmes, 2002 – Drama)

Os jovens casais se identificarão facilmente com esta história. A produção é discreta e está vinculada a grupos cristãos norte-americanos – toda a trilha sonora é elencada por cantores cristãos, inclusive a cantora católica Rachael Lampa. Foi nesse filme que os cinemas descobriram o talento da jovem atriz Mandy Moore.
Resumo: Landon Carter (Shane West) é um rapaz sem metas, temperamental, irresponsável e que não tem fé, que foi punido por ter feito uma brincadeira de mau gosto a um rapaz, que fica paraplégico. Como punição, o diretor da escola faz com que ele participe na produção de uma peça de teatro, onde conhece Jamie Sullivan (Mandy Moore), a filha do pastor. Jamie é uma garota certinha que o ajuda a ensaiar para a peça com apenas uma condição: ele não se apaixonar por ela. Porém ambos se apaixonam, até que Jamie conta-lhe um segredo que mudará a vida dos dois.


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Orgulho e Preconceito (Pride & Prejudice, Focus Features, 2005 – Drama)

Este clássico romance da escritora britânica Jane Austen, publicado em 1813, teve diversas adaptações, esta indicação diz respeito à mais recente. As histórias de Jane retratam características sociais e comportamentais de sua época, quando os casamentos eram grandes negócios.
Resumo: As cinco irmãs Bennet foram criadas em condições humildes por uma mãe que tinha fixação em lhes encontrar maridos que garantissem seu futuro. Porém Elizabeth (Keira Knightley), a filha mais velha, é além de sua época e tem outras expectativas. Quando o sr. Bingley, um solteiro rico, passa a morar em uma mansão vizinha, as irmãs logo ficam agitadas. Uma das filhas consegue conquistar o coração do novo vizinho, enquanto que Elizabeth conhece o esnobe sr. Darcy (Matthew Macfadyen). Os jovens possuem perfis opostos que, em meio a conflitos, tornam uma grande paixão. O título da obra fala da forma como Darcy precisou superar seus preconceitos para aceitar a paixão por Elizabeth.

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Click (Click, Columbia Pictures, 2006 – Comédia)


Ao contrário do que pode parecer, esta não é mais uma daquelas comédias vazias que são periodicamente lançadas no cinema. O filme tem seu humor e até exagera no palavreado, mas a mensagem que apresenta o torna de profundo questionamento às famílias.
Resumo: Michael Newman (Adam Sandler) é um pai de família esforçado em oferecer melhores condições aos filhos, o que o torna ausente e muito envolvido com seu trabalho. Quando ganha um controle remoto universal de um vendedor misterioso, consegue o poder de mudar todas as situações que lhe são inconvenientes. Michael empolga-se com o aparelho e cria programações automáticas que trarão sérias conseqüências à sua vida e a de sua família.

Sérgio Fernandes é coordenador de marketing da Promocat Marketing de Serviços e escritor, com 14 títulos publicados para o público infanto-juvenil. Formado em Filosofia (Instituto Canção Nova), Desktop & Publishing (Escola Panamericana de Design) e graduando em Administração (Universidade Nove de Julho).
E-mail: marketing@promocat.com.br

Trailer

Sinopse
Baseado em romance de W. Somerset Maugham, o filme é uma história de amor ambientada nos anos 20. O jovem casal formado por Walter (Edward Norton), um bacteriologista de classe média, e pela jovem rica Kitty (Naomi Watts) se conhece em Londres. Após o casamento, mudam-se para Xangai, onde ele trabalha. Uma epidemia num pequeno povoado no interior da China faz com que o casal se mude para lá alguns meses depois. Na medida em que conhecem melhor a cultura local, descobrem mais sobre eles mesmos e o relacionamento.

Crítica (por Sérgio Fernandes)

Quando vi a divulgação do filme “O Despertar de uma Paixão”, confesso que não me interessei muito julgando ser mais um daqueles sobre adultério e recheado de cenas sensuais. Basta ver o início do trailer para que você também desconfie. Mas, realmente, a história impressiona.

Kitty é uma jovem mimada com o medo de ficar para titia e ansiosa para se livrar da pressão familiar. Ao conhecer Dr. Walter Fane surge a oportunidade de se livrar desses conflitos. O médico se apaixona a primeira vista por ela e propõe rapidamente o casamento, eles mal se conhecem, mas está próxima a sua viagem para a China e ele acredita que com o tempo ela poderia se apaixonar por ele.

Dr Fane é um cavalheiro, de coração puro e cheio de virtudes. Na primeira fase do relacionamento faz de tudo para agradar sua esposa. No entanto, Kitty é imatura e, movida pelos seus conflitos interiores, se envolve com outro homem, casado e conhecido do casal.

Esta produção é baseada em um livro e sabiamente não precisou explorar os fatos do adultério. É algo curto, mas, como o é de fato, com terríveis consequencias. Não assista o filme com crianças na sala, existem algumas cenas explícitas de nudez, poucas.

A China neste período vivia uma grande crise de saúde pública, com a cólera, e política, com as lutas civis nacionalistas contrárias à presença de estrangeiros no país. O filme capta belas imagens de paisagens rurais e expõe com arte este momento histórico. Prepare o estômago para as cenas fortes ligadas ao povo que sofria pela cólera.

A personagem Kitty nos cativa por ser humana, fraca – como todos somos. Em um diálogo com Waddington (amigo do casal no vilarejo), ela pergunta a ele sobre como sua esposa havia se aficionado tanto por ele. Waddington pergunta a esposa e ela diz que é por ele ser um bom homem. E Kitty dá uma resposta que nos ajuda a entender seus sentimentos: “Como se uma mulher amasse um homem por suas virtudes”.

Kitty teve a sorte de encontrar um homem virtuoso e apaixonado por ela, mas não se encantava por aquilo. Estava ainda movida por paixões da juventude, sentimentos adolescentes, e assim se envolveu afetivamente pelo proibido e pela fantasia.

Dr Fane descobre a traição, mas mesmo assim se esforça para que o casamento prossiga. Surge a necessidade de um médico em um vilarejo atacado pela cólera e ele se habilita propondo a Kitty que escolha entre ir com ele ou se divorciar. Ela tenta então ficar com seu amante, mas ele não aceita divorciar-se para ficar com ela. Na desilusão, Kitty vai com o marido para a missão no vilarejo.

A infelicidade persegue a jovem esposa, a dor da decepção e da traição lhe perseguem diante de um cenário de desolação, com pessoas morrendo de cólera. Dr Fane investe suas forças na ajuda àquele povo e torna-se indiferente à esposa.

O DESPERTAR surge “religiosamente” quando a madre superiora do orfanato do vilarejo convida Kitty a conhecer o local. Lá ela se impressiona com o trabalho de solidariedade das religiosas e da dedicação de seu marido no hospital.

Este filme tem muito a ensinar aos casais e namorados. A palavra perdão é forte e está presente em um dos últimos diálogos. Em uma relação conjugal as palavras PERDÃO e VERDADE caminham juntas. É comum para os jovens se interessarem muito mais pela fantasia, mas o próprio do tempo é perceber esta reconstrução. Kitty teve sua percepção de AMOR reconstruída. Percebeu a preciosidade de seu marido, descobriu nele as virtudes que realmente valem para uma relação sólida e verdadeira. Precisou se reconciliar com seu marido e consigo mesma. E quantos de nós precisamos disso… Quantos casais precisaram perdoar deslizes, fraquezas, fantasias…

Kitty procurou um AMOR com qualidades que não existiam. E quase que perdeu a chance de viver aquele grande amor.

Talvez hoje seja o dia de você redescobrir em seu lar este AMOR de verdade.

Ficha Técnica
Título Original: The Painted Veil
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 125 minutos
Ano de Lançamento (EUA / China): 2006
Site Oficial: www.thepaintedveilmovie.com
Estúdio: Bob Yari Productions / Class 5 Films / Warner China Film HG Corporation / The Mark Gordon Company / Emotion Pictures / Stratus Film Co. / WIP / The Colleton Company
Distribuição: Warner Independent Pictures / Imagem Filmes
Direção: John Curran
Roteiro: Ron Nyswaner, baseado em livro de W. Somerset Maugham
Produção: Sara Colleton, Jean François Fonlupt, Mark Gill, Han Sanping, Edward Norton, Naomi Watts e Bob Yari
Música: Alexandre Desplat
Fotografia: Stuart Dryburgh
Desenho de Produção: Juhua Tu
Direção de Arte: Peta Lawson
Figurino: Ruth Myers
Edição: Alexandre de Franceschi
Efeitos Especiais: Fuel International

Elenco
Edward Norton (Walter Fane)
Naomi Watts (Kitty Fane)
Liev Schreiber (Charlie Townsend)
Toby Jones (Waddington)
Diana Rigg (Madre Superiora)
Juliet Howland (Dorothy Townsend)
Anthony Wong Chau-Sang (Coronel Yu)
Maggie Steed (Sra. Garstin)
Lorraine Laurence (Irmã Maryse)
Li Feng (Sung Ching)
Gesang Meiduo (Amah)
Alan David (Sr. Garstin)
Lucy Voller (Doris Garstin)
Ian Rennick (Geoffrey Denison)
Henry Sylow (Walter Jr.)

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Às vezes eu pergunto a mim mesmo:“Mim mesmo, por que filmes como ‘O Senhor dos Anéis’, ‘O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa’ e, agora, ‘Príncipe Caspian’ são alguns dos melhores filmes já produzidos (na minha humilde opinião)?”

Bem, vejamos. Ótimas atuações? Confere. Efeitos especiais fantásticos? Confere. Trilha sonora incrível? Confere. Enredo cheio de emoção e suspense? Confere – e xeque-mate. Qualquer filme que consiga costurar esses elementos em um ambiente de fantasia maior do que a própria vida pode ficar com os meus suados R$11,00 da entrada do cinema a qualquer momento. Podem até ficar com os R$ 57,50 adicionais – ou qualquer que seja o preço agora – pelo ultra-mega-combo com o balde de pipoca mais o refrigerante tamanho colosso.

Mas, pensando direito a respeito disso, existe um outro elemento nesses filmes que simplesmente mexe muito comigo. Todos eles têm o que é chamado de um tema “messiânico” envolvido. Messiânico vindo de “messias” – que, essencialmente equivale a “Salvador” ou resgatador.

Pense em todos os filmes messiânicos por aí. Sim, Senhor dos Anéis e Nárnia – mas você também viu esse tema em Matrix (Neo é o escolhido!), Superman, Homem-Aranha, Batman, Homem de Ferro, olha só!, até mesmo o Johny Depp é um tipo de messias apesar do seu traje de pirata metrossexual e o seu permanente estado de consciência semichapado.

Mas eu acho que Nárnia fica com a maior parte do meu apreço porque C. S. Lewis não se propôs a escrever uma história sobre qualquer messias. Seu objetivo era ensinar as crianças sobre O Messias. Como você provavelmente já percebeu, Aslan é uma figura de Cristo. Em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa, nós vemos que Aslan é o Filho do Imperador de Além-Mar (poderíamos dizer Deus Pai?) – e Ele dá sua vida de livre vontade para pagar pelos pecados de Edmundo e quebrar o poder da magia negra.

Em Príncipe Caspian, Aslan está de volta – e dessa vez Ele nos mostra um quadro diferente e mais aprofundado de Jesus Cristo e de nós mesmos. Deixe eu mencionar algumas coisas para motivar você, pois pra mim essas coisas ajudam o filme a ser não apenas uma maneira divertida de passar algumas horas, mas a ser uma fonte de verdade espiritual que vai inspirar e motivar você por muito tempo!

Meu primeiro exemplo é este. Quando Lúcia encontra Aslan da primeira vez, ela comenta que ele parece muito maior. A resposta dele é esta:

“Não estou maior. Mas a cada ano que você cresce você vai me achar maior.”

Isso não é uma ilustração maravilhosa da vida cristã? Quando no início cremos em Cristo como nossa única esperança de salvação com a fé semelhante à de uma criança, vemos a Cristo como nosso Salvador e nosso amigo. Conforme crescemos em nossa caminhada com Ele, começamos a descobrir outros aspectos sobre Jesus que não nos havia ocorrido no princípio. Ele se torna Senhor e Rei de nossas vidas, e o vemos como o Apóstolo Paulo descreve em Colossenses 1,15-17:

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste.

Uau! Isso que é uma visão maior de Cristo – não é? O legal é que Ele sempre dominou e reinou sobre Sua criação, então não foi Cristo que ficou maior, mas a nossa perspectiva cresceu à medida que passamos a conhecê-lo através de Sua Palavra.

Minha outra passagem favorita de Príncipe Caspian é quando Aslan revela ao Príncipe que os seus ancestrais haviam sido piratas que foram trazidos a Nárnia por mágica.

Aslan: “Compreende isso, Rei Caspian?”

Caspian: “De fato compreendo, Senhor. Estava pensando que eu gostaria de ter vindo de uma linhagem mais honrosa.”

Aslan: “Você descende do Lorde Adão e da Lady Eva. E isso é honra o suficiente para erguer a cabeça do mendigo mais miserável, e também vergonha o suficiente para envergar os ombros do maior imperador da Terra. Fique satisfeito.”

Caspian se curvou em reverência.

Essa é uma imagem perfeita da atitude que devemos ter diariamente. Sim, nós devemos sentir orgulho por sermos seres humanos criados à própria imagem de Deus, mas também devemos nos lembrar de que foram nossos primeiros pais que plantaram as sementes de cada elemento maligno e destrutivo existente em nosso mundo hoje. Se nos orgulhamos demais, caímos facilmente em pecado. Se nos envergonhamos demais, perdemos de vista a vida maravilhosa que Deus planejou para nós.

Qual vida? Bom, para Caspian, era uma chance de reivindicar seu lugar de direito como o Rei de Nárnia. Para nós, é uma chance de reivindicarmos nosso mundo para o único e verdadeiro Rei dos reis – Jesus Cristo.

Que a aventura comece!

Cabeça: O que você precisa saber a respeito dessa verdade
Conforme crescemos em nossa fé, nossa percepção de Cristo crescerá também. Por causa disso, também teremos um melhor entendimento a respeito de sermos feitos à imagem de Deus, mas ainda conscientes de nosso estado pecaminoso. Por fim, nós temos um chamado muito semelhante ao de Príncipe Caspian em nossas vidas – reivindicar o mundo para o Rei dos reis!

Coração: O que você precisa sentir a respeito dessa verdade
Empolgado e vibrante com a idéia de cumprir a missão que Deus nos tem dado.

Mãos: O que você precisa fazer a respeito dessa verdade
Reivindicar o reinado e o domínio que são por direito de Cristo começa e termina com oração. Passe um tempo nessa semana orando para que o Reino de Deus avance em sua vida e na vida de todos aqueles com quem você se encontrar.

Por Lane Palmer

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Em dezembro de 2005, pudemos conhecer o fantástico mundo de “As Crônicas de Nárnia” apresentado pela Disney Pictures em parceria com a produtora Walden Media. Com todas as nuances de uma produção hollywoodiana, a história é uma das referências em efeitos especiais e segue a tendência desses tempos, de filmes ligados ao mundo da fantasia. Moda essa despontada com o sucesso da trilogia “O Senhor dos Anéis” e do atual sucesso do bruxinho “Harry Potter”.

Nesta concorrência acirrada do mundo cinematográfico, às vezes ficamos no meio do jogo, como ‘expectadores’ – no sentido concreto da palavra. Realmente, o que sempre move esse meio são sempre interesses de mercado e não ideológicos. Usar um bruxo ou um leão “cristão”, não faz diferença para os interesses dos investidores. Mas, mesmo assim, vale esclarecer alguns aspectos que estão por trás deste universo.

J. R. R. Tolkien, escritor da trilogia “O Senhor dos Anéis”, era católico praticante e esboçou elementos da filosofia e moral cristãs em suas histórias. Já C. S. Lewis, escritor da série “As Crônicas de Nárnia”, era seu grande amigo, mas de família anglicana. Com as decepções que teve na juventude, abandonou o Cristianismo e só retornou a partir de uma conversa que teve com Tolkien e outro amigo, T. S. Eliot. Anos depois escreveu “As Crônicas de Nárnia” contando com vários vínculos da teologia cristã.

A figura central da história, que aparece no momento certo para resolver e concluir as situações, é o leão Aslam. Ele possui todas as características de um ser divino e lembra muito Jesus Cristo – tanto que no livro “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupas” ele se entrega à morte pelo erro (pecado) de um menino e até ressuscita. Mas o Leão nunca resolve as coisas de forma simplista, ele intervém após a ação necessária de crianças, como é o caso dos irmãos Pevensie.

A série “As Crônicas de Nárnia” é composta por sete livros e a Disney anunciou a intenção de produzir todos, claro, desde que a bilheteria corresponda às expectativas da empresa.

No filme “Príncipe Caspian”, lançado recentemente, a história nos leva a refletir sobre a questão da apostasia – quando a sociedade abandona a fé em Deus. Nárnia está diferente do primeiro filme. O tempo segue a metáfora bíblica (2 Pedro) onde para os irmãos Pevensie passou-se um ano e em Nárnia passaram-se 1.300. As terras estão sombrias e dominadas por um rei usurpador, chamado Miraz. Desde que foi tomada pelo povo telmarino, os verdadeiros habitantes (animais falantes e seres mitológicos) estão escondidos na floresta, tratados como uma mentira do passado – vinculando aqui à forma como grupos ateus consideram ser a tradição de fé cristã uma mera história do passado. Os irmãos Pevensie regressam para ajudar o legítimo herdeiro, o Príncipe Caspian, a tomar o poder.

“As Crônicas de Nárnia” podem ser uma excelente ferramenta para a evangelização de crianças e adolescentes, se usadas de forma correta. Junte seu grupo e vá ao cinema, promova partilhas e explore ao máximo esta temática cristã presente no filme. Desenvolva entre o grupo a reflexão sobre a importância do testemunho diante da descrença e também, com a figura do encontro de Lúcia com Aslam no filme, configure a questão da pureza de coração em nossa relação com Deus. E muito mais poderá será descoberto e entendido ao ver o filme “Príncipe Caspian”. O apelo comercial e sua importância na indústria cinematográfica são uma premissa verdadeira e fazem parte do mundo em que vivemos. O senso crítico e poder analítico, também diante da tela, são grandes amigos.

Sérgio Fernandes é diretor da revista Paróquias & Casas Religiosas e escritor, com oito livros publicados para o público infantil e juvenil. E-mail: sergiofernandessp@gmail.com
Mais informações sobre “As Crônicas de Nárnia” veja em: www.mundonarnia.com

Recebi um e-mail de uma internauta pedindo que eu falasse sobre a série de filmes “James Bond”. Eis as minhas observações: 

Sobre James Bond:
Também conhecido pelo código 007, Bond é um agente secreto britânico fictício que trabalha no serviço de espionagem MI-6. Esta personagem, criada pelo escritor inglês Ian Fleming em 1953, foi primeiramente apresentado ao público em livros de bolso na década de 50 e logo tornou-se um sucesso de vendagem entre os britânicos. Em seguida tornou-se uma grande franquia no cinema, com vinte e um filmes desde 1962, sendo que o 22º está planejado para 2008. James Bond também apareceu em quadrinhos, videogames, e se tornou alvo de muitas paródias.

Os filmes de 007 foram produzidos inicialmente por Harry Saltzman e Albert Broccoli, detentores dos direitos cinematográficos de quase toda a obra já escrita por Ian Fleming e donos da produtora EON (Everything or Nothing). Em 1975, Saltzman abandonou a franquia. Desde 1995, os filmes são produzidos pela filha de Albert, Barbara Broccoli, e seu meio-irmão Michael G. Wilson.

James Bond já foi interpretado por seis atores: Sean Connery (1962–1967;1971;1983 cujo filme não faz parte da saga original); George Lazenby (1969); Roger Moore (1973–1985); Timothy Dalton (1987–1989); Pierce Brosnan (1995–2002); e Daniel Craig (2006–presente).

O que podemos dizer da série de filmes “James Bond”?

Inicialmente, o que posso afirmar é que não entrariam em minha lista de indicações de filmes. Não que a série seja ruim, mas aqui no Blog a intenção é falar de filmes que podem nos ensinar coisas boas. Estes não ensinam nem coisas boas e TALVEZ nem coisas más. O talvez foi colocado aqui devido a questão de os filmes partirem para certos apelos que podem ser arriscados em uma perspectiva cristã. James Bond, protagonizado por um galã, tem sempre uma Bond Girl, que apimentam a história. Por isso é importante se estar ciente de que nos filmes facilmente iremos nos deparar com o apelo sexual.
A série de filmes “Jame Bond” é muito boa em termos de produção e costumeiramente tem um roteiro bem ritmado, que nos envolve do começo ao fim da trama. Mas, na perspectiva de mensagem, não traz muita coisa. Vingança e Violência gratuita não ajudam a mudar a vida de ninguém. Os filmes podem valer como mero entretenimento, e só!

Existem aqueles que podem terminar de assistir ao filme e aprender algo como, por exemplo: “Ahhh! De agora em diante, irei fazer musculação, cursar a faculdade de Direito e namorar com a moça mais linda do bairro!” Do resto, considero que não teremos nenhum testemunho de conversão.

Compre pipoca, tire as crianças da sala e assista. Depois vá dormir e amanhã com certeza esquecerá do filme.

ViolênciaSexoNudezUso de drogas il�citasPalavrões e diálogos ofensivos à moralRegular


Já faz mais de dois anos que o público teve a chance de visitar a terra mágica e mística de Nárnia, do autor C.S. Lewis, onde era sempre inverno, mas nunca Natal, até que os irmãos Pevensie – Lúcia, Edmundo, Susana e Pedro – apareceram para ajudar Aslam a derrotar a Feiticeira Branca. Agora somos transportados de volta a Nárnia no novo filme “As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian”, que estréia nos cinemas brasileiros no dia 30 de maio.

Em toda a série, e em “Príncipe Caspian” particularmente, os personagens principais enfrentam uma série de situações que mudam suas vidas e aprendem muitas coisas sobre si mesmos e outras pessoas. Descubra mais sobre o mundo de “Príncipe Caspian” e a sabedoria espiritual que podemos depreender dele ao revisitar a terra de Nárnia através destas 12 lições:

1. O tempo é mesmo relativo

Num momento, os irmãos Pevensie estão em uma estação de trem, se preparando para voltar para a escola; e, no instante seguinte, eles se encontram de volta a Nárnia. Embora tenha passado muito tempo – 1300 anos desde a última visita -, quando eles voltam de Nárnia no fim do livro, não se passou quase tempo algum no mundo “real”.

O uso do tempo em “Príncipe Caspian” parece ser uma metáfora para o conceito bíblico encontrado em 2 Pedro: “Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos são como um dia.” Os Pevensie aprendem que o que pode parecer importante agora não é necessariamente importante muitos anos depois – porém Aslam, o símbolo divino, é sempre o mesmo.

2. Deixe de lado as grandes expectativas

Repetidamente, em “Príncipe Caspian”, C.S. Lewis examina as falsas suposições e expectativas de alguns dos personagens quando eles se baseiam em informações incorretas ou julgam os outros pela aparência.

Por exemplo, alguém poderia dizer que o guerreiro mais valente no livro não é Pedro ou um telmarino. Em vez disso, é um rato, Ripchip. Esse pequeno soldado quase dá uma surra no príncipe Caspian, que, com arrogância, pensa que alguém tão pequeno não conseguiria vencê-lo.

De modo semelhante, quando as crianças retornam a Nárnia, os atuais narnianos – assim como o príncipe Caspian – estão esperando que adultos, e não crianças, venham em seu socorro. Sem saber que as crianças realizaram atos de bravura no passado para salvar Nárnia, os narnianos os encontram com um certo desapontamento, como se dissessem: “São vocês?”

A Bíblia está cheia de histórias nas quais que Deus escolhe quem é pequeno ou tolo para demonstrar o Seu poder. Ainda assim, continuamos a julgar apenas pelas qualidades superficiais.

3. A fé não deve ser decidida pelo voto da maioria

Lúcia é a única que consegue ver Aslam durante uma boa parte do livro. Ela primeiramente tenta convencer os irmãos de que Ele está perto, mas Susana e Pedro não acreditam nela. Edmundo acredita, mas também não consegue ver Aslam. Quando Lúcia pede que confiem nela, os outros decidem colocar o assunto em votação. A maioria decide que as visões de Lucy com Aslam são absurdas e continuam no caminho que haviam escolhido, apenas para se arrepender dessa decisão – e da falta de fé – logo depois.

É muito tentador deixar que outras vozes abafem aquela pequena e constante voz da fé que fala dentro de nós. Também é mais fácil simplesmente seguir a maioria, quando sabemos que deveríamos defender as nossas crenças. Mas, assim como Lúcia deixou que a sua fé fosse silenciada e se arrependeu disso, quando nós não agimos com fé, também não demorará muito até que soframos as conseqüências.

4. Mantenha a fé em meio a uma cultura de descrença

Não há lampião mágico nesta Nárnia. Não há floresta encantada. A vida é sombria, triste e devastada pela batalha. Ninguém nesta Nárnia acredita em animais falantes, anões, nem em nenhum dos habitantes que originalmente agraciavam a terra. Mas, quando Lúcia e os outros tentam contar ao príncipe Caspian como tudo costumava ser, ele lentamente começa a acreditar na antiga Nárnia e deseja encontrar os antigos narnianos que têm vivido escondidos.

Neste sentido, Nárnia é uma excelente metáfora para uma sociedade pós-moderna na qual ceticismo, narcisismo, intelectualismo, elitismo e vários outros “ismos” criaram um ambiente de descrença, ansiedade, depressão e desespero que sufoca a beleza e o mistério da jornada da fé.

5. Não tema, pois Deus está com você

Aslam faz mais de uma vez uma advertência sensata sobre não dar ouvidos ao medo. Trumpkin tem medo de Aslam quando o encontra pela primeira vez, mas apenas porque não conhece o caráter do Leão. Quando ele descobre a verdadeira natureza de Aslam, não sente mais medo.

Aslam também precisa acalmar os medos de Susana quando ela o encontra pela primeira vez nesta história. Aslam gentilmente diz a Susana que ela deve parar de ouvir a voz do medo. O medo foi um dos motivos pelos quais ela não conseguiu vê-lo quando ele apareceu para Lúcia no início da jornada. Para ajudar Susana a recuperar as energias e a colocar os pensamentos no lugar, Aslam então sopra sobre ela. Com esse sopro, o medo perde o controle sobre o coração de Susana e ela pode ser valente novamente.

Não é uma imagem reconfortante? Quando o medo toma conta do nosso espírito, nós apenas temos que buscar o sopro do nosso Criador para restaurar nossa paz e discernimento.

6. Seja grato pelas bênçãos disfarçadas

Em certo momento, Pedro se sente responsável por ter levado seus irmãos e os antigos narnianos por um caminho difícil – através de uma garganta, abrindo caminho entre a vegetação cerrada em um terreno íngreme. Mas, quando Pedro se desculpa com os outros pelo erro, Trumpkin observa que, se eles tivessem ido pelo lado que haviam planejado originalmente, a situação teria sido bem pior.

Quantas vezes não precisamos de alguém como Trumpkin em nossas vidas para nos lembrar que a situação atual poderia ser bem pior se tivéssemos feito uma escolha diferente ou se tivéssemos nos recusado a ouvir um amigo de confiança?

7. Separe um tempo para desfrutar da presença de Deus

Uma das minhas cenas favoritas no livro é quando os antigos narnianos estão reunidos com Aslam, o criador de Nárnia. Embora eles tenham passado por tempo difíceis e o perigo esteja à frente deles, eles gastam algum tempo desfrutando da companhia de Aslam, literalmente brincando e se divertindo com o enorme leão.

Para mim, é uma bela maneira de lembrar que, não importa o que estejamos passando ou o quanto estejamos ocupados, temos que nos recordar que Deus deseja passar tempo conosco para simplesmente brincar. É um convite para confraternizamos com o nosso Criador.

8. Atitudes podem ter conseqüências permanentes

Quando as crianças descobrem os presentes que ganharam na primeira aventura em Nárnia na sala do tesouro em Cair Paravel, Edmundo é mais uma vez lembrado de que, por causa da sua antiga traição contra os irmãos e contra Nárnia, ele não tem uma lembrança especial de sua primeira jornada. Embora Aslam tenha dado a sua vida voluntariamente em troca da de Edmundo em “O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa”, isso não significa que não existem conseqüências para as escolhas que Edmundo fez.

É interessante notar que, mais uma vez, a jornada de Edmundo espelha mais a nossa do que qualquer outra. Deus perdoará prontamente os nossos pecados se pedirmos, mas isso não significa que nossas ações não terão efeitos a longo prazo.

9. A vaidade corrompe o caráter

Quando Ripchip finalmente tem a chance de estar face a face com Aslam, ele não está preocupado com o futuro de Nárnia nem com o seu papel nele. O foco de Ripchip é uma mera vaidade – a sua cauda. Nesse momento, o rato poderia pedir qualquer coisa ao poderoso Aslam, mas ele só consegue pensar no constrangimento que sente por aparecer diante de Aslam sem sua bela cauda.

Aslam louva os atos de heroísmo e bravura de Ripchip, mas também o lembra de que ele dá importância demais a uma coisa que é apenas questão de vaidade e aparência, e não um reflexo verdadeiro de caráter.

Nós também podemos dar muita importância a manter a aparência exterior de fé e piedade, sem nutrir a vida interior de que precisamos para crescer espiritualmente.

10. Lealdade e sacrifício serão recompensados

Um dos gestos mais comoventes de amor e sacrifício nessa história é quando o exército de anões implora que Aslam cure o seu valente líder Ripchip, que perdeu a cauda na batalha. Os seguidores de Ripchip declaram que cortarão suas próprias caudas em solidariedade, caso Aslam não restaure a de seu líder. Comovido pelos ratos e por sua disposição de se sacrificarem em favor de Ripchip, Aslam concede o que lhe é pedido.

Esse tipo de devoção, raramente encontrada em nosso mundo, é o mesmo exemplo de lealdade e sacrifício que a Bíblia nos dá em todo o Novo Testamento. Como diz a passagem de João: “Ninguém tem amor maior do que este, de dar a vida pelos seus amigos.” Somos desafiados a colocar isso em prática em nossas próprias vidas.

11. Fique perto da sua família espiritual

Embora o tio Miraz seja o parente vivo mais próximo de Caspian, não há nenhum vínculo entre eles. Miraz é o falso rei de Nárnia que matou o próprio irmão, Caspian IX, para poder assumir o trono.

Depois de Caspian fugir da tirania do tio, ele entra em contato com os Pevensie e, mais tarde, com os antigos narnianos, os que ainda se lembram da Era de Ouro de Nárnia. Quando os encontra, Caspian sente em relação a eles uma afinidade imediata, como nunca sentira antes. Os antigos narnianos são a sua verdadeira família espiritual.

Assim é também para alguns de nós. Podemos não ter nascido em uma família afetuosa, que nos completa. Entretanto, podemos, se quisermos, desenvolver uma família espiritual com pessoas de fé e caráter semelhantes aos nossos, para que possamos prosseguir na jornada.

12. Líderes não são natos, e sim preparados

Embora Pedro e Caspian seja jovens rapazes destinados a reinar em Nárnia, eles não são líderes naturais. Vemos através da série de livros que, independente de destino ou direito de nascença, tornar-se um líder de verdade é um processo – e não é nada fácil. Tanto Caspian quanto Pedro cometem erros. Na verdade, os dois rapazes a princípio têm dificuldade para trabalhar juntos, e precisam de uma lição de humildade e trabalho em equipe antes de finalmente obterem a vitória contra os telmarinos.

Na nossa cultura hoje em dia, não damos nem uma chance aos nossos líderes – seja no nosso bairro ou no governo – quando eles cometem erros. Talvez o melhor presente que podemos dar a eles é sermos mais como Susana e Lúcia, encorajando e dando o nosso apoio para que eles possam aprender e crescer como líderes.

Por Kris Rasmussen
Tradução: Junia Vaz (para mundonarnia.com
)

Olá amigo,
Nesta semana a DICA são 2 filmes, ambos baseados nos romances da escritora britânica Jane Austen:

- Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility)
- Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice)

Aos assistí-los você notará evidentemente que são composições muito parecidas, como se a escritora tivesse apenas incrementado um ou outro enredo.

O primeiro contato que tive foi com o “Razão e Sensibilidade” foi em uma aula de Teologia Moral, onde refletimos sobre Pecados e Virtudes. A beleza da história é a variedade de expressões da natureza humana, com seus pecados, limitações, fraquezas e também sua busca pelo bem e suas virtudes.

As duas histórias acontecem no século XIX, com as pompas, festas de luxo e famílias movidas pela futilidade em busca de um status social. Daí nos encontramos com as protagonistas, mulheres fortes e sábias que nos envolvem do começo ao fim na relação que tem com esse mundo ao seu redor.

Jane Austen nos ensina que fazemos parte desta sociedade, mas de forma alguma temos a obrigação de nos “prostituir” com seus vícios. Existe um caminho de virtude que pode ser seguido, e assim compor um excelente romance, nossa história de vida.

São duas produções afinadas, de bom gosto, com excelente fotografia e trilha sonora e com a garantia de poder assití-los em um final de semana com todos da família na sala (ou seja, sem qualquer conotação ou cena de apelo sexual).

Assista-os e depois poste aqui seu comentário.

Boa semana para você!

Seu amigo,

Sérgio Fernandes

[Avaliação: Excelente Excelente]

Saiba mais abaixo sobre este dois filmes:

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Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility)

Sense and Sensibility (br: Razão e sensibilidade – pt: Sensibilidade e bom senso) é um filme britânico e estadunidense de 1995, do gênero comédia romântica, dirigido por Ang Lee e com roteiro escrito pela atriz Emma Thompson, com base em romance homônimo de Jane Austen, publicado em 1811.

SINOPSE
Em virtude da morte do marido, uma viúva e as três filhas passam a enfrentar dificuldades financeiras, pois praticamente toda a herança foi para um filho do primeiro casamento, que ignora a promessa feita no leito de morte de seu pai que ampararia as meias-irmãs. Neste contexto, enquanto uma irmã é prática (Emma Thompson), usando a razão como principal forma de conduzir as situações, a outra (Kate Winslet) se mostra emotiva, sem se reprimir nunca com uma sensibilidade à flor da pele.

FICHA TÉCNICA
Título Original: Sense and Sensibility
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 135 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra): 1995
Estúdio: Columbia Pictures Corporation / Mirage
Distribuição: Columbia Pictures
Direção: Ang Lee
Produção: Lindsay Doran
Música: Patrick Doyle
Direção de Fotografia: Michael Coulter
Desenho de Produção: Luciana Arrighi
Direção de Arte: Philip Elton e Andrew Sanders
Figurino: Jenny Beavan e John Bright
Edição: Tim Squyres
Efeitos Especiais: Effects Associate Ltd.

ELENCO
James Fleet (John Dashwood)
Tom Wilkinson (Sr. Dashwood)
Harriet Walter (Fanny Dashwood)
Kate Winslet (Marianne Dashwood)
Emma Thompson (Elinor Dashwood)
Gemma Jones (Sra. Dashwood)
Hugh Grant (Edward Ferrars)
Emilie François (Margaret Dashwood)
Elizabeth Spriggs (Srta. Jennings)
Robert Hardy (Sir John Middleton)
Ian Brimble (Tom)
Isabelle Amyes (Betsy)
Alan Rickman (Coronel Brandon)
Greg Wise (John Willoughby)
Hugh Laurie (Sr. Palmer)
Imelda Staunton

 GALERIA DE IMAGENS
 

TRAILER

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Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice)

Orgulho e Preconceito (ou, na versão original, Pride and Prejudice) é um romance da escritora britânica Jane Austen, publicado em 1813. O livro foi escrito antes dela completar vinte e um anos, em 1797,e era inicialmente chamado First Impressions, mas nunca foi publicado com esse título.

Considerado a obra prima de Jane Austen, Orgulho e Preconceito ganhou diversas versões para o cinema e televisão. A mais recente foi produzida em 2005, dirigida por Joe Wright, com interpretações de Keira Knightley e Matthew Macfadyen nos papéis principais.

SINOPSE
As cinco irmãs Bennet – incluindo Elizabeth (Keira Knightley), de fortes convicções, e a jovem Lydia (Jena Malone) – foram criadas pela mãe (Brenda Blethyn) tendo somente um propósito na vida: casar-se com um bom marido. Quando um rico solteiro compra uma mansão na vizinhança, as irmãs Bennet entram em polvorosa. Quando Elizabeth conhece o belo, porém esnobe, sr. Darcy (Matthew Macfadyen), começa uma engraçada batalha entre os dois.

FICHA TÉCNICA
Título Original: Pride & Prejudice
Gênero: Romance
Tempo de Duração: 127 minutos
Ano de Lançamento (Inglaterra / França / EUA): 2005
Site Oficial: www.prideandprejudicemovie.net
Estúdio: Working Title Films / Studio Canal
Distribuição: Focus Features / UIP
Direção: Joe Wright
Roteiro: Deborah Moggach, baseado em livro de Jane Austen
Produção: Tim Bevan, Eric Fellner e Paul Webster
Música: Dario Marianelli
Fotografia: Roman Oshin
Desenho de Produção: Sarah Greenwood
Direção de Arte: Nick Gottschalk e Mark Swain
Figurino: Jacqueline Durran
Edição: Paul Tothill
Efeitos Especiais: Double Negative / The Moving Picture Company

ELENCO
Keira Knightley (Elizabeth Bennet)
Talulah Riley (Mary Bennet)
Rosamund Pike (Jane Bennet)
Jena Malone (Lydia Bennet)
Carey Mulligan (Kitty Bennet)
Donald Sutherland (Sr. Bennet)
Brenda Blethyn (Sra. Bennet)
Claudie Blakley (Charlotte Lucas)
Sylvester Morand (Sir William Lucas)
Simon Woods (Sr. Bingley)
Kelly Reilly (Caroline Bingley)
Matthew Macfadyen (Sr. Darcy)
Janet Whiteside (Sra. Hill)
Roy Holder (Sr. Hill)
Sinead Matthews (Betsy)
Rupert Friend (Sr. Wickham)
Tom Hollander (Sr. Collins)
Judi Dench (Lady Catherine de Bourg)
Alan Cumming (Mensageiro)

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O filme que estréia hoje no Brasil é mais um caso de uma produção independente do cinema (fora do amparo das principais empresas do setor) que consegue alcançar grandes bilheterias, sucesso de crítica e entra no páreo do Oscar. Memorando aqui o que foi “Pequena Miss Sunshine” em 2006.

Juno é um filme açucarado, cheio de humor, com gírias e palavrões, com produção e roteiro simples, uma trilha sonora de bom gosto… Esta lista de características talvez não seriam suficientes para motivar alguém a sair de casa, gastar com o ingresso e ainda ouvir palavrões se não fosse a bela mensagem que é revelada no desenvolvimento desta história.

Uma garota chamada Juno, de 16 anos, fica grávida de um colega de escola. Esta aventura adolescente tem um preço alto e a personagem vê-se dividida quanto à forma de resolvê-lo. Opções não lhe faltam, principalmente por estar em um país onde o aborto é legalizado e o caminho mais comum seria matar a criança e esquecer o que aconteceu.

Ellen Page é brilhante em sua atuação (está concorrendo ao Oscar de melhor atriz) e expressa Juno como uma adolescente de personalidade forte, decidida e principalmente honesta. Não que fosse tão sábia em suas outras escolhas, mas é capaz de arcar até o fim com as conseqüências. Assim, Juno decide não abortar a criança.

O filme não tem objetivos religiosos e nem levanta algum tipo de bandeira anti-aborto. Se fosse escrito desta forma, era de se esperar que ela não abortasse, ficasse com a criança e vivesse feliz para sempre. Mas o objetivo desta obra é outro… E também pode ser muito útil a reflexão.
Juno opta por ter o filho e já entrar num processo de adoção legal. O que é isso? Ela escolhe um casal rico numa propaganda de jornal para adoção e lhes oferece a criança. O compromisso deles é dar o apoio necessário nos meses de gestação.

A trama segue com os conflitos decorrentes nos meses de gestação. Juno inicialmente chama o filho de “coisa” e aos poucos pega afinidade. O garoto que lhe engravidou é um “nerd”, muito inseguro. Os dois são ingênuos perante a situação, não conseguem entender o drama.

Seu pai é casado pela segunda vez e ela tem antipatia pela madrasta. A relação das duas desenvolve-se e, de inimigas, tornam-se companheiras. Sua família se envolve com o processo, mesmo que de forma estranha – pois têm comum acordo com a situação da adoção. Ao final do filme, ninguém fica do mesmo jeito. O “acidente” transforma a relação familiar. E o final não posso contar…

Juno, a garota grávida de apenas 16 anos, transforma-se. Descobre neste período o verdadeiro sentido:
- da AMIZADE: pois viu quem estava ao seu lado na escola, sem preconceitos quanto à gravidez;
- da FAMÍLIA: pois percebeu que foram eles a presença essencial no processo;
- e, principalmente, do AMOR: a relação que gerara o filho aconteceu por aventura, os dois jovens se redescobrem e assim se apaixonam de verdade. A sexualidade muda de valor.

Repito aqui que não se trata de um filme com objetivos religiosos, mas a forma como Juno redescobre alguns VALORES deve nos questionar.

Ela vivia de aventuras como qualquer garota de sua idade. E pagou um preço! Foi honesta ao querer seguir em frente com a gestação e, por tantas questões ao seu redor, optou por entregar o filho a adoção. A sexualidade na relação muda de foco. É explícito nesta obra que as coisas feitas na hora errada podem ter drásticas conseqüências.

O filme é ideal para trabalhar com grupos de adolescentes. Mesmo com os palavrões e algumas insinuações, ninguém precisará fechar os olhos. Os temas para reflexão são: aborto, gravidez na adolescência e sexo antes do casamento.


Gênero: Comédia – Drama
Duração: 96 min
Origem: EUA
Estréia – EUA: 14 de Dezembro de 2007
Estréia – Brasil: 22 de Fevereiro de 2008
Estúdio: Paris Filmes
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Produção: Lianne Halfon, John Malkovich, Mason Novick, Russell Smith

Sinopse
Juno MacGuff (Ellen Page) é uma jovem de 16 anos que acidentalmente engravidou de Paulie Bleeker (Michael Cera), um grande amigo com quem transou apenas uma vez. Inicialmente ela decide fazer um aborto, mas ao chegar na clínica muda de idéia. Junto com sua amiga Leah (Olivia Thirlby) ela passa a procurar em jornais um casal a quem possa entregar o bebê assim que ele nascer, já que não se considera em condições de criá-lo. É assim que conhece Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um casal com boas condições financeiras que está disposto a bancar todas as despesas médicas de Juno, além de dar-lhe uma compensação financeira caso ela queira. Juno recusa o dinheiro para si, mas decide que Vanessa e Mark ficarão com seu filho. Extra: Em entrevista, a atriz canadense Ellen Page comentou que se encantou em atuar neste longa-metragem, embora tenha sofrido um pouco durante as filmagens. “A roupa que tinha de usar, com uma barriga de grávida, era pesada, incômoda e me fazia suar muito na barriga. Acho que emagreci alguns quilos, era demais”, comentou. Curiosidades: Foi Ellen Page quem sugeriu que sua personagem fosse fã das músicas de Kimya Dawson e The Moldy Peaches; O telefone de hamburger visto em cena pertence a Diablo Cody, roteirista de “Juno”; Foi o 1º filme lançado pela Fox Searchlight Pictures a ultrapassar a marca de US$ 100 milhões arrecadados nas bilheterias dos Estados Unidos; O orçamento do longa foi de US$ 7,5 milhões.

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Mais sobre o filme…
Conheça Juno MacGuff (Ellen Page): uma adolescente confiante e honesta que toma as rédeas de sua vida de uma forma calma e despreocupada ao embarcar em uma emocionante aventura de nove meses a caminho da vida adulta. Esperta e muito peculiar, Juno entra nos corredores da Dancing Elk High em seu próprio ritmo, mas por trás de seu exterior durão, existe uma garota que simplesmente tenta entender as coisas.

Enquanto a maioria das garotas do colégio está atualizando as páginas do MySpace ou fazendo compras no shopping, Juno é uma adolescente de Minessota que vive sua própria vida, até que uma típica tarde entediante torna-se uma aventura quando Juno decide transar com o charmoso e discreto Bleeker (Michael Cera). Quando descobre que ficou grávida, Juno e sua melhor amiga Leah (Olivia Thirlby) bolam um plano para encontrar os pais perfeitos para o futuro bebê. É então que elas encontram Mark e Vanessa Loring (Jason Bateman e Jennifer Garner), um abastado casal que pretende adotar seu primeiro filho.

Felizmente, Juno tem o apoio do pai e da madrasta (J.K. Simmons e Allison Janney). Depois do choque inicial de que sua filha já tem uma vida sexual com o nada viril Bleeker, a família se une para ajudar Juno. Seu pai, Mac, acompanha Juno para avaliar os possíveis pais adotivos e se certificar de que eles não são um casal de lunáticos, enquanto Bren, a madrasta, oferece apoio emocional a Juno, que enfrenta os preconceitos de uma gravidez prematura. Mas conforme Juno se aproxima do fim da gravidez, a vida supostamente idílica de Mark e Vanessa começa a dar sinais de que não é o que parecia.

Com o passar das estações, as mudanças físicas de Juno refletem seu crescimento pessoal, e com uma capacidade destemida de compreensão muito diferente das angústias de uma adolescente comum, Juno acaba enfrentando seus problemas de frente, mostrando uma juventude inesperada, exuberante e inteligente.

SOBRE A PRODUÇÃO

QUEM EXATAMENTE É ESSA GAROTA?

Nascida na mente criativa da romancista-que-virou-roteirsta Diablo Cody, Juno é um personagem único, diferente de todos os equivalentes de outros filmes do gênero. Ela é honesta, mas engraçada; encantadora, mas auto-confiante. Seja contando para Leah os detalhes íntimos sobre a perda de sua virgindade ou contando aos pais sobre sua gravidez, Juno chama a atenção por sua honestidade brutal e sua língua afiada.

Depois de ser pressionada a escrever um roteiro, Diablo fez uma pesquisa a respeito de filmes recentes sobre adolescentes e descobriu que havia uma brecha para uma pequena garota com uma grande atitude. “Eu estava sentada em casa, em Minessota, e estava pensando comigo, que história eu ainda não vi?”, conta Diablo. “Muitas das coisas que eu estava assistindo eram totalmente batidas.”

Colocar Juno no papel levou Diablo a momentos que ela havia vivenciado em sua própria juventude. “Foi incrivelmente natural”, diz Diablo sobre juntar as peças da história e das nuances da personagem. “Foi como respirar. Eu realmente via Juno com uma extensão de mim”. Sem falar nas conversas e situações que ela vivenciou enquanto crescia.

Parte do apelo do filme vem da franqueza e da comicidade do diálogo entre Juno e suas amigas sobre sexo, inspirado em parte em Diablo. “Minhas amigas e eu éramos como Juno e Leah. Nós falávamos de sexo o tempo todo. Há uma cena em que Leah fala sobre como ela transou com o namorado e ela estava em cima porque era mais fácil para ela atingir o orgasmo. Essa foi uma discussão real que eu tive com uma amiga minha quando tínhamos dezesseis anos. Pode ser chocante para algumas pessoas, mas é bem realista”.

Fora o sexo, há muito mais em Juno do que o evento que a deixa grávida. Para a estrela do filme, Ellen Page, Juno é uma adolescente atípica. “A personagem de Juno é uma adolescente extremamente bem escrita, o que não é a coisa mais fácil de se encontrar. Ela é honesta, mas original, totalmente fora do estereótipo, que é a coisa mais fantástica para uma atriz. Meu trabalho é simplesmente me conectar com ela e tentar tornar sua fala, seu diálogo – e seus relacionamentos – autênticos. Eu descobri que isso acontece quando você confia nas pessoas com quem você está trabalhando e mergulha fundo”.

O NASCIMENTO DE JUNO

JUNO não teria chegado nem ao papel se não fosse por uma equipe de cineastas que trabalharam incansavelmente para levá-lo às telas. Começou com o produtor Mason Novick, que surfando na internet descobriu um blog mantido por Diablo Cody. Ele ficou imediatamente atraído por sua escrita cômica, enaltecida por sua natureza feminina, ultra-contemporânea e totalmente franca. “Como produtor de cinema, eu leio muita coisa que deveria ser engraçada, mas que geralmente é terrível”, explica Novick. “Então, todos os dias durante mais ou menos seis meses eu li seu blog, e todo dia eu dava risada. Aí eu liguei para ela do nada e disse “Ei, eu sou um produtor, moro em Los Angeles, leio seu blog todo dia e ele me faz rir. Você já pensou em escrever um roteiro?”. E ela disse: “Eu já pensei nisso, mas eu nunca, sabe, nunca escrevi um”.

Mas o que ela já tinha escrito era um livro chamado “Candy Girl: A Year in the Life of an Unlikely Stripper”. Os dois discutiram o livro e Novick mandou um rascunho de “Candy Girl” para um agente literário em Nova York que o vendeu para a Gotham Books. “Até então, falávamos sobre a idéia de Diablo adaptar ‘Candy Girl’ para as telas”, relembra Novick, “e eu ressaltei que ela precisaria de um roteiro como amostra para que os estúdios vissem que ela era capaz. Alguns meses depois ela me ligou e disse ‘O roteiro está pronto’, e ela me enviou JUNO. Eu li tudo de uma vez só e fiquei assombrado. O roteiro que filmamos é basicamente o roteiro que eu li naquele dia, o que raramente acontece. O coração da história e dos personagens simplesmente saltava da página.”

Jennifer Garner, que faz o papel da mulher que quer desesperadamente ser mãe, teve a mesma reação ao ler o roteiro. “A voz de Diablo Cody é tão clara no roteiro que você não tem como lê-lo sem ficar completamente preso à história. Eu me apaixonei imediatamente”, elogia Garner. “Da mesma forma como Napolean Dynamite tem seu próprio mundo e sua própria linguagem, você a aceita completamente. Ela criou todo um universo – não como algo simples, mas algo emocionante.”

Diablo Cody ficou excitadíssima quando Reitman decidiu levar seu roteiro às telas. “Eu não esperava”, diz ela, “e é por isso que eu fiquei tão empolgada quando ouvi que ele estava interessado, porque Obrigado Por Fumar mostrou como ele é um cineasta talentoso e seguro. Eu simplesmente sabia que quando eu entregasse o roteiro eu teria essa maravilhosa sensação de segurança, e foi o que aconteceu. Eu não sei o que o atraiu no roteiro, mas eu estou muito feliz que tenha sido assim.”

Novick conclui que o filme está em sintonia com os sentimentos e situações que são muito correntes e relevantes no mundo de hoje. “Diablo consegue entender como as crianças falam, como os adultos falam perto das crianças, e consegue criar personagens específicos em seus próprios mundos sem parecerem falsos. Acho que é a sua voz que faz de JUNO um filme jovem que não subestima os adolescentes.”

A ESCOLHA DO ELENCO: QUEBRANDO AS REGRAS

A escolha do elenco é sempre um componente crucial da tradução bem sucedida de um roteiro para as telas. Com JUNO, os produtores tiveram a dura tarefa de encontrar a atriz adequada para viver a complexa Juno. A adequação tinha de ser perfeita para que o público não apenas soubesse quem ela é, mas também a recebesse – com seus defeitos – de braços abertos. Reitman sabia que Ellen Page – conhecida das platéias independentes por sua performance fantástica ao lado de Patrick Wilson no controverso Menina Má.com, distribuído no Brasil pela Paris filmes – era a escolha correta para um desafio como esse. Mesmo que ela faça parecer fácil.

“Quando você tem atores excelentes, você quer chegar lá e deixar que seus rostos contem a história. Ellen, particularmente, faz coisas sutis e inacreditáveis com seu rosto. Eu posso lhe dar 120 instruções em cada tomada que ela é perfeita em todas elas,” explica Reitman.

“Muitos atores são bons imitadores, ou são atores metódicos que fazem uma extensa pesquisa, ou são naturalmente charmosos”, comenta Reitman, ao comparar Page a Meryl Streep. “O que é diferente em Ellen é que ela sabe o que Juno iria fazer, dizer ou sentir em qualquer momento, e ela consegue ligar e desligar como um interruptor. É algo incrível de se observar.”

Seus companheiros de tela concordam unanimemente. “Ela é simplesmente uma atriz linda e incrível”, resume Jennifer Garner. “Assim que começamos os ensaios, eu pensei, quem é você, de onde você veio, como Jason achou você? Ela vai deslumbrar as pessoas com isso continuamente. Ela vai ser uma atriz muito importante.”
Outra atriz importante vem à mente quando Allison Janney pensa em Page. “Ela lembra uma jovem Audrey Hepburn. Há algo lindamente feminino nela, e ainda assim ela faz um papel extremamente durão e descolado”, diz. “Ela é destemida. Eu fiquei muito impressionada com ela e eu a adoro. Queria ter trabalhado mais com ela; ela é demais.”

Jason Bateman concorda que os produtores acertaram quando deram o papel a Ellen Page. “O filme é um sucesso ou um fracasso baseado em quanto Juno é interessante”, diz. “E felizmente eles tiveram Ellen Page interpretando-a, então você meio que relaxa e a observa. Ela é nosso guia. Ela é uma atriz que não força a atuação e tem um tom muito, muito bom e consistente e todos nós nos espelhávamos nela”.

Provavelmente ajudou o fato de que Page mostrou o caminho se apaixonando pela personagem de Juno e deixando seu personagem afetá-la verdadeiramente. “Eu queria muito, muito o papel, fiquei fascinada por ela”, diz Page. “O roteiro é demais… Sou muito grata por ser parte de JUNO”.

Ela também é grata pela ascensão de sua carreira desde Menina Má.com. “Eu tenho tido muita, muita sorte ultimamente. Tenho feito muitos papéis diferentes, mesmo neste último ano. Tem sido ótimo. As oportunidades tem sido fantásticas.”

É muitíssimo provável que sua diversidade na escolha de papéis tenha continuidade no futuro.

CONHEÇA OS LORING: PERFEIÇÃO NO SUBÚRBIO?

À primeira vista, os Loring – a escolha de Juno como os pais sortudos que irão adotar seu bebê – podem parecer um casal de comercial de margarina, com dois salários, uma linda casa e valores respeitáveis. Porém, há outras características por trás de suas histórias que só têm a acrescentar a seu apelo e complexidade.

anessa Loring (Jennifer Garner), por exemplo, é a apoteose do consumismo pós-feminista, uma mulher que encontra poder e libertação em sua carreira e mede seu sucesso na aquisição de bens, incluindo uma criança.
“Eu gosto do fato de que os personagens desafiam as convenções e são pessoas que fazem escolhas pessoais – não políticas – por si mesmas, como na vida real”, diz Reitman. “O feminismo traçou o caminho para a carreira de Vanessa, mas o que ela realmente quer é ser mãe em tempo integral”, ele diz. “Acho que muitas mulheres hoje que querem ser mãe estão em conflito entre esse desejo e tudo o que elas construíram na carreira, e acho interessante que esse conflito seja ainda mais complexo por causa da política”.

Embora JUNO seja um olhar realista para adolescentes contemporâneos, o filme também conta com dois talentosos atores adultos do alto escalão: Jennifer Garner e Jason Bateman. Eles criam um retrato rico e emocionante do casal que batalha para sobreviver a um casamento conturbado.

A casa que Reitman e sua equipe escolheram para o casal Mark e Vanessa está localizada em um condomínio fechado no refinado distrito suburbano de Glacial Valley Estates, que Reitman apresenta com uma simples montagem de tomadas de casas que parecem iguais.

Dentro dessa mansão, as duas escadarias curvadas que recebem os visitantes levam aos quartos do andar de cima, um dos quais serve de “quarto especial” para Mark, onde ele brinca com as guitarras que ele tocava na banda de rock de sua já inexistente juventude.

“Mark”, comenta Jennifer Garner, “não vai crescer porque ele não quer crescer. Quando Juno entra em sua vida, ela faz com que ele perceba que ele acha que quer estar com uma garota mais nova, alguém que ele possa impressionar e controlar. Ela faz com que ele queria ser o tipo do cara que uma garota jovem admira. Mas Vanessa provavelmente só está com Mark nesse ponto porque tudo o que ela quer é fazer com que seu casamento funcione. No final, acho que ele ainda não está pronto para crescer e ela já cresceu há muito tempo.”

Uma decisão que foi tomada no filme foi o futuro da relação entre Mark e Vanessa, complicada pela introdução de Juno em sua doce vida suburbana. “Durante um pouco mais de tempo as coisas estariam bem sem a chegada de Juno para bagunçar tudo. O fato de Juno estar lá e de ser o catalisador para o término do relacionamento é uma coisa boa – eles não pertencem um ao outro”, diz.


A JORNADA DE JUNO

A jornada de Juno MacGuff está aberta a muitas interpretações. Apesar de todos os obstáculos e dilemas morais que ela tem de enfrentar, o público provavelmente irá ceder a seu charme não-assumido e sua vivacidade, independentemente da visão de cada um sobre assuntos de família e gravidez na adolescência. No final, são as escolhas que faz pelo caminho de auto-descoberta e a ligação com sua família que fazem de Juno um personagem tão inesquecível.

A roteirista Diablo Cody diz que o filme deve despertar fortes sentimentos em relação ao que diz sobre gravidez na adolescência. “È uma questão polêmica. Você pode vê-lo como um filme que celebra a vida e o nascimento de uma criança, ou pode vê-lo como um filme sobre uma adolescente liberal que faz uma escolha de continuar sendo liberal. Ou você pode vê-lo como uma história de amor distorcida, sabe, uma meditação sobre a maturidade”, diz Cody, acrescentando que o desenvolvimento da história e dos personagens vai além de apenas gravidez na adolescência. “O filme levanta várias questões em relação ao amor, à liberdade, ao casamento e ao que devemos fazer com nossas vidas no fim das contas.”

Enquanto o filme pode levantar essas questões para parte do público, Allison Janney diz que o filme não empurra nenhuma mensagem à força. “Ele não tenta ser político de maneira nenhuma. Você simplesmente tem uma história sobre algo que ocorre na vida de uma garota e o que ela decide fazer”, diz a atriz. “Não está tentando afirmar nada, o que eu gosto muito.”

Afirmando ou não, a jornada de Juno é o mais fascinante de se observar para a protagonista. “Ela vai por um caminho longo e difícil”, conclui Page. “Ela tem uma idéia do que é ser um adulto e deseja ser dessa forma como eu acho que você é na adolescência – você está preso entre dois mundos. E ela consegue sair do outro lado com tudo ok.”

Fonte: Paris Filmes

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