Celina Martins

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DESEJO QUE VOCÊ POSSA “SABOREAR” ESTE ARTIGO ESCRITO POR UMA GRANDE MULHER E COLEGA DE TRABALHO NO INSTITUTO PENSAMENTO

Somos frutos de uma sociedade onde , o modelo patriarcal ,é que rege as estruturas familiares. No entanto, pouco a pouco a mulher foi conquistando seu espaço e hoje assume muitas funções que até pouco tempo eram exclusivamente masculinas. Somos motoristas, médicas, gerenciamos empresas. Mulheres ousadas como Francyne Scovino que é técnica em eletrotécnica da Ampla, concessionária de energia elétrica do Rio de Janeiro, única mulher no meio de 60 homens. Segundo ela estar num ambiente de trabalho masculino ressalta ainda mais sua feminilidade e, apesar disso nunca sofreu assédio de seus colegas; Carolina Silveira, que é operadora de facilidades elétricas da plataforma P- 47 da Petrobrás. Outro exemplo são as mulheres de Israel que são até convocadas para servirem o exército do país.
Não obstante, muitas destas mulheres assumem dupla jornada, uma vez que são mães e ainda cuidam de seus lares. Recentemente li um artigo de Possatti e Dias da Universidade Federal da Paraíba cujo tema era “Multiplicidade de papéis da mulher e seus efeitos para o bem estar psicológico”. Este estudo teve como público alvo 132 mulheres que desempenham trabalho pago e papel de mãe. As mulheres destacaram como aspectos recompensadores: autonomia, estimulação, desafio, poder, ajudar os outros, poder decisão, enfim todos esses elementos contribuem para o bem estar psicológico. Tal estudo vem afirmar a importância do trabalho na autonomia feminina.
Certa vez ouvi uma fala de uma empregada doméstica “mas gente, se eu ficar em casa vou ter que fazer tudo sozinha e não vou ganhar nada. É ruim heim! Pois eu arrumei alguém pra trabalhar lá em casa e aí todo mundo ajuda a pagar. Não é melhor?”. Achei incrível, isso mostra que sua auto estima está bem resolvida e esta é sua maneira de se impor perante seus filhos e companheiro, é assim que se sente bem, podendo pagar as viagens que faz junto a sua igreja, comprar um presente para seus netos. Isso é ser mulher.
Muitas vezes esse ser mulher mais difícil, quando nos comparamos com o poder masculino, nos esquecendo do poder que temos, afinal nascemos com o dom de gerar uma vida em nosso ventre, somos capazes de cuidar de nossos filhos e ainda assim ser boas profissionais quando queremos. Claro que dar conta de tudo isso requer energia e por vezes nos acomodamos. E aí nos deparamos com atitudes machistas dos homens e ao mesmo tempo cobrando que sejam gentis, que homem tem mais é que trocar o pneu do carro, trocar lâmpada, etc.
Talvez seja o momento de pensarmos mais além, ou não tão além assim, questionando se não estamos sentadas esperando “a banda passar”. O que queremos, do que gostamos, o que nos causa prazer; será que nos conhecemos? Como queremos que nossos companheiros nos compreendam, se não nos colocamos, se mal nos olhamos no dia a dia, se não conhecemos o próprio corpo.
Outro dia me peguei numa situação engraçada diante de questionamentos do tipo, os homens se reúnem para pescar, assistir ou jogar futebol, bater papo num bar. E nós o que fazemos? Reunimos-nos também, ou ficamos em casa queixando porque saíram, porque não queremos acompanhá-los? Curioso porque pensei que tipos de programas podemos fazer entre mulheres e me dei conta que não estamos acostumadas a pensar sobre isso e, confesso, não foi tão fácil responder. E vocês o que costumam fazer?
Este tipo de questionamento nos coloca para pensar e todo dia é momento para discutimos sobre nossas posturas e, principalmente que tipo de mulher desejamos SER. Como diz Freud, “o pensamento é o ensaio para a ação”.

Aline Zampirolli – É Psicóloga – Psicoterapeuta é membro da Equipe de Psicólogos do Instituto Pensamento, onde atua em Psicologia Clínica nos municípios de São Mateus e Linhares.

Author:
Celina Martins
Time:
sexta-feira, fevereiro 8th, 2008 at 20:25
Category:
mundo feminino
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