Namoro ou amizade?

A amizade é sem duvida uma das maiores necessidades do ser humano. A vida sem uma amizade não ter cor, não tem brilho, é vazia de sentido. Todos, bons e maus, homens e mulheres, sentem a necessidade de amizade.

Hoje existem muitas frases e ditos sobre a amizade que, tão cheias de expressões e poesia, chegam a ultrapassar a esfera do entendimento, como por exemplo uma famosa frase de Aristóteles que diz: “Amizade é como uma alma em dois corpos”.

Fugindo um pouco de bonitas frases e poesias sobre a amizade – não que elas estejam mal fundamentadas- e partindo um pouco para a realidade, gostaria de refletir sobre um assunto que muitos no seu caminho de amizade entre homem e mulher já viveram, e os que ainda não viveram poderão vir a viver, que é o encantamento na amizade.

O que vem a ser isso?

Já ouvi muitos testemunhos e partilhas de pessoas que num certo ponto da amizade se encontram no celebre dilema: será que estou gostando do fulano? Será que estou apaixonado pela minha melhor amiga ou apaixonada pelo meu melhor amigo? Xiiiii, o que fazer? Como discernir?

De fato todo namoro maduro e sadio parte de uma verdadeira amizade e os que não começaram com uma amizade precisam se tornar com o passar do tempo. No entanto gostaria de apresentar aquele sentimento na amizade que não é um namoro e nem aponta para tal, é na verdade um encantamento para com o amigo ou amiga que num certo momento da amizade atinge um nível de emoções “platônicas” para com o outro. O encantamento é na verdade a mais sincera vontade de ser e estar com o amigo, de se debruçar nele, de falar, de escutar, de estar perto… não é um namoro. Quando estes sentimentos atingem a amizade é preciso uma dose a mais de razão que nos fará chegar no equilíbrio, para que o sentir não atrapalhe o ser amigo.O encantamento em si , quando bem vivido, não é algo ruim, pelo contrário, faz uma amizade crescer e amadurecer.

Como fazer para atingir o equilíbrio diante das “enxurradas” de sentimentos?

É preciso questionamento do que sinto, ou seja, eu preciso dar nome aos sentimento que me invadem, preciso do autoconhecimento para ter claro que o que eu sinto não é uma fuga ou carência. Por exemplo: se em meu “histórico” de amizades eu sempre sinto estar “apaixonado” pelo amigo ou amiga, é bem provável que eu esteja desequilibrado afetivamente, então, preciso de cura e não de suprir minha carência em uma amizade. A Oração é a chave que abre as portas do nosso interior. Questione e ore!

É preciso dar tempo a amizade, deixar que este encantamento passe pelo crivo do tempo, que eu tenha paciência com o que sinto. Não posso de imediato expressar o que está dentro sem que antes me questione. Somente o tempo cercado pelo silêncio interior poderá esclarecer os verdadeiros sentimentos dentro de você.

A verdadeira amizade é feita de aproximação e distância. É insuportável aquele tipo de amizade “chiclete” que não dá espaço para outros, é um “grude” só. A amizade que se encerra em si mesma é o puro encontro de duas carências. Estabelecer um certo limite na sua amizade e partilhá-la com outros vai ajudar a discerni-la melhor. Quantas amizades já se desfizeram por sufocamentos…

Questionar, esperar e distanciar; são três verbos que nos ajudam a lidar com o encantamento na amizade. Quando uma amizade passa por esta “provação” de sentimentos, ela encontra raízes e pode avançar para águas mais profundas. Quem disse que o que sinto na amizade é paixão?

E agora, é verdadeiramente namoro ou só um encantamento na amizade?

Daniel Machado

Comunidade Canção Nova

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