Saudades da Terrinha
terça-feira, junho 23rd, 2009
“Olha pro céu meu amor, veja como ele está lindo”.
O cheiro do milho assando na fogueira, do milho cozido, o aroma da canjica, da pamonha, da tapioca, do bolo de milho e do pé-de-moleque.
A correria das crianças e as risadas pela casa brincando com os fogos.
A música com arranjos do pandeiro, do acordeom, da zabumba e do triangulo.
As estrelas do céu desaparecendo em meio a fumaça das fogueiras nas ruas. Os balões enfeitam o céu.
Êta! saudades do meu Nordeste. Nessa época do ano o peito fica apertado e a nostalgia invade o coração da gente. Saudades da família, dos amigos, do Pai que se foi e brilha no céu como os balões, deixando lição de vida para nossa gente.
E porque não!? Saudades do matuto que surge na esquina, trajando sua roupa caipira em busca de sua matuta para dançar a quadrilha. A quadrilha do baião, do xote, do reisado, do forró.
Saudades de ficar na rua em família, escutando os contos caipiras contados pelos tios e tias que tanto lutaram na vida. Saudades das trovas de viola, tocadas pelos repentistas que em tudo fazem prosas para animar a roda.
Meu lindo Nordeste, do sertão ao litoral, de plantações de cana e de cizal.
Terra de um povo malhado, sofrido. Mulheres guerreiras que defenderam suas casas e seus filhos das emboscadas de Virgulino Lampião. Da Guerra de Canudos, onde Antônio Conselheiro arrastava uma multidão. Com a intercessão de São Pedro e São João a chuva molha a terra.
Um povo de fé! Das promessas feitas a Padim Ciço!
Ah! meu Nordeste, quando volto para teus braços me refaço, descanso e em ti derramo meu pranto quando parto.
Leila Lima
Margleis Gomes

