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“Uma árvore que cai faz mais barulho que uma floresta que cresce”.

terça-feira, julho 13th, 2010

 

Segue carta do padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, de 06 de abril e endereçada ao jornal norte-americano The New York Times. Nela expressa seus sentimentos diante da onda midiática despertada pelos abusos sexuais de alguns sacerdotes enquanto surpreende o desinteresse que o trabalho de milhares religiosos suscita nos meios de comunicação.

 

Eis a carta:

 

Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.

Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante outros casos mais recentes…

 

Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.

 

É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!

 

Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no México com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças…

 

Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.

 

Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos;que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.

 

Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a soro- positivos ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.

 

Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurélio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região… Nenhum passa dos 40 anos.

 

Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa.

 

Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.

 

Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura…

Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.

 

Só lhe peço amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o fará nobre em sua profissão.

 

Em Cristo, Pe. Martín Lasarte, SDB.

 

 

Margleis Gomes

Fábula da convivência

sexta-feira, fevereiro 5th, 2010

                                                          viver em Comunidade

Há milhões de anos, durante uma era glacial, quando parte de nosso planeta esteve coberto por grandes camadas de gelo, muitos animais, não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos, por não se adaptarem às condições.


Foi, então, que uma grande quantidade de porcos-espinho, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começaram a se unir, juntar-se mais e mais.
Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam uns aos outros, aqueciam-se mutuamente, enfrentando por mais tempo aquele frio rigoroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito…
Mas essa não foi a melhor solução! Afastados, separados, logo começaram a morrer de frio, congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com cuidado, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem magoar, sem causar danos e dores uns nos outros.
Assim, suportaram-se, resistindo à longa era glacial. Sobreviveram.

(Autor desconhecido)

Moral da História

O melhor do relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro, e admirar suas qualidades.

 

Para sermos uma equipe, “precisamos descobrir a alegria de conviver”
(Carlos Drummond de Andrade)

 Margleis Gomes

Com.Cañção Nova

 

 

 

 

Viver com alma

domingo, outubro 11th, 2009

                                                                      

                                                        “Sua vida é movida pela alma”?

 

“Viver com indiferença é viver sem alma. O amor é o fruto de uma vida com alma. Viver com alma em todas as áreas de nossa vida nos liberta da indiferença e do desespero.

 

Viver com alma nos liberta da doença da indiferença. Viver com alma nos liberta dos grilhões do desespero silencioso.

 

Pessoas cheias de alma têm corações generosos e distribuem seu amor para quem entra em suas vidas.

 

Elas contemplam o mundo com alegria e entusiasmo, dão energia a quem cruza o seu caminho, e seu amor pela vida é contagioso”.

 

 

Margleis Gomes

Com. Canção Nova

 

 

Fonte: livro – Os sete Níveis da Intimidade – Pg. 82 (Matthew Kelly)

 

 

 

 

 

 

São João da Cruz

sábado, setembro 12th, 2009

Amar é dar a vida até se Perder

 

Caminho “em descida”

Descer no inferno…

“A alma procure sempre inclinar-se

Não ao mais fácil, mas, ao mais difícil.

Não ao mais saboroso, mas ao mais insosso

Não aquilo de que se gosta mais, mas, aquilo de que se  gosta menos.

Não ao repouso, mas ao cansaço

Não ao mais ou menos

Não ao conforto, mas aquilo que não é conforto

Não aquilo que é mais prezado, mas ao que é mais pobre e desprezado.

Não à procura de algo, mas a não desejar nada

Não à busca do lado melhor das coisas criadas

 

Mas ao pior e desejar nudez, privações e

Pobreza daquilo que existe no mundo,

 

Por amor de Jesus Cristo.”

 

São João da Cruz

 

“Feito Tudo,para Todos…”

quinta-feira, setembro 3rd, 2009

“Anjos e Demônios”: Vale a pena ir ao cinema?

segunda-feira, junho 22nd, 2009

Parece-me que o escritor Dan Brown e o diretor Ron Howard, o mesmo de “O Código da Vinci” gostam mesmo de levar à plena ignorância aqueles que não se apoiam na verdade da fé e tampouco nas verdades históricas. Mais uma vez um filme baseado no best-seller de Dan Brown, “Anjos e Demônio” vem levar à “loucura” – para não dizer outra coisa – no melhor estilo “policia e ladrão”, mentiras e fatos históricos totalmente distorcidos. Sua intenção? Claro, difamar a Igreja de Cristo.

A mentira do filme baseia-se agora em torno de uma possível vingança por parte de uma seita científica secreta do séc XVII chamada “Os Illuminati”. Tal seita, composta por cientista e artistas, por ter sido “perseguida, calada e exterminada” pela Igreja Católica por volta do séc XVI, está de volta para uma “vingança”. Para quem não tem um pouquinho só de raciocínio lógico e histórico  – não precisa nem ter muita fé – sai da leitura ou do cinema como “inimigo número 1 do Vaticano”. É lamentável!

Dan Brown usa personagens históricos reais como Galileu e Bernini para compor a sua trama de mentiras. Os fatos da obra são tão mentirosos que chega a ser uma obra de comédia do ponto de vista histórico, a começar pelo cruzamento de datas e personagem, como é o caso da relação entre os Illuminatis e Galileu.

Históricamente os Illuminatis foram fundados por um professor de leis chamado Adam Weishaupt, na Baviera, Alemanha, em 1 de maio de 1776. Acontece que o grupo de cientistas não foram muito longe, acabou em 1787. Mas a comédia ainda está por vir, segundo a obra de Brown, Galileu e Bernini foram contemporâneos dos Illuminatis, no entanto Galileu morreu em 1642, ou seja, 150 anos antes da fundação dos Illuminatis. Mas para Dan Brown isso não importa, afinal quem está interessado em buscar a verdade? Me parece que para muitos autores de livros e filmes de hoje é muito fácil brincar com o povo através de mentiras num mundo onde ninguém está interessado na verdade.

Se a intenção do autor é denegrir a imagem da Igreja Católica fica a pergunta: É lícito eu ir no cinema patrocinar a industria ateísta e anti-católica?

Deixo aqui abaixo o que disse o Bispo Emérito do Nardò-Gallipoli (Itália), Dom Antonio Rosario Mennonna, de 103 anos de idade

ROMA, 04 Mai. OBispo Emérito do Nardò-Gallipoli (Itália), Dom Antonio Rosário Mennonna, de 103 anos de idade e um dos três bispos vivos nascidos em 1906, criticou o conteúdo do filme Anjos e Demônios e a qualificou de ‘estupidez inútil’.

Segundoa imprensa, o Prelado assinalou que a obra, baseada no livro de Dan Brown de mesmo nome, ‘tem um conteúdo altamente denegatório, difamatório e ofensivo para os valores da Igreja e o prestígio da Santa Sé’.

Pessoas próximas a este Prelado indicaram que ele ‘ficou impressionado e profundamente perturbado pelo conteúdo do filme’.

Dom Mennonna convidou aos bispos a denunciar o filme por atacar a fé de milhões de pessoas e difundir espetáculos obscenos.” (fonte ACI)

E você, dará bilheteria a isto?

Daniel Machado

Comunidade Canção Nova

Sentire Cum Ecclesia

Eu desejo ser um lápis

quinta-feira, maio 21st, 2009


Será que deixo Deus escrever minha história?

Ao assistir a um filme sobre a vida de Madre Teresa de Calcutá, uma frase dela chamou-me muita atenção: “Sou apenas um lápis nas mãos de Deus, e é Ele quem escreve.”

Fiquei pensando: “Por que um lápis e não uma caneta?” Fiquei horas fazendo esta comparação.
O lápis por si é mais simples do que a caneta, e uma característica dele é que quando a sua ponta quebra ou está acabando, podemos apontá-la novamente, e ao errarmos ao escrever, damos um jeito de apagar. Ao passo que a caneta, ao acabar a tinta, por mais bela que seja, geralmente, é jogada fora e também não conseguimos apagar a sua escrita e mesmo se usarmos um corretivo, percebemos nitidamente ainda o seu efeito.

Como seria a nossa história escrita à caneta? Ou sendo nós uma caneta?
Deus vai nos “apontando” na escrita da vida. Quanto mais somos “apontados”, tanto melhor fica a escrita. Não é fácil passarmos por este processo, mas a nobreza do lápis está em se deixar gastar para servir da melhor maneira possível, sem ficar pensando se vai acabar ou não. Aprendamos a ser nobres com este objeto, deixando-nos “apontar” por Deus, para que Ele faça – em nós e através de nós – o que precisa ser feito, mesmo que custe a nossa vida.

O Senhor até poderia escrever a nossa história à caneta, só que, muitas vezes, nós a pegamos para escrever e “escrevemos errado”, ou seja, quando não fazemos as escolhas certas, e isso traz sérias conseqüências para a nossa vida.

Já pensou se fosse mesmo uma “caneta” que Ele utilizasse? Só que Deus, na sua imensa misericórdia e conhecendo a nossa limitação humana e inclinação ao erro, escolhe um simples “lápis” para escrever a nossa história, porque com este pode haver correção.

Como? Você deve estar se questionando como eu o fiz. Não é que vamos voltar ao passado e apagar os acontecimentos da nossa história, os erros e pecados que cometemos. Mas há uma “borracha” e um “apontador” que se chamam misericórdia de Deus, manifestada no Sacramento da Confissão, quando nos arrependemos sinceramente das faltas cometidas. Mesmo que os acontecimentos continuem em nossa lembrança, o Senhor nos perdoa e, pouco a pouco, vai curando nossas lembranças. E podemos nos alegrar porque o nosso nome permanece escrito no “livro da vida”.
Você entendeu agora por que Deus usa o lápis e não a caneta?
Margleis Gomes