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Ser Mulher

segunda-feira, março 8th, 2010

                                                       Maria, Modelo de Mulher

 

“Uma Mulher: este é o sinal. O grande sinal do céu. Uma Mulher! Quem é essa mulher? É a primeira de todas as criaturas.

A primeira concebida no coração do Pai, para ser mãe de Jesus. Para trazer seu Filho na sua primeira vinda. Agora, no Apocalipse, Ela é mostrada como a mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo de seus pés. Por que a lua? Preside à noite, à escuridão.

Ela tem o mal debaixo dos pés. As trevas estão sob seus pés. Ela tem Lúcifer – que era luz e tornou-se o portador das trevas – debaixo de seus pés.

Ela tem, também, uma coroa de doze estrelas em sua cabeça. Ela é a MULHER.”

 

Mons. Jonas Abib – ( Livro: Maria A Mulher do Gênesis ao Apocalipse)

 

 “O obrigado ao Senhor pelo seu desígnio sobre a vocação e a missão da mulher no mundo, torna-se também um concreto e direto obrigado às mulheres, a cada mulher, por aquilo que ela representa na vida da humanidade.

Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.

Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância.

Obrigado a ti, mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômico, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento, a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do « mistério », à edificação de estruturas econômicas e políticas mais ricas de humanidade.

Obrigado a ti, mulher-consagrada, que, a exemplo da maior de todas as mulheres, a Mãe de Cristo, Verbo Encarnado, te abres com docilidade e fidelidade ao amor de Deus, ajudando a Igreja e a humanidade inteira a viver para com Deus uma resposta « esponsal », que exprime maravilhosamente a comunhão que Ele quer estabelecer com a sua criatura.

Obrigado a ti, mulher, pelo simples fato de seres mulher! Com a percepção que é própria da tua feminilidade, enriqueces a compreensão do mundo e contribuis para a verdade plena das relações humanas.

Que Maria, Rainha do amor, vele pelas mulheres e pela sua missão ao serviço da humanidade, da paz, da difusão do Reino de Deus”!

Papa João Paulo II 

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/letters/documents/hf_jp-ii_let_29061995_women_po.html

 Margleis Gomes

com.Canção Nova

Mãe de Deus

sexta-feira, janeiro 1st, 2010

                                                            É Deus e se parece comigo 

“A Virgem está pálida e contempla o menino. O que dizer daquela expressão de perplexidade que foi vista uma única vez num semblante humana? Porque o Cristo é o seu filho, a carne da sua carne, e o fruto do seu ventre. Ela o carregou por nove meses, vai lhe oferecer o seio e o seu leite se tornará o sangue de Deus. 

 

Em alguns momentos a tentação é tão forte que esqueceu que é o Filho de Deus. Ela o aperta em seus braços e sussurra: meu filhinho! Mas, e outros momentos, imóvel pensa: Deus está ali. E é tomada por uma admiração religiosa por esse Deus mudo, por esse menino que, de uma certa forma, causa medo. 

 

Todas as mães, por um instante, ficam transtornadas diante daquele fragmento rebelde da sua própria carne que é um (seu) filho. E se sentem exiladas diante dessa nova vida feita da (sua) própria vida, mas que contém outros pensamentos. 

Mas nenhuma criança foi arrancada de sua mãe de um modo tão cruel e rápido porque é Deus e supera em tudo o que ela poderia imaginar. E é uma dura provação para uma mãe ter vergonha de si mesma e da sua condição humana diante de seu filho. 

 

Mas creio que deve ter havido outros momentos, rápidos e fugazes, nos quais ela sente que o Cristo é o seu filho, a sua criança, e que é Deus. Ela o contempla e pensa: este Deus é o meu filho. Esta carne é a minha carne, é feito de mim, tem os meus olhos! E a forma da sua boca é semelhante à minha boca. Ele se parece comigo. É Deus e se parece comigo. 

Nenhuma mulher teve a sorte de ter o seu Deus só para si. Um Deus menino que se pode abraçar e cobrir de beijos. Um Deus quente, que sorri, que respira. Um Deus que está vivo e se pode tocar! 

É nesses momentos que eu pintaria Maria se eu fosse pintor. 

 

E José? José, eu não o pintaria.  Mostraria apenas uma sombra no fundo do celeiro e dois olhos brilhantes. Pois não sei o que dizer de José, e Jose não sabe o que dizer de si mesmo. Adora e está feliz por adorar e se sente um pouco em exílio. Creio que sofra sem confessar. Sofre porque vê o quanto a mulher que ama se parece com Deus, o quanto está perto de Deus.

 

Pois Deus estourou como uma bomba na intimidade dessa família. José e Maria estão separados para sempre por esse incêndio de luz. E toda a vida de José, imagino, será para aprender a aceitar. ” 

 

Fonte: (Natal de 1940. O escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre, prisioneiro num campo de concentração alemão, compõe um auto para ser representado num barracão. É a peça de teatro Bariona, ou Les Fils Du Tonnerre (Os Filhos do Trovão). Sartre afimava-se ateu.)

 


Margleis Gomes

Com.Canção Nova