mar 28
sponsachristiA Voz da Igreja Igreja
Pe. Cantalamessa adverte do perigo de “amar sem o coração”
Primeira pregação de Quaresma, sobre o ‘eros’ e o ‘ágape’
CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 25 de março de 2011 (ZENIT.org) – As pessoas consagradas correm muitas vezes o risco de amar a Deus “só com a cabeça”, sem implicar o amor afetivo humano.
No entanto, rejeitar o amor humano como algo oposto ao amor de Deus pode ser um obstáculo à nova evangelização. Contra isso, advogou nesta sexta-feira o padre Raniero Cantalamessa, em sua primeira prédica de Quaresma ao Papa e à Cúria Romana.
Cantalamessa afirmou que um dos âmbitos nos quais a secularização “atua de modo particularmente difuso e nefasto” é o amor. “A secularização do amor consiste em separar o amor humano de Deus, em todas as formas desse amor, reduzindo-o a algo meramente ‘profano’, onde Deus sobra e até incomoda”.
Mas o tema do amor – sublinhou – “não é importante apenas para a evangelização, ou seja, para as relações com o mundo. Ele importa, antes de todo o mais, para a própria vida interna da Igreja, para a santificação dos seus membros”.
O pregador pontifício fez uma análise sobre a distinção que certos teólogos fizeram entre o ‘eros’, ou amor humano e passional, e o ‘ágape’, ou amor de oblação, apoiando suas reflexões na encíclica ‘Deus caritas est’, de Bento XVI.
O amor “sofre de uma separação nefasta não só na mentalidade do mundo secularizado, mas também, do lado oposto, entre os crentes e, em particular, entre as almas consagradas. Poderíamos formular a situação, simplificando ao máximo, assim: temos no mundo um ‘eros’ sem ‘ágape’; e entre os crentes, temos frequentemente um ‘ágape’ sem ‘eros’”.
O ‘eros’ sem ‘ágape’ – explicou – é um amor romântico, mas comumente passional, até violento. Um amor de conquista, que reduz fatalmente o outro a objeto do próprio prazer e ignora toda dimensão de sacrifício, de fidelidade e de doação de si.”
O ‘ágape’ sem ‘eros’, em contrapartida, é um “amor frio, um amar parcial, sem a participação do ser inteiro, mais por imposição da vontade do que por ímpeto íntimo do coração”, em que “os atos de amor voltados para Deus parecem aqueles de namorados desinspirados, que escrevem à amada cartas copiadas de modelos prontos”.
“Se o amor mundano é um corpo sem alma, o amor religioso praticado assim é uma alma sem corpo”, afirmou. “O ser humano não é um anjo, um espírito puro; é alma e corpo substancialmente unidos: tudo o que ele faz, amar inclusive, tem que refletir essa estrutura.”
“Se o componente humano ligado ao tempo e à corporeidade é sistematicamente negado ou reprimido, a saída será dúplice: ou seguir adiante aos arrastos, por senso de dever, por defesa da própria imagem, ou ir atrás de compensações mais ou menos lícitas, chegando até os dolorosíssimos casos que estão afligindo atualmente a Igreja.”
“No fundo de muitos desvios morais de almas consagradas, não é possível ignorá-lo: há uma concepção distorcida e retorcida do amor”, advertiu.
Por isso – acrescentou – a redenção do ‘eros’ “ajuda acima de tudo os enamorados humanos e os esposos cristãos, mostrando a beleza e a dignidade do amor que os une. Ajuda os jovens a experimentar o fascínio do outro sexo não como coisa turva, a ser vivida às costas de Deus, mas, ao contrário, como um dom do Criador para a sua alegria, desde que vivido na ordem querida por Ele”.
Mas também ajuda os consagrados, homens e mulheres, para evitar esse “amor frio, que não desce da mente para o coração. Um sol de inverno, que ilumina, mas não aquece”.
A chave – explicou – é o apaixonar-se pessoal por Cristo. “A beleza e a plenitude da vida consagrada depende da qualidade do nosso amor por Cristo. É só o que pode nos defender dos altos e baixos do coração. Jesus é o homem perfeito; nele se encontram, em grau infinitamente superior, todas aquelas qualidades e atenções que um homem procura numa mulher e uma mulher no homem”.
“O amor dele não nos elimina necessariamente a sedução das criaturas e, em particular, a atração do outro sexo (ela faz parte da nossa natureza, que Ele criou e não quer destruir). Mas nos dá a força para vencer essas atrações com uma atração mais forte. ‘Casto’, escreve São João Clímaco, ‘é quem afasta o eros com o Eros’”, disse Cantalamessa.
set 16
sponsachristiA Voz da Igreja

“Como Clara e suas companheiras, inumeráveis mulheres no curso da história ficaram fascinadas pelo amor de Cristo que, na beleza de sua Divina Pessoa, preencheu seus corações. E a Igreja toda, através da mística vocação nupcial das virgens consagradas, demonstra aquilo que será para sempre: a Esposa bela e pura de Cristo” (Bento XVI)
ago 05
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“O Senhor expulsou-os a todos do templo». O Apóstolo Paulo disse: «O templo de Deus é santo, e esse templo sois vós» (1Cor 3, 17), quer dizer, todos vós que acreditais em Cristo e que credes ao ponto de O amar. [...] Todos aqueles que assim crêem são as pedras vivas com as quais se edifica o templo de Deus (1Pe 2, 5); são como essa madeira imputrescível de que foi construída a arca que o dilúvio não pôde submergir (Gn 6, 14). Este templo, o povo de Deus, os próprios homens, é o local onde Deus nos concede o que Lhe pedimos. Àqueles que rezam a Deus fora deste templo não será concedida a paz da Jerusalém do alto, mesmo que lhes sejam concedidos certos bens materiais que Deus também concede aos pagãos. [...] No entanto, ser atendido no que diz respeito à vida eterna é uma coisa totalmente diferente; isso não é concedido senão àqueles que oram no templo do Senhor.
Porque aquele que reza no templo de Deus reza na paz da Igreja, na unidade do Corpo de Cristo, porque o Corpo de Cristo é constituído pela multidão dos crentes distribuídos por toda a terra. [...] E aquele que reza na paz da Igreja, ora «em espírito e verdade» (Jo 4, 23); o Templo antigo era apenas um símbolo. Com efeito, foi para nos instruir que o Senhor expulsou do Templo estes homens que não procuravam senão o seu próprio interesse, que só lá se dirigiam para comprar e para vender. Se esse Templo antigo teve de passar por essa purificação, é evidente que também o Corpo de Cristo, o verdadeiro Templo, tem compradores e vendedores misturados com aqueles que rezam, quer dizer, homens que só procuram «os próprios interesses, não os interesses de Jesus Cristo» (Fil 2, 21). [...] Tempos virão em que o Senhor expulsará todos os seus pecados..
Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África)
Sermão sobre o salmo 130 §§ 1-2
ago 03
sponsachristiPartilha

Ginetta, ainda muito jovem, começa a refletir sobre sua vida futura. O casamento lhe agrada, mas ao mesmo tempo sente-se atraída por uma existência entregue totalmente a Deus. Quando ainda era uma pré-adolescente, no dia da festa de São Luiz escuta falar dele como o “santo da virgindade”. Escreve: Uma frase ficou impressa em mim: os virgens, quando entrarão no Paraíso, seguirão o Cordeiro por toda parte. Com a fantasia de uma jovem, imagina-se passeando no Reino dos Céus com muitos outros virgens. Mas aquilo que mais me atraia era que esses virgens cantavam “um hino”, uma canção maravilhosa, conhecida só por eles. Essa idéia exerce um fascínio especial em Ginetta que, desde pequena, demonstra uma sensibilidade acentuada para a arte e para a música. Dias depois, escutando a mãe que fala com uma amiga sobre o futuro das filhas, ela intervém com seriedade e convicção: Mamãe,eu não me casarei.
Naquele período, a morte do pai marca a sua vida de uma maneira muito forte. Não consegue se conformar. Volta à sua mente a generosidade, o bom exemplo: os ensinamentos dele estão diante dela como pontos luminosos e empurrões que a impulsionam a fazer o mesmo. Estava sempre pronto a ajudar os outros, inclusive economicamente, sem se preocupar com os próprios interesses. Uma vez, para salvar um parente da falência, não hesita em tirar do próprio bolso. AS filha, no entanto, nunca o tinham escutado reclamar.
A lembrança do dia em que o pai teve de ser hospitalizado é vivo no coração de Ginetta. (…) As filhas, dando turno com a mãe, vão sempre visitá-lo. Que choque para todas quando, um dia, chegando no hospital, recebem bruscamente a notícia pelos médicos: “O papai havia falecido repentinamente”. Pensar – escreve Ginetta – que naquele último momento ele estava sozinho, pra mim foi uma dor ainda maior.
Esse sofrimento tão duro faz com que ela sinta de passar de maneira brusca e violenta da despreocupação da infância para a maturidade.
Profundamente provada, a família se une de maneira muito mais forte, procurando ajudar-se. Eram tempos muito difíceis, mas a mamãe, trabalhadora como era, nunca nos deixou faltar nada. Com a sua ajuda, Ginetta pôde continuar os estudos e receber o diploma de professora primária.
Ela está na idade das primeiras e importantes escolhas: Eu me lembrei daquelas palavras que havia escutado de criança: “Seguirão o Cordeiro… cantarão um hino, por toda a eternidade”. E como um imperativo: Não, eu não me casarei! Gostaria de realizar esse sonho fascinante: “Segui-Lo na terra e por toda a eternidade”.
Logo começa a procurar trabalho indo bater, sem se envergonhar, em muitas portas. Em pouco tempo consegue um lugar como professora na escola materna de Villamontagna, na periferia de Trento e, durante as férias, um trabalho como inspetora numa colônia do Estado. Ginetta percebe a presença de Deus nos acontecimentos cotidianos e o amor de um Pai que cuida dela. Inclusive o vazio deixado pelo pai é preenchido, e experimenta paz e segurança.
Nunca me senti órfã – escreve – porque descobri que sou filha de um Pai que em todas as ocasiões me revelava a Sua presença protetora. Até mesmo a vaga de trabalho como professora primária lhe parece um presente Dele e se empenha com entusiasmo, sem medir sacrifícios. Levanta-se bem cedo e percorre à pé os quilômetros que a levam até Villamontagna, passando por Cognola e Tavernaro. Na bolsa, leva o lanche e o almoço, pois volta para casa somente no fim da tarde. Ela gosta muito dessas caminhadas; no silêncio, em contato com a natureza, pode se recolher e rezar, encontrando um relacionamento sempre novo com Deus e com Maria. São momentos preciosos que lhe dão a possibilidade de saborear uma felicidade tão grande que a faz se sentir “dona do mundo”. (…)
Para ela, é um período de profundas reflexões. Mais madura, o questionamento sobre o próprio futuro apresenta-se seriamente. O matrimônio já estava descartado no seu coração. Mas não sente a vocação para as outras estradas (convento, etc.). Para Ginetta é um drama, pois não encontra nada condizente com o que sente. (…) Nem imaginava que Ele teria encontrado para mim uma estrada tão nova!
(…) Encontra outro trabalho como professora, com um salário melhor, numa escola infantil em San Michele all’Adige, distante de Trento. Devido à distância, passa a semana em San Michele, num quarto alugado. É a primeira vez que fica fora de casa, mas não tem dificuldade de inserir-se no novo ambiente. Ali também havia uma igreja, e um sacrário – escreve -; na bolsa tenho o crucifixo de ferro: meu companheiro inseparável… para mim, ter Deus era ter tudo!
Trecho extraído do livro “Partono i Bastimenti”, de Matilde Cocchiaro, Editora Città Nuova, 2009
jul 21
sponsachristiTextos místicos
1. Só se deve deixar de calar quando se tem algo a dizer que valha mais do que o silêncio.
2. Há um tempo de calar, assim como há um tempo de falar.
3. O tempo de calar deve sempre vir em primeiro lugar; e nunca se pode bem falar quando não se aprendeu antes a calar.
4. É certo que, considerando as coisas em geral, há menos risco em calar do que em falar.
5. O homem nunca é tão dono de si mesmo quanto no silêncio: fora dele, parece derramar-se, por assim dizer, para fora de si e dissipar-se pelo discurso; de modo que ele pertence menos a si mesmo do que aos outros.
6. Quando se tem uma coisa importante para dizer, deve-se prestar a ela uma atenção muito especial: é necessário dizê-la primeiro a si mesmo e, depois de tal precaução, voltar a dizê-la, para evitar que haja arrependimento quando já não se tiver o poder de voltar atrás no que se declarou.
7. Quando se trata de guardar um segredo, calar nunca é demais; o silêncio é então uma das coisas em que, geralmente, não há excesso.
8. O silêncio do sábio às vezes vale mais que palavras.
9. O silêncio muitas vezes passa por sabedoria em um homem limitado e por capacidade em um ignorante.
10. A característica própria de um homem corajoso é falar pouco e executar grandes ações.
11. A característica de um homem de bom senso é falar pouco e dizer sempre coisas razoáveis.
12. O silêncio é necessário em muitas ocasiões, mas é preciso sempre ser sincero; podem-se reter alguns pensamentos, mas não se deve camuflar nenhum. Há maneiras de calar sem fechar o coração: de ser discreto sem ser sombrio e taciturno; de ocultar algumas verdades sem as cobrir de mentiras.
mar 31
sponsachristiSexualidade Humana
Por : Nanci Escalante
Ao falar da sexualidade humana, não podemos nos referir unicamente à genitalidade, já que a sexualidade impregna a totalidade da pessoa humana. É por esta razão que a sexualidade na pessoa celibatária acompanha sua vida e desenvolvimento espiritual.
Por princípio, a pessoa celibatária é um ser sexuado, ou seja, é homem ou mulher, aspecto que abarca toda sua vida, seu nascimento, história, relacionamentos pessoais, experiências, etc. Este aspecto implica corpo, mente, espírito e coração, dando lugar a uma forma feminina ou masculina de relacionar-se, de se comunicar, desenvolver uma intimidade consigo mesmo e com as outras pessoas, etc.
A pessoa que opta pelo celibato não pode deixar de lado o aspecto transcendente da sexualidade, que foi criado e dado ao homem como Dom maravilhoso, que é a força que nos leva a amar, a maneira de ser, atuar, de comunicar-se, de encontrar-se consigo mesmo, com Deus e com as outras pessoas.
A correlação existente entre a sexualidade e a espiritualidade é o AMOR que cria e impulsiona a gerar e a dar. Assim, também podemos falar da sexualidade como essa energia, esse impulso interno e de vida que conduz a pessoa a experimentar a integração de seu ser, gerando uma sã afetividade que se reflete na felicidade, na totalidade, na entrega e no encontro íntimo com Deus e consigo mesma.
Desta maneira é como podemos compreender que a pessoa celibatária não renuncia a sua sexualidade, nem muito menos a AMAR, pelo contrário, renuncia à relação de genitalidade ou de cópula, a toda relação de exclusividade, para assim utilizar toda sua energia afetiva e sexual no amor, na dedicação, na entrega e na doação, o que repercute direta e totalmente na vida espiritual.
Bibliografía
Cencini,A.(1996). “Por amor, com amor, no amor. Liberdade e maturidade afetiva no celibato consagrado”. Madri. Atenas.
Puerto,C. “Sexualidade Celibatária, um caminho de espiritualidade”. Madri.
mar 03
sponsachristiEvangelho
Comentário ao Evangelho do dia feito por
Liturgia latina das horas
Hino da festa da dedicação de uma igreja: Urbs Jerusalém beata
Ó Jerusalém, cidade de Deus, nós te aclamamos «Visão de paz».
Tu foste erigida nos céus com pedras vivas.
Aclamada pelos anjos e santos, tu és a Bem-Amada do Rei.
Descida renovada do Céu, adornada para o teu Esposo.
Avança como a Esposa; vem abraçar o teu Senhor.
E ver-se-á sobre as tuas muralhas brilhar o ouro da tua alegria.
Que as tuas portas se abram de par em par; que a tua beleza resplandeça.
Que todo o homem que aí entrar seja salvo pela graça.
Que seja acolhido quem sofre em nome de Cristo e perde a coragem.
É Cristo o mestre e o artífice; é ele quem talha e aperfeiçoa.
Ele ajusta cada pedra, escolhe-a em cada sítio,
Coloca-a para permanecer este Templo santo onde Ele habita.
(Referências bíblicas: 1Ped 2, 5; Ap 21, 2.18; Co 3, 16)
fev 02
sponsachristiComemorações

Homilia do Papa Bento XVI
Bento XVI
Senhor Cardeal
Venerados Irmãos
no Episcopado e no Sacerdócio
Prezados irmãos e irmãs
É com grande alegria que me encontro convosco no final do Santo Sacrifício da Missa, nesta Festa litúrgica que já há treze anos reúne religiosos e religiosas para o Dia da Vida Consagrada. Saúdo cordialmente o Cardeal Franc Rodé, com especial reconhecimento a ele e aos seus colaboradores da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, pelo serviço que prestam à Santa Sé e àquele ao qual eu chamaria o “cosmos” da vida consagrada. Saúdo com afecto os Superiores-Gerais e as Superioras-Gerais aqui presentes e todos vós, irmãos e irmãs que, segundo o modelo da Virgem Maria, trazeis à Igreja e levais ao mundo a luz de Cristo com o vosso testemunho de pessoas consagradas. Neste Ano Paulino, faço minhas as palavras do Apóstolo: “Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós. Em todas as minhas orações peço sempre com alegria por todos vós, recordando-me da parte que tomastes na difusão do Evangelho, desde o primeiro dia até agora” (Fl 1, 3-5). Nesta saudação, dirigida à comunidade cristã de Filipos, Paulo manifesta a recordação afectuosa que ele conserva daqueles que vivem pessoalmente o Evangelho e se comprometem em transmiti-lo, unindo ao cuidado pela vida interior o esforço da missão apostólica.
Na tradição da Igreja, São Paulo foi sempre reconhecido pai e mestre daqueles que, chamados pelo Senhor, fizeram a escolha de uma dedicação incondicionada a Ele e ao seu Evangelho. Diversos Institutos religiosos adquirem de São Paulo o nome, e dele haurem uma inspiração carismática específica. Pode-se dizer que ele repete a todos os consagrados e consagradas um convite simples e afectuoso: “Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo” (1 Cor 11, 1). Com efeito, o que é a vida consagrada, a não ser uma imitação radical de Jesus, uma “sequela” total dele (cf. Mt 19, 27-28). Pois bem, em tudo isto Paulo representa uma mediação pedagógica segura: caríssimos, imitá-lo no seguimento de Cristo constitui o caminho privilegiado para corresponder até ao fundo à vossa vocação de consagração especial na Igreja.
Aliás, da sua própria voz podemos conhecer um estilo de vida, que exprime a substância da vida consagrada inspirada nos conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência. Na vida de pobreza, ele vê a garantia de um anúncio do Evangelho realizado em gratuidade total (cf. 1 Cor 9, 1-23) enquanto exprime, ao mesmo tempo, a solidariedade concreta para com os irmãos em necessidade. A este propósito, todos nós conhecemos a decisão de Paulo, de se manter com o trabalho das suas mãos e o seu compromisso pela colecta em benefício dos pobres de Jerusalém (cf. 1 Ts 2, 9; 2 Cor 8-9). Paulo é também um Apóstolo que, acolhendo o chamamento de Deus à castidade, entregou o coração ao Senhor de maneira indivisa, para poder servir com liberdade e dedicação ainda maiores aos seus irmãos (cf. 1 Cor 7, 7; 2 Cor11, 1-2); além disso, num mundo em que os valores da castidade cristã tinham escassa cidadania (cf. 1 Cor 6, 12-20), ele oferece uma segura referência de conduta. Depois, naquilo que se refere à obediência, é suficiente observar que o cumprimento da vontade de Deus e a “obsessão de cada dia: o cuidado de todas as Igrejas” (2 Cor 11, 28) animaram, plasmaram e consumiram a sua existência, que se tornou sacrifício agradável a Deus. Tudo isto o leva a proclamar, como ele escreve aos Filipenses: “Porque para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1, 21).
Outro aspecto fundamental da vida consagrada de Paulo é a missão. Ele é inteiramente de Jesus para ser, como Jesus, de todos; aliás, a fim de ser Jesus para todos: “Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a todo o custo” (1Cor 9, 22). A ele, tão intimamente unido à pessoa de Cristo, reconhecemos uma profunda capacidade de unir a vida espiritual e a obra missionária; nele, estas duas dimensões evocam-se reciprocamente. E deste modo, podemos dizer que ele pertence àquele exército de “construtores místicos”, cuja existência é contemplativa e ao mesmo tempo activa, aberta a Deus e aos irmãos para desempenhar um serviço eficaz ao Evangelho. Nesta tensão místico-apostólica, apraz-me frisar a coragem do Apóstolo diante do sacrifício de enfrentar provações terríveis, até ao martírio (cf. 2 Cor 11, 16-33), a confiança inabalável alicerçada nas palavras do seu Senhor: “Basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que a minha força se revela totalmente” (2 Cor 12, 9). Assim, a sua experiência espiritual manifesta-se-nos como a tradução viva do mistério pascal, que ele investigou e anunciou intensamente como forma de vida do cristão. Paulo vive para, com e emCristo. “Estou crucificado com Cristo! escreve ele já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!” (Gl 2, 19-20); e ainda: “Porque para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fl 1, 21). Isto explica por que ele não se cansa de exortar a fazer com que a palavra de Cristo habite em nós na sua riqueza (cf. Cl 3, 16). Isto faz pensar no convite que vos foi dirigido pela recente Instrução sobre O serviço da autoridade e a obediência, a procurar todas as manhãs o contacto vivo e constante com a Palavra que neste dia é proclamada, meditando-a e conservando-a no coração como um tesouro, fazendo dele a raiz de toda a acção e o primeiro critério de toda a opção” (n. 7). Por conseguinte, faço votos por que o Ano Paulino alimente ainda mais em vós o propósito de acolher o testemunho de São Paulo, meditando todos os dias a Palavra de Deus com a prática fiel da lectio divina, rezando “com salmos, hinos e cânticos espirituais”; cantando sob a acção da graça” (Cl 3, 16). Além disso, que ele vos ajude a realizar o vosso serviço apostólico na Igreja e com a Igreja, com um espírito de comunhão sem reservas, comunicando aos outros a dádiva dos próprios carismas (cf. 1 Cor 14, 12) e testemunhando em primeiro lugar o maior carisma, que é a caridade (cf. 1 Cor 13).
Estimados irmãos e irmãs, a liturgia hodierna exorta-nos a olhar para a Virgem Maria, a “Consagrada” por excelência. Paulo fala dela com uma fórmula concisa mas eficaz, que descreve a sua grandeza e a sua tarefa: é a “mulher” da qual, na plenitude dos tempos, nasceu o Filho de Deus (cf. Gl 4, 4). Maria é a mãe, que hoje no Templo apresenta o Filho ao Pai, dando continuidade também com este gesto ao “sim” pronunciado no momento da Anunciação. Seja ainda ela a mãe que nos acompanha e nos sustém, a nós filhos de Deus e seus filhos, no cumprimento de um serviço generoso a Deus e aos irmãos. Para tal finalidade, invoco a sua intercessão celestial, enquanto de coração concedo a Bênção Apostólica a todos vós e às vossas respectivas Famílias religiosas.
© Copyright 2009 – Libreria Editrice Vaticana
fev 02
sponsachristiComemorações

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II
PARA A CELEBRAÇÃO DO PRIMEIRO
DIA DA VIDA CONSAGRADA
Veneráveis Irmãos no Episcopado
Caríssimas pessoas consagradas
A missão da vida consagrada, no presente e no futuro da Igreja, já no limiar do terceiro milênio, diz respeito não apenas àqueles que receberam esse carisma especial, mas a toda comunidade cristã. Na Exortação Apostólica pós-sinodal Vita consecrata, publicada no ano passado, eu escrevia. «Na verdade, a vida consagrada está colocada no coração da Igreja, como elemento decisivo para a sua missão, visto que “exprime a íntima natureza da vocação cristã” e a tensão da Igreja-Esposa para a união com o único Esposo» (n. 3). Às pessoas consagradas eu gostaria de repetir o convite a olhar o futuro com confiança, contando com a fidelidade de Deus e a força da sua graça, capaz de realizar sempre novas maravilhas: «Vós não tendes apenas uma história gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir! Olhai o futuro, para o qual vos projeta o Espírito a fim de realizar convosco ainda grandes coisas » (ibid., 110).
2. Portanto, é tríplice o escopo de tal Dia: em primeiro lugar, ele responde à íntima necessidade de louvar mais solenemente o Senhor, e agradecer-Lhe o grande dom da vida consagrada, que enriquece e alegra a Comunidade cristã com a multiplicidade dos seus carismas e com os frutos de edificação de tantas existências, totalmente doadas à causa do Reino. Jamais devemos esquecer que a vida consagrada, antes de ser compromisso do homem, é dom que vem do Alto, iniciativa do Pai, «que atrai a Si uma criatura sua, por um amor de predileção e em ordem a uma missão especial » (ibid., 17). Esse olhar de predileção toca profundamente o coração de quem é chamado, e que o Espírito Santo impel a se colocar nas pegadas de Cristo, numa forma toda especial de seguimento, mediante a assunção dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência. Dom estupendo!
«O que seria do mundo se não existissem os religiosos?», perguntava com muita razão Santa Teresa (Livro da vida, 32, 11). É uma pergunta que nos impele a agradecer incessantemente ao Senhor que, com esse singular dom do Espírito, continua a animar e sustentar a Igreja na sua exigente caminhada no mundo.
3. Em segundo lugar, esse Dia tem o escopo de promover o conhecimento e a estima pela vida consagrada, por parte de todo o povo de Deus.
Como ressaltou o Concílio (cf. Lumen gentium, 44) e eu mesmo tive ocasião de reafirmar na citada Exortação Apostólica, a vida consagrada «imita mais de perto, e perpetuamente representa na Igreja a forma de vida que Jesus, supremo consagrado e missionário do Pai para o seu Reino, abraçou e propôs aos discípulos que O seguiam» (n. 22). Portanto, ela é memória vivente e especial do seu ser de Filho que faz do Pai o seu único Amor – eis a sua virgindade -, que encontra n’Ele a sua exclusiva riqueza – eis a sua pobreza – e tem na vontade do Pai o «alimento» de que se nutre (cf. Jo. 4, 34) – eis a sua obediência.
Essa forma de vida, abraçada por Cristo, e que se torna presente, de modo especial, através das pessoas consagradas, tem grande importância para a Igreja, chamada a viver em cada um de seus membros, a mesma tensão para o Tudo de Deus, seguindo Cristo na luz e na força do Espírito Santo.
Nas suas múltiplas expressões, a vida de especial consagração está a serviço da consagração batismal de todos os fiéis. Contemplando o dom da vida consagrada, a Igreja contempla a sua íntima vocação de pertencer somente ao seu Senhor, desejosa de ser aos olhos d’Ele «sem mancha nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e imaculada» (Ef. 5, 27).
Por isso, compreende-se muito bem a oportunidade de um Dia especial para fazer com que a doutrina sobre a vida consagrada seja mais largamente e mais profundamente meditada e assimilada por todos os membros do povo de Deus.
4. O terceiro motivo se refere diretamente às pessoas consagradas, convidadas a celebrar em conjunto e solenemente as maravilhas que o Senhor realizou nelas, para descobrir, com um olhar de fé mais lúcido, os raios da divina beleza difundidos pelo Espírito no seu gênero de vida, e tomar consciência mais viva da sua insubstituível missão na Igreja e no mundo.
Imersas num mundo muitas vezes agitado e distraído, às vezes absorvidas por tarefas prementes, as pessoas consagradas serão também ajudadas pela celebração desse Dia anual, a voltar às fontes da sua vocação, a fazer um balanço da própria vida, a confirmar o empenho da própria consagração. Assim, nas diferentes situações, poderão testemunhar alegremente aos homens e às mulheres do nosso tempo, que o Senhor é o Amor capaz de preencher o coração da pessoa humana.
Na verdade existe uma grande urgência de que a vida consagrada se mostre sempre mais «cheia de alegria e de Espírito Santo», se lance com entusiasmo nas estradas da missão, se torne credível pelo testemunho vivido, já que «o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres – ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas» (Exort. Apost. Evangelii nuntiandi, 41).
5. O Dia da Vida consagrada será celebrado na festa em que se faz memória da apresentação, que Maria e José fizeram de Jesus no Templo «para O apresentarem ao Senhor» (Lc. 2, 22).
Nesta cena evangélica, revela-se o mistério de Jesus, o consagrado do Pai, que veio ao mundo para cumprir fielmente a Sua vontade (cf. Heb. 10, 5-7). Simeão O aponta como «Luz para iluminar as nações» (Lc. 2, 32) e preanuncia, com palavra profética, a oferta suprema de Jesus ao Pai e a sua vitória final (cf. Lc. 2, 32-35).
Assim, a Apresentação de Jesus no Templo constitui um eloqüente ícone da total doação da própria vida, para todos os que foram chamados a reproduzir na Igreja e no mundo, mediante os conselhos evangélicos, «os traços característicos de Jesus virgem, pobre e obediente» (Exort. Apost. Vita consecrata, 1). Maria associa-se à apresentação de Cristo.
A Virgem Mãe, que leva o Filho ao Templo, para que seja oferecido ao Pai, exprime bem a figura da Igreja que continua a oferecer seus filhos e filhas ao Pai celeste, associando-os à única oblação de Cristo, causa e modelo de toda a consagração na Igreja.
Já faz algumas décadas que, na Igreja de Roma e em outras Dioceses, a festividade do dia 2 de fevereiro reúne quase espontaneamente numerosos membros de Institutos de Vida Consagrada e de Sociedades de Vida Apostólica ao redor do Papa e dos pastores diocesanos, para manifestar coralmente, em comunhão com o inteiro povo de Deus, o dom e o compromisso do próprio chamado, a variedade dos carismas da vida consagrada e a sua peculiar presença no âmbito da comunidade dos que crêem.
Desejo que essa experiência se estenda a toda a Igreja, de modo que a celebração do Dia da Vida consagrada reúna as pessoas consagradas, juntamente com os outros fiéis, para cantar com a Virgem Maria as maravilhas que o Senhor realiza em tantos seus filhos e filhas, e para manifestar a todos que a condição de «povo a Ele consagrado» (Dt. 28, 9) é a condição de todos que foram remidos por Cristo.
6. Caríssimos Irmãos e Irmãs, enquanto entrego a instituição desse Dia à proteção materna de Maria, de todo o coração desejo que ele produza frutos abundantes para a santidade e a missão da Igreja. Especialmente ajude a fazer crescer na comunidade cristã a estima pelas vocações de especial consagração, a fazer com que se torne sempre mais intensa a oração para obtê-las do Senhor, fazendo amadurecer nos jovens e nas famílias uma generosa disponibilidade a receber esse dom. A vida eclesial no seu conjunto será beneficiada, e disso há de haurir força a nova evangelização.
Tenho confiante esperança de que este «Dia» de oração e de reflexão ajude as Igrejas Particulares a valorizar sempre mais o dom da vida consagrada, e a medir-se com a sua mensagem, para encontrar o justo e fecundo equilíbrio entre atividade e contemplação, entre oração e caridade, entre empenho na história e tensão escatológica.
A Virgem Maria, que teve o altíssimo privilégio de apresentar ao Pai Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, como oblação pura e santa, obtenha-nos a graça de estar constantemente abertos e acolhedores em relação às grandes obras, que Ele não cessa de realizar para o bem da Igreja e da humanidade inteira.
Com tais sentimentos, e augurando às pessoas consagradas perseverança e alegria na sua vocação, concedo a todos a Bênção Apostólica.
Do Vaticano, 6 de Janeiro de 1997
jan 11
sponsachristiPara Meditar

O PODER DO AMOR
«O que decididamente atrai a atenção para Cristo não é que Ele seja mais poderoso do que os outros homens (graças a uma ciência ou a uma força de vontade inauditas, ou a outras faculdades psíquicas e parapsíquicas que, por exemplo, explicariam os seus milagres), é que Ele quer ser tão «manso e humilde de coração» (Mt 11, 29) e assim tão «pobre em espírito» (Mt 5, 3) que, mediante esta disposição humana, o amor absoluto pode transparecer perfeitamente e tornar-se nele presente. Mais ainda, esta disposição amorosa só pode, no fim de contas, ser determinada (inventada e suscitada) por este amor absoluto.»
Hans Urs von Balthasar, em “Só o Amor é Digno de Fé”
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