“NÃO ESPERAREI. VIVO O MOMENTO PRESENTE, ENCHENDO-O DE AMOR!” (CARDEAL DOM VAN THUAN)

Archive for setembro 13th, 2009

“Pai, Olha a Capela!”

Queridos irmãos e irmãs em Cristo Jesus, o Senhor de todas as coisas, a Paz!!!

Escrever neste blog tem sido para mim, um exercício maravilhoso de partilha de vida e das experiências que Deus tem me concedido viver.

Nessa nova categoria do blog dedicada ao meu filho mais velho (Arthur), quero partilhar com você experiências simples que acontecem no nosso dia a dia de família consagrada a Deus na Comunidade Canção Nova.
Você deve estar pensando que lerá “grandes” ensinamentos e partilhas “profundíssimas”, cheias de teologia e etc…rsrs. Nada disso… Tire o cavalinho da chuva, como diz o ditado popular…rsrs.

Aqui partilharei com você coisas que serão tão simples, mas tão simples, que você talvez pense: “Isso aqui nem precisava ser escrito num blog” ou “Mas todo mundo já passou por isso alguma vez na vida”… Não se espante, é exatamente isso que quero que aconteça…rsrs. Quero fazer você que me lê agora entender que, a nossa vida de consagrados numa comunidade só se diferencia da sua pelo lugar onde Deus nos colocou pra viver e servir a Ele, e talvez a forma como fazemos isso. No mais, em todo o restante, somos muito “iguais” a você e as nossas famílias se parecem muito com a sua…rsrs. Isso mesmo, não se espante. Temos problemas, temos dificuldades, contas pra pagar, mil e uma questões de como criar melhor os nossos filhos nesse mundo de meu Deus… Enfim, sentimos na pele tudo o que você sente e, como você, queremos achar e dar uma resposta diferente. Lembre-se, você (s) não está (ão) sozinho (s)!

Arthur Fiuza - 4 anos - Férias da Famlia em 2008

Arthur Fiuza - 4 anos - Férias da Família em 2008

Nesse primeiro artigo nessa categoria trago a você uma “conquista” na Evangelização dos nossos filhos. Sempre que passamos (de carro ou mesmo à pé) em frente a alguma capela onde se encontre o Santíssimo Sacramento (dentro ou fora da Canção Nova), eu digo ao Arthur: “Filho, olha a capela!” Uma vez que ele já sabe fazer o sinal da cruz, lembro a ele dessa forma simples que estamos passando por um “Lugar Santo”, Território Eucarístico, de que ali existe a Presença Real de Jesus na Eucaristia. Dessa forma, ele foi se “acostumando” a fazer isso, lembrando de Jesus e de ficar (ainda sem perceber) atento aos sinais de Deus, à Sua Presença em sua vida.

De tanto fazer isso, ficou gravado no coração dele e, quando passamos com um pouco mais de pressa e acabamos esquecendo (nós adultos somos relaxados e desatentos mesmo, não…rsrs?), ele mesmo se vira para nós no carro e grita: “Ei, pai! Você esqueceu de dizer ‘OLHA A CAPELA!’”. Todos rimos (de sem graças, pois ensinamos e depois nós mesmos esquecemos) e dizemos a ele: “Nossa, filho, foi mesmo… Nos perdoe! Então diga você, já que se lembrou!” E ele, todo sorridente, grita dentro do carro: “OLHA A CAPELAAAAA!!!” E todos nós (a Catharina ainda meio/ muito desajeitada…rsrs), fazemos o sinal da cruz.

Bendito seja o Senhor, que nos forma até através dos nossos filhos e em tudo que nos acontece no dia a dia, basta estarmos atentos.

“Da boca das crianças e dos pequeninos sai um louvor que confunde vossos adversários, e reduz ao silêncio vossos inimigos”. (Sl 8,3)

Deus abençoe você e a sua família e te faça experimentar essa mesma alegria que hoje partilho, maravilhosos “pequenos tesouros” do quotidiano. Grande abraço.


“Tome a sua cruz e siga-Me!”

Comentário ao Evangelho do dia feito por Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa. A expiação mística / Amor à cruz, 24/11/1934 (trad. a partir de Source Cachée, 1999, p. 234).

«Tome a sua cruz e siga-Me»

A união com Cristo é a nossa bem-aventurança e o aprofundamento dessa união com Ele traz-nos a felicidade terrena. Portanto, O amor à cruz não está, de forma nenhuma, em contradição com a alegria de sermos filhos de Deus. Ajudar a levar a cruz de Cristo dá uma alegria forte e pura aos que são chamados e são capazes de o fazer. Dessa forma, os verdadeiros filhos de Deus participam na edificação do Seu Reino. Assim, a predileção pelo caminho da cruz também não significa que nos desagrade ver ultrapassada a sexta-feira Santa e cumprida a obra da Redenção. Só os resgatados, só os filhos da graça podem verdadeiramente carregar a cruz de Cristo. Só através da união com a divina Cabeça é que o sofrimento humano adquire a sua potencialidade redentora.

Sofrer e sentir-se bem-aventurado no sofrimento, permanecer firme de pé, seguir pelos caminhos poeirentos e pedregosos desta terra e estar ao mesmo tempo sentado com Cristo à direita do Pai (cf. Col 3, 1), rir-se e chorar com as crianças deste mundo sem deixar de cantar com os coros angélicos os louvores de Deus, eis a vida do cristão, até que rompa a aurora da eternidade.


Liturgia da Palavra - Domingo - 13/09/2009.

24º Domingo do Tempo Comum - Ano B

Livro de Isaías 50,4-9.
4. O Senhor Deus deu-me a língua de um discípulo para que eu saiba reconfortar pela palavra o que está abatido. Cada manhã ele desperta meus ouvidos para que escute como discípulo; 5. (o Senhor Deus abriu-me o ouvido) e eu não relutei, não me esquivei. 6. Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. 7. Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado; enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado. 8. Aquele que me fará justiça aí está. Quem ousará atacar-me? Vamos medir-nos! Quem será meu adversário? Que se apresente! 9. O Senhor Deus vem em meu auxílio: quem ousaria condenar-me? Cairão em frangalhos como um manto velho; a traça os roerá.”

Livro de Salmos 116(114),1-2.3-4.5-6.8-9.
“1. Aleluia. Amo o Senhor, porque ele ouviu a voz de minha súplica,
2. porque inclinou para mim os seus ouvidos no dia em que o invoquei.
3. Os laços da morte me envolviam, a rede da habitação dos mortos me apanhou de improviso; estava abismado na aflição e na ansiedade.
4. Foi então que invoquei o nome do Senhor: Ó Senhor, salvai-me a vida!
5. O Senhor é bom e justo, cheio de misericórdia é nosso Deus.
6. O Senhor cuida dos corações simples; achava-me na miséria e ele me salvou.
8. pois livrou-me a alma da morte, preservou-me os olhos do pranto, os pés da queda.
9. Na presença do Senhor continuarei o meu caminho na terra dos vivos.”

Carta de S. Tiago 2,14-18.
“14. De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? 15. Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano, 16. e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? 17. Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. 18. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.”

Evangelho segundo S. Marcos 8,27-35.
27. Jesus saiu com os seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe, e pelo caminho perguntou-lhes: Quem dizem os homens que eu sou? 28. Responderam-lhe os discípulos: João Batista; outros, Elias; outros, um dos profetas. 29. Então perguntou-lhes Jesus: E vós, quem dizeis que eu sou? Respondeu Pedro: Tu és o Cristo. 30. E ordenou-lhes severamente que a ninguém dissessem nada a respeito dele. 31. E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muito, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e fosse morto, mas ressuscitasse depois de três dias. 32. E falava-lhes abertamente dessas coisas. Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo. 33. Mas, voltando-se ele, olhou para os seus discípulos e repreendeu a Pedro: Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens. 34. Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á.”

Comentário da Liturgia:
A liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum diz-nos que o caminho da realização plena do homem passa pela obediência aos projetos de Deus e pelo dom total da vida aos irmãos. Ao contrário do que o mundo pensa, esse caminho não conduz ao fracasso, mas à vida verdadeira, à realização plena do homem.

A primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo, chamado por Deus a testemunhar a Palavra da salvação e que, para cumprir essa missão, enfrenta a perseguição, a tortura, a morte. Contudo, o profeta está consciente de que a sua vida não foi um fracasso: quem confia no Senhor e procura viver na fidelidade ao seu projeto, triunfará sobre a perseguição e a morte. Os primeiros cristãos viram neste “servo de Javé” a figura de Jesus.

No Evangelho, Jesus é apresentado como o Messias libertador, enviado ao mundo pelo Pai para oferecer aos homens o caminho da salvação e da vida plena. Cumprindo o plano do Pai, Jesus mostra aos discípulos que o caminho da vida verdadeira não passa pelos triunfos e êxitos humanos, mas pelo amor e pelo dom da vida (até à morte, se for necessário). Jesus vai percorrer esse caminho; e quem quiser ser seu discípulo, tem de aceitar percorrer um caminho semelhante.

A segunda leitura lembra aos crentes que o seguimento de Jesus não se concretiza com belas palavras ou com teorias muito bem elaboradas, mas com gestos concretos de amor, de partilha, de serviço, de solidariedade para com os irmãos.